Hypno Coaching

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Jorge Boim, Terapeuta com hipnose, Coach Cognitivo Comportamental e de Alta Perfomance, é, antes de tudo o resto, um facilitador na transformação pessoal, emocional e profissional. Desde 2010, o caminho tem sido realizado através do estudo e formação em várias áreas do desenvolvimento e crescimento pessoal, como a Hipnoterapia, o Coaching e a Programação Neurolínguistica, tendo a felicidade de con

16/07/2026

Messi assinou, ontem, mais 2 assistências para golo que ajudaram, e de que maneira, a Argentina a derrotar a Inglaterra, na meia-final do Mundial. Nas redes sociais, tal foi aproveitado para se continuar a comparar Messi e Ronaldo, que este último não corre, que está acabado, etc.

Há dias, vi uma estatística, se a memória não me falha, na DAZN, que dizia que Messi foi, na fase de grupos, o 618º jogador que mais correu... em 618. E, quando vi essa estatística, como quando vejo falar que Ronaldo não corre, pensei que se o futebol fosse só correr, Kipchoge seria um craque de nível mundial, mas, de facto, o futebol é mais do que isso.

Não vou analisar Messi ou Ronaldo pelo lado da qualidade futebolística pura, porque aí acho perda de tempo, tal a qualidade de ambos e a quantidade de coisas que os separam. Quero falar de Liderança e de contexto, algo que faz uma diferença enorme no sucesso ou insucesso das equipas.

Que Ronaldo e Messi são líderes, parece-me não haver dúvidas, apesar da diferença no tipo de liderança de cada um. Ambos, levam essa liderança para dentro do campo, assumindo esse papel sem receios, aceitando que os olhos estão sobre si, mais do que sobre os outros. Servem de exemplo para os seus companheiros. No caso de Ronaldo, esse exemplo está muito ao nível da mentalidade, do compromisso e dedicação, da motivação e consistência, da confiança e ambição, entre várias outras características mentais que ele tem a mais que os outros. Já Messi, parece sempre mostrar essa liderança de uma forma menos assertiva, mais cooperativa, quase deixando que sejam os seus companheiros a decidir dar-lhe a bola para ele decidir, alicerçando essa forma de estar na sua qualidade individual e nos títulos, individuais e colectivos, já conquistados na sua carreira.

Ambos são líderes, é óbvio isso. Então, se calhar a diferença está no contexto, muito mais do que na vertente física. O contexto da selecção Argentina, coloca Messi acima de todos os outros, e todos os outros se colocam abaixo do astro, numa posição subalterna de serviço ao maior deles todos. Em jogo jogado, isso faz com que os restantes companheiros de equipa presentes em campo desempenhem um papel de complemento a Messi, como se dissessem “nós sabemos o que fazes e não fazes, e vamos assumir a despesa de compensar o que tu não fazes”. Assim, Messi liberta-se, física e mentalmente, para o que melhor pode e sabe fazer, que é muito e de forma decisiva. Por isso, e como também aconteceu de forma clara, ontem contra a Inglaterra, Messi quase não corre, sabendo que, atrás dele, haverá mais 10 que o irão fazer por si. E fazem-no. A outra parte do contexto é a posição em campo, que permite a Messi ter mais influência no jogo jogado, por jogar mais recuado no campo, aumenta assim o seu raio de influência. No jogo e na liderança, pois as assistências apresentam-se como uma forma de contribuição do líder aos liderados.

No caso de Portugal, o contexto é muito diferente. Com o avançar da idade, Ronaldo foi mudando a sua maneira de jogar e a sua posição no campo, permitindo-lhe ser mais finalizador, mas menos influente no jogo da equipa, deixando essa tarefa a outros que, no fundo, acabariam por ser os seus municiadores, como Bruno Fernandes, Vitinha, João Neves ou Félix, só para falar dos mais frisados pelo público. Esse papel de municiado, possibilitou que outras figuras fossem ganhando mais destaque e influência no jogo da equipa – não confundir com liderança –, o que levou a que fossem requisitando mais reconhecimento externo. Ao não verem esse reconhecimento ser atribuído, foi aumentando a clivagem entre líder e liderados, e aqui reside o maior problema de contexto.

