30/04/2026
✦ Oito versos. Uma vida transformada.
O Sadhana Panchakam é um dos textos mais diretos e luminosos de toda a tradição do Vedanta. Em apenas oito versos, Adi Shankaracharya traçou o caminho completo para moksha — a liberdade que não depende de nenhuma circunstância externa.
Este não é um curso sobre filosofia distante. É um estudo vivo, prático, para quem quer compreender — e reconhecer — o que já é.
📖 Os Oito Versos para a Liberdade
🗓 23 de maio a 20 de junho (Sábados)
💻 Exclusivo online
4 Sábados de estudo estruturado:
Inscrições abertas — [email protected]
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23/03/2026
O Yoga não é um anestésico emocional. É uma ferramenta para cultivar clareza. E essa clareza, às vezes, dói. Yoga e meditação são frequentemente associados a paz e equilíbrio.
O que se fala menos é que muitas pessoas atravessam, nessas mesmas práticas, fases de ansiedade intensa, tristeza, irritabilidade, sensação de vazio ou medo.
Experiências difíceis na prática não são falhas — são encontros com o inconsciente. Com as camadas mais fundas da psiquê. Precisamos nomear isso com clareza e coragem.
O maior erro é forçar. Frequentemente, cai-se na tentatção de pensar que é preciso meditar mais tempo, respirar mais intensamente, insistir até “superar” — essa lógica pode piorar o quadro, sobretudo em quem carrega histórico de trauma, ansiedade ou tendência ao autocontrole excessivo. Disciplina é necessária. Rigidez, não.
Sugestões:
1. Reduz o tempo de prática. Troca meditações profundas por práticas mais ancoradas no corpo — posturas, caminhada consciente, respiração suave, prāṇāyāmas, mantras. Nem todas as fases da vida pedem um mergulho fundo. Às vezes, menos é o caminho.
2. Antes de procurar transcendência, constrói a base: rotina, sono, movimento, conexão. Espiritualidade sem estabilidade emocional não transforma — amplifica o que já está instável.
3. Distinguir descontrolo de desregulação
4. Parte da prática é reconhecer que as emoções são fenómenos passageiros. Em vez de te identificares com elas — “estou ansioso”, ou pior, “sou ansioso” — experimenta observá-las com algum distanciamento, reconhecendo que há um espaço entre essa emoção e aquilo que és. “A ansiedade está a manifestar-se agora” é uma diferença subtil, mas muda tudo.
5.O progresso no Yoga não se mede pela intensidade das experiências, mas pela estabilidade, lucidez e compaixão que vais cultivando no dia a dia.
18/03/2026
Conheço o Dario desde os 18 anos, mas foi aos 29 que ele me ensinou a última coisa que eu me via (e a ele) a praticar: yoga. Desde então tem sido a pessoa que mais me inspira dentro do que entendo dessa disciplina. E se há exemplo de disciplina física é o Dario. Num tempo em que andam todos muito depressa, em que todos querem ensinar, fazer, mostrar o que fazem e o que sabem (ou pensam saber), o Dario é a antítese de tudo isso: mantém-se um professor imune a todas as tretas do mercado do yoga, imune às redes sociais (que não tem) e à performance de asanas.
Mas não é só nisso que o admiro: tudo o que ele ensina está cheio da sua investigação em si mesmo e da sua experiência de mais de 30 anos a ensinar as mais diversas modalidades a todo o tipo de pessoas e corpos. É única pessoa a quem confiei para treinar a minha mãe (com 76 anos).
Mais: a juntar à sua autenticidade enquanto professor e pessoa, ele teve a sabedoria de se manter independente de qualquer método de yoga (os legítimos Iyengar e Ashtanga) e os derivados (vinyasas, power yoga e afins), tendo formação em ambos, mas, acima de tudo, mantendo a lealdade ao seu professor de longa data e à prática que serve a cada pessoa.
Por tudo isto, não podia encerrar da melhor forma este ciclo do Yoga Shala Matosinhos. E logo com o tema da retroflexões (um grupo de posturas que pouquíssimos professores sabem ensinar bem) e pranayama.
