06/08/2024
Rebeca Andrade venceu.
E venceu mais de uma vez. Não foi um acaso. Foi trabalho e trabalho árduo por trás do sorriso iluminado. Suas cicatrizes nos dois joelhos não deixam mentir e dizem mais do que mil palavras.
Sua subida ao ponto mais alto do pódio, não foi "presente de deus", não foi "glória alcançada", não foi nenhuma dessas baboseiras colonialistas feitas para nos diminuir e nos tirar a nossa divindade.
Rebeca é deusa e é humana como se deve ser.
Ela vem de uma sucessão de vitórias. Sozinha e em grupo, para afirmar que "juntas somos mais", que chegamos ainda mais longe como comunidade, como quilombola, como brasileira.
Ela é a personificação de que a menina negra, periférica, brasileira pode ser a referência, o topo, o centro.
A bandeira brasileira está no pódio, única, no ponto mais alto. Acima do imperialismo estadunidense, onipresente. Lembro que em TODOS os filmes norte americanos que assisti, achavam um jeito de meter aquela bandeira de qualquer maneira na história. Bombardearam minha infância com piadas sobre o "terceiro mundo", sobre "você mora na selva?", com os "vilões de fala embolada e de pele escura". Agora não violão: É Brasil.
As olimpíadas de Paris trazem a força das imagens. Desde as LGBTs donas da ceia, divinas no centro do banquete, ao ouro nas mãos das atletas brasileiras do judô e da ginástica olímpica. Até bem pouco tempo, a mulher negra não podia nadar, a mulher negra não podia estar na barra, no solo, no travessão.
E a maior simbologia: a alegria olímpica não depende em nada do futebol machulento. Ninguém sentiu falta daquele ranço esportivo.
Uma semiótica ainda mais potente se agregar a informação de que o apoio aos atletas faz parte do governo Lula. Que bom que a vitória olímpica brasileira não faz parte da cafonice evangélica bolsonarista.
O Brasil com Rebeca volta a ser símbolo de ascensão, de vitória.
A referência sempre é a alegria e a ginga brasileira, mas, muito além disso, é celebração do talento e do trabalho sério da mulher negra brasileira .
Rebeca Andrade. Tenho muito orgulho de ter o Andrade no nome. "Andrade" que vem da minha mãe, uma mulher negra como Rebeca.
Viva Rebeca!
Rebeca Andrade, "a maior do mundo".