06/03/2023
Porque é que os adolescentes saudáveis têm o quarto desarrumado? Porque o quarto dos adolescentes é um bocadinho como a cabeça deles: “naturalmente”... um reboliço!
Na verdade, o quarto dos adolescentes é uma espécie de reserva natural da “bio”-diversidade. É por isso que convivem por lá, sem conflitos territoriais, “o ícone” dos adolescentes saudáveis: as meias, claro. A roupa lavada e a roupa suja. O canhoto do bilhete de um último concerto. A t-shirt do treino de há dois dias. O livro de português, aberto na página 63. O teste de matemática, que espera um alinhamento favorável de estrelas para ser assinado pelos pais. Uma revista antiga. A caixa do último telefone. O computador aberto. E um conjunto de objectos soltos, mais ou menos amontoados. O problema de tão meticulosa “organização” é que se alguém retira, por exemplo, a tshirt, para a pôr a lavar, um adolescente que se preze imagina um tufão a varrer a sua tão personalizada “arrumação” e, qual efeito de dominó, é como se o quarto f**asse descaracterizado, sem ponta de identidade e, aí sim, acabasse com tudo fora do lugar.
Os adolescentes não são desarrumados! São, antes, muito orientados na sua desarrumação. O que faz toda a diferença! Aliás, é por isso que eles f**am quase em transe quando alguém lhes toca no quarto.
O mais engraçado no quarto dos adolescentes é o lado de enclave com autonomia administrativa que ele chega a ter. Ninguém parece ter autoridade suficiente (nem jurisdição que chegue) para entrar por ele adiante, de rompante, e o arrumar sem uma espécie de “aprovação”, dada pelo próprio.
Mas porque é que os pais não sentem o quarto dos adolescentes como um espaço da casa abrangido pelas mesmas regras e lhe conferem um estatuto de excepção que não ajuda ninguém?.... Porque é que não os “intimam” a arrumar o quarto?
Os adolescentes não são tão multifunções, como eles imaginam. Por isso mesmo, com um “quanto baste” de arrumação acaba-se por criar condições para que tudo funcione melhor. A cabeça. O estudo. Os compromissos com as regras da família. A autonomia. E todo o mais que, quando se tem várias vidas, f**a mais fácil e mais simples conjugar. Para bem deles. E dos “nervos” dos pais.