Círculo de leitura do Ashram Pashupati

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Programa Yôga em Férias - Visita a Setúbal

A visita a Setúbal foi culminar do intenso e repleto de actividades Programa Yôga em Férias. E não podia terminar de melhor forma, numa cidade que tem na sua bandeira o violeta, cor de alta vibração e consumidora de karma, que si só nos remete para a ideia de renovação. E que na sua configuração geográfica corresponde ao vishudha chakra do nosso país. Vishudha, o chakra do verbo da criação. Posto isto, esta visita toda ela subordinada ao tema da renovação foi altamente introspectiva, passando por locais de extrema beleza e de grandes significados tão relacionados com o nosso caminho no Yôga. Um local cheio de “lugares comuns” como o nosso querido Mestre João Camacho tão bem referia. Onde nos deparamos com os nossos martírios e com a questão de sermos ou não capazes de os suportar e ir mais além e superá-los. Ser mais forte, e quanto mais fortes nos tornamos maiores são os desafios.
Visitámos o Convento da Nossa Senhora da Arrábida, mais conhecido apenas como Convento da Arrábida. Este convento, situado na parte mais elevada da Serra, foi fundado por Frei Martinho de Santa Maria, frade castelhano da ordem de São Francisco que confessara querer fazer uma vida de ermita, dedicada exclusivamente ao culto de nossa senhora e a quem lhe foram concedidos os terrenos da encosta da Serra por D. João de Lencastre e onde havia já o culto a Nossa Senhora da Arrábida. Frei Martinho deslumbrado com a beleza do local fundou ali a sua ordem. Um culto Mariano, um culto do feminino.
No convento da Arrábida a vida era de pobreza, sacrifício, martírio, contemplação e entrega, buscando sempre os limites do corpo físico desprezando-o numa busca incessante pela pureza e pela divindade. Os monges descalços e com os pés descobertos por serem escravos de Deus, com o mínimo de agasalho possível, quer de verão quer de inverno, usavam o capuz piramidal que ficou característico dos monges arrábidos. A sua alimentação era praticamente à base de fruta que ali cultivavam e que intercalavam com os 3 dias de jejum.
Neste convento destaca-se também a importância da água, sem a qual a permanência naquele local seria impossível. A água que é fonte de vida e que foi aproveitada e canalizada pelos monges daquela altura de uma forma sábia para que conseguissem ter de beber.
Aqueles monges contemplativos que caminhavam descalços como forma de penitência e automutilação, pretendendo assim com o limite físico chegar mais perto do divino. Identifico-me com eles, com o caminhar em silêncio e comigo própria, não como penitência, mas porque para mim é um prazer. No silêncio encontro-me e o que está aqui está em toda a parte, o que não está aqui não está em parte alguma. E o caminhar é tão natural. Na sequência do que temos vindo a falar ao longo do mês, sinto o apelo para caminhar na serra que é mãe, na mitologia hindu-Uma. Na forma de Senhora do Monte a Deusa manifesta-se como Parvati, que significa montanha ou que vive na montanha.
Segundo o nosso querido Mestre João Camacho, “para o hinduísmo, as montanhas são locais sagrados dos quais os incautos se devem aproximar temerariamente. É lá que os deuses vivem, é para lá que os sábios se retiram em busca do Eu profundo, em busca do conhecimento. Assim é também na tradição ocidental.”
Aqui tal como Parvati temos Nossa Senhora da Arrábida em honra de quem, ainda hoje se mantém a tradição do Círio marítimo, um cortejo de barcos engalanados que partem com a imagem da Nossa senhora da Arrábida e em sua honra. Celebrando assim, o que se diz ter sido a aparição da Virgem Maria na serra durante um temporal, emitindo uma luz intensa na encosta que ajudou uma tripulação desnorteada e em aflição a chegar a bom porto. Uma festa religiosa, mas com uma profunda ligação aos ciclos da natureza, pois representa, tal como o tema da nossa visita, a renovação, o verão é tempo de alegria e fartura e é nesta altura que se dá a celebração e o apelo às dádivas da mãe natureza, pois esta pode ser bela e motivo de contemplação, mas durante o inverno é também tenebrosa e traz consigo perigos terríveis, doenças, medos e escuridão e mesmo no verão, entre outras coisas, o calor pode ser abrasador e levar-nos a estados de desidratação.
A Serra da Arrábida é um local maravilhoso e de uma energia fabulosa, já para não falar da imensa vista sobre o rio Sado e sobre o mar que nos confere a ideia de imensidão e beleza do mundo e do universo, nos mostra como somos pequenos e fazemos parte de tudo.
Nesta visita a Setúbal tivemos ainda oportunidade de visitar a Igreja do Antigo Mosteiro de Jesus, uma igreja cujas paredes são testemunhas de mais de 500 anos de História de Setúbal e de Portugal. Foi aqui inclusivamente que foi ratificado o Tratado de Tordesilhas em 1494 pelo Rei D. João II. Um mosteiro também ele rico em simbolismo, logo na porta de entrada podemos ver o alfa e o ómega, símbolos de inicio e fim e foi de facto assim, ali foi o inicio e o fim pois infelizmente, por se encontrar em restauração, apenas pudemos ver a fachada, por outro lado, é bom que esteja a ser restaurado, pois este foi considerado um museu de risco em 2013 pela federação pan-europeia de património cultural Europa Nostra e é um local tão bonito e de com tanta história e simbologia que merece ser preservado.
Terminámos como nosso habitual lanche convívio sempre tão aguardado e apetecível.
Muito obrigada querido Mestre João Camacho e Professora Anabela Duarte da Silva pela orientação nesta visita de estudo marcante e que com certeza irá ressoar ao longo do ano e pela organização deste grande evento que foi o Yôga em Férias.
SwáSthya!

