22/10/2024
Obrigada amiga Elvira Novell Iglesias. Adorei!
Dicas para mediadores de leitura, pais, professores e todos os interessados em livros. #1café1livr
22/10/2024
Obrigada amiga Elvira Novell Iglesias. Adorei!
06/09/2024
Povo do Rio de Janeiro o Pedro do Livro é um excelente candidato. Meu amigo e companheiro de lutas na área do livro e leitura faz muito tempo. Leiam as propostas dele, será um ótimo representante das nossas causas culturais.
27/07/2024
Li faz tempo e agora ouvindo o excelente audiobook. É um livraço.
Oração
Roseana Murray
A todos os ventos eu peço coragem
a cada estrela e estrada
ao mar que não morre nunca
eu peço coragem
e ao sol e a lua
e a todo o firmamento
a cada pássaro a cada pedra
a cada bicho da terra e do ar.
Peço coragem a tudo o que vive agora
e que ainda viverá
coragem para cavalgar os dias
navegar nas horas
e a cada minuto e segundo
sonhar.
14/04/2024
Na quarta-feira começa. ✈️
O mês do Livro e da Leitura com Benita Prieto - CCA Centro de Conhecimento dos Açores O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor assinala-se, anualmente, a 23 de abril. Reconhecer este dia tem o propósito de encorajar a leitura e promover a proteção dos direitos de autor. Nas palavras da Diretora-Geral da UNESCO “em tempos incertos, muitos recorrem aos livros como refúgio e...
O poema de hoje foi Milagre, escolhido por causa desta maravilhosa noticia que vem da amiga Alessandra Roscoe , nossa ponte com a família de Roseana Murray . Aguardo com muita expectativa essa entrevista.
"Bom dia a todos, Guga informa que Roseana anda mais serelepe do que nunca, já querendo fazer mil coisas. Ontem deu uma entrevista de mais de uma hora para a Renata, do Fantástico. Determinação e esperança tem sido as palavras de ordem, Guga brincou que os filhos andam precisando segurar a onda, porque se dependesse dela ela já marcaria no hospital mesmo um Café, com pão e poesia. Juan, o marido de Roseana, é jornalista do El País e publicou na 3a um artigo, replicado em outros veículos que fala dessa esperança que está movendo a todos. Compartilho aqui com vocês."
"BASTA UM JUSTO PARA SALVAR O MUNDO DO ABISMO
Escrevo estas linhas, as mais difíceis da minha carreira como jornalista, enquanto minha esposa brasileira está com seu corpo destroçado pelo ataque de três cães ferozes.
Abro o computador para escrever o artigo mais difícil do meu meio século de jornalismo. Escrevo enquanto minha esposa brasileira, Roseana Murray – que dedicou toda sua vida aos problemas da educação, com suas publicações e seus encontros com as escolas públicas das periferias pobres do Brasil – está entre a vida e a morte, com seu corpo destroçado na rua por três cães ferozes. Não planejava escrever hoje. Pensei que não conseguiria. Mas pensando em seu compromisso com os outros, mesmo quando arrastava-se doente até às escolas, decidi fazê-lo. Eu sei que estou cometendo um pecado jornalístico, mas ter ultrapassado os 90 anos me liberta de todos os esquemas.
Neste momento, lembro-me que semanas atrás, diante da avalanche de notícias dramáticas de violência que inundam as redes e meios de comunicação mundiais, escrevi aqui uma coluna perguntando se no mundo em que já soam os sinos fúnebres de novos medos de uma possível guerra mundial, não há alguma notícia positiva que restaure nossa esperança. A coluna foi traduzida e publicada também aqui no Brasil, símbolo da sede de um sopro de oxigênio de esperança que o mundo está precisando.
A dor e o medo que me inundam neste momento diante da possível perda de minha esposa estão sendo aliviados por uma onda inesperada de solidariedade até de pessoas que não conheço. Elas me abraçam e choram comigo. Oferecem toda sua ajuda. Entre essa onda de solidariedade, o que me conforta e emociona de um modo particular é o apoio dos meus colegas do jornal, muitos dos quais nem conheço pessoalmente. Com alguns deles não falava há mais de 30 anos. Minha experiência e idade me permitem discernir entre a solidariedade falsa e a verdadeira. A deles está sendo autêntica.
Por que estou surpreso com essa onda de carinho dos meus colegas? Porque estou cansado de ouvir e ler que nos campos de trabalho costuma crescer a erva da inveja e até das traições, sem espaço para a amizade e os sentimentos. Que são campos áridos de solidariedade. Hoje posso desmentir isso sem mentir.
Enquanto escrevo, vem à minha memória a história bíblica, de antiga sabedoria, que diz que basta um justo para salvar o mundo do caos. Foi Noé nos tempos de destruição do dilúvio. E hoje estou convencido de que o mundo, com seus traumas e crueldades, que fazem parte de sua existência, permanecerá de pé, será salvo porque nele não há apenas um justo. São legiões. A maioria anônimos, os mais abandonados ao seu destino, que com sua força interior e sua integridade, sustentam as colunas que nenhum novo Sansão será capaz de derrubar.
