12/12/2019
A Greta é uma mensagem | opinião
Não me importa saber nada de lateral. Nada daquilo que não se vê do plano onde estou. Porque, para mim, a Greta é uma mensagem.
Não me importa saber sobre o invólucro. Não me importa saber se a forma de dizer é mais ou menos bonita. Porque, para mim, a Greta é uma mensagem.
Não me importa olhar para nada do que se fala de uma forma isolada, descontextualizada. Duvidando se cada gesto faz ou não parte de um grande propósito. Porque, para mim, a Greta é uma mensagem.
Não me importa discutir se o que ela faz já outros fizeram com mais ou menos impacto. Com mais ou menos apoio. Porque, para mim, a Greta é uma mensagem.
Não me importam desconfianças, conversas sobre jogos de poder ou patrocínios. Porque, para mim, a Greta é uma mensagem.
E é difícil ser tão novo e carregar, todos os dias, o peso dessa mensagem.
A Greta impactou a nossa consciência sobre o mundo. E essa é a mais poderosa mensagem.
O ponto de retorno.
A Greta para mim não é um ícone. É uma criança com uma poderosa mensagem para a humanidade.
E vejo, em quem não reconhece essa mensagem, e direcciona o seu foco para tudo o que é paralelo, para tudo o que é lateral, o grande desafio da nossa era. Tenho medo que não consigamos lá chegar. E é preciso. E é necessário.
E a Greta é tanto: é uma poderosa mensagem para todos nós.
Inês.
05/12/2019
Iniciativas que importam muito. Que nutrem. Que permitem a aquisição de competências de participação cívica e política pelas nossas crianças e jovens.
Mais informações aqui: https://www.cnpdpcj.gov.pt/projetos-cofinanciados/apoio-a-parentalidade-positiva/conselho-nacional-de-criancas-e-jovens.aspx
Olhemos com consciência para o presente e também para o futuro. Do mundo.
Abertas candidaturas ao Conselho Nacional de Crianças e Jovens
Dar voz às experiências, preocupações, necessidades e expectativas dos mais novos é o propósito deste conselho permanente de consulta
02/12/2019
Opinião | Um país de papéis desvirtua o nosso papel?
Ouve-se muito falar de burocracia. Das "burocracias do nosso país" . Da "papelada toda" que precisamos para tudo. Do tempo. Do procedimento difícil. E a carga negativa que em si carrega.
A verdade é que nos parece sempre tudo demasiado vago quando queremos começar um novo negócio, pedir um apoio à universidade ou até comprar um carro. Atravessamos passos que não nos parecem necessários e que dificultam a chegada à meta: às vezes desistimos no caminho.
Mas afinal, vale a pena tanta burocracia?
A verdade é que os procedimentos pré-definidos têm na sua base assegurar que existe respeito pela legalidade, que se acautela o risco a que as pessoas podem estar expostas, que a instituição visada pode correr com a decisão que vai tomar e fomentam a confiança. Estes serão apenas alguns motivos que encontrámos ao refletir sobre o tema.
E um exemplo muito simples: é diferente entregar um recibo da água para comprovar uma morada do que um email onde indiquemos a nossa morada. A morada pode ser exatamente a mesma, mas a validade do documento que compreende essa morada não. Minimiza-se o risco. Reforça-se a confiança.
Mas isso não significa que não existam procedimentos hiper-complexos que vivemos no nosso quotidiano. Que nos desmotivam.
E o mais importante: começamos a nossa vida de adultos sem estar minimamente preparados para eles. Não se fala disto na escola.
Os papéis multiplicam-se e vemo-nos, não raras vezes, a percorrer uma encruzilhada de lugares, pessoas, assina aqui, leva lá, dá cá este, paga mais isto.
Na base, pode estar muitas das vezes um problema de falta de comunicação entre entidades ou até mesmo dentro da própria entidade.