Se, na Argentina, a sintonia entre Messi, treinador e restante plantel é total, no sentido em que sabem que, para vencer, precisam trabalhar e jogar de uma determinada forma para potenciar a sua estrela, na selecção nacional isso não acontece. E talvez não aconteça porque o treinador, que é quem deve assumir o papel de mostrar qual o caminho para chegar ao destino desejado – vencer – não tinha capacidade para tal. Tivesse o selecionador a capacidade para convencer os “outros” que, ao servirem bem Ronaldo na frente, estariam mais perto de vencer e que iria reconhecer as suas assistências e qualidade de jogo como se de um golo se tratasse, e talvez Portugal chegasse mais longe ou, não chegando, tivesse saído com a cabeça mais levantada.

Não sei se Ronaldo vai continuar ou não, ou até se vai ser convocado mais vezes. Mas, sei que este traz à selecção coisas que mais nenhum traz, como disse antes. Sei também que, para haver sucesso, com ou sem Ronaldo, e considerando que haverá quase sempre uma estrela mais cintilante que as outras, Portugal estará sempre mais perto de vencer se assumir essa estrela, não como um igual aos outros, porque não é, mas como um a melhorar o grupo, a elevar o nível dos outros, tal como a Argentina assume com Messi.

No fundo, a Argentina usa Messi para o seu sucesso, enquanto na selecção nacional, parece que se luta para provar que, afinal, há mais ao nível de Ronaldo. Por isso, uma está na final pela segunda vez seguida e procura o seu 4º título, e a outra acha que chegar aos quartos de final é um objectivo ambicioso.

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13/07/2026

Todos os anos, os clubes compram e vendem jogadores, alterando a configuração das suas equipas. Sempre que isto acontece, que alguém entra e/ou sai, a dinâmica da equipa, do grupo, altera-se, adapta-se. Por vezes isso acontece rapidamente, outras vezes demora mais tempo. Tal depende, em grande medida, do número de atletas que entram e saem do grupo mas, também, da Liderança do grupo.

Para a nova época, e mesmo considerando que ainda falta 1 mês e meio para o fecho do mercado, parece consensual que o Porto sai na frente, não só por ser o campeão, como também por manter treinador e a grande maioria dos seus atletas. As mexidas são poucas e, quando isso acontece, a dinâmica pouco se altera. Além disso, sendo campeão em título, o espírito é mais positivo, a confiança é maior e a disponibilidade para o treino e a competição é, também ela, mais alta.

Sporting e Benfica são, por motivos um pouco diferentes, casos de similar complexidade.

O Sporting resolveu fazer uma “limpeza de balneário”, assumindo a mudança de ciclo para o treinador Rui Borges. Saíram, ou vão sair, os jogadores que ainda se mantinham com maior ligação ao legado de Amorim: Morita, Hjulmand, Pote, Trincão, Quenda. Talvez saía ainda Inácio ou Diomande. No fundo, a espinha dorsal da equipa, dentro e fora do campo, sai este ano. É uma renovação total, ou quase.

Mais do que o número de atletas que saem, é a importância que estes atletas têm no balneário do Sporting. Ou seja, são muitos e são importantes. Isto tem um impacto tremendo no grupo.

As equipas, qualquer equipa, passam por fases na sua formação, até se tornarem realmente uma Equipa. Essas fases de formação, apesar de serem mais ou menos semelhantes para todas as equipas, são adaptativas e mudam de equipa para equipa no seu processo. Quer isto dizer que as fases são as mesmas e são experienciadas a velocidades diferentes e com impactos diferentes no dia a dia do grupo. O papel do líder é, aqui, altamente importante, não só para perceber em que fase de formação a equipa se encontra, como também para perceber como lidar com o grupo em cada uma dessas fases.

Rui Borges, já o disse, não me parece, ainda, com capacidade de liderança para um clube da dimensão do Sporting, mas este ano tem uma oportunidade de ouro pois, como não teve antes, vai ter um grupo à sua real imagem, com os perfis definidos por si, para o seu jogo, para a sua liderança. E, como eu sempre digo, todas as equipas são o espelho do seu Líder. Borges demorou a pôr este grupo à sua imagem; agora não pode falhar, mas, para acertar, precisa de tempo e, para ter tempo, precisa de pôr este grupo a jogar como equipa rapidamente. Neste capítulo, a comunicação é essencial; tenho dúvidas de que Borges consiga fazer isso assim tão depressa.