Rita Fernandes, Instrutora Estagiária
Discípula do Mestre João Camacho
Sempre achei que em parte uma do meu ser existia uma totalidade una de Ser. Um caminho obscuro trilhado em permanência numa recusa imensa em não querer ser, estar, viver. Uma dúvida premente em que nada do que fazia, merecia ter. Porém, nessa desajustada condição, e caminho assente em desconhecimento, sofrimento, egocentrismo, imaturidade, e não controle da emoção/razão, existia uma resiliência inata, pronta a vingar e soltar voz a plenos pulmões.
Há caminhos que são para nós... simplesmente. Que tudo nos dizem. Que nos definem e que nada precisam mostrar. Porque no que não se diz, no que não se vê, no que não se ouve... existe o mistério que apenas alguns sentem.
Gosto sem puder gostar. Digo coisas como se me perguntassem.

Excelente texto, querida Prof.ª Anabela Duarte da Silva!
É no reflexo dos olhos que se avista o que vai dentro. E, neles brilham os ensinamentos do querido Mestre João Camacho!

Obrigada pela partilha! E, por vos continuar a ouvir.

SwáSthya!
Exames Nacionais- 1ª Época

Os exames nacionais para instrutores de SwáSthya Yôga, realizaram-se no passado sábado dia de Junho, o mais esperado e ao mesmo tempo mais temido dia do ano no curso de formação de instrutores de Yôga. Depois de um grande ano de trabalho e de estudo, foi o exame foi para todos o culminar deste ano transformador. Durante todo o ano somos postos à prova, mas o momento do exame é o momento da verdade. É um dia de grande pressão e de muitas emoções, mas como o nosso querido Mestre João Camacho nos tem vindo a dizer, só assim é possível lapidar um diamante, só com alta pressão. E é interessante esta comparação que tantas vezes o Mestre faz, referindo-se à nossa própria transformação, pois todas as ferramentas de corte usadas para lapidar o diamante tem de ser feitas dele
mesmo, de diamante. O diamante é o único capaz de cortar outro diamante.
O Mestre mostra-nos, ilumina o caminho, mas somos nós que temos de caminhar.
Devido à grande pressão por que passamos, o sabor da vitória é ainda mais sentido, a alegria, felicidade e satisfação depois do dever cumprido são enormes e a vontade de continuar neste caminho é cada vez mais firme.
No meu caso, tinha a responsabilidade acrescida de ter de fazer a prova de ásana não só por mim, mas por todos os colegas que íam a exame no mesmo dia, a nota da prova de ásana que eu conseguisse obter, seria a nota de todos. Senti-me o homem do leme em A Mensagem, de Fernando Pessoa. «Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um Povo que quer o mar que é teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme, E roda nas trevas do fim do mundo; Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. João Segundo!».
Perante o júri, eu era mais do que eu, era todos os que se prepuseram a exame e queriam o certificado. E por mais medo que pudesse ter, desistir nunca foi opção. Com a coragem do leão que nos é característica, conquistámos todas aquilo que tínhamos ido buscar, cada uma de nós no seu grau evolutivo próprio, mas todas juntas.
Foi um dia cheio, que ficará para recordar. E como prendemos com o nosso Mestre, devemos festejar as vitórias e para isso tivemos o merecido lanche, que era na verdade um verdadeiro banquete e que nos proporcionou bons momentos de convívio e alegria, felizes por estarmos juntos e pertencermos a esta egrégora forte, guerreira e vencedora. Convívio esse em que tivemos oportunidade, agora já mais
descontraídos de confraternizar com o nosso grande amigo Instrutor Leonardo Terto, representante do Espaço Cultural Ashram Pashupati no Brasil, e que passará o mês de Julho connosco aproveitando assim o fantástico programa Yôga em Férias a decorrer. A presença do Instrutor Leonardo Terto nos exames nacionais foi também marcante, pois está sempre a um oceano de distância e chegou precisamente neste dia tão importante para todos, fazendo questão de participar de
todas as aulas de exame bem como de trazer, como manda a tradição, o pújá ao Mestre de uma beleza e significado tão bonito e profundo.
Mais uma vez muito obrigada querido Mestre João Camacho, pela orientação e ensinamentos, assim como agradeço à Professora Anabela Duarte da Silva, que no próprio dia em que foi júri de todos os exames para o grau de instrutores foi
também a exame, pelo o qual lhe dou também mais uma vez os parabéns, e ao Prof. Luís Lázaro pelo excelente trabalho.
Não posso deixar de agradecer também à minha querida monitora Professora Paula Trigo de Sousa, que apesar de não ter estado presente fisicamente, tem me acompanhado sempre de perto.

