Comunicar é como respirar. Ninguém vive sem respiração e sem comunicação, seja esta de que forma e tipologia for, sendo com ela que todos nos relacionamos e interagimos e ajudamos a edificar e a eticizar o 'mundo da vida'." (Guerreiro, 2015). Aqui neste espaço científico também se usa "a comunicação vísuo-motora, ou manuo-visual, como produção de uma língua natural através de um espaço tridimensional, em que a configuração das mãos, o movimento do corpo, a expressão facial, a localização e a orientação das mãos são os parâmetros fonológicos de base, sendo as mãos e o corpo que descrevem tudo o que nos rodeia, vemos, sentimos, o que pensamos e transmitimos" (Guerreiro, Almada: 2014). Bem assim, o bilinguismo e o biculturalismo, como binómio coevolutivo que, consciente e devidamente treinado e exercitado, devolverá à comunidade surda a natural competência pessoal e social para lidar com a conceptualidade e com a abstração, em perfeita sintonia e diálogo com a comunidade ouvinte. Aqui há olhos que ouvem e ouvidos que veem... mãos que falam... mãos que também veem... Aqui há uma infinita expressividade corporal e cultural, processo comunicacional vivo que permite o relacionamento e interação, o entendimento entre os diferentes cidadãos, estabelecendo a necessária intercompreensão. Aqui há sistemas pictográficos de comunicação... especificidades comunicacionais aumentativas e alternativas... tecnologias e produtos de apoio e de suplência comunicacional...
Aqui há áreas de investigação, como:
"Comunicação e interação social de e com pessoas cegas e com baixa visão, surdas, surdocegas, com multideficiência, com autismo/atraso global do desenvolvimento, com patologias neurogénicas da comunicação". "Comunicação interpessoal e interação social inclusiva: em presença e em rede". "Comunicação literácita e tecnológica, linguagens especiais e ambientes pessoais de aprendizagem". "Do empírico/multissensorial à abstração e conceptualização - essencialmente na cegueira, surdocegueira e surdez". "Universalização comunicacional de conteúdos digitais acessíveis". "Fundamentos das teorias de intervenção precoce e comunicacionais nas problemáticas da deficiência em geral". "Didática comunicacional e desenvolvimento sensoriocognitivo". "Desenvolvimento psicossociológico da pessoa surda". "Língua gestual e cultura surda: bilinguismo e biculturalismo". "Psicologia do desenvolvimento e aprendizagem". "Metodologias estratégicas para aferição e desenvolvimento das competências comunicativas". "Semiótica das linguagens alternativas: Glossários e Dicionários temáticos para as diferentes problemáticas comunicacionais". Aqui neste domínio científico há Formação Especializada em "comunicação alternativa e tecnologias de apoio", "comunicação na educação especial de alunos cegos e com baixa visão", "comunicação inclusiva em intervenção precoce na infância" e ao longo da vida, "comunicação e mediação cultural para todos". A inclusão digital, a inclusão nas diferentes redes sociais, a participação social e a partilha, a equidade em direitos e deveres humanos, em oportunidades e nos deveres e compromissos de cidadania, o relacionamento e interação, a comunicação e socialização de todos os cidadãos, independentemente das dificuldades de cada um, é o princípio base de inclusão em que assentam os nossos propósitos científicos, os nossos trabalhos de investigação e desenvolvimento, com especial enfoque no domínio educomunicacional e cultural, pedagógico e de formação humana, da profissionalização e qualidade de vida.
É nesta perspetiva que temos vindo a sustentar que "Há que fomentar e promover as competências do amor e da cultura da aceitação mútua, em vez da simples cultura da tolerância porque esta, em certa medida, tem vindo a exorbitar da génese da sua fundamentação e a assumir ou a camuflar o sentimento da opressão e da arrogância" (Guerreiro, 2014). Só comunicando nos humanizamos e humanizamos o Mundo para todos. Augusto Deodato Guerreiro