Rodrigo Franklin de Sousa

Rodrigo Franklin de Sousa Professor de Hebraico e Antigo Testamento da Faculté Jean Calvin

Divulgando o seminário sobre Direito e tolerância religiosa que começa no dia 01/12. Trata-se de uma série de entrevista...
11/25/2020

Divulgando o seminário sobre Direito e tolerância religiosa que começa no dia 01/12. Trata-se de uma série de entrevistas com representantes de várias religiões conduzidas pelo Gustavo Ferraz de Campos Mônaco, Professor Titular de Direito Internacional Privado da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco - Universidade de São Paulo. Eu tive a honra de representar o protestantismo nessa série.

Conférence radio du doyen de la Faculté Jean Calvin.
11/05/2020

Conférence radio du doyen de la Faculté Jean Calvin.

La vie éternelle est-elle enfin à portée de main ? C'est en tout cas la promesse du transhumanisme. Yannick Imbert le doyen de la Faculté de Théologie Jean Calvin nous de ce mouvement scientifique et culturel, plus influant que ce que l'on pourrait croire.

11/03/2020

Basta apenas um pouco de bom senso para entender uma verdade simples e evidente: Não importa se a mulher é freira, influencer, pr******ta ou estrela do pornô. Estupro é estupro!

Mas para boa parte dos "cidadãos de bem" do Brasil, se uma mulher foi estuprada, é porque mereceu.

"Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida." (Habacuque 1:2-4)

O profeta Habacuque está falando aqui de seu próprio contexto. Mas poderia bem estar falando do Brasil do século XXI, o país do "estupro culposo".

Bom dia, pessoal! Segue o link para a videoconferência que ministrei ontem na Faculdade Teológica Batista de São Paulo, ...
10/30/2020

Bom dia, pessoal! Segue o link para a videoconferência que ministrei ontem na Faculdade Teológica Batista de São Paulo, sobre o tema "A Reforma Protestante e a Interpretação da Bíblia"

Conferência da Reforma 29 de outubro de 2020 Dr. Rodrigo de Sousa PhD pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Professor de Hebraico e Antigo Testamento, ...

É hoje! Espero ver vocês por lá!
10/29/2020

É hoje! Espero ver vocês por lá!

04/29/2020

Sobre o Presidente do Brasil.

Em 1999, Jair Bolsonaro disse: “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, no dia em que partir para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez. Matando uns 30 mil, começando pelo FHC, não deixar ele pra fora não, matando! Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente.”

Em 2016, disse "O erro da ditadura foi torturar e não matar."

Essas duas declarações já seriam mais do que suficientes para deixar bem claro que ele nunca teve o menor respeito pelas instituições democráticas e pela vida humana.
Muitos votaram nele apesar disso.
Muitos votaram nele por causa disso.
Por favor, parem de fingir surpresa.

12/14/2018

Sobre o escândalo do "Jesus na goiabeira".

Nas redes sociais temos o hábito nocivo de "detonar" aqueles de quem não gostamos, às vezes sem pensar direito sobre o que está em jogo.

Acho a Damaris Alves sem qualif**ações para o cargo que vai assumir. Acho sua visão de aparelhamento do estado pela igreja perigosíssima e tenho uma teologia radicalmente diferente da dela.

Isso não me autoriza a tirar suas falas de contexto nem a fazer chacota de coisa séria.

Quando vi o escândalo em torno do "Jesus na goiabeira" fiz o que acho ser o natural nesses casos, e assisti ao vídeo original em vez de f**ar confiando em memes.

Segundo seu relato, a visão teria acontecido quando ela, aos 10 anos de idade, estava tentando se suicidar, em uma situação de vulnerabilidade e trauma extremos.

Se lhe dermos o benefício da dúvida, e admitirmos que ela está sendo sincera ao contar a história, a visão pode ter várias explicações, do psicológico ao sobrenatural.

E se vi bem, ela não disse que Jesus subiu na goiabeira, mas que ela o viu vindo da direção onde a goiabeira estava. Então muitos dos memes por aí estão só exemplif**ando à tendência brasileira de falar das coisas sem conferir as fontes...

Reitero minhas divergências com as posturas religiosas e políticas da Damaris, e minha convicção quanto a sua incapacidade de ocupar qualquer cargo político importante. Imagino que ainda teremos muitas razões legítimas para criticá-la (de forma construtiva, espero).

Mas fazer chacota em cima de uma experiência traumática vivida por uma criança em situação de extrema vulnerabilidade e risco não nos torna melhores que ninguém. Pelo contrário, nos diminui.

Ontem tive o grande privilégio de dar uma aula no Westminster Theological Seminary, em Filadélfia. Muito grato pela opor...
10/11/2018

Ontem tive o grande privilégio de dar uma aula no Westminster Theological Seminary, em Filadélfia. Muito grato pela oportunidade. Mas ainda tem bastante trabalho por aqui essa semana!