Há uma última vaga para este workshop - o Dario trabaçlha de forma muito personalizada- pelo que os grupos nunca são grandes. E tenho memso muita pena que quem ainda não o conhece, desperdice esta oportunidade e um fim de semana “absolutamente rejuvenescedor”, nas palavras de quem já participou em worshops dele e vai repetir desta vez.
02/03/2026
Um pouco da história do Yoga Shala Matosinhos que começou na sala de um apartamento, passou depois por um segundo espaço até chegar ao shala atual.
Este é também um mês de recordar um caminho que está prestes a mudar. Mas antes ainda vamos receber o professor fundamental para o nosso percurso e que nos inspira até hoje.
01/03/2026
“How can any system observe itself?
With systematic wonder.
Once, I thought the universe’s greatest gift was scale — those vaulting immensities of gas and dust, planets flaring like thoughts inside a skull of stars. But time, that sly astronomer, has shown me something subtler: how much of the same splendor hums within us and all of nature. The pulse of a leaf opening to sun, the quiet veer of a child’s attention, my own heartbeat a small percussion in ancient starlight — all are galaxies folded inward, universes in miniature.
What surprises me now is not just the infinite, but the intimate. That carbon dust became breath and laughter”.
Diane Ackerman
24/02/2026
“Não me apercebi do quanto estava desregulada até pousar o telemóvel.
Havia uma época em que achava que estava calma.
Não era o gritar constante. Não era a sensação permanente de sufoco. Era apenas… estar sempre com ele na mão.
Um momento de silêncio? Pegava no telemóvel. Entediada? Fazia scroll. Cansada? Consumia.
Dizia a mim mesma que era produtivo. Que estava a aprender. A manter-me informada.
Mas por dentro estava inquieta.
O que aprendi ao longo das consultas foi isto: estimulação não é paz”.
Cada notificação, cada novo post, cada swipe dá ao cérebro uma pequena dose de dopamina. E dopamina não é descanso — é antecipação. É purseguição constante.
“O dia em que deixei o telemóvel noutra divisão por um longo período, aconteceu algo desconfortável: senti tédio. Depois ansiedade. Depois agitação.
O silêncio parecia barulhento. Esse foi o meu sinal de alerta e procurei ajuda”.
Um sistema nervoso regulado consegue tolerar a quietude. O meu lutava com isso.
“Foi quando percebi que o yoga não é apenas o que pratico no tapete. É o que escolho fora dele também.
A pausa. A respiração consciente. A presença real”.
Quando o corpo abranda, tudo o resto abranda também.
Às vezes o reset mais poderoso não é uma nova técnica ou mais um conteúdo para consumir.
É simplesmente pousar o telemóvel tempo suficiente para te lembrares do que é sentires calma no teu próprio corpo. 🌿
Já experimentaste períodos intencionais sem ecrã? Conta-nos nos comentários.
Marca a tua sessão de yogaterapia: [email protected]
presença slowliving yogamatosinhos
11/02/2026
Investe numa prática que te serve a longo prazo, não apenas numa fotografia para o Instagram.
No workshop de retroflexões e pranayama com o Prof. Dario Garrido, onde se irá trabalhar precisamente as acções que permitem “abrir o peito” de forma consciente e sustentável — compreendendo como activar as costas, criar espaço na coluna vertebral e integrar a respiração no movimento.
Neste workshop vais:
Compreender a biomecânica real das retroflexões, desmistificando conceitos comuns
Aprender a preparar o corpo de forma segura e progressiva para estas posturas
Explorar a relação entre pranayama e a extensão da coluna, potenciando ambas as práticas
Descobrir como adaptar as retroflexões às tuas necessidades e limitações individuais
Desenvolver uma prática que te fortalece em vez de te lesionar
Os benefícios das retroflexões vão muito além da flexibilidade: fortalecem toda a cadeia posterior do corpo, melhoram a postura quotidiana, combatem os efeitos de horas sentado ao computador, estimulam o sistema nervoso, abrem o espaço respiratório e, quando praticadas com consciência, trazem uma sensação revigorante de energia e vitalidade.
Este não é mais um workshop para “conseguir fazer a postura”. É um espaço para compreenderes o teu corpo, respeitares os teus limites e construíres uma prática de retroflexões segura, inteligente e verdadeiramente transformadora.