O Benfica parte mais atrás, por um lado, mas mais à frente, por outro. Começou a preparar as coisas mais tarde, ou assim nos dizem, com indefinição quanto à liderança da equipa. Embora não tenha sido nada de positivo, a verdade é que quando os treinos e os jogos de preparação começam, isto desaparece, pois já há um Líder a orientar as coisas, neste caso, é Marco Silva.

Não sou adepto da forma de comunicar de Marco Silva, o que não quer dizer que ele não seja bom comunicador, porque é. Sabe passar as suas ideias, é coerente, tem noção do destino do seu caminho e sabe como lá quer chegar. Mais, consegue passar a sua mensagem aos atletas, exatamente por estas razões, e isto é essencial para o sucesso. Quando se fala aqui em sucesso, não me estou a referir directamente aos títulos, porque esses dependem de muitos outros factores, mas no sucesso da sua Líderança ou, se preferirem, na efectividade da sua Liderança sobre a equipa.

Marco Silva e o Benfica têm o problema de ser tudo novo na relação treinador – equipa, pois ninguém conhece ninguém. O treinador tem que conhecer os jogadores e estes o treinador. O primeiro terá que perceber, muito rapidamente, quem encaixa, na equipa, no seu tipo de jogo, no seu estilo de liderança, e cortar quem está a mais. Esta parte é mais importante até, na vertente da liderança, do que quem precisa comprar para o seu estilo de jogo. Os jogadores, por outro lado, sentem ter outra oportunidade de provar que podem ser apostas, um novo alento para darem mais no treino, mais no jogo. Até ao corte, tudo é possível, nesta fase.

Não há milagres na liderança. Há qualidade, competência, capacidade de adaptação, eficácia na comunicação, entre outras coisas. Mas, claro, é sempre preciso um pouco de felicidade, e o Benfica, este ano, não a teve. Começou mais cedo que os outros, sem os mundialistas e com a necessidade de vencer já, pois se não o fizer, ficará de fora da Liga Europa, algo que poderia ter um impacto negativo grande, não só na confiança e no ânimo dos atletas, como nas finanças e na capacidade de aliciar novos jogadores. A pressão é maior nos lados da Luz, já em Julho.

Quando a bola começa a rola a sério, é muito importante se a bola bate no poste e entra, ou se bate no poste e sai. Isto vai ditar praticamente tudo. Ainda assim, vejo um Porto mais perto da vitória e um Benfica mais longe. O Sporting, mesmo não podendo ser assumido para fora, parece-me mais focado em criar alicerces para mais anos do que só para este ano.

Relembro que, a perspectiva é referente à Liderança das equipas, apenas isso.

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Sport Lisboa e Benfica

08/07/2026

QUO VADIS SELECÇÃO?

Treinar uma selecção é bem diferente de treinar um clube. O tempo é menor, o número de treinos é escasso, os resultados têm que ser mais imediatos.

Para um seleccionador ter real impacto nos seus atletas, há alguns requisitos que precisam ser preenchidos, pois, sem eles, os resultados não vão aparecer. Fala-se muito em sistema de jogo, na diferença de desempenho do clube para selecção ou na qualidade de jogo apresentado. Tudo certo, mas como potenciar tudo isso, considerando também os egos presentes? Depois, temos a parte essencial da comunicação e gestão do grupo.

Acredito que, no contexto de selecção, se está mais perto do sucesso quanto melhor o selecionador, o Líder, consegue convencer os seus atletas de que, com aquela filosofia de jogo, com aquela maneira de jogar, se vai chegar ao sucesso. Aliás, esta foi a grande diferença entre Fernando Santos em 2016 e Martinez, 10 anos depois. No primeiro caso, conseguiu convencer Ronaldo, primeiro, e o grupo, depois, de que era possível vencer – ainda ontem comentava que aquele apuramento nos últimos minutos do 3º jogo, acabou por funcionar como catalisador disso mesmo, como se Deus tivesse alinhado os planetas para ficarmos do lado fácil –, enquanto Martinez nunca teve essa habilidade.