Então, se eu comunico ao Grupo Desportivo XYZ todos os dados necessários para me inscrever na modalidade futebol e quando, um mês depois, também me quero inscrever na modalidade de Judo me obrigam a repetir todo o processo e a fornecer todos os dados do zero, há um problema de ineficiência grave. O procedimento parece burocrático. E é: a comunicação interna falhou.
Facto: cremos que as instituições trabalharão para agilizar os seus procedimentos. Somos optimistas.
Mas não será imediato. E a burocracia continuará a transportar em si este peso negativo que lhe damos.
Mas é diferente depararmo-nos com um mundo de burocracias quando já as sabemos chamar pelo nome. Quando já conhecemos o processo. A informação é ouro. A educação é o caminho necessário. Real.
É preciso educar para os desafios. E ensinar que ter medo não é problema.
É preciso educar para que sejam afastadas crenças limitadoras.
É preciso pôr os alunos a falar disto, a debater isto.
É preciso ver turmas de básico e secundário sentadas a falar da vida real e dos desafios que estão lá fora.
É esse o caminho para um país de papéis não desvirtuar o nosso papel.
30/11/2019
imaginar o mundo. realizar o mundo.
23/11/2019
Esta é uma partilha pessoal. É uma partilha-reflexo de tudo aquilo que vivemos hoje.
Hoje realizámos um dos trabalhos mais bonitos desde que criámos o projeto Direito por Miúdos.
Hoje, aprendemos incomensuravelmente mais do que em algum momento poderíamos prever. Por ser tão precioso aquilo que vivemos temos o dever de partilhar convosco, neste espaço para a inclusão, tudo o que ouvimos e sentimos.
Integravam o nosso grupo de hoje seis crianças de etnia cigana entre os 4 e os 12 anos.
A etnia cigana é frequentemente associada ao desacato. Ao não saber estar. Ao crime. Há quem a chame ainda de “classe protegida pelo Estado”.
Nós só vimos crianças. Só ouvimos crianças.
Crianças que, em vários momentos de partilha, durante a nossa actividade, utilizaram o tempo e o espaço que puderam para transmitir da forma mais crua e real aquilo que vivem no seu dia-a-dia.
Vivem exclusão.
Vivem recreios solitários. Vivem comentários que não lhes pertencem. Vivem afastamento.
E não o vivem pelas especificidades da sua cultura. Vivem-no porque nós, sociedade, as decidimos excluir.
É profundamente desconcertante ouvir um relato de uma criança tão pequenina e que já traz consigo tanto desalento.
Estas crianças conversaram connosco sobre diferença, quando são as maiores vítimas da indiferença.
Falaram de inclusão da deficiência, dos vários modelos de família, das várias culturas. Acolheram, incluíram, respeitaram. Sentaram-se ao nosso lado por um mundo mais inclusivo. Mais humano.
E sem saberem, ensinaram-nos a maior lição, em cada palavra.
E nós, como formadoras e também aqui no papel de educadoras, estamos hoje infinitamente mais completas por podermos viver e partilhar convosco esta história. Real, dura.
Deixe-mo-la para reflexão: por um mundo melhor.
21/11/2019
Este sábado, dia 23, às 11:00h, na Biblioteca Municipal de Sesimbra, o DPM vai dar continuidade à temática dos direitos das crianças com um workshop gratuito para o público.
Neste workshop, destinado a crianças no 1.º ciclo, onde esperamos contar também com a presença dos pais, manos, avós e/ou educadores, vamos brincar com a Convenção dos Direitos das Crianças e descobrir a origem deste acordo tão importante e viajar nas suas entrelinhas.
Ainda que gratuito, o workshop está sujeito a inscrição através do 21 228 85 88 ou do email [email protected].
Até já!!
16/11/2019
Manhã deste sábado no DPM |
Partilhas boas no nosso workshop Os Porquês dos Direitos das Crianças, sobre a Convenção dos Direitos das Crianças. Hoje no Pólo de Leitura da Quinta do Conde, com a colaboração da Câmara Municipal de Sesimbra, ouvimos coisas tão bonitas que queremos muito partilhar convosco:
Diniz: "Vou representar uma planta que significa autonomia, assim ela podia cuidar da planta de forma a sentir-se autónoma" (sobre as oportunidades de uma criança com deficiência).
