13/07/2026
Todos os anos, os clubes compram e vendem jogadores, alterando a configuração das suas equipas. Sempre que isto acontece, que alguém entra e/ou sai, a dinâmica da equipa, do grupo, altera-se, adapta-se. Por vezes isso acontece rapidamente, outras vezes demora mais tempo. Tal depende, em grande medida, do número de atletas que entram e saem do grupo mas, também, da Liderança do grupo.
Para a nova época, e mesmo considerando que ainda falta 1 mês e meio para o fecho do mercado, parece consensual que o Porto sai na frente, não só por ser o campeão, como também por manter treinador e a grande maioria dos seus atletas. As mexidas são poucas e, quando isso acontece, a dinâmica pouco se altera. Além disso, sendo campeão em título, o espírito é mais positivo, a confiança é maior e a disponibilidade para o treino e a competição é, também ela, mais alta.
Sporting e Benf**a são, por motivos um pouco diferentes, casos de similar complexidade.
O Sporting resolveu fazer uma “limpeza de balneário”, assumindo a mudança de ciclo para o treinador Rui Borges. Saíram, ou vão sair, os jogadores que ainda se mantinham com maior ligação ao legado de Amorim: Morita, Hjulmand, Pote, Trincão, Quenda. Talvez saía ainda Inácio ou Diomande. No fundo, a espinha dorsal da equipa, dentro e fora do campo, sai este ano. É uma renovação total, ou quase.
Mais do que o número de atletas que saem, é a importância que estes atletas têm no balneário do Sporting. Ou seja, são muitos e são importantes. Isto tem um impacto tremendo no grupo.
As equipas, qualquer equipa, passam por fases na sua formação, até se tornarem realmente uma Equipa. Essas fases de formação, apesar de serem mais ou menos semelhantes para todas as equipas, são adaptativas e mudam de equipa para equipa no seu processo. Quer isto dizer que as fases são as mesmas e são experienciadas a velocidades diferentes e com impactos diferentes no dia a dia do grupo. O papel do líder é, aqui, altamente importante, não só para perceber em que fase de formação a equipa se encontra, como também para perceber como lidar com o grupo em cada uma dessas fases.
Rui Borges, já o disse, não me parece, ainda, com capacidade de liderança para um clube da dimensão do Sporting, mas este ano tem uma oportunidade de ouro pois, como não teve antes, vai ter um grupo à sua real imagem, com os perfis definidos por si, para o seu jogo, para a sua liderança. E, como eu sempre digo, todas as equipas são o espelho do seu Líder. Borges demorou a pôr este grupo à sua imagem; agora não pode falhar, mas, para acertar, precisa de tempo e, para ter tempo, precisa de pôr este grupo a jogar como equipa rapidamente. Neste capítulo, a comunicação é essencial; tenho dúvidas de que Borges consiga fazer isso assim tão depressa.
O Benf**a parte mais atrás, por um lado, mas mais à frente, por outro. Começou a preparar as coisas mais tarde, ou assim nos dizem, com indefinição quanto à liderança da equipa. Embora não tenha sido nada de positivo, a verdade é que quando os treinos e os jogos de preparação começam, isto desaparece, pois já há um Líder a orientar as coisas, neste caso, é Marco Silva.
Não sou adepto da forma de comunicar de Marco Silva, o que não quer dizer que ele não seja bom comunicador, porque é. Sabe passar as suas ideias, é coerente, tem noção do destino do seu caminho e sabe como lá quer chegar. Mais, consegue passar a sua mensagem aos atletas, exatamente por estas razões, e isto é essencial para o sucesso. Quando se fala aqui em sucesso, não me estou a referir directamente aos títulos, porque esses dependem de muitos outros factores, mas no sucesso da sua Líderança ou, se preferirem, na efectividade da sua Liderança sobre a equipa.
Marco Silva e o Benf**a têm o problema de ser tudo novo na relação treinador – equipa, pois ninguém conhece ninguém. O treinador tem que conhecer os jogadores e estes o treinador. O primeiro terá que perceber, muito rapidamente, quem encaixa, na equipa, no seu tipo de jogo, no seu estilo de liderança, e cortar quem está a mais. Esta parte é mais importante até, na vertente da liderança, do que quem precisa comprar para o seu estilo de jogo. Os jogadores, por outro lado, sentem ter outra oportunidade de provar que podem ser apostas, um novo alento para darem mais no treino, mais no jogo. Até ao corte, tudo é possível, nesta fase.
Não há milagres na liderança. Há qualidade, competência, capacidade de adaptação, eficácia na comunicação, entre outras coisas. Mas, claro, é sempre preciso um pouco de felicidade, e o Benf**a, este ano, não a teve. Começou mais cedo que os outros, sem os mundialistas e com a necessidade de vencer já, pois se não o fizer, f**ará de fora da Liga Europa, algo que poderia ter um impacto negativo grande, não só na confiança e no ânimo dos atletas, como nas finanças e na capacidade de aliciar novos jogadores. A pressão é maior nos lados da Luz, já em Julho.
Quando a bola começa a rola a sério, é muito importante se a bola bate no poste e entra, ou se bate no poste e sai. Isto vai ditar praticamente tudo. Ainda assim, vejo um Porto mais perto da vitória e um Benf**a mais longe. O Sporting, mesmo não podendo ser assumido para fora, parece-me mais focado em criar alicerces para mais anos do que só para este ano.
Relembro que, a perspectiva é referente à Liderança das equipas, apenas isso.
Liga Portugal
FC Porto
Sporting CP
Sport Lisboa e Benf**a