E AGORA?

A saída de Martinez e Ronaldo – acredito que irá pôr um ponto final na sua ida à selecção –, irá iniciar-se um processo de alguma renovação, ao jeito de fim de ciclo. Quer se queira ou não, a saída de Ronaldo será sempre o fim de um ciclo porque, na selecção, e até no futebol português, haverá um antes e um depois de Ronaldo.

Mas voltando ao selecionador. Dizem que será JJ a assumir o cargo, alegando a experiência, a qualidade e capacidade técnica, a forma de trabalhar, etc. Mas, o trabalho na selecção é completamente diferente do realizado nos clubes. JJ não terá tempo para o trabalho táctico que gosta de fazer com os seus atletas. Só uma nota: isto é válido para JJ, como Sérgio Conceição ou Mourinho, só para dar 2 exemplos. Mas dizia que, JJ terá que encontrar o seu núcleo de 14, 15 jogadores, para com eles iniciar um trabalho rumo ao Euro 2028, aproveitando todos os treinos para ir enraizando o seu sistema, o seu modelo de jogo, a sua filosofia.

Os jogadores funcionam muito por memória muscular, por isso os treinos são repetitivos e, várias vezes, monótonos nesse aspecto. Se treinam todos os dias para um sistema, um modelo, é difícil mudar isso em apenas 3 ou 4 dias, daí que o investimento terá que ser encarado a médio/longo prazo.

Assumindo que o objectivo, o sonho, será vencer o próximo Euro e, quem sabe, estar em condições de competir no Mundial, deve ser assumido esse objectivo de imediato, mesmo que não publicamente. Porquê? Porque, assim, é possível dizer aos atletas “vamos treinar isto durante 2 anos, até estarmos perfeitos e podermos vencer o Euro”. O cartel de JJ permitirá dizer isto e ser aceite como realizável e atingível.

A última parte é a das regras e procedimentos. Não no sentido oficial dos termos – que também têm que estar bem definidos e claros, obviamente – mas no sentido do que se pretende fazer e como. Dizer, de forma clara, “Somos 23, dos quais 14 ou 15 serão praticamente fixos, e os outros poderão variar. À medida que os treinos e as convocatórias avançam, esses 14 ou 15 podem passar a mais.”. Pode parecer que vai mexer na motivação dos atletas mas, na verdade, todos os atletas preferem a clareza em vez da dúvida.

ERROS DO PASSADO

Se o próximo selecionador achar que fazer as coisas de forma diferente, nestas áreas, vai dar melhor resultado, está enganado porque, no fundo, estará apenas a repetir os erros do passado e que, no caso da nossa selecção, se repetem desde 2010, que me lembre.

Seleções de Portugal
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07/07/2026

Normalmente, esperamos que a diferença, no campo, seja feita por jogadores como Ronaldo, Messi ou Mbappé. São eles quem costuma desequilibrar a balança dos jogos, especialmente quando estes estão mais equilibrados. A sua influência na equipa, na sua e na dos adversários, vai muito além das qualidades futebolísticas, entrando na componente mental. A sua presença em campo, alimenta a confiança dos seus, contribuindo para a diminuição, ainda que em graus diferentes, da confiança do adversário.

Também se sabe que, as substituições realizadas pelos treinadores têm impacto directo nos jogos, não só na vertente táctica mas também na mental. Uma substituição pode fazer uma equipa ver a sua confiança subir ou descer. É o impacto directo no inconsciente colectivo.

O que não é muito comum ver-se, é um impacto tão marcado numa situação que é quase fruto do acaso, como uma lesão muscular. Ontem, há 2 jogos naquele Portugal – Espanha: um antes e depois da lesão de Nuno Mendes. Mentalmente, após aquele minuto 55, Portugal baixou a sua confiança, para nunca mais a ganhar, e a Espanha subiu-a exponencialmente, e continuou sempre a subir até ao golo.

