Laboratório Montessori
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Excelente texto de João Nuno Tavares. É urgente mudar o paradigma da educação, e tantas respostas cientif**amente testadas existem há tanto tempo…
A “Geração ansiosa"
Este é o título do livro de Jonathan Haidt, recentemente publicado na editora Dom Quixote, em Portugal. O autor (que acaba de publicar um novo livro intitulado “A Infantilização da Mente Moderna” na Bertrand), e outros investigadores têm vindo a alertar para o problema gravíssimo que afeta as novas gerações (e não só) e para o qual os entusiastas da IA parecem surpreendente indiferentes. Uma parte signif**ativa das gerações mais jovens (e não só) vive sob pressão crescente de ansiedade, depressão e solidão, e grande parte desse sofrimento parece estar correlacionada com a utilização massiva e obsessiva do telemóvel, dos chatbots, das redes sociais e dos jogos digitais. Trata-se de uma verdadeira transformação da forma como nos sociabilizamos, percebemos o mundo, produzimos um sentido para a existência e, em última instância, pensamos. Assiste-se a um processo de “substituição cognitiva”, de consequências imprevisíveis. A cognição humana não se faz apenas de raciocínio lógico; desenvolve-se através do corpo, da experiência estética e emocional, do contacto direto com outras pessoas e do tempo necessário para observar, criar e errar. Historicamente, as escolas, as famílias e as comunidades, socializaram as crianças em práticas concretas - conversas longas, leitura em folhas de papel, teatros, trabalhos manuais, jogos de rua, experiências científ**as tangíveis, que moldaram a atenção, empatia, imaginação e a resiliência. O digital altera tudo isto. Quando as primeiras interações signif**ativas passam a ser mediadas por “likes”, chats como oráculos e “influencers”, forma-se uma cognição diferente: imediata, fragmentada, orientada para a recompensa social instantânea e para o progressivo alheamento do “eu”, como ser pensante autónomo. A perceção sensorial própria da experiência artística e emocional (ver um quadro ao vivo, ouvir música num concerto, tocar barro com as mãos) vai cedendo espaço à receção filtrada por ecrãs e algoritmos. A sociabilização presencial, rica em sinais não-verbais, “olhar nos olhos”, perceções sensoriais táteis, e ambiguidades que ensinam compreensão mútua, é substituída por reflexos não palpáveis: atenção fragmentada, menor capacidade de reflexão profunda, empatia empobrecida, dependência de validação externa e maior vulnerabilidade a comparações e desinformação. A ansiedade e a solidão emergem quando o convívio humano se transforma num espetáculo digital, e a reputação social, via redes, passa a ditar a autoestima ou falta dela. Além do mais, o excesso de estímulos rápidos prejudica a consolidação de memória e a criatividade, que exigem tempo e reflexão. A substituição da cognição tradicional por uma cognição moldada pelas redes e pelos algoritmos, é uma alteração profunda nos mecanismos psicológicos que sustentam o pensamento autónomo, a iniciativa e a resistência emocional. O cérebro é treinado para obter gratif**ação instantânea, o que enfraquece a capacidade de adiar recompensas e de manter atenção sustentada, pré-requisitos para o raciocínio profundo e planeamento a longo prazo. O raciocínio complexo é substituído por formatos e sinais rápidos (“stories”, “reels”, “tweets”). A memória trabalha por fragmentos, a compreensão contextual diminui e a tendência é privilegiar respostas rápidas em vez de análise criteriosa. Os algoritmos reforçam visões pré-existentes, diminuindo o confronto com ideias discordantes imprescindíveis ao desenvolvimento do pensamento crítico e originalidade.
