Clube Europeu do Agrupamento de Escolas de Ermesinde

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12/03/2017

"Os Limites da Tolerância - O Olhar da Europa"
Vídeo "As Trevas do Século Vinte e Um" de Diogo Emanuel e Lígia Cardoso

12/03/2017

Os Limites da Tolerância - O Olhar da Europa

Rui Bessa 12º E leu o seu texto:

"A UE é uma montanha russa apenas para os mais destemidos. Desde a sua formação, uma série de altos e baixos, barreiras obstáculos e crises foram-se impondo. Todavia, independentemente da forma de resolução ter sido ou não a mais adequada, os problemas foram sendo equacionados.
Após o final da Segunda Guerra Mundial, a Europa encontrava-se em ruínas. A grave situação económica e financeira acelerou o processo de descolonização dos territórios africanos e asiáticos que constituíam o vasto império colonial europeu. A Guerra originou, também, a divisão da Europa, fazendo surgir um novo mapa geopolítico. O lugar que, durante séculos, a Europa ocupou como centro de poder e de decisão do mundo, constituindo-se primeira grande potência, perdeu-o a favor dos EUA e da URSS.
Assim, o cenário que antecede a criação da CEE pinta-se de negro e a nossa montanha russa arranca da cave. Era necessária a urgente cooperação entre os vários países da UE para que juntos pudessem elevar o seu crescimento económico e reestruturar os países de modo a que a UE recuperasse o papel que outrora teve. Com este intuito é criada a CECA em 1951. Posteriormente, dado o sucesso do modelo, este é alargado a outros departamentos e em 1957 os mesmos 6 países (França, Alemanha, Holanda, Itália, Bélgica e Luxemburgo) assinam o tratado de Roma que deu origem à Comunidade Económica Europeia e Euratom. O sucesso da CEE ultrapassa rapidamente as expectativas dos seus fundadores, transformando-se num dos maiores projetos de integração política, económica e social dos últimos 60 anos.
Até este momento a UE conta na sua história com sete alargamentos, a assinatura de 5 importantes tratados (de salientar o tratado de Maastricht que designou a antiga CEE de UE e instituiu a cidadania europeia, a criação da União Económica e Monetária, entre outras destacáveis alterações) e um sucesso que em 1957 seria completamente inimaginável, tendo recuperado parte do seu poder de influência no mundo.
Ainda assim, depois de todos estes avanços, conquistas e desenvolvimentos vários problemas subsistem. A Europa tem vindo a ser assombrada por vários problemas: o Brexit, a existência de movimentos extremistas a atuar por todo o mundo, e os inúmeros ataques terroristas de que foi alvo, tais como o atentado em Nice que roubou a vida a 84 inocentes e as explosões numa estação de metro e num aeroporto na Bélgica, que juntos representaram a morte de pelo menos 34 pessoas. A 15 de Novembro de 2015 o mais representativo dos ataques ocorre em França, na sala de concertos Bataclan, em vários bares e restaurantes no centro da capital e perto do Estádio de França em Saint-Denis, que causou mais de 130 mortos e de 350 feridos. E, claro, como esquecer a célebre expressão “Je suis Charlie”, que infelizmente tem a sua origem num acontecimento deplorável que levou à morte de mais de 15 pessoas, representando um ataque claro contra a liberdade de expressão. Liberdade esta que exigiu décadas de esforço e luta para ser alcançada.
Todavia, embora assustadoramente o número de incidentes tenha aumentado radicalmente, já anteriormente se verificavam atos terroristas por toda a Europa.
Estes foram apenas alguns dos ataques mais representativos de que a Europa foi alvo nos últimos 3 anos.
Cometo aqui um erro, não devemos focar a nossa atenção meramente para os factos mais representativos. Cada vida humana, cada uma especialmente tem um valor incalculável e aqui estamos a falar da perda de centenas. Não há política, não há interesses económicos, não há nada que substitua a vida humana. Autênticos ataques à humanidade, clima claro de insegurança por toda a Europa, medidas de segurança entre os países europeus necessárias mas que ainda assim comprometem o espaço Schengen. Estaremos a falar de um efeito bola de neve? Quais são as soluções? Ou melhor, haverá alguma solução? Estaremos sob o efeito de uma avalanche incontornável? Numa altura em que comemoramos uma série de dias representativos do valor da vida humana, e passo a citar:
- Dia Internacional contra a utilização de crianças-soldado
- Dia da Internet segura;
- Dia Europeu da Vitima de Crime
- Dia Mundial da Justiça Social;
- Dia Europeu das vítimas de terrorismo
É importante refletir. Refletir sobre as vidas perdidas e pensar na proteção das próximas. Pensar na comunidade europeia e, depois de termos chegado tão longe, não comprometer os desejos de Jean Monnet e Robert Schumann, pais da Europa.
Ultrapassar estes obstáculos e barreiras e elevar o nível e integração é essencial para manter o sonho europeu. É certo que estamos a 4 dias do Carnaval e que o espírito Carnavalesco paira no ar, e embora uma das célebres expressões desta época seja “É Carnaval, ninguém leva a mal”, neste assunto não há espaço para dúvidas nem pausas, eu levo a mal e a resolução destes conflitos tem de ser encontrada o quanto antes."

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