Até aos 55 minutos, Yamal nada fez no jogo: Mendes meteu Yamal no bolso, como se costuma dizer, e ainda teve tempo, arte e força, para ser um dos maiores dinamizadores do ataque nacional. A ideia inicial era de que o maior perigo da Espanha viria de Yamal e, com a grande exibição de Mendes a secar Lamine, Portugal estava mais confiante de que poderia vencer.

A entrada de Semedo veio deitar isso tudo abaixo. Na minha análise, a passagem de Cancelo para a esquerda seria melhor, pois o impacto mental seria menor, já que Cancelo tem mais cartel, mais “peso” que Semedo. Ora, a partir desse momento, Yamal passou sempre pelo seu adversário directo e, com isso, foi minando cada vez mais a confiança colectiva da selecção nacional.

Claro que, 5 minutos depois, Martinez fez o que faltava, ao tirar Félix, que estava a fazer um jogo enorme até defensivamente, para por Leão, que defende com os olhos. E, aí, Portugal afundou-se.

Futebolisticamente falando, não posso dizer que perdemos devido àquele lance, mas mentalmente, o nosso fim começou a ser construído naquele minuto 55 e naquela lesão de Mendes.

Seleções de Portugal
FIFA World Cup

30/06/2026

Desde 2004, Portugal conheceu 6 selecionadores diferentes. O primeiro, Scolari, foi o que mais consenso teve à sua volta e, mesmo assim, não se livrou de ser altamente contestado por ter deixado de fora Vítor Baía e o meio campo do Porto, no jogo inical do Euro 2004.

Depois dele, estiveram à frente da selecção Agostinho Oliveira, Carlos Queiroz, Paulo Bento, Fernando Santos e Roberto Martinez. Todos estes foram criticados por esta ou aquela razão. No entanto, a crítica mais comum e transversal a todos, era/é: A selecção joga muito pouco.

Neste período, a Federação Portuguesa de Futebol, teve 3 presidentes: Gilberto Madaíl, Fernando Gomes e Pedro Proença. Perfís diferentes, tipos de liderança diferentes mas, aparentemente, o mesmo tipo de qualidade futebolistica.

Então, durante os últimos 20 anos, Portugal teve muitos treinadores, vários presidentes, bastante sucesso desportivo – Euro 2016, Liga das Nações 2018/19 e 2024/25 –, mas a mesma critica constante por parte dos adeptos e comentadores: jogamos pouco. Não basta vencer ou ser competitivo, é preciso encantar, e Portugal não encanta... aparentemente, é algo impossível de fazer.

Ora, se calhar, o problema está mais no perfil do líder escolhido pelo presidente ou, posto de outra forma, o presidente não procura, como característica do seu selecionador, por a sua equipa a jogar bem e encantar, mas procura outras, e nem sempre muito positivas.

Parece sempre que o selecionar é alguém com pouca capacidade de comunicação, para fora e para dentro. Se excluirmos Fernando Santos no Euro 2016, no qual conseguiu convencer Ronaldo da sua fé na vitória e este fez o resto do trabalho, ajudando a convencer o resto do grupo, todos os outros parecem nunca conseguir passar a sua mensagem ao grupo, e alguns, como o actual, parecem nem saber muito bem o caminho a percorrer nem para onde querem ir.

Quando um líder não consegue comunicar as suas ideias, o seu caminho, o seu destino, os seus liderados não sabem por onde ir ou para onde ir. É claramente o caso actualmente. O problema não é Ronaldo, que ainda marca mais que os outros, não Vitinha, João Neves ou Bruno Fernandes e a quantidade de jogos. O problema é estes – e os outros – não saberem o que têm que fazer porque o treinador não os lidera, não os guia ou encaminha. Mesmo os melhores, quando ninguém lhes diz como é para fazer, têm dificuldade em se encaixarem porque, na verdade, fazem as coisas de maneira diferente nos seus clubes, o ano todo. Mudar tudo isso em poucas semanas, para se encaizarem em algo pouco palpavel, é quase impossível.

Temos que melhorar? Claro que sim. Mas, para que isso aconteça, é o líder que tem saber o que mudar, como mudar e porque mudar. Só assim, certo ddo que é preciso, como é preciso e porque é preciso, vai conseguir dizer aos liderados isso mesmo. Martinez, como quase todos os outros antes dele, tem dificuldades nesse campo.