A sociabilização torna-se uma constante “performance”, e a consciência do “eu” passa a depender de feedback externo. A ética, a autocensura, a reflexão interior, cedem lugar ao conformismo com normas de “feed”, reduzindo a iniciativa não orientada para a visibilidade. Esta transforma-se em poder social - quem aparece mais é quem pertence; quem é ignorado f**a invisível (fenómeno bem retratado na série televisiva “Adolescência”). “Unfollows”, “public shaming”, divulgação de mensagens e imagens, funcionam como punições rápidas e públicas. Essa lógica cria castas, grupos com identidades fechadas com a adoção de códigos performativos, não de vínculos humanos profundos, mas reforçando normas internas e rotulando dissidentes, vítimas de exclusão, consequência tanto de escolhas pessoais como de regras algorítmicas. Corpos, histórias e afetos que não se enquadram na estética ou ideologia dominantes são marginalizados, destruindo a autoestima e limitando horizontes de futuro. Os jovens que resolvem conflitos via chat têm uma menor capacidade em tolerar frustrações cotidianas - pequenas recusas, aborrecimentos, espera - que constroem resiliência. A exposição contínua a validação externa, fragiliza a capacidade de procurar recursos internos para enfrentar adversidades. Soma-se a isso a hipersensibilidade a conteúdos alarmistas e à desinformação, que podem provocar pânico coletivo ou apatia conforme a exposição e a ausência de filtros críticos. A profusão de estímulos condiciona respostas imediatas e impulsivas. A autorregulação executiva (planeamento, inibição de impulsos, tomada de perspetiva) f**a menos treinada, comprometendo tomadas de decisão independentes. A comparação contínua com os novos arquétipos digitais gera ansiedade, baixa autoestima e sensação de inadequação, fragilizando a resistência, a frustração e a capacidade de enfrentar desafios sem apoio contínuo (veja a propósito a polémica do lançamento chatgpt5 e o “recuo” da OpenAI! Veja-se a “corrida” ao apoio de psicólogos em ambiente escolar, por exemplo). A criatividade e a resolução de problemas exigem espaço para contraditório, polémica, discussão e interiorização. A profusão de estímulos condiciona respostas imediatas e impulsivas, ensina a evitar o desconforto, reduzindo a persistência diante de tarefas difíceis. A execução de tarefas (planeamento, inibição de impulsos, tomada de perspetiva) f**a menos treinada, comprometendo tomadas de decisão independentes. A iniciativa implica tolerar incerteza e fracassar. Ambientes que privilegiam a performance sobre a substância, em vez de processos experimentais, inibem a iniciativa, a criatividade e o risco calculado. A escola pode ser a frente de resistência e renovação. Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de reequacionar prioridades: ensinar literacia digital - como avaliar fontes, interpretar formatos persuasivos e gerir a própria presença online; cultivar práticas de atenção plena e leitura profunda; ampliar a educação artística sensorial (teatro, música, artes plásticas, laboratório experimental) para restituir experiências corporais e estéticas. Importa também recuperar espaços não programados para brincar e conversar, treinar professores para mediar conflitos digitais e envolver famílias numa cultura de uso moderado e reflexivo. Não se trata de travar o futuro, mas de humanizá-lo: ensinar jovens a usar a tecnologia sem abdicar da profundidade, do contacto corporal, do legado cultural e da coragem para pensar por conta própria. Se a escola aceitar este desafio, terá nas mãos não só a cura de uma ansiedade geracional, mas a construção de cidadãos capazes de integrar o
novo, sem perder o que nos torna humanos. Caso contrário, assistiremos ao surgir de uma nova espécie (pseudo) humana: corpos humanos invadidos por mentes digitais, controladas por grandes e perigosos algoritmos. Os entusiastas e especialistas da IA que parem para refletir no que estão a criar! Têm a responsabilidade pelo retrocesso intelectual que estão a promover, anunciando o seu contrário. Ao contrário do que dizem, a IA e derivados não são ferramentas de progresso. São perigosos predadores de mentes, criando o “homem novo”, despido de racionalidade autónoma, emocionalidade e sentido ético e estético.
João Nuno Tavares 7 de setembro de 2025
28/01/2025
“Circle time” is not authentic Montessori practice “Circle time” is not authentic Montessori practice I had scanned the above picture of a Montessori 3-6 birthday party celebration and was looking at it closely on the computer screen. S…
20/01/2024
“Somente a natureza, que estabeleceu algumas leis e determinou algumas necessidades do homem em vias de desenvolvimento, pode ditar o sistema educativo determinado pelo fim, que é aquele destinado a satisfazer as necessidades e as leis da vida. Estas leis e estas necessidades, a própria criança é que as deve indicar, através das suas manifestações espontâneas e do seu progresso: na manifestação da sua paz e da sua felicidade; na intensidade de seus esforços e na constância das suas escolhas livres. Nós devemos limitar-nos a aprender com ela e a servi-la o melhor que nos seja possível.” Maria Montessori
05/05/2023
❤️
End of the year reminders.