31/01/2026
Depois do podcast divulgado esta semana sobre uma “seita do yoga”, surgem qestões sobre afinal o que “se passa” com o yoga ou “o que é o yoga”. Eventos à parte, interessa talvez focar numa base para este tipo de fenómenos e que é transversal à sociedade: a infantilização mental que faz com que mitos (sejam eles sobre psicologia, saúde (física e mental), desporto, filosofia, yoga, etc., proliferem sob máscaras de conhecimento ou de espiritualidade.
O psicólogo Francisco Rodrigues identifica a causa numa entrevista: “Há várias razões. Algumas são cognitivas: gostamos de explicações simples, intuitivas e reconfortantes. Outras são sociais: repetição, autoridade percebida e validação social fazem muito trabalho pesado. E há ainda razões emocionais. Muitos mitos oferecem esperança, controlo ou sentido num mundo incerto. Não diria que “precisamos” deles, mas é compreensível que sobrevivam. O problema começa quando substituem à evidência e passam a orientar decisões educativas, clínicas ou organizacionais”
E isto acontece no ensino de yoga: em 14 anos de ensino de yoga, conto pelos dedos as pessoas que apreciam autonomia na sua prática e estão realmente disponíveis para um tempo de aprendizagem que qualquer disciplina prática exige. E isto é normal: o ego é uma componente normal e muito forte da nossa mente.
Quantas vezes estou a desmontar uma postura para a ensinar de forma pedagógica e alguém insiste em fazer como viu num tutorial. Quantas vezes digo “olhe essa postura pode não ser a melhor para as suas costas” e a pessoa insiste em fazê-la porque está na fotografia que viu online. Quantas vezes estamos a estudar um texto de vedanta e a pessoa quer as explicações mastigadas de palavrinhas bonitas em youtubes e online.
Este é - para citar Carl Sagan - um mundo infestado de demónios, e manifestam-se “onde há atenção, emoção e cliques. Redes sociais, alguns formatos de autoajuda, coaching sem base científica, marketing motivacional”.
O Yoga tem 2 ferramentas para combater esses demónios: viveka (capacidade de discernir) e vichara (aprofundar o estudo). Mas isto não se faz com palavrinhas bonitas e mastigadas. Exige muito de nós.
P.S.: Sim, há quem prefira assobiar para o lado e evitar dar mais espaço a este tipo de aberrações, mas, desta vez, quisemos focar o aspeto que está na base dessas e de tantas outras que vemos a proliferar na nossa sociedade e comunidades.
30/01/2026
Imagine
Desde que sou mãe, sempre que venho a um feed, os algoritmos fazem o favor de me dizer sobre o que é que devia estar preocupada (e não estou): em perder a mom’s pooch, em ficar com um corpo doentiamente magro, em matar-me a fazer exercícios ditados por número de seguidores e de likes, em comer isto ou aquilo, em não comer aquilo e isto.
Ah e claro de posts a fazer queixinhas sobre o peso da maternidade feitos por pessoas com tempo para fazer reels inúteis.
Agora, imaginem só como seria se o algoritmo nos inundasse de perguntas. Sim, perguntas, por exemplo, como estas:
- O que já fizeste de bom por outra pessoa/animal hoje?
- Como serviste hoje (sem esperar retorno)?
- Quanto amaste hoje?
- Como vais amar alguém hoje?
- O que fizeste pela tua rua, pelo teu bairro, pela tua cidade?
- Como podias ter sido melhor hoje?
- Que gesto teu hoje fez a diferença para outra pessoa?
- Como multiplicaste o teu coração?
- A quem pediste desculpa/perdoaste?
- Como comunicaste hoje?
- Como amaste hoje?
- Como amaste hoje?
- Como amaste hoje?....
- Como podias ter amado mais hoje...
Imaginem feeds que só mostrassem isto aos seus scrollers. Imagine...It’s easy if you try.
P. S.: Querido algoritmo, nunca gostei tanto do meu corpo como quanto engordei 9kg e tinha uma barriga com a qual calçar uns ténis era um desafio... Por isso, deixa-te de tretas.