10/06/2018

O que aprendi na França.
(minha última postagem política antes das eleições de amanhã).

Eu sei que muitos acham que quem saiu do Brasil não pode opinar, mas continuo sendo cidadão e amando meu país. Aliás, acho até que tive alguns insights morando há dois anos no país que inventou a democracia moderna e os conceitos de “direita” e “esquerda”. Por isso segue aí meu “textão”.

Qualquer que seja o resultado das eleições, não chegamos ainda ao fim da linha, nem ao fundo do poço.

Nessa época de ânimos acirrados é fácil imaginar um futuro apocalíptico caso o outro lado vença. Mas na prática, independentemente do resultado, não estamos diante do fim, mas de apenas mais um capítulo. O país continua e nossas responsabilidades também.

Para isso nós, o povo, vamos precisar aprender a dialogar melhor, a ser mais críticos dos grupos que nos representam e a cobrar melhor dos políticos que elegemos.

E nessa área aprendi uma ou duas coisas aqui na França.
Com exceção dos extremistas, aqui o pessoal em geral entende algumas coisas básicas: Ser conservador ou de direita não signif**a necessariamente ser fascista, homofóbico, ra***ta, e todos os estereótipos vendidos pela esquerda mais radical. Ser de esquerda não signif**a ser depravado, corrupto, defensor de bandido, promotor da pedofilia, assassino de bebês, destruidor dos valores familiares, etc. Existe um espectro enorme de ideias entre os extremos.

Por outro lado, o fato é que em toda sociedade também existem criminosos, corruptos, ra***tas, pedófilos, radicais de todos os tipos, exploradores da fé, etc. Esses males são reais e devem ser combatidos.

O problema é que para fazer a distinção precisamos fazer o esforço de pensar, ouvir e dialogar. É preciso ter disposição e boa vontade para trocar ideias. É preciso cultivar a possibilidade de discordar e debater sem que isso se transforme em crise. E isso é muito difícil, particularmente no Brasil, onde esse hábito não é tão natural. O radicalismo exige menos trabalho e é mais cômodo. Talvez por isso venha se tornando preferência nacional.

No Brasil, cultivamos uma espécie de brio tupiniquim que nos impede de discordar de forma civilizada. A discordância nos ofende. E por isso pensamos que debater se limita a ofender ou a levar a melhor. O conceito de debate e discordância como construção conjunta anda em falta. Até mesmo entre pessoas que partilham ideias semelhantes!

Discordar e debater com quem está em lados políticos, culturais e religiosos opostos é essencial. Mas também é essencial discordar e debater com quem é do nosso partido, da nossa igreja, etc.

Deveríamos ser capazes de questionar a nós mesmos, ao nosso grupo e aos governantes que elegemos. Esses dias vi alguém nas redes sociais comentando algo do tipo “Quando seu candidato ganhar, vou cobrar dele isso ou aquilo”. É essa a lógica do brio tupiniquim. Cobramos dos nossos adversários e não dos candidatos que nós mesmos elegemos. É como se ao questionarmos os nossos candidatos estivéssemos passando um atestado de incompetência eleitoral, e para não passar vergonha preferimos minimizar os erros de nosso candidato e lembrar das faltas dos outros. Que tiro no pé!

Em qualquer país desenvolvido, cobramos justamente daqueles a quem elegemos. Isso nada mais é que o exercício da cidadania. Temos que aprender urgentemente a desenvolver um melhor senso crítico e uma atmosfera em nossas relações pessoais, organizações profissionais e no trato com os políticos, que favorize o debate aberto e civilizado.

Isso tem a ver com as regras elementares da vida em uma sociedade democrática. Se não sairmos desse modo de agir continuaremos com as distorções que vemos hoje. Pensando só nos últimos eventos da campanha eleitoral, duas situações vêm à mente:

a) Um candidato não comparece ao debate porque está se recuperando de um ataque à faca. Outros candidatos o atacam ou fazem chacota. O pessoal que o apoia f**a revoltado. O pessoal que é contra justif**a o erro ou minimiza o problema, com base no simples fato de não gostarem do candidato ou do que ele representa. Terrível. Todos deveriam se revoltar. O que está em jogo não é se o candidato é bom ou ruim, e sim princípios básicos de respeito pela pessoa humana e por regras mínimas de civilidade.

b) O candidato não vai ao debate (por razões justíssimas), mas aproveita para utilizar o aparato de uma das maiores emissoras do país para fazer campanha paralela enquanto os outros debatem. O pessoal que é contra ele f**a revoltado. O pessoal a favor justif**a dizendo que o nível do debate foi baixo, que os outros candidatos não prestam, que o que ele tem que dizer é melhor, etc. Terrível. Todos deveriam se revoltar. O que está em jogo não é quem é o melhor candidato, mas o total desprezo pelas regras do jogo democrático. Quem não respeita essas regras em época de campanha, vai respeitá-las quando estiver no poder?