1. We whisper/use quiet voices in the school. Always.
2. Personal conversations happen only when the children are not in our presence. Always.
3. If a child isn’t wanting to do a work, if they are angry, upset, disconnected, they shouldn’t be doing that work. Always. Find a way to help them connect to the work or find another work they connect with that meets the same goals or different goals for the time being.
4. Children do not HAVE to do work, they GET to do work. Know the difference. Inspire. Ignite. Entice.
5. Positive language only. Speak of what they should be doing. This is a must. “No. No thank you. Never. Absolutely not. Stop. You can’t.” These are examples of what should NEVER be spoken in the school with the children. Instead, name the behavior and the expection. Ex. “You are shouting. We use quiet voices. Walk slowly. Gentle, please.” Remove “good job,” from your vocabulary. Acknowledge and lead them to acknowledge or feel pride in themselves. Ex. “You did it. You are so strong. You must feel so proud of yourself. I can see you are proud. Thank you for sharing.”
6. Play with the children on the playground. Be their example of how to play. Run. Slide. Jump rope. Swing. Push them on the swings. Coach them how to pump and lean to swing on their own.
7. Invite, rather than expect, them to repeat work by showing interest in their accomplishment. Ex. “Yesterday, you made a fantastic story with the moveable alphabet. What story are you writing today? You are so creative.” Do this at the start of the morning when you greet them. When dismissing from group meeting talk to and inspire them to their work. Ex. “Emily, you are a math wizard. Are you going to make numbers with the golden beads or the 100 board. I can only imagine what big numbers you will make today.”
8. Dine with the children. This is practical living. The real stuff that they are practicing on the shelf. Model conversations. Sit with the children that have trouble making friends. Sit with the children that struggle to use their fork. Sit with the child who spills.
9. Kneel down when you speak with the children. Always on their level. Connecting to them with words and body language.
10. Have the children clean up spills as they happen. During work time and while dining.
11. Use less words, more signals. Ex. If the child spills, whisper their name, point to the spill. Nod as they get up to get a cloth or broom. Acknowledge with a smile or a nod that they cleaned up their spill. Continue the conversation when they return to their seat, if dining with them.
12. Breathe. Smile. Observe.
13. Keep tidying. If a shoe is not in its place, adjust it. If a child is near, adjust it with them. “You are such a great helper.” “Suzy will be so happy that you helped keep her shoes safe.”
14. Pick up garbage off the floor. In hallways, classrooms, bathrooms, community spaces, in the gardens, on the path, on the playground, in the parking lot. Everywhere. Role model. This is care of the environment.
15. Bring awareness. Ex. “There is sand in the hallway.” Invite a child who is not busy to clean it. Acknowledge. “Our classroom is so lucky to have you. You are a great community helper. You care so much for our environment.”
16. Never, ever, speak ill of a child, or parent, or team member in their presence or behind their backs. Never.
17. Ask yourself the why. Wonder about the why. Observe the why. Know your why. When you know the why you can be proactive with the path forward. Be a solution maker.
18. Push in chairs, walk with hands behind your back, walk in lines, roll rugs neatly. Everything has its place and should be returned to that place. (Adjust things yourself if the child is gone from it, next time be available to remind/guide the child to remember where the work goes)
