08/10/2024
Sobre a necessidade de partilhar. Existe?
Montessori tinha um aluno que falava de todos os materiais como se fossem seus. Dizia: "A minha Torre Rosa... Os meus cilindros...". Até que um dia ele parou, e passou a dizer "A Torre Rosa... Os cilindros". Sem nunca ter havido por parte de outros a correcção do pensamento de que seria imoral querer para ele o que era de todos.
Para Montessori, esta percepção precisaria de se desenvolver sozinha, se fosse natural. E este texto é sobre como e porquê isto aconteceu.
Montessori perguntava:
Como adulto, alguma vez deu ao seu filho, mesmo que só por um dia, a oportunidade de fazer o que ele quisesse, sem interferência?
(em Maria Montessori Speaks to Parents)
O que acontece, se nós permitirmos, é que a maioria das ações da criança é completamente segura, repetitiva e, ajudam a criança a construir independência e confiança nas suas próprias capacidades - o que contribui muito para sua autoestima. Tudo isto acontece numa relação de amor entre a criança e o ambiente.
Quando esta liberdade não existe, acontece o contrário: dependência, insegurança e pensamentos negativos sobre ela mesma.
Quando a criança pode movimentar-se no ambiente (seguro), ela integra todas as suas partes: o balde, junto com a escova, junto com um rodo e um pano, servem para limpar a mesa, por exemplo. Se ela não poder agir no ambiente, esta integração não acontece, e ela percebe cada item, cada parte, como uma coisa separada. E deseja cada uma delas, não num todo.
Se pudesse agir, ela procuraria esse domínio sobre o todo, que é uma outra forma de descrever a independência. Como ela não pode, passa a procurar a posse sobre todas as coisas.
A solução é simples, e Montessori dá-nos a solução na forma de uma pergunta:
Você alguma vez deu ao seu filho, mesmo que só uma vez, a oportunidade de fazer o que ele quisesse, sem interferência?
Texto de Gabriel Salomão, Lar Montessori,