07/09/2025
Acho que em nenhum momento antes, a saúde mental se encontrou tão frágil como atualmente. Pelo menos durante a minha existência não me recordo de outra fase similar.
Tudo decorre a um ritmo alucinante. Há demasiada informação a circular e não conseguirmos processar nem decidir ao que devemos dar mais atenção.
Está tudo confuso. Há uma insegurança que conseguimos cheirar, como um odor forte que está impregnado em todo lado e não temos como fugir.
Há um som permanente dentro das nossas cabeças, uma desorientação, como se tivéssemos perdido a bússola que nos orientava, o compasso que nos guiava.
É como se tivessem desligado a conexão com o coração central que nos alimentava a todos. Ele continua lá, mas a maioria de nós não sabe o caminho para voltar a ligar-se.
O grande desafio destes tempos é conseguir escolher a empatia, o amor, a benevolência (sobretudo por nós mesmos para começar), a aceitação, a alegria...
A insegurança, o medo, as mudanças aceleradas e confusas fazem-nos funcionar numa base de instinto de sobrevivência, reptiliano, impulsivo, hipervigilante e as nossas sombras tomam conta do palco.
Por isso se vê a maldade ganhar espaço, os movimentos e regimes totalitários e de censura ganharam terreno e vamos indo uns atrás dos outros. Deixamos de nos perceber como iguais e sentimo-nos como inimigos. Porque temos medo e a agressividade é uma capa, uma defesa para a vulnerabilidade que se esconde atrás dessa capa.
Para onde me vire vejo pessoas tristes, perdidas, doentes, sedentas por toque, por amor, por carinho, por atenção, por compreensão,mas sem terem coragem de o admitir, de procurar, porque nem elas próprias sabem. Não sabem reconhecer. Estão intolerantes consigo mesmas e essa intolerância estende-se aos outros.
Vê-se no transito, nas filas de supermercados, nos serviços, nas lojas, no trabalho, entre famílias. Está em todo o lado uma humanidade em vias de extinção.
É uma dor coletiva, sistemica, de todos, mas sentimo-la tão profundamente nas nossas entranhas, que a julgamos a nível individual e não abrimos espaço para ver a dor do outro.
Precisamos de espaço para descansar, de tempo para respirar, de movermos o nosso corpo, de encontrar pequenos momentos para nos ausentarmos da movimentação frenética, do barulho de vozes alheias e da nossa própria mente,gastar a energia retida, direcioná-la para o movimento do corpo até que ela se vá dissipando.
A armadura que cerca os nossos corações não se parte com força, desencaixa-se com ternura, com lágrimas de rendição até que se crie um pequeno espaço para entrar a luz.
É nessa rendição que mora o amor, por ti, pelos outros, pela vida e precisamos tanto, todos de encontrá-lo.
Que a tua caminhada de encontro a ti possa ser feita com total benevolência e auto-aceitação.
Não acredito em outro caminho que não seja este para nos curarmos uns aos outros.
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