19. Make certain all materials are ready and complete every morning.
20. Hold each other accountable to all of the above.
*written by Joanne Shango
30/10/2022
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15/10/2022
Cosmic Education
Education between the ages of six and twelve is not a direct continuation of that which has gone before, though it is built upon that basis. Psychologically there is a decided change in personality, and we recognize that nature has made this a period for the acquisition of culture, just as the former was for the absorption of the environment. Knowledge can be best given where there is eagerness to learn, so this is the period when the seed of everything can be sown, the child’s mind being like a fertile field, ready to receive what will germinate into culture…Page 1
… let us give him a vision of the whole universe. The universe is an imposing reality, and an answer to all questions. We shall walk together on this path of life, for all things are part of the universe, and are connected with each other to form one whole unity. This idea helps the mind of the child to become fixed, to stop wandering in an aimless quest for knowledge. He is satisfied, having found the universal centre of himself with all things. Page 3
If the idea of the universe be presented to the child in the right way, it will do more for him than just arouse his interest, for it will create in him admiration and wonder, a feeling loftier than any interest and more satisfying. The child’s mind then will no longer wander, but becomes fixed and can work. …A greater curiosity arises, which can never be satiated; so will last through a lifetime. The laws governing the universe can be made interesting and wonderful to the child, more interesting even than things in themselves, and he begins to ask: What am I? What is the task of man in this wonderful universe? Do we merely live here for ourselves, or is there something more for us to do? Why do we struggle and fight? What is good and evil? Where will it all end? Page 4/5 of the book “To educate the human potential”.
https://montessori-pierson.com/vol-6-to-educate-the-human-potential.html; https://montessori-pierson.com/sp6-la-educacion-de-las-potencialidades-humanas.html
20/09/2022
Acho que já sabem que não acho a maior das graças a esta tendência do momento de se chamar ao jardim de infância… “escolinha”. Porque, por mais que não pareça, é uma escola a sério. Que traz imensas coisas boas ao crescimento. Tão boas e tão fundamentais que “escolinha” corre o risco de lhe dar o tom de um certo “faz de conta que é uma escola”. E isso não tem graça.
Mas o que mais me preocupa é que persista a ideia que as crianças mais pequeninas, ao chegarem ao jardim de infância, “tenham” de fazer “boas adaptações”. Não só não têm como não fazem. É saudável, aliás, que não façam! Como é que se pode esperar que - habituadas a ter os pais, os irmãos e os avós só para elas, com toda a gente sintonizada com os seus ritmos e com a sua forma de estar - as crianças vivam com descontração isso de estarem ao cuidado de duas “estranhas” que repartem as suas atenções com uma mão cheia de outras crianças? Como não hão-de elas de chorar de medo, tristonhas, sem entenderem muito bem porque é que os pais as terão “abandonado” ali? Como não hão-de f**ar muito encolhidindhas, num cantinho, agarradas a um qualquer pequeno boneco que tenham trazido de casa, como se ele representasse o melhor da mãe e do pai? Porque é que, por mais que haja mães e pais muito frágeis, se convencionou que “arrancar” as crianças do colo dos pais facilita a vida a alguém? Porque é que se diz, invariavelmente, que, depois da mãe virar costas, “ele ficou logo bem” ou “deixou de chorar”?
As crianças, se todos formos pacientes, hão-de perder o medo! E vão chegar, até, a um momento em que serão capazes de fazer um lapso de linguagem e chamar mãe à sua educadora. Mas dêem-lhes tempo, por favor. Para perceberem “as regras do jogo”. Para ganharem o seu espaço. Para poderem compreender o privilégio de estarem com outras crianças. E de terem alguém super-especial para elas que sabe contar histórias, desenhar e brincar, fazer cozinhas de terra e ir, de galochas, saltitar nas poças de água. Aquilo que primeiro se aprende no jardim de infância é a dar tempo ao tempo. Depois, que uma educadora é alguém que parece ter chegado ontem, mesmo, da infância. O resto, vem a seguir.
17/08/2022
Why Montessori Activities are Called Work engaged in an activity..interrupt the child's work, instead..using the words "activity" or "play"..why Montessori activities are called work?
31/07/2022
'What is generally done to children? We all interrupt them without the slightest regard, without the slightest respect, with the manners which were used by masters toward slaves who had no human rights. To have the same regard for a child as for an adult would seem ridiculous to many people, and yet with what severity we say to children, "Do not interrupt us."' (Montessori, 1915, p.18)
Montessori, M. (1915) The Mother and the Child. NY: The House of Childhood Inc.
Photo: circa 1930, Sèvres, France. Child with baked enamel pails.
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