05/10/2026
Hoje é Dia Mundial do Docente.
E começo por uma correção que ainda é necessária: educadores de infância são docentes. Não são uma nota de rodapé da Educação.
Conheço escolas por dentro. Faço sessões de sensibilização com alunos, formação com professores, educadores de infância, assistentes operacionais e pais. Também dou aulas, embora no ensino superior.
E talvez por isso me irrite tanto ver a facilidade com que se bate nos professores.
Hoje exige-se ao professor que ensine, motive, inclua, diferencie, medie conflitos, detete problemas emocionais, responda a necessidades educativas específicas, preencha burocracia, comunique impecavelmente com as famílias e ainda compense aquilo que alguns adultos decidiram deixar de fazer em casa.
Tudo isto com falta de professores, falta de assistentes operacionais, psicólogos esmagados por rácios absurdos e turmas profundamente heterogéneas.
E depois há o elefante na sala.
Uma certa versão da “parentalidade positiva” confundiu respeito pela criança com incapacidade de lhe dizer não. Criámos adultos que querem proteger os filhos de qualquer frustração e que, perante um conflito, perguntam primeiro “o que fez o professor?” em vez de perguntarem ao filho “o que fizeste tu?”.
Isto não é proteger crianças. É retirar-lhes responsabilidade.
Há professores que precisam de melhorar? Claro. Digo-lhes isso nas formações, olhos nos olhos. Há maus professores, como há maus médicos, psicólogos, empresários, jornalistas e pais.
Mas usar uma minoria de maus profissionais para humilhar uma classe inteira é intelectualmente desonesto.
A maioria continua lá.
E, demasiadas vezes, a fazer trabalho que pertence a outros adultos.
Não precisamos de agradecer aos professores uma vez por ano.
Precisamos de voltar a respeitar socialmente quem tem nas mãos, todos os dias, os filhos dos outros.
Obrigado, professores.
Obrigado, educadores de infância.
Alfredo Leite