Foi aí que caiu a ficha e comecei a entender um pouco melhor qual é nosso problema. O problema é que somos brasileiros e para nós regras não importam tanto. O que importa é levar vantagem. Não importa se é certo se aproveitar da ausência do candidato, o importante é aproveitar a oportunidade. Não importa se a forma como a mídia é utilizada é boa ou não. Se favorece a tomada de poder do meu grupo, tá valendo!

Para quem pensa assim, as regras do respeito e da democracia só são importantes quando são favoráveis a “nós” e ao “nosso grupo”. É essa, por exemplo, a lógica que alimenta as “Fake News”. Em boa parte dos casos é fácil averiguar se a notícia é verdadeira ou falsa e evitar a circulação de calúnias. Mas para muitos, não é a verdade que importa. O que importa é o que vai fazer o “meu lado” vencer. Por isso, preferimos o raciocínio que parece mais fácil e “vantajoso”: se a notícia favorece meu lado e prejudica o outro, é real, se favorece o outro e prejudica o meu, é “fake”. Para cristãos temos ainda um agravante, porque os Dez Mandamentos proíbem expressamente o falso testemunho, que nada mais é que espalhar inverdades para prejudicar alguém. Mas como eu disse, na lógica brazuca a vantagem é mais importante que as leis. Até mesmo as leis de Deus, que só devem ser levadas a sério quando nos favorecem.

Mas regras são importantes. Sem elas sobra apenas o poder bruto e a briga por ele. Essa é a essência da corrupção: quebrar as regras que permitem o bom funcionamento da sociedade em benefício próprio ou de um grupo em particular. Desde que o Brasil é Brasil vivemos a ilusão que nosso “jeitinho” de relativizar as coisas nos oferece vantagens. Vejam onde chegamos.
A França não é perfeita, mas franceses tem algo a nos ensinar no quesito cidadania e debate civilizado. E uma das razões é que eles tiveram que aprender na marra. Na época das guerras de religião, muita gente matou e morreu em nome da fé cristã. Na Revolução Francesa, muita gente matou e morreu em nome da liberdade, igualdade e fraternidade. Na ocupação nazista, muita gente matou e morreu vítima de uma ideologia totalitária.

O pessoal aprendeu o valor do diálogo e da troca civilizada de ideias, além do valor do respeito pelo bem comum, acima da vantagem pessoal, depois de muito sangue derramado.

No Brasil, talvez ainda não tenhamos visto sangue suficiente. Porém, se continuarmos como estamos, vamos acabar vendo.

Mas sou brasileiro e cristão, e para nós, a esperança não morre fácil. Ainda podemos vencer juntos.

(24-28/08/2018)
10/04/2018

(24-28/08/2018)

10/04/2018

Sobre as eleições.

Todo cidadão deve votar segundo sua consciência. E o cristão tem o dever de votar segundo suas convicções. Mas quando falamos no voto em um candidato como sendo “O (único) voto cristão” ou “O (único) voto do cidadão de bem”, entramos em terreno perigoso. Consciente ou inconscientemente, essa postura implica que todos os que não votam no mesmo candidato, ou que pensam diferente sobre a responsabilidade do cidadão (mesmo aqueles que partilham a mesma fé), não são gente de bem. São doentes, idiotas, corruptos, bandidos. São elementos indesejáveis na ordem social. Em suma, são todos inimigos.

Quando alimentamos esse discurso simplista, já saímos do campo da consciência e entramos no campo da devoção cega, da ideologia, do fanatismo.

Essa devoção é ainda mais perigosa quando dedicada a um candidato que afirma que para limpar o Brasil “é preciso matar uns trinta mil”, e que não tem problema se alguns inocentes morrerem no processo.

Tenho visto que muitos no Brasil têm uma devoção cega por Jair Bolsonaro. Vejo também que muitos outros se incomodam com algumas de suas posturas, mas o apoiam porque ele se apresenta como a única solução possível para mudar “tudo isso que está aí”. São os que pensam que o Brasil não será ideal com ele, mas que também acreditam que sem ele tudo estará perdido. Ou seja, votam nele por medo.

As ideologias totalitárias semeiam o medo e propõem uma solução messiânica, uma salvação que só elas podem oferecer. Os nazistas prometeram salvar a Alemanha dos judeus. Os comunistas prometem salvar o proletariado dos opressores. Bolsonaro promete salvar o Brasil do PT e de toda e qualquer ameaça à moral e aos bons costumes – nem que seja na bala!

Todas as ideologias totalitárias (não importa se de direita ou de esquerda) compartilham alguns pontos em comum. Todas começam com a desumanização e demonização do outro, com a identif**ação de seu próprio discurso com o bem e de toda e qualquer oposição com o mal. Todas se alimentam de um discurso de purgação do mal pela violência. Todas terminam em tragédia.

O ovo da serpente já está posto no Brasil. Deus tenha misericórdia.

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