11/06/2026
Segundo dados divulgados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, as crianças com menos de 3 anos passam quase 37 horas por semana na creche. Entre os 3 e os 6, 38 horas no infantário. E entre os 6 e os 11 anos, 38 horas por semana na escola (o valor mais elevado da comunidade europeia!). Se acrescentarmos a estas horas os compromissos extra-curriculares e a prática desportiva, elas saem de casa às 8 e regressam às 20, tendo tido 12 horas de actividade num único dia. Sem direito a tempos livres. Sem espaços para brincarem. Sem oportunidades para descansarem. Não contando com o trabalho ao fim de semana, em que muitas têm explicações ou preparam a escola para os dias seguintes. Se a isto juntarmos os recreios de 5 ou de 10 minutos (que acabam por ter) e os trabalhos de casa, que quase todas não deixam de trazer, será exagerado afirmar que a escola se tornou no trabalho infantil do século XXI, que a infância parece estar à beira da extinção (considerando o volume de trabalho das crianças ser tão “igual” ao dos pais) e que é inadiável que o brincar ascenda a património imaterial da Humanidade?
Juntando-se a isto tudo a exigência de bons resultados, como se pode esperar que elas não tenham défices de atenção, baixa auto-estima e uma relação medrosa ou ansiosa com a escola? Serão o stress e o cansaço dos seus dias verdadeiros facilitadores duma relação de amor com a escola e com o conhecimento? Mais escola será sempre melhor escola?
E fará sentido que os melhores pais que a Humanidade já produziu se resignem a este estado de coisas? Será razoável que não considerem que brincar ajuda a aprender? E que mais corpo, mais movimento e mais relação faz com que as crianças pensem melhor? Será exagerado que se espere de todas as escolas que os espaços de recreio sejam mais sérios, que as crianças não sejam proibidas de chutar uma bola e que possam correr ou, até, sujar-se? Será sumptuoso imaginar que com aulas mais curtas elas sejam mais atentas e aprendam melhor? Será que diante de tanta distracção da nossa parte ainda será razoável esperar que elas estejam quietas, caladas e atentas, e tenham sempre bons resultados, se não lhes damos sequer tempo para serem crianças?
03/06/2026
O setor da educação enfrenta, atualmente, um paradoxo: embora a infraestrutura e os serviços digitais estejam a avançar de forma constante, a dinâmica da aula permanece inalterada.
03/06/2026
Na semana do Dia da Criança, três convidados dos 12 aos 20 anos falam sobre o que os inquieta ou atrai no mundo. O Expresso dá voz aos adultos do futuro. Ouça o episódio do podcast "O Mundo a Seus Pés" pelo link nos comentários
📷 José Fonseca Fernandes/Expresso
01/06/2026
Depois de anos sendo vista como referência em educação digital, a Suécia decidiu fazer um movimento inesperado: trazer os livros impressos de volta para o centro das salas de aula.
O motivo? A preocupação crescente com a queda na concentração, na compreensão de leitura e nos níveis de alfabetização entre crianças e adolescentes.
Entre 2023 e 2025, o governo sueco destinou mais de 100 milhões de euros — cerca de R$ 620 milhões — para reforçar a presença de livros físicos nas escolas e incentivar novamente a escrita à mão.
A decisão não significa abandonar a tecnologia. Tablets e computadores continuam fazendo parte do ensino. A diferença é que agora o foco está no equilíbrio.
Especialistas apontam que ler no papel favorece a atenção e a retenção do conteúdo, enquanto escrever à mão estimula áreas do cérebro ligadas à memória e ao aprendizado. Em um cotidiano marcado por telas, notificações e excesso de estímulos, desacelerar também virou parte da educação.
A mudança da Suécia reacende um debate importante: será que avançamos rápido demais na digitalização das salas de aula?
Talvez o futuro da educação não esteja em escolher entre tecnologia ou papel, mas em entender que cada ferramenta tem seu momento e sua função.
No fim, aprender continua sendo mais do que consumir informação. É conseguir absorver, refletir e lembrar.
29/05/2026
Fazer chichi na cama "não é uma situação comportamental". Pediatra explica o que é a enurese, quando deve preocupar os pais e quais são os tratamentos mais eficazes.
15/05/2026
Há alturas em que me pergunto porque não há-de a escola fechar para balanço e abrir com outra gerência.
Porque, à data de hoje, não está claro se uma escola mais centralizada significa melhor escola, mais sabedoria, mais equidade e maior igualdade. Será que é centralizando a gestão da educação, com a ideia que ela é, assim, mais igual para todos, que a escola se torna mais amiga do conhecimento e da sabedoria? Será que os alunos do litoral e os do interior, os das escolas inclusivas e os das escolas exclusivas, os das escolas que têm de mais de quarenta nacionalidades e os das escolas que selecionam os seus alunos à partida, os das turmas que têm 18 alunos e os daquelas que têm 30 ou mais, ou os das turmas A (que são escolhidos e têm melhores professores) e as turmas que nesta altura ainda não têm professor aprendem o mesmo, de forma tendencialmente igual, na altura mais ou menos adequada e à mesma velocidade? Será que unicidade é sinónimo de igualdade?
E devia fechar para balanço, porque não se entende se a escola, aos dias de hoje, está pensada para as crianças e para o mundo do século XXI ou não estará agarrada a uma estrutura curricular, a métodos de ensino e de avaliação que têm pouco a ver com aquilo que a escola deve ensinar e com os formatos de aprendizagem que hoje as crianças devem ter. Será esta uma escola amiga do “sistema” ou virada para os alunos?
A escola muda muito, muito devagar. Sendo assim, é urgente perguntamos o queremos da escola nos próximos dez anos. Mas poderão ser os objectivos da escola, hoje, semelhantes àquilo que eram há 20 anos, no século passado ou quando ela foi pensada para mudar o mundo? Como pode a escola mudar o mundo: com mais escola e com mais trabalho ou com mais infância e mais brincar? Com mais inteligência artificial ou com boa educação, mais humanidade e mais empatia?
Escolarizar nem sempre é educar.
Mais escola não significa, por inerência, melhores resultados.
Mas melhor escola não pode continuar a supor pior infância.
10/05/2026
"O que é um bom pai, o que é uma boa mãe? O que é uma família disfuncional? O que é ser capaz de proteger uma criança, o que é a estabilidade emocional de que ela necessita?". Leia a opinião de José Gameiro, psiquiatra, pelo link nos comentários