A seguir vem JJ, supostamente. Acho que terá que mudar algumas coisas para se adaptar ao novo cargo, mas, pelo menos, esse sabe o que quer e como quer. Se fala melhor ou pior, é irrelevante, desde que saiba comunicar as suas ideias.

Espero que Martinez tenha sucesso na seleção, é sinal que jogámos melhor e conquistámos alguma coisa. Com a queda da Alemanha e da Holanda, pode sempre dizer que os planetas se estão a alinhar, como em 2016. Pode ser que ajude...


Seleções de Portugal

18/06/2026

"Dizer que vamos vencer o Mundial não ajuda a ganhar jogos."

Portugal empatou ontem com o Congo. Mais do que o resultado, salta à vista a péssima exibição da selecção. Desde logo, começaram as críticas, especialmente dirigidas a Ronaldo: está velho, é egoísta, não corre a defender, etc. Mas, será esse o principal problema?

Convenhamos, Ronaldo joga porque alguém o coloca a jogar e, esse alguém, decide onde joga e quanto tempo joga. Esse alguém é o treinador, Roberto Martinez, o maior problema da selecção, actualmente.

Nenhuma equipa obtém resultados sem uma liderança forte, sem alguém que saiba para onde ir e como lá chegar, que caminho seguir. Martinez não é esse líder.

O nosso selecionador é fraco na tomada de decisão e, pelos vistos, menos ambicioso do que eu pensava anteriormente. Sim, falar em vencer o campeonato do mundo ajuda a vencer jogos, porque incute exigência competitiva, ambição, objectivos, destino. Claro que também pode criar alguma pressão mas, convenhamos, estes atletas são profissionais preparados para lidar com essa pressão... supostamente.

Voltando ao treinador. Ontem, Portugal jogou perto de zero, tendo chegado ao golo aos 6' e desligando o interruptor competitivo. Mesmo que a culpa inicial não lhe seja directamente atribuível, o inconsciente colectivo tem um funcionamento próprio, a verdade é que Martinez podia e devia ter corrigido ainda na primeira parte.

Hoje em dia, pelo menos neste mundial, o jogo não tem 2 partes, tem 4 de 22 ou 23 minutos cada. No desconto de tempo para a hidratação, o treinador teve 3 minutos para corrigir posições e dinâmicas, tempo mais do que suficiente, mas não o fez.

Passaram-se mais 23 minutos e teve mais 15 de intervalo para fazer correcções. Voltou a não fazer. Deixando as coisas um pouco ao sabor da inspiração individual dos artistas. Mas, mesmo os grandes artistas, precisam de quem os oriente, e Martinez não é essa pessoa.

Como termo de comparação, na véspera o treinador francês corrigiu posições e dinâmicas e foi premiado por isso. Assim o nosso treinador conseguisse ser mais assertivo, decisivo.

Não foi. Não é.

O problema não é Ronaldo, porque a jogar assim até podiam por lá o melhor PL do mundo. O problema é quem prepara os jogos, os mundiais. E este foi muito mal preparado.
Martinez sabe que, a passarem 8 dos 12 3ºs lugares, dificilmente ficamos de fora mas, não vencendo o próximo jogo, não deve ser com a Colômbia que vamos ganhar impeto e confiança. A fórmula do Euro 2016 não funciona sempre e os planetas só se alinharam daquela vez.

Seleções de Portugal

15/06/2026

Portugal foi à praia. E, de repente, há (mais) um problema, não bastasse Ronaldo ser titular absoluto da selecção, essa heresia dos tempos modernos.

Bom, mas os jogadores foram fazer uma "activação" matinal na praia. Fisicamente, sem ser a minha área de especialidade, não estou bem a ver que raio de activação é aquela nem as vantagens que uma manhã na praia tem para o treino da tarde. Mas a minha especialidade é mesmo a parte mental e emocional e é dessa que quero falar.

A ida à praia, aparentemente, será algo programado e fará parte da rotina da selecção; encaixa mais num momento de lazer e libertação da pressão ou stress da situação do que na preparação física dos atletas.

