Ciência Brasil

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Informações e Discussões sobre Ciência e Tecnologia

03/08/2024
01/15/2024

Um estudo recente, publicado na revista Nature Microbiology em 3 de janeiro de 2024, por pesquisadores da University of Maryland e do National Institutes of Health (NIH), revelou a enzima microbiana responsável pela cor amarela da urina. A enzima identificada, denominada bilirrubina redutase, abre a porta para uma maior exploração do papel do microbioma intestinal em condições como icterícia e doenças inflamatórias intestinais

O autor principal, Brantley Hall, professor assistente do Departamento de Biologia Celular e Genética Molecular da University of Maryland, expressou o significado desta descoberta para desvendar o mistério de longa data da tonalidade amarela da urina. A pesquisa não apenas aborda um quebra-cabeça científico, mas também traz implicações potenciais para a saúde. A equipe observou que a bilirrubina redutase está presente na maioria dos adultos saudáveis, mas, em geral, está ausente em recém-nascidos e indivíduos com doenças inflamatórias intestinais. Os pesquisadores especulam que a ausência da enzima pode estar ligada a condições como icterícia infantil e formação de cálculos biliares pigmentados.

O coautor do estudo e investigador do NIH, Xiaofang Jiang, destacou a importância desta descoberta ao afirmar que a identificação desta enzima permite avancar para a proxima etapa do estudo, como as bactérias intestinais influenciam os níveis de bilirrubina circulante e as condições de saúde relacionadas à icterícia. Esta descoberta serve como um passo fundamental na compreensão do eixo fígado-intestino.

Referencia: BilR is a gut microbial enzyme that reduces bilirubin to urobilinogen” by Brantley Hall, Sophia Levy, Keith Dufault-Thompson, Gabriela Arp, Aoshu Zhong, Glory Minabou Ndjite, Ashley Weiss, Domenick Braccia, Conor Jenkins, Maggie R. Grant, Stephenie Abeysinghe, Yiyan Yang, Madison D. Jermain, Chih Hao Wu, Bing Ma and Xiaofang Jiang, 3 January 2024, Nature Microbiology. DOI: 10.1038/s41564-023-01549-x
Imagem: Patrick O'Brien

01/13/2024

Em um excelente documento recentemente publicado, ALaqeela, PhD descreve os diferentes antioxidantes de diferentes cascas de frutas cítricas como agentes preventivos contra o câncer.

Pesquisas recentes indicam que o consumo de frutas cítricas está associado a uma menor incidência de todos os tipos de câncer. O consumo de citrinos e de sumos parece estar inversamente relacionado com um menor risco de várias doenças infecciosas, incluindo doenças malignas, de acordo com evidências de investigação experimental e epidemiológica. Vários tipos comerciais de frutas cítricas, incluindo laranja, toranja e limão, contem produtos químicos naturais com uma série de vantagens para a saúde. Citrus é um membro da família Rutaceae. Os cítricos há muito servem como base para remédios tradicionais amplamente utilizados em vários países. As frutas cítricas contêm uma variedade de nutrientes essenciais, incluindo vitamina C, vitamina A e vários tipos de carotenos, bem como um grande número de fitoquímicos não nutritivos, como diversas classes de flavonóides, gliceratos, cumarinas, monoterpenos, triterpenos e ácidos fenólicos. As cascas de frutas cítricas, subprodutos da fabricação de frutas cítricas e fontes valiosas de polifenóis, têm propriedades anti-hiperglicêmicas.
Brazilian Journal of Biology, 2024, vol. 84, e271619 | https://doi.org/10.1590/1519-6984.271619
Picture: Ekaterina Bolovtsova

01/12/2024

Sabe-se que a restrição de calorias melhora a saúde e aumenta a expectativa de vida. Embora retarde o envelhecimento, os mecanismos pelos quais a restrição alimentar reduz o envelhecimento permanece obscuro, especialmente no que diz respeito à funcao cerebral. Cientistas do Buck Institute for Research on Aging, Novato, CA 94945, USA descobriram um papel para um gene chamado OXR1, que é necessário para a extensão da vida útil observada com a restrição alimentar e é essencial para o envelhecimento saudável do cérebro.

O grupo de pesquisa identificou polimorfismos no gene mtd, homólogo ao OXR1 da mosca, que influenciaram a expectativa de vida e a expressão do mtd em resposta à restrição alimentar. Em moscas fêmeas, o bloqueio do mtd na idade adulta inibiu a extensão da vida mediada por restricao alimentar. O grupo descobriu que a expressão de mtd/OXR1 diminui com a idade. A perda de mtd/OXR1 induz, por exemplo, ao tráfego inadequado de proteínas. A expectativa de vida foi restabelecida com farmacos ou com a superexpressao de genes relacionados ao mtd/OXR1. Análises multiômicas em moscas e humanos mostraram que a diminuição de Mtd/OXR1 está associada ao envelhecimento e a doenças neurológicas. A superexpressão de mtd/OXR1 resgatou o declínio visual relacionado à idade e a tauopatia em um modelo de mosca. O OXR1 desempenha um papel importante para a saúde e longevidade neuronal.

Wilson, K.A., Bar, S., Dammer, E.B. et al. OXR1 maintains the retromer to delay brain aging under dietary restriction. Nat Commun 15, 467 (2024). https://doi.org/10.1038/s41467-023-44343-3.
Picture: https://www.pexels.com//

01/11/2024

Num estudo inovador, Catherine D. Shelton e colaboradores investiga a intrincada dança entre a microbiota intestinal na infância, os antibióticos e uma dieta rica em gordura (HF) para desvendar os mecanismos por detrás da obesidade infantil. O ponto focal da pesquisa é o papel significativo desempenhado pelas espécies de Lactobacillus na microbiota do intestino delgado e a descoberta de um metabólito derivado da microbiota, o ácido fenilático como um potente protetor contra disfunções metabólicas induzidas pela exposição precoce a antibióticos e uma dieta rica em gordura.

O estudo destaca o papel protetor único das espécies de Lactobacillus na microbiota do intestino delgado, demonstrando a sua capacidade de regular as células epiteliais intestinais (IECs) e limitar a obesidade induzida pela dieta durante o início da vida.

O estudo enfatiza a sensibilidade da microbiota intestinal no início da vida a fatores ambientais, como uma dieta obesogênica (dieta rica em gordura) e tratamento com antibióticos. Acredita-se que a desorganizacao da microbiota intestinal durante esta janela crítica de desenvolvimento tenha impactos duradouros na saúde da criança, contribuindo potencialmente para o aumento do ganho de peso e do índice de massa corporal (IMC) nas crianças.

A depleção de espécies de Lactobacillus, especificamente Ligilactobacillus murinus, da microbiota do intestino delgado está ligada ao aumento da adiposidade. Modelos experimentais envolvendo a exposicao, em baixas doses, a penicilina, e dieta rica em gordura revelam depleção sustentada de Lactobacillus com subsequente alterações metabólicas duradouras e obesidade.

Shelton et al., 2023, Cell Host & Microbe 31, 1604–1619
October 11, 2023 ª 2023 The Author(s). Published by Elsevier Inc.
https://doi.org/10.1016/j.chom.2023.09.002.

Image: Sergio Romero

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