Rita Fernandes, Instrutora Estagiária
Discípula do Mestre João Camacho

Círculo de leitura do Ashram Pashupati. Director executivo: Mestre João Camacho

Funcionando normalmente

[08/28/20]   Os meus amados gregos, depois os romanos, iniciaram um processo de racionalização do mundo, que veio a culminar no monoteísmo, afastando os seres humanos de uma realidade supra-sensível, em prol de um torpor resultante uma promessa de salvação eterna.
A ponto de, por volta do século das Luzes, pelo menos no Ocidente, a iniciação resultar tão só em rituais vazios de significado interno, vazios de transformação e alteração da visão do mundo daquele que supostamente era iniciado. A iniciação passou a ser, apenas, um rito de passagem, em que o candidato, após cumprir os pré-requisitos, passou a ser aceite na estrutura corporativa da irmandade aonde se candidatava. É a Maçonaria e os Rosacrucianos que mais contribuem para uma adulteração do processo iniciático, através de formas teatrais, com muito simbolismo, mas com pouca capacidade transformadora. Aquilo que na Antiguidade se chamava de Mistérios (o conhecimento que está para lá da aparência, o que permitia ao ser humano contactar com uma realidade que o ia alterar indelevelmente), foi arredado da maior parte das estruturas iniciáticas. A tal ponto de, no último quartel do séc. XX, algumas correntes new age proporem a auto-iniciação.
O que significava a iniciação nos tempos antigos?
É necessário afirmar que a iniciação, não se +esgota num acto. É um processo contínuo de transformação, de mutação.
Sabemos hoje, que a iniciação, nos tempos antigos, implicava sempre um descer. Aos abismos, como vos digo, às profundezas da mente. Mas também aos reinos da morte. Onde a escuridão, por associação à Senhora, à Deusa, à Lua, reinava soberana. Onde, após esse mergulho, muitas vezes enlouquecedor e doloroso, o iniciado voltava, pelo efeito redentor da luz. Luz do fogo, luz da kundaliní. Nessa descida, o iniciado deve viver a aniquilação dos seus ancestrais, mas também a própria. Assim acontece com os cereais, nas sociedades agrárias, mas também com o metal dos ferreiros, esses grandes demiurgos, que como nós, trabalham e forjam com o fogo. Que, como nós, malham, transformam, moldam o metal, assim como nós fazemos ao corpo, à respiração, às emoções, à mente, para no fim, obterem um metal de especial pureza e qualidade, para no fim obtermos um ser ontologicamente superior, um ser com acesso ao canal intuitivo.
Este processo não é teórico, nem somente simbólico. É um real processo de transmutação, de disciplina continuada, de interferência do guru na vida, na mente, na maneira de ser e de estar do discípulo. O guru, deve, como o ferreiro, malhar, dobrar, submeter ao fogo. E só assim o discípulo se transmutará na lâmina afiada de que a Upanishad fala. Há, tem de haver, uma dimensão vivencial na experiência da iniciação. De outro modo não é real, de outro modo é falsa. E tem de a haver, mesmo nos aspectos menos bons, ou menos agradáveis, ao discípulo. Não basta o aspecto litúrgico, as palavras e as teorias do guru, que se ouvem e se consideram muito bonitas, tal como os católicos fazem em relação às homilias do padre. Há que mergulhar no lado esotérico e mágico da transformação pelas mãos do mestre. Transformação que muitas vezes tem início no ashram, continuidade nas florestas, nas montanhas, nos rios, na percepção das forças e das energias que aí, esquecidas de quase todos, ainda se manifestam. Transformação que ocorre pela acção directa do mestre. Pela interacção do discípulo com este, pelas práticas orientadas por este, pelas práticas propostas por este. Muitas vezes práticas profundas, de grande interferência com a maneira de ser do discípulo, mas que têm como fito modificá-lo, levá-lo mais