25/04/2020
Letras à liberdade
Porque não me ensinaste a viver sem ti, liberdade
porque não me ensinaste a caminhar sem espaço
a gritar sem voz,
a viajar sem lugar, liberdade
hoje procuro na saudade, as letras da tua bondade
para viver sem vaidade,
agora que tenho piedade pela escrita
e vazio das tuas palavras,
oiço cânticos silenciados pelas paredes
olhares desconfiados pela angústia,
descubro sombras ausentes de liberdade,
nas pegadas dos teus caminhos,
agora que resisto e persisto
aprendo da tua humildade
os segredos da tua verdade, liberdade.
Sinate. (25/4/2020)
31/12/2019
Disse Aristóteles: "escolhemos sempre a felicidade". Disse Stuart Mill: "a felicidade constitui o padrão daquilo que está certo". E disse Hélder, o Rei do Kuduro: "a felicidade todos nós sentimos". Em 2020, procuremos e proporcionemos momentos felizes. Abreijos😘 Luís Sinate
08/03/2019
Beijo de Mulher
Oxalá que nada acabe no destino
Oxalá que tudo comece em cada final
Oxalá que tudo tenha ficado nos registos cobertos de paredes de cristal
Oxalá que o meu silêncio seja mais belo que os meus sonetos
para reescrever o que ainda vem pelo caminho, ali tão perto de mim
Oxalá que o batuque não afogue o ritmo da dança das mulheres de toda uma vida
que evocaram todas as razões para escrever as lacunas da minha história em cada beijo de mulher
Oxalá não procurem os meus vestígios em cada verso escondido em trilhos desconhecidos, nada deixei ao acaso
nada se deslumbra no abismo de qualquer sombra de águas passadas
porque qualquer passado está adornado de mistério únicos
onde nada ficou a descoberto
Quem se sentir seduzido pela descoberta, não procure por mim ontem
porque hoje encontrará os traços das minhas memorias escritos em cada beijo de mulher que vivi
surgido de qualquer razão aparente, nas entrelinhas das casualidades dos meus acidentes
por ser crente que o melhor chega de frente, quando a corrente conspira a favor
de um beijo de mulher, sentido e imponente,
Agora que sou inocente, nada oculta o desejo voluntário de voltar a ser vítima
de um beijo de mulher,
que ninguém se esconda detrás de tamanha vaidade,
que ninguém se deixe abalar por tamanha crueldade,
oxalá que nada acabe com um beijo de mulher
oxalá que nada comece sem um beijo de mulher,
ou tudo persiste ou nada existe com o desconserto de um beijo de mulher.
Sinate, (2019); “Koisas da tribo”
04/02/2019
Meu Semba Jamaica
Para quem vive da minha sombra nas noites frias deste inverno,
eu visto-me da cor da minha luz, que esconde a tortura da alvorada que mata quem sobrevive neste inferno,
Para quem alimenta a miséria, com olhos adornados de indiferença,
visto-me de semba, sobrevivo do meu semba, para não ficar na selva
Para quem apaga os gritos de revolta,
com o silêncio de notas soltas,
súplico aos céus que caia chuva lenta despidas de preconceitos
para que nada fique do mesmo jeito,
Hoje com algum jeito e dor no peito,
talvez não seremos esquecidos, nem perdidos na calçada
onde já ninguém passa, porque só vê desgraça,
Na intimidade do silêncio da noite, entre o vermelho tijolo e os trapos molhados de lodo, vejo os versos do teu fado e não me farto de pensar no teu lado,
Todos sentimos a mesma dor sem importar o tom da nossa cor
preto, branco, morena cor de canela, todos choramos na última vela,
Salta, solta, grita comigo este semba Jamaica, que jamais seremos esquecidos,
O mundo pinta de afeto o que razão diz que está mal feito
sem encontrar nenhum defeito,
No vazio das ideias e na pobreza de espírito, dança comigo este semba
contra toda a injustiça, onde ela mora e exista
mesmo que o medo da gaiola persista,
Não inventem ódios nos olhos da criança sem código
Não aticem fogo na fogueira com sal que faz falta na panela
que tira a barriga da miséria e sacode a fome pela janela
Canta e encanta, assiste e resiste, sem nunca matar este semba
que as mazelas vão melhorar
as barreiras vão naufragar,
Onde moram lágrimas na lama
não floresce nada na cama, nem paz na alma
Não me peças para escolher entre a sístole e a diástole nos versos desta peça,
porque somos filhos da mesma arte, que sustenta toda a parte, desta diversidade,
Somos a combinação única de quem se embrulha na mesma túnica
para mascarar de júbilo, o meu semba,
o teu semba, o nosso semba Jamaica, que dura sem censura,
porque somos parte da mesma mistura
que pintou de cultura, este mosaico sem fissura.
Sinate, (2019); “Koisas da tribo”
14/12/2018
...Uma parte de mim e da minha escrita!
Luís Sinate : “Escrevo porque quero respirar a África” - UALMedia
Luís Sinate era ainda muito jovem quando chegou a Portugal, fugido da guerra de Moçambique, nos anos 1980, mas cedo percebeu que o seu futuro passaria
04/07/2018
“Um Livro de Poemas por Moçambique” – Evento solidário…esperamos por si!