Quando os amigos nos visitam são recebidos com carinho e não só... são recebidos assim...
D. Alho & Cia.
Cozinhamos alimentação saudavel, com muita cor, muito aromática, muito saborosa e com séculos e até milénios de história. mas com muito de contemporâneo
04/11/2018
Queridos amigos/as, por vezes sem que ninguem conte eis que surge uma agradavel surpresa, abóbora recheada foi assim que começou o nosso Halloween!... AHAHAH...
Amigos, incluí um pouco de história sobre a cozinha árabe e sobre a cozinha alentejana para vos dar a conhecer dois pratos que D. Alho & Cia. elegeu como seus dignos representantes.
A "Açorda de Alho" poderá ser simplesmente uma sopa como poderá ser uma refeição completa, as "Migas" são um bom acompanhamento para alguns pratos.
Tal como a "tharid" (açorda de alho), que é uma receita milenar, as «Migas», sucessoras da «harisa» tambem é receita milenar, as migas eram feitas numa sertã de cobre, temperadas com alho e azeite e, contrariamente ao ditado que dizia «migas de pão, duas voltas e já estão» as migas dos árabes eram voltadas várias vezes, como se faz no Alentejo, até tomarem cor e começarem a tostar.
A escassez dos recursos e a simplicidade dos paladares estiveram na génese da «tharîd», pão mergulhado num caldo aromatizado e temperado com azeite. Com ela poderia comer-se qualquer coisa; carne, peixe ou vegetais acompanhavam normalmente a «tharîd», um prato simples, muito elogiado por Maomé e que constituía uma refeição completa, um luxo para alguns. Também conhecida com tarida (Târida vem da raiz Târada, que significa «migar pão»), esta receita deve ser considerada como o arquétipo da famosa Açorda Alentejana, opinião que é partilhada por alguns historiadores da alimentação durante o período islâmico.
Do período romano há noticias de uma sopa feita de ervas aromáticas, alho, pão, azeite e água. A açorda atravessou culturas e os árabes fixaram-na definitivamente, levaram-na a um estatuto de «prato real», estatuto que vigorou até ao século XIV, na corte dos Merimides, em Fez. A açorda Alentejana, pode ser feita com poejos ou coentros, prato assistencial a todas as classes, já tem sido motivo de ironias ignorantes, tem a receita fixada há milénios e é uma das 7 maravilhas gastronómicas de Portugal.
Tal como a cozinha árabe influênciou a cozinha Mediterrânea e foi a verdadeira matriz da cozinha alentejana, também cativou e influenciou D. Alho& Cia.. Quase todo o receituário tradicional do Alentejo tem fortes e diretas influências da cozinha árabe, excluindo todas as que estão diretamente ligadas ao consumo do porco.
Existem influências directas e importantes dos comportamentos alimentares dos povos que viveram no Alentejo, na actual alimentação alentejana, determinadas receitas ainda em plena execução, encontram-se fixadas há vários séculos na sua forma e na sua interpretação.
Estas são as principais influências de D. Alho & Cia.
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