longe no marga do Yôga Shakta/Sámkhya. Práticas que não devem ter um cariz redutor, interacção que não cessa só porque a prática terminou. Pois a interferência, a acção transformadora, deve ter continuidade em todos os aspectos da vida do discípulo. A acção iniciática tinha, na antiguidade, e tem hoje, quando é autêntica e não apenas litúrgica, a finalidade de preservar a clarividência intuicional. O processo iniciático é, ou deve ser, um mergulho nas entranhas, nas profundezas da mente e da terra e nas suas energias. Porque somos shaktianos, mergulhamos primeiro nas trevas, reino da deusa, reino da Senhora, reino da mãe. Só depois ascendemos à luz. Também por isso preferimos a penumbra da floresta, também por isso fazemos as nossas práticas, no ashram, com as cortinas cerradas e as luzes apagadas. Como se adentrassemos a caverna, ou retornássemos ao útero materno. E o que é o tão decantado hiranyagharbha, ou a caverna, a não ser úteros? O primeiro cósmico, o segundo da terra?
A iniciação autêntica leva à tomada de consciência das energias que se manifestam através do corpo e catapultam-nas, num processo ascendente, para a consciência alargada. O iniciado procura conhecer no corpo a trama dos tecidos, mas também a textura da pedra. Por isso vos tenho sugerido que façam a V. coreografia em cima das pedras. O processo iniciatório autêntico passa pelos Mistérios (vide, por todos, Mircea Eliade), palavra que significa “fechar a boca”, que significa “manter silêncio”. Ora, estamos, com este conceito tão perto do grande ensinamento “os que falam não sabem, os que sabem não falam”. São mistérios, na terminologia grega, mas reparem como estamos perto de gupta vidya (conhecimento secreto), ou de amnaya (misterioso – provindo esta palavra de mistério). Reparem também, como nos remete para outros aspectos. O iniciado, o que vivenciou a experiência transformadora, não tem como expressar por palavras, do discurso racional-intelectivo a sua experiência. Todavia é um testemunho correcto, como Patañjali o indica. E o testemunho correcto é a melhor forma de conhecimento erróneo. É correcto para o que teve acesso directo à experiência, é testemunho, ou seja, a vivência de outro, para aquele a quem a experiência é descrita. Também por isso o mistério – manter o silêncio.
Um outro aspecto também a ter em linha de conta, quando se fala em conhecimento misterioso (amnaya), ou seja, conhecimento sobre o qual se deve manter silêncio, é a moral vigente. O iniciado deve confrontar-se com a moral e com os valores morais que lhe foram incutidos pela sociedade em que está integrado, e que aceitou como bons. Também aí deve pô-los em causa, e num processo de auto-superação, tantas vezes doloroso, penoso, pois entra em linha de conta a noção de pecado e o sentimento de culpa. Nesse processo o iniciado deve por de parte essa moral, transmutando-se também no que lhe foi inculcado como sendo absoluto, natural. Mistério, manter o silêncio, pois se formos discretos, quase tudo nos será permitido. Se formos exuberantes, seremos apedrejados.
Os que um dia são tocados, não mais voltarão a ser os mesmos, ainda que abandonem o caminho, ainda que se afastem do Yôga, ainda que abjurem o mestre. Pois num processo de transmutação propõe-se ao iniciado que morra, que saiba morrer e regressar, regenerado, transformado, da morte. Por isso também é o nascido duas vezes. Não falamos em termos simbólicos. O iniciado transforma-se na sua mundivisão, onde até a sacrossanta moral instituída se modifica no interior deste. Mas não paramos nós o corpo (ásana), como se este estivesse morto? Não cessam os pulmões de respirar (kúmbhaka - shúnyaka)? E não paramos a mente, os seus turbilhões, o pensamento (dhyána)? E para o fazermos não retiramos os sentidos do mundo (prátyahára)?