Sempre fui um apaixonado e estudioso das palavras, que foram as que criaram o universo. Eu sei que existem as cruéis, as de morte, mas também as salvadoras, escudo contra a iniquidade. Entre elas se destacam as da amizade e do perdão, as mais sagradas do dicionário porque envolvem o mistério do sublime e do eterno. A amizade é a palavra mais divinizada em toda a literatura desde o início do mundo. É o amor mais puro porque dá tudo e nada exige. Como está escrito em um poema: "Quando as cinzas do sentimento e as folhas murchas vestem de luto o sol, das mãos do amigo, nascem flores. Os amigos são asas de borboleta onde pousar os pés cansados do desamor".
Neste momento, sinto-me cercado pelos abraços de tantas pessoas, muitas delas anônimas, especialmente dos brasileiros que encarnam um forte sentimento religioso e que me oferecem suas orações. Eles me lembram da força de Deus. Não sei neste momento se sou crente ou não, se é verdade que a fé religiosa salva ou aliena. Mas acredito na fé em Deus dos desamparados que, sem ela, sucumbiriam às suas tragédias. É essa fé que sustenta as convulsões do mundo. É o Deus do poeta: "Esboço de mistério nas telas cinzentas da espera".
Sei que não é fácil acreditar em algum deus quando nossos olhos são inundados pelas imagens das mães de Gaza impotentes com seus filhos mortos nos braços por falta de comida. Talvez não haja inferno pior no mundo.
Obrigado, amigos, conhecidos e desconhecidos! Sim, neste mundo às vezes cruel e às vezes tocando o divino, existem não apenas os furacões do medo, da falta de amor e da indiferença às lágrimas e aos pesares alheios. Existe também a chuva mansa e fecunda da esperança que se alimenta de silêncio e anonimato. Do amor gratuito.
Um professor de teologia da minha juventude, em Roma, o sábio e santo Garrigou Lagrange, me confiava que para ele, que estava mais próximo do além do que desta terra, das três grandes virtudes cristãs da fé, da esperança e da caridade, a que mais lhe custou cultivar em sua longa vida foi a esperança.
Hoje eu gostaria de dizer a ele, a partir da minha nova experiência existencial, que a esperança não só continua viva. É ela que sustenta, e continuará a sustentar, os fundamentos do mundo. Ingênuo? Talvez, mas sem essa esperança e neste momento cruel, não poderia ter escrito esta página."
Juan Arias, 9 de abril de 2024, de Saquarema
MILAGRE
Roseana Murray
Como numa colcha
de retalhos,
os dias e as noites
se costuram
e nos levam
em suas horas
secas ou caudalosas,
cavalos indomáveis.
Viver é o milagre
que nos guia.
Poemas do livro Rotas de Fuga, de ROSEANA MURRAY. Ed. Promobook.
NUNCA SE SABE
Roseana Murray
Nunca se sabe
o que o dia oferecerá,
ou a noite,
ou mesmo a madrugada,
e convém estar preparado
para qualquer vento,
sol ou tempestade
com um poema no bolso,
como se fosse um lenço
para enxugar o suor,
ou mesmo uma lágrima,
ou um pedaço de bolo
para comer devagarinho,
(junto com uma xícara de chá de orvalho),
migalha por migalha.
Um poema é como
um passe de magica,
uma pirueta,
um bilhete para o trem
que sai da estação
pontualmente,
em hora nenhuma
numa data inexistente.
Poemas do livro “Dançam porque não podem voar”, ROSEANA MURRAY. Elo Editora.
NOS OLHOS
Roseana Murray
Tanta coisa para guardar nos olhos,
Bicho-gente-paisagem,
tanto mar e montanha
e jardim, tanto amor,
tantas cores e o mundo
que passa como da janela
de um trem,
tanta coisa para guardar
nos olhos,
que às vezes transbordam
e com suas lágrimas
de riso, alegria ou dor,
se transformam em rio.
Roseana Murray, in Vira Virou, Ilustrações Mariana Massarano, ed.Nova Fronteira
OS PERFUMES DA CASA
Roseana Murray
Dia e noite, na restinga,
os perfumes de todas
as vidas, flores e frutas
e bichos,
misturados
aos cheiros da terra,
das lagoas, dos rios,
e da maresia,
se juntam, forram os ninhos,
ocupam cada recanto,
e voam
junto com os passarinhos.
A CASA DE TODOS OS NINHOS, Roseana Murray e Bia Hetzel, Ilustrações: Mariana Massarani, Instituto Coral Vivo.
ILHAS PERDIDAS
Roseana Murray
Como recolher
com os olhos
a linha do horizonte
para remendar sonhos
estilhaçados?
Existem ilhas perdidas
onde o mal não entra.
Há que encontrá-las,
é urgente,
para que se possa desfiar
alguns versos,
o novelo do tempo.
EMARANHADO, Roseana Murray, ilustrado por Silvana de Menezes, Ed. Principis.
Receita de olhar
Roseana Murray
nas primeiras horas da manhã
desamarre o olhar
deixe que se derrame
sobre todas as coisas belas
o mundo é sempre novo
e a terra dança e acorda
em acordes de sol
faça do seu olhar imensa caravela
[Momento de amor por Roseana Murray]
Todos os dias, até que ela volte pra casa, todos estão convidados a postar um poema dela em suas redes sociais, usando as hashtags:
Vamos juntos fortalecer essa corrente poética bonita e cheia de amor!