05/05/2026
O processo de aprendizagem condiciona e molda a personalidade.
Ao fim de muitos anos de estudo e de aprendizagem, para adquirir conhecimentos e capacidades que necessito na minha actividade profissional, a que juntei muitas e muitas horas enquanto formador na área das ciências agrárias, complementadas por uma vivencia diária do contacto com a natureza, fui acumulando experiências que moldaram a minha personalidade, que obviamente é muito diferente da que eu tinha quando iniciei esta caminhada. Tive sempre o privilégio de ter frequentado escolas que tinham uma forte vertente prática, onde era possível aprender a fazer, fazendo, metendo a mão na massa, testando quase no imediato o conhecimento cognitivo. Ou seja, num curto espaço de tempo era possível quase em paralelo, testar o domínio psicomotor e o conhecimento cognitivo. Esta forma de aprender potencia quase de imediato, o domínio afetivo, tão importante no relacionamento profissional. No ensino com forte vertente prática ou profissionalizante, há uma enorme interligação entre os três domínios do processo de aprendizagem:
- O domínio psicomotor que relaciona a utilização coordenada dos músculos que se caracteriza pela aquisição de conhecimento e do desenvolvimento de habilidades, recorrendo ao uso dos movimentos básicos e essenciais para a vida, bem como a percepção do que nos rodeia, e as habilidades físicas e de comunicação.
- O domínio cognitivo está mais relacionado com as capacitações e a intelectualidade, e abrange a aquisição de informações através de teorias, conceitos e princípios. A capacidade de memorização, de analise, de avaliação e de compreensão, são treinadas e potenciadas.
- O domínio afetivo, que está relacionado com as emoções, com os sentimentos com os gostos pessoais, ajuda a desenvolver e a definir as capacidades de aceitação, valorização, receptividade, relacionamento interpessoal, capacidade de trabalho em equipa e obviamente de liderança.
A aprendizagem humana pode ser definida como sendo a mudança relativamente estável do comportamento de um indivíduo, como resultado da experiência. Esta mudança mais ou menos silenciosa, resulta da sequência do estabelecimento de associações entre estímulos e respostas a que somos sujeitos diariamente.
Olhando para trás, não me arrependo das escolhas que fiz, sinto-me perfeitamente realizado e orgulhoso do meu percurso académico, profissional e pessoal, alicerçado em muito trabalho, dedicação e paixão por esta atividade tão singular que é a agricultura.
Nos diferentes graus de ensino, usufrui de experiências e vivencias únicas que moldaram de forma indelével a minha personalidade, assentes em métodos pedagógicos que compreendiam diferentes estádios. A aprendizagem receptiva em que compreendemos o conteúdo e somos capazes de o reproduzir, mas não descobrimos nada, a aprendizagem por descoberta, por tentativa e erro, em que os conteúdos não são recebidos de forma passiva, a aprendizagem repetitiva, produzida quando se memorizam os conteúdos, mesmo sem os compreender nem os relacionar com conhecimentos prévios e a aprendizagem significativa, que ocorre sempre que a pessoa relaciona os seus conhecimentos prévios com os novos conhecimentos adquiridos e os dota de coerência, relativamente à própria estrutura cognitiva. Estes métodos coexistiam com recursos pedagógicos essenciais ao processo de aprendizagem, com foco nos recursos naturais renováveis ou não, que funcionavam como laboratórios vivos, onde aferíamos conhecimentos, aprendíamos a ser guardiões da natureza e sobretudo a entende-la e a respeita-la.
Em seis décadas de aprendizagem escolarizada, ou meramente profissional muito mudou, fruto das vicissitudes sociais, mas os princípios básicos continuam a ser os mesmos, agora mais focados na sustentabilidade e na regeneração dos solos. A aprendizagem é continua e infinita e faz-se naturalmente, sem pressa, de forma cadenciada. Se a tudo isto juntarmos um bom ambiente escolar, bons recursos pedagógicos, paixão e trabalho, muito trabalho, estaremos mais perto de sermos mais felizes.
Saudações.
Alberto Miranda.