[07/23/20]   Texto - círculo de leitura de 24-7-2020
ORIGENS - Súrya namaskára
O Súrya namaskára foi criado há milhares de anos, na civilização do Indo-Saraswatí, entre o povo drávida. Alguns autores ocidentais, erradamente, atribuem ao Súrya namaskára uma origem próxima, na Idade Média. Laboram em erro. As origens do desta antiga prática radicam na própria origem do Yôga. Ensina Satyánanda que

"As origens do Súrya namaskár datam de antes das mais antigas épocas da história quando os seres humanos pela primeira vez tomaram consciência da existência de um poder espiritual existente dentro deles e que se encontra também no universo material. Esta consciência é a fundação do Yôga."

Ainda segundo Swami Satyánanda

"A adoração e veneração do sol foi uma das primeiras e mais naturais formas de expressão interior. A maior parte das antigas tradições incluem formas de adoração do sol, incorporando vários símbolos solares (…)."

E, de modo inquestionável, o ilustre Mestre, explica que

"Este grupo dinâmico de ásana não é entendido como sendo uma parte tradicional das práticas de Hatha yôga, uma vez que só foi adicionado mais tarde ao grupo de ásana definidos inicialmente."

No mesmo sentido, declara António Blay, conhecido mestre de Hatha Yôga, que "o Súrya namaskár não é propriamente um exercício do Hatha Yôga."

TEORIA GERAL

Começamos por indicar o que significa súrya. É uma das palavras do sânscrito, uma língua morta, muito antiga, indo-europeia, que designam o Sol. O sânscrito é também a linguagem técnica do Yôga. Namaskára significa saudação.
Súrya é o fogo que aquece e ilumina, mas que também cega e queima. Dá vida e destrói. Da fusão entre o oceano e o sol surgiu a vida. Pois esta obtém a sua energia de Súrya, o grande dispensador de vida.
Súrya tem dois aspectos:

O primeiro como Súrya: É o que aquece, mas é o que queima. É o que ilumina, mas é o que cega. É o que dispensa vida, mas é o que destrói.
O segundo aspecto é Savitur: É o poder de dar vida. É o poder básico motivante para a auto-superação. É também o sol que se pode olhar, ao nascente e ao poente. É a este poder inspirador da auto-superação que o Gáyatrí Mantra se dirige.

Shrí DeRose apresenta esta bela tradução :

ÔM bhúr bhuvah swaha, Em todos os planos da criação,

ÔM tat Savitura varênyam. sejamos como o Sol,

bhargô dêvasya dhímahi. esplendorosos como deuses.

dhiyô yô naha prachôdayátô. Que isso estimule nossas
mentes.

A tradução apresentada é a mais consentânea com o Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya, as raízes filosóficas da nossa ancestral tradição. Decompondo:

o ÔM – O mais importante dos mantras, o próprio corpo sonoro do Absoluto.
o Bhúr – terra, o plano físico.
o Bhuvah – atmosfera, o plano intermediário entre a terra e o céu.
o Swaha – luz, céu, espaço.
o Tat – aquele.
o Savitura – genitivo de Savitri, estimulante, nome de uma personalidade mitológica ligada ao Sol;
o Varênyam – desejável, excelente.
o Bhargô – esplendor.
o Dêvasya – digno dos deuses.
o Dhímahi – possamos nós alcançar.
o Dhiyô – pensamento, meditação, devoção.
o Prachôdayatô – estimular, pôr movimento.
Há muitas variantes de Súrya namaskára. Seguidamente apresentamos a forma base que adoptamos como a forma estilo da nossa linhagem e assim definida por Shrí DeRose . Acrescentámos o nome de cada uma das posições, assim como a numeração, em sânscrito.
O Súrya namaskára pode ser olhado a partir de três principais componentes:

Forma: A ordem sequencial dos doze ásana que compõem esta prática é a sua matriz que permite autonomizá-la e distingui-la de outras coreografias.

Energia: A sua prática estimula a absorção e circulação de prána a nível dos corpos físico e energético, agindo, pelo acréscimo energético sobre o funcionamento dos corpos emocional e mental, preparando o caminho para o intuicional. E regula, especificamente, o funcionamento de píngala nádí.

Ritmo: A prática de Súrya namaskára deve ser feita com ritmo. Veremos à frente, alguns dos ritmos possíveis. Deve, no entanto, deixar-se a nota de que algumas escolas de Yôga associam cada uma das posições a uma casa do Zodíaco, entendendo que, dessa forma, o ritmo expresso no Súrya namaskára é um ritmo cósmico.

Cumpre tecer ainda alguns comentários sobre o Súrya namaskára, no sentido de melhor se compreender o seu fundamento e simbolismo, de acordo com os preceitos do Ta**ra/Sámkhya. Fá-lo-emos vivenciando esse simbolismo no corpo com a execução do Súrya namaskára.

