29/07/2026
Hoje celebra-se o Guru Pūrṇimā. Não é apenas uma lua cheia; é a lua cheia dedicada ao Guru.
É um dia muito especial na Índia e para todos aqueles que, de alguma forma, estão ligados à tradição védica. É um dia para honrar e agradecer todos os professores com quem aprendemos e continuamos a aprender.
Na tradição, guru é aquele que dissipa a escuridão da ignorância, que ilumina aquilo que em nós permanece oculto e nos ajuda a reconhecer o que sempre esteve presente.
Hoje e no dia-a-dia procuro honrar os meus pais e todos os que vieram antes deles. Alguns tive o privilégio de conhecer, outros não, mas nem por isso são menos importantes. Cada pessoa que fez parte desta árvore tornou possível que eu estivesse aqui hoje.
Aos meus pais agradeço a vida e tudo o que fizeram por mim. À medida que os anos passam, esse sentimento de gratidão cresce, abrindo-se como uma mandala de mil pétalas.
À própria Vida, que todos os dias me mostra onde posso crescer, o que posso fazer melhor e aquilo que ainda tenho para aprender.
Aos meus irmãos, por me terem ensinado, desde cedo, a partilhar e por me revelarem, tantas vezes, os meus próprios desafios.
Aos irmãos de caminho e aos meus alunos nesta jornada de autoconhecimento, que me recordam diariamente a honestidade necessária para continuar a aprender e a tornar-me uma melhor professora.
E aos professores nesta vida, seja em Portugal, seja na Índia: a todos, o meu profundo agradecimento.
Há sempre algo em mim para lapidar. Até ao último dia desta vida haverá aspetos a compreender, a transformar e a integrar. Sou um ser humano como qualquer outro, e cada pessoa que se cruza neste caminho me revela, ao mesmo tempo, amor e tudo aquilo que ainda pede para ser transmutado.
Mas, no meio desse processo, existe também um profundo descanso. O Vedanta trouxe-me a possibilidade de reconhecer que, para além de tudo o que muda, há algo em mim que permanece intocado, pleno e livre.
Esse reconhecimento é, sem dúvida, a maior dádiva que poderia ter recebido nesta vida.
Hoje, neste Guru Pūrṇimā, o meu coração enche-se de gratidão.
Que todos os seres fiquem livres do sofrimento.
Obrigada (e também a ti por leres estas palavras).
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