Uma competição como um campeonato do mundo, é um momento de algum stress mental e emocional, não só pela importância do evento, como pelo facto de os atletas estarem "fechados" num determinado espaço, com as mesmas pessoas, durante bastante tempo. Assim, é importante criar situações em que os atletas possam libertar esse stress adicional, e esta ida à praia, na minha opinião, é bastante positiva nessa vertente. Note-se que, em situações anteriores, não havendo praia, havia snooker, ténis de mesa, playstation, etc.

Há também uma outra componente, que é a criação ou consolidação do espírito de grupo, em que estes momentos têm, ou podem ter, impacto muito positivo. Nestes momentos, os jogadores aproveitam para conversar mais sobre outras coisas que não só o futebol ou a competição, e isso cimenta a ligação entre todos e o espírito de grupo, que é muito importante para a obtenção dos resultados positivos que se desejam.

Se Portugal vencer o Congo na 4ª feira e ou fizer uma boa campanha neste mundial, está tudo bem e isto fez todo o sentido, se acontecer o oposto, estava na cara que isto ia acontecer porque foram de férias. Normal...

Não é por causa destas idas à praia que Portugal vai ou não vai atingir os seus objectivos. Estes atletas, mais uns que outros, claro, estão habituados a activar o seu foco máximo no momento da competição, permitindo-se algum relaxamento fora do jogo e do treino.

O maior problema nesta situação foi, como é na maior parte destes casos na federação, a má comunicação. Para se evitar maus julgamentos, o melhor é comunicar antecipadamente e com clareza o que se vai fazer, especialmente quando se fala da selecção e de algo que sai fora do padrão, como é o caso.

Não vejo, mental e emocionalmente, qualquer problema na ida à praia, desde que tenham a mentalidade competitiva necessária no treino e nos jogos. É só isso que se pede.

Seleções de Portugal
📸Record

27/05/2026

Antes de mais, foi o Torrense que venceu a final da Taça, não foi o Sporting que a perdeu. No entanto, a equipa de Torres Vedras também venceu porque o Sporting cometeu 2 pecados fundamentais: foi arrogante com o seu adversário e completamente desfocado do jogo.

A culpa, na minha opinião, reside em 2 nomes que, digo há muito, têm muito pouca qualidade para estar num clube da dimensão do Sporting, quando se fala em liderança: Varandas e Rui Borges, pois claro.

Começo pelo segundo: já há muito tempo que digo que Borges não tem capacidade de liderança para o Sporting. A sua comunicação é fraca, pouco assertiva ou aglutinadora. Tem dificuldade em dizer o destino a que se pretende e o caminho para lá chegar.
Se a comunicação para dentro não é lá muito boa, para fora não é melhor. É que a comunicação para fora também entra no balneário e, por isso, a confiança e a assertividade têm que existir nos 2 campos. Com Rui Borges, não há em nenhum.
Quando a comunicação não é boa, os jogadores não seguem o seu líder, mas, no caso de RB, a coisa piora: é que a sua capacidade de tomada de decisão é inacreditavelmente má. Demora, quase sempre, eternidades a tomar decisões – é comum ver-se o líder a conferenciar com os adjuntos no banco para tomar decisões, como se fosse sempre necessário pedir outra opinião que confirme a sua, e isso é péssimo na liderança. – e quando as toma, mostra quase sempre insegurança na decisão. É raro sentir que a decisão é forte, tem raízes e estrutura.

Ainda na final da Taça demorou, pelo menos, 10 a 15 minutos para fazer o que já se via há muito. Perdeu a equipa, o clube e ele.

Também não consegue, contra adversários mais pequenos e onde a vitória é imperativa, focar os seus atletas num objectivo, parecendo sempre que durante a semana lhes diz que aquilo é fácil, mas temos que o tornar fácil. Não, não é fácil. É sempre complicado, pode é ser tornado fácil, e não o contrário.

Rui Borges pode ser um tipo fantástico, nem dúvido que seja, mas não é um líder para estar à frente do Sporting. Vai entrar na próxima época já com os pés a queimar, veremos que chegará ao Natal.