[05/22/20]   Círculo de leitura - 22/05/2020
Do livro do Mestre João Camacho, Yantra. A estrutura do Cosmos

Yantra é uma representação gráfica, drasticamente reduzida, do universo. Yantra significa ‘instrumento’, ‘recurso’ ou ‘tramóia’. O Kularnava Ta**ra descreve o yantra como aquele que salva, trayatê, todos os seres do medo e do próprio Yama. A palavra yantra deriva da raiz yam ou ainda da palavra yantrati ou yantrayati. O significado destas duas últimas palavras é: ‘conterá’, ‘obrigará’, ‘dirigirá’. Yantra também significa artefacto, aparelho, máquina. Assim, a pedra do moinho, a mó, é yantrapala. A marionete que se move por cordas é yantra putrika. A palavra yantra também designa aparelhos cirúrgicos, tal como consta no Susruta-samhita, um tratado de medicina cirúrgica. Por sua vez, a palavra yantranam significa ‘protecção’, ‘guardar’, ‘atadura’, tal como consta do mesmo tratado. Etimologicamente é composta por yan, ‘suporte de energia’ , e tra, ‘instrumento’.
Os yantras são tão antigos quanto a emergência do pensamento mítico e simbólico, que foi a primeira forma de o ser humano abordar, compreender e explicar o real e encerram os princípios do tantrismo. Constituem excelentes objectos de meditação e são utilizados na magia tantrica hindu .
Alguns yantras, como o ÔMkara, são de estrutura muito simples. Outros, como o Shrí Yantra, são de estrutura muito complexa.
Os yantras também foram usados com intenções mágicas que consistiam, v. g., em afastar o mal, vencer os perigos, erradicar a peste, impedir as tempestades, aumentar a fertilidade da terra, entre outros.
A palavra magia significa, originalmente, a sabedoria dos sábios orientais. A palavra magus ou magi refere-se aos membros da classe sacerdotal persa. Supõe-se que a palavra deriva do termo sânscrito magha, que significa uma dada classe de pessoas, mas também grande riqueza proporcionada por Indra, o rei dos deuses do panteão védico; é neste sentido que a palavra é utilizada no Rig Vêda. Magha também designa quem possui riqueza em abundância e uma grande riqueza é designada por maghavan. Ora, a palavra magha está relacionada com mahat um dos princípios do sámkhya. Mahat, o grande, é a consciência indiferenciada, por oposição à consciência individualizada, o ego, ahamkara e consciência objectiva, manas. Assim, pretende a magia compreender a dinâmica da consciência e utilizá-la. A magia é uma arte tradicional essencialmente prática e utilitária . Enquanto outros caminhos pretendem elevar o ser humano ao nível da consciência indiferenciada, a magia procura baixar esse plano superior ao nível do quotidiano.
Ao nível da metodologia da nossa tradição ancestral e, em concreto, do tantrismo, repare-se nos chakra, centros energéticos de um mundo abstracto, invisível, subtil, a manifestarem-se no corpo concreto. Ao nível do desenho subtil dos corpos de cada ser humano, o Shrí Chakra é um mapa do cosmos abstracto existente dentro do corpo físico.
O yantra é, para o próprio tantrismo, um poderoso instrumento mágico. O yantra é uma representação visual das energias, forças, vectores que operam no corpo e no cosmos. O mesmo é dizer, no micro e no macro cosmos. Se o mantra utiliza os símbolos sonoros, verbais, o yantra utiliza os visuais. No yantra todo o mundo visível é reduzido às suas essências e às unidades fundamentais, como o ponto, o círculo, o triângulo, o quadrado, etc... O yantra é utilizado no tantrismo como um instrumento de concentração e visualização.
O poder protector do yantra tem a ver com o seu desenho. Cada yantra é auto-suficiente, contém-se a si mesmo, e está protegido contra influências externas pelas linhas que rodeiam o desenho principal – repare-se, por exemplo, na utilização que a magia dá ao yantra, o círculo mágico.
No yantra o seu ponto central (bindu) é o aspecto focal da energia. É o ponto de mais intensa concentração de energia. O ponto está rodeado de sucessivos recintos, linhas, triângulos, quadrados, que representam distintas modalidades de energia. A intersecção de formas simples, como linhas, quadrados, triângulos, é considerada mais poderosa. E os espaços formados por essas intersecções são campos especiais de operações de energia. O poder do yantra pode ser potenciado com o mantra adequado.
João Camacho

23/01/2020

Círculo de leitura do Ashram Pashupati

No reunião do Círculo de Leitura do próximo dia 24 de Janeiro de 2020, voltaremos a ler e a comentar este texto.