Carolina: "É sobre o amor que todas as crianças devem ter".
Lara: "As famílias podem ser muito diferentes e podemos até perguntar aos nossos colegas por ser diferente uma família com dois pais mas é bom haver muitas famílias diferentes"
O Direito Por Miúdos, a encher-nos o coração de amor 💕
15/11/2019
Amanhã, a celebrar os 30 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança 💕
Os Porquês dos Direitos da Criança
Oficinapor Cláudia Leonardo e Inês Marques Direito por Miúdos Esta atividade é composta por quatro momentos diferentes que simbolizam os quatro ...
24/07/2019
Não nascemos todos com as mesmas oportunidades. O ambiente em que crescemos molda o alcance dos nossos sonhos. Mas há um argumento muito valioso para nivelar estas assimetrias: o conhecimento! A escola pública tem, por isso, uma das mais bonitas missões, a de diminuir as distâncias dos pontos de partida de cada um, para que todos possamos projetar um futuro que nos faça sentido. O ensino obrigatório (até ao 12.º ano ou até aos 18 anos de idade) é gratuito. Este é um direito previsto na Constituição da República Portuguesa, no artigo 74.º. A escola é uma peça fundamental na vida de todos os cidadãos. E as ferramentas que nos transmitem devem impactar, não só mas também, na nossa vida profissional futura, quer decidamos ou não prosseguir estudos. O que sentem em relação às matérias ensinadas hoje no ensino obrigatório (do 1º ao 12º ano)? Têm impacto positivo na vida profissional dos jovens?
20/07/2019
O significado que atribuímos ao trabalho hoje não é o mesmo que atribuíram os nossos pais e avós. O mundo mudou. Muda constantemente. A evolução da proteção do trabalhador tem-se sentido ao longo da história, com especial importância nas medidas que a Revolução de Abril nos trouxe. Foi após o 25 de Abril que se fixou, pela primeira vez, o salário mínimo nacional. Na altura, de 3.300 escudos por mês, o equivalente a 16.50 euros. Em 1975 foi criado o subsídio de desemprego e em 1976 a licença de parto, com 90 dias de duração máxima e foi estabelecida a duração do período de férias dos trabalhadores. Desde então, muitas outras medidas foram implementadas, algumas revistas e outras caíram. A primeira grande compilação atual das leis sobre o trabalho só surgiu em 2003, configurando o primeiro Código do Trabalho, entretanto revogado pelo Novo Código do Trabalho, de 2009. A evolução nunca mais parará e já se ouvem nas notícias as últimas mudanças na legislação laboral. É incrível a importância que todas estas alterações têm para nós, para a nossa vida de todos os dias. Mantermo-nos atentos e informados é sempre a melhor forma de nos protegermos.
19/07/2019
Pensar, significa construir uma ideia dentro da nossa cabeça. No Latim dizia-se pensare que, na sua origem, significava também pendurar um objeto para avaliar o seu peso. E, se transportarmos esta ideia para a nossa mente, faz mesmo todo o sentido: no processo de formação do nosso pensamento sobre certo assunto, pesamos várias coisas até chegarmos a uma conclusão. Não é mesmo?!
18/07/2019
Pensar livre implica experimentar, sujar, derrubar, expandir, desconstruir. Para treinar esta elasticidade do pensamento, o foco tem de estar no processo e não no resultado. E o mais importante: que a criança se sinta segura e confortável para errar, sem pressão, sem certo nem errado. Por isso, bora lá! Paredes forradas a jornal, tintas nas mãos e no coração, e espaço para rabiscar a 3 dimensões. No fim, limpar a confusão em conjunto não custa assim tanto! O caos gera a ordem 😁