A seguir, ou antes, como quiserem, aparece Frederico Varandas. A presunção do presidente do Sporting é absurda e está convencido de que é o maior e que os seus são sempre os maiores. Varandas contratou Amorim e caiu-lhe um título no colo. Depois teve 2 épocas más e 2 boas, parecendo que era um visionário que contratou o melhor treinador de Portugal e arredores. Mas, Varandas foi o mesmo que contratou Silas, Keizer, João Pereira, Leonel Pontes, etc... Os tais do projecto e que iriam ter resultados, só porque eram tocados pelo Midas.

Varandas não protege a sua equipa ou o seu treinador – aquela conferência de renovação de Rui Borges, que mau -, acha, e passa essa mensagem de forma mais ou menos clara, que as vitórias são suas e as derrotas são culpa dos outros. Mesmo quando diz que não arranja desculpas e que assume as derrotas, nota-se a ironia.

Normalmente, quando se ganha mais do que o normal – convenhamos que 3 títulos em 5 anos é bem mais do que o Sporting está habituado na sua história -, corre-se o risco da ilusão do sucesso, como se o mais difícil já estivesse feito e a partir de agora fosse tudo fácil. Acredito que Varandas criou esta ilusão – basta ver como fala da sua equipa, dizendo que são todos fantásticos e têm propostas de todo o lado e mais algum -, esquecendo-se de que é preciso fazer mais e melhor para manter o sucesso, para continuar a liderar as equipas para o sucesso.

Na sua ilusão, Varandas contratou 2 treinadores não preparados para este nível – João Pereira e Rui Borges –, falhando como já tinha falhado antes de Amorim. Por isso, a questão que se pode colocar é: será que Varandas não sabe escolher treinadores e acabou por ter “sorte” com Amorim? A minha resposta é: sim.

Rui Borges vai começar a próxima época com mais pressão e no fio da navalha. Tem a vantagem de poder fazer uma limpeza de balneário, substituindo, como se prevê, mais de meia equipa. E souber liderar, pode formar uma equipa à sua imagem e até ter sucesso. No entanto, como disse antes, na minha perspectiva, Rui Borges não é um Líder e, por isso mesmo, questiono onde passará ele o Natal.

19/05/2026

A convocatória para a fase final de uma grande competição de selecções - Campeonato do Mundo ou Europa -, é um processo diferente de tudo o resto no futebol.

Os critérios relativos à qualidade dos atletas podem ser semelhantes, mas há 2 que assumem particular destaque e devem ser analisados.

A visão do treinador
Tantas vezes preferimos o jogador A ao B, enquanto o treinador do lado gosta mais do B do que do A, é normal isso. Tão normal, que cada um de nós faria a sua convocatória, provavelmente diferente da de Martinez.

Por isso, o treinador pensará naqueles que melhor se irão encaixar na sua filosofia de jogo e no que ele pretende para a competição, salvaguardando todos os cenários. Em teoria, pelo menos.

O Grupo
Um Mundial, jugado lá longe, com um estágio que se quer grande, cria desafios que os clubes normalmente não sentem. O stress da convivência constante, o lidar com personalidades diferentes e, até, muitos egos.

Para tudo funcionar bem, é necessário que todos estejam alinhados com os objectivos e o propósito do grupo, da equipa. Assim, muitas vezes, é preferível escolher um atleta "menos dotado" mas que encaixa melhor no ambiente do grupo, do que outro "melhor" desportivamente mas mais disruptivo comportamentalmente.

Se num clube, pode vencer-se sem que os atletas se dêem bem, numa competição deste tipo, isso não é possível. Se os atletas não se dão bem, não se vence.

Não concordo com todas as escolhas do seleccionador, e acho que algumas são mais para fazer número do que reais opções. Mas, estes são tão importantes para o grupo como um Ronaldo, Vitinha ou Bruno Fernandes. Ter um não utilizado que aceita o seu papel é mais importante do que um revoltado.

Martinez, como Scolaria ou Santos, escolhe o seu grupo, os que acha que, mais do que serem opções aos seus 13 ou 14, fazem um grupo... ou, pelo menos, não o partem ao meio.

Se vai chegar para ganhar? Provavelmente, não, porque os outros também jogam e porque o seleccionador tem muitas limitações, desportivas, de liderança e tomada de decisão.

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