O centro. O fio de Ariadne e a busca introspectiva – maithuna.

1. Coligi alguns apontamentos que se vos destinam. Vamos ver se ao passá-los à forma escrita os consigo apresentar como sútra, ou seja, com um fio condutor, o fio que sustenta a nossa caminhada no labirinto, o fio que une os fragmentos da nossa existência, quando somos confrontados, directamente, sem subterfúgios connosco e com aquilo que de facto somos. E esse confronto ocorre uma e outra vez, se o procuramos, evidentemente. O centro não estará definitivamente resolvido enquanto não nos libertarmos totalmente das amaras da acção dos triguna. Assim, passamos tantas vezes de um labirinto a outro – a constante procura do centro que deve ser tão imóvel quanto rápida. Alguns de vós afirmam ir entendendo o que vos digo umas vezes, e outras nem por isso. Deixando o que não conseguem decifrar para depois. Não tem importância que assim seja. Nestas coisas a que nos dedicamos, entendemos de imediato quando já experimentámos, percebemos o que está em causa quando, na nossa caminhada individual, nos estamos a aproximar da experiência referida. Ficamos sem saber do que se trata se ainda estamos longe, mas o importante é estarmos no caminho.
2. O confronto connosco, no trabalho de introspecção de que tantas vezes falamos, pode e causa muitas vezes sofrimento, dando-nos a sensação de estarmos perdidos, de não sermos capazes de nos encontrarmos mais. Podemos ter o delírio de ficarmos para sempre retidos no labirinto, sempre longe de encontrar seja o centro, seja o caminho para a saída. E quantas vezes, cada um de vós, não se sentiram já perdidos? Daí a importância do fio de Ariadne, do sútra condutor, que liga os rudráksha do japamálá.
E referir o sofrimento, numa linhagem tântrica, não será um contra-senso? Neste caso não. Continuamos no caminho da sensorialidade. Reparem, perguntem a uma mulher que já tenha sido mãe se o sofrimento das gestações e respectivos partos, não lhes causou uma alegria tal como nós, os homens, não conseguimos alcançar? Para as mães como para os bebés, o cordão umbilical energético não desaparece, antes dos nove meses de existência fora do corpo da mãe. Perguntem-lhes o que sentiram, como se sentiram – acreditem, mesmo que não o confessem, sentiram-se verdadeiras deusas-mães, capazes de realizar o milagre da vida. Capazes de o realizarem para além do pai e, por vezes, não obstante o pai, que não passa do lingdhara, ou seja, o portador do pénis. Sofrimento, para a mãe e para o novo ser? Sim Alegria infindável, auto-realização e auto-satisfação para as mulheres-deusas que concretizaram o milagre da criação? Também um inequívoco sim. Em relação aos nossos colegas homens, se querem mesmo sentir o que vos digo, e só o conseguirão de forma aproximada, fundam-se na Shaktí. Sejam um só com a Shaktí, coincidentia opositorum – a coincidência dos opostos. Em maithuna, se e quando o quiserem fazer, poderão ter a graça de a Shaktí-deusa, que aceda ao maithuna convosco, vos permitir esse fundor de corpos (os vários que identificamos no Yôga). E aí terão um vislumbre do ser, do sentir, da sensibilidade, da emoção de uma mulher. E, também ela perceberá a força viril, a masculinidade do macho, do homem-touro, a fonte e aorigem da sua força, que por vezes, não contida, se revela como brutalidade. E os dois poderão ser um – o andrógino. E tudo isto, porque nesse instante aquele homem e aquela mulher, são tão só Shiva e Shaktí.
Não deverão confundir maithuna com s**o. Poderão ter relações se***is sempre que quiserem e muito bem entenderem, o que vos saberá muito bem, pelo menos assim vos desejo, sem que isso tenha algo a ver com o maithuna, a alquimia sexual. Claro que têm de comum que ambas as actividades, passam pela sexualidade e implicam uma boa dose de excitação. Mas a semelhança termina aí.

3. Ainda a propósito das últimas aulas e dos efeitos que possam ter tido sobre vós e sei de quase todos vós que foram intensos e se manifestaram, de maneira diferente em cada um. Nuns com mais intensidade, noutros com mais serenidade.
Uma aula de Yôga pode ser modulada de muitas formas, de modo a produzir mais efeitos aqui, menos ali, equilibrar exageros energéticos neste aspecto, intensificá-los quando são parcos naquele. Um mestre de Yôga deverá conseguir fazê-lo, orientando a prática de modo a intensificar ou diminuir este ou aquele efeito. Pode fazê-lo porque sabe o que está a manipular, conhece intimamente as energias que está a usar, a estimular. Por isso, pode acontecer que um discípulo sinta efeitos tão dispares de uma aula para a outra. Não que esteja algo mal com esse discípulo, que sentia efeitos tão intensos e depois suaves, nas mesmas zonas do corpo e com os mesmos exercícios.

