07/28/2016
Estou com problemas em meu relacionamento. Estou com medo de que meu namorado não saiba lidar com meu jeito e sinto que pode me deixar a qualquer momento. Gosto dele, mas sinto que, apesar de ter capacidade para gostar de pessoas novas, não sei desgostar das antigas. Um dos meus ex-namorados (que são só dois) tem muitos problemas psicológicos, toma remédios fortes, mas, mesmo assim, tem surtos. É considerado psicopata. Sinto que ele não tem ninguém, então, me coloco à disposição para ajudá-lo sempre. Como, de tempos em tempos, ele me procura querendo voltar, e como fez escândalo quando soube do meu novo namoro, meu namorado atual não gosta dessa situação. Acha que estou alimentando algo que pode trazer problemas. Como deixar de me responsabilizar pelos problemas dos namorados antigos? Como me desvincular de sentimentos velhos e parar de "armazenar" pessoas?
Sim, namorados podem nos deixar a qualquer momento. Mesmo que eles decidam permanecer ao nosso lado, eles não têm controle sobre a morte. É ela quem decide quando vai chegar ou não. Você parece não ter se dado conta disso ainda. Está apostando com a morte, como se pudesse mantê-la longe de si com os seus cuidados maternais. Mesmo não querendo mais manter o relacionamento amoroso com seu ex-namorado, age como a mãe protetora a quem cabe zelar pela sobrevivência dos filhos. Tentar driblar a morte é uma aposta perdida. Não tem nada a ver com responsabilidade. Você faz parte de uma legião. Muitas mulheres estão no meio do caminho, perdidas. Conseguiram realizar o feminino muito além do lar e ainda escorregam para soluções gastas dentro dele. Confundem a mulher com a mãe e viram enfermeiras de seus homens e de seus filhos. A conta costuma ser alta, para eles e para ela. Que pena! Será que você consegue deixar de se sentir tão útil quanto um seio que alimenta o bebê? Caso consiga, vai acabar descobrindo que existem outras maneiras de uma mulher viver sua sexualidade. Trata-se de assumir que a finitude é inevitável e de investir no nascimento de uma nova ética, na qual as relações de dependência, de parasitagem, sejam substituídas pelo companheirismo, pela camaradagem. A diferença é que, para tanto, às vezes a gente não serve para nada mesmo. O outro f**a perto apenas pelo bem querer.