A progressão do yôgi de acordo com as escolas tântricas medievais

Algumas tradições tântricas medievais, apontam para uma progressão do yôgi da seguinte forma:
 Pashu, o homem comum, o homem animal, que ainda não iniciou o caminho. Sendo que Shiva, o mahêshwara (o primeiro nascido), o Sadyôjata (o nascido espontaneamente), se apresente tão só, com a humildade dos sábios, como Pashupati, o senhor dos animais, pois, em verdade, esses são os que mais necessitam de Shiva e dos seus ensinamentos.
 Sádhaka (o praticante), sádhika (a praticante). O pashu transmutou-se em aprendiz. É aquele que transpôs o 1º véu da ignorância, iniciou os passos rumo à libertação. É o que segue o sádhana com afinco e disciplina e no Yôga tântrico não importa qual seja o passado desse sádhaka, ou a sua origem, só importa o que acontece depois do início do caminho.
 Vira. Seguidamente passa a herói ou adepto. Neste estado já pode distinguir e ultrapassar as aparências do mundo material. São iniciados que pela prática do Yôga adquiriram o poder de dominar o mundo físico e o mundo subtil. Já transcenderam a condição humana. Um vira pode já ser um mestre que domina todas as energias em si latentes e em sua volta. É capaz de dominar as forças elementares da natureza. Tem a capacidade de atravessar o labirinto interno e aceder aos níveis superiores.
 Siddha, o realizado. Este é o estado seguinte, tembém apelidado de kaula (membro do grupo), palavra que corresponde a companheiro. Encontra-se num estado de verdade. Pode dominar as pulsões naturais, não necessitanto nem de rituais, nem de virtude. Ele é, no seu corpo, mestre da criação. Domina o poder da serpente.
 Divya. É um estado acima e para além do anterior, É um senhor da energia e do fogo, em si e fora de si.

Voltando ainda aos efeitos energéticos, a tradição hindu aponta a existência de 10 principais deusas, apelidadas de mahá vidyá (as grandes sabedorias). Estas dez grandes deusas são Kálí, a negra, a personificação da ira, da fúria de Durga; Tára; Tripurá Sundarí, Bhuvanêshwarí; Dhúmávatí, Bagalámukhí; Bhairaví; Mantagí; Kamalá e Chinnamastá. Entre estas, para os aspectos energéticos que foram sentindo, umas vezes mais intensos outras vezes mais suaves, é Chinnamastá, a da cabeça cortada, que tem importância especial. Esta deusa costuma ser representada nua, com uma guirlanda de crânios ao redor do toco do pescoço. Segura a sua prápria cabeça cortada com a mão esquerda. Muitas vezes é ainda representada sentada ou em pé sobre um lótus e sobre um casal, Shiva e Shaktí, em cópula, com esta por cima daquele. Do pescoço, jorram duas correntes de sangue, com as quais a deusa pretende alimentar as suas duas servas, Jayá e Vijayá, que recebem, cada uma deles, um dos jorros de sangue na boca, ou num recipiente, dependendo das representações gráficas que se olhem. O cortar da cabeça, tal como já acontece no mito de Ganêsha, representa a morte daquele que, uma vez iniciado, renasce. Mas agora num estado ontológico superior. O cortar da cabeça significa o cortar das amarras do mundo profano, o libertar-se para o mundo sagrado. Por outro lado, este sacrifício da mãe divina, representa o sacrifício das correntes esquerda e direita, pingalá e idá, que têm de ser sacrificadas para permitir o livre fluxo de energia pelo canal central, sushumna nadí. Sem o sacrifício destas duas correntes, consegue-se equilíbrio, mas não exactamente o despertar da kundaliní. Tanto assim é que o outro nome desta deusa é Sushumnêshwara Bhásiní, ou seja, “a que brilha com o som do canal central”. O casal por baixo da deusa, é a estimulação sexual que desperta a kundaliní pelo facto de terem sido sacrificadas as duas correntes, prána e apána.

Mestre João Camacho, O sono de Ganêsha. O poder adormecido; Edição comemorativa do duplo aniversário (25/50) de João Camacho, Yôgachárya. Págs. 17-22

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