14/08/2026
E quando setembro chega?
Setembro é o mês que faz a passagem do verão para o outono.
Para muitas das nossas Crias, é também um novo ciclo que marca a entrada num contexto educativo a tempo inteiro.
Setembro é uma das mais belas alturas para viver no campo.
Já na cidade, com as novas rotinas, parece que deixamos de procurar tempo e passamos a contá-lo ainda mais apressadamente.
Para muitas das nossas famílias, setembro não significa deixar a floresta para trás. Significa integrar a floresta num novo ritmo de vida. E não como uma atividade. Como parte da infância. O quanto gostaríamos de poder mostrar a todas as famílias que nenhum outro contexto substitui a floresta.
A floresta não é uma atividade extra.
É onde as aprendizagens dançam, no seu compasso, com intenção e liberdade, para se tornarem do tamanho do talento de cada ser.
E quando uma criança passa a estar na escola a tempo inteiro, isso não torna a floresta menos importante. Enaltece essa necessidade. E este tempo deve ser vosso, na nossa floresta, onde a relação está em todo o lado.
Em setembro é tempo de colher e de semear.
E lembrar que o que semeamos hoje florescerá mais tarde.
09/08/2026
Na floresta, tudo está em constante transformação.
As estações vão e vêm, a luz muda; as plantas florescem e devolvidas à natureza.
E encontrámos esse movimento também na fotografia.
Com a mudança de ciclo, o Sol sente-se mais forte, mais quente e mais presente, revelando uma das suas magias: a cianotipia. As nossas Crias experimentaram-na e vivenciaram a magia da luz.
E, num encontro já manifestado, fomos nós experimentar o colódio húmido.
Uma imagem começa escondida num negativo e, através da luz, do tempo e de um cuidadoso processo, vai-se transformando até se revelar.
Do invisível ao visível.
Do negativo ao positivo.
Da luz à imagem.
Todos estes ciclos se encontram.
Exatamente como na floresta, mas nada permanece exatamente igual.
Na fotografia, também não.
Tudo encontra o seu tempo para se revelar.
Desde que as Crias na Floresta nasceram, a fotografia acompanha-nos.
Há magia em captar um instante e, mais tarde, poder regressar a ele.
O colódio húmido, uma técnica fotográfica do século XIX, relembra-nos que a beleza encontra-se no processo e na diferença, pois cada imagem é única.
O registo nasce de um tempo, de uma luz e de um momento irrepetível.
Hoje, fomos nós a ficar do outro lado da lente.
Bem-haja FIVE historic photo STUDIO 🎞️💚
01/08/2026
Vivemos numa cultura que nos faz acreditar que estamos sempre atrasados. Que há sempre mais uma tarefa para cumprir, uma meta para alcançar, uma resposta para dar.
Medimos os dias pelo aquilo que produzimos e, muitas vezes também o nosso valor da mesma forma.
Como se descansar tivesse de ser merecido e parar fosse desperdiçar tempo.
Há um tempo para florescer e outro para criar raízes.
Um tempo para agir e outro para observar.
Tempo para cuidar de alguém e outro para cuidar de quem cuida.
Ao longo do ano, escolhemos criar momentos de pausa que nos permitem abrandar, observar, abrir espaço para novas ideias, sonhá-las, projetá-las e dar-lhes tempo para amadurecer.
Acreditamos que só quando respeitamos os nossos próprios ciclos conseguimos continuar a crescer com intenção e consciência.
A natureza mostra-nos que cada ciclo tem o seu propósito.
E nós confiamos.
Que este seja também um convite para olharmos para as nossas próprias pausas com menos culpa e mais respeito.
O que é visível é apenas uma parte do crescimento.
O resto acontece em silêncio, no tempo certo.
26/06/2026
O que faz uma cria quando ninguém lhe diz o que fazer?
A necessidade do adulto de preencher o tempo com propostas, atividades e orientações muitas vezes camufla o receio de que, sem direção, as crias fiquem perdida, aborrecidas ou desinteressadas.
Quando não existe nada definido, surge a curiosidade e a iniciativa.
Quando não existe um adulto no comando, surge a exploração.
Uma cria que tem tempo e espaço para brincar livremente observa, experimenta, desafia-se, imagina, repete, resolve problemas e descobre interesses próprios.
É neste processo que desenvolve autonomia, criatividade, confiança e capacidade de decisão.
Na floresta, não ocupamos o tempo.
Recuperamo-lo.
Saboreamo-lo, como deve ser.
O que deixa de acontecer quando estamos sempre a dizer à cria o que fazer?
12/06/2026
Recebemos a Delegação Florestal da República da Coreia!
Na passada quarta-feira tivemos a honra de receber na Crias na Floresta uma delegação da República da Coreia que nos contactou com o objetivo de conhecer de perto a nossa visão, a forma como trabalhamos e o impacto do nosso projeto.
A visita reuniu representantes do FoWI como dirigentes responsáveis pelo apoio ao crescimento e desenvolvimento de iniciativas na área florestal, investigadores da área da infância e do desenvolvimento infantil e responsáveis por empresas e organizações ligadas à educação florestal, engenharia florestal, planeamento ambiental e programas de bem-estar na natureza.
Estiveram igualmente representados:
• O Governo Metropolitano de Seul;
• O Município de Nonsan;
Segundo a própria delegação, a Crias na Floresta constitui uma referência inspiradora para o desenvolvimento dos programas de experiência florestal e educação ambiental atualmente promovidos na República da Coreia.
Foi uma manhã muito especial de partilha, diálogo e aprendizagem mútua, marcada e vontade de construir pontes entre diferentes formas de cuidar da relação entre as crianças e a natureza.
Para nós, esta visita representa um importante reconhecimento do trabalho que temos vindo a construir. Saber que a Crias na Floresta é observada e valorizada internacionalmente é motivo de enorme gratidão.
Foi um verdadeiro privilégio receber-vos.
O nosso sincero bem-haja.
🇵🇹🇰🇷
12/06/2026
O que um bebé de 6 meses faz na floresta?
Muitas vezes assumimos que os bebés precisam de atividades e estímulos preparados para que a aprendizagem aconteça.
Nos primeiros anos de vida, o cérebro desenvolve-se através do que sente, vê e vive. O que para nós parece simples, para um bebé é a construção do mundo.
A nossa floresta é um espaço seguro, acolhedor, bonito e inspirador porque as crianças o merecem.
Ainda assim, não existem espaços para bebés de 6 meses e espaços para crianças de 2 anos. Um mesmo caminho, a mesma pedra, o mesmo baloiço, oferecem possibilidades diferentes a cada cria, de acordo com o seu momento, as suas capacidades e o seu ritmo.
Um bebé não precisa de uma versão simplificada da natureza, nem de mais informação do que aquela que o próprio contexto já oferece.
Precisa de tempo desacelerado, respeitado e de um adulto presente.
Mais do que “fazer coisas”, está a construir uma relação com o mundo através do corpo, dos sentidos e da experiência direta, num contexto seguro, cuidado, respeitado e sustentado pedagogicamente.
O espaço é o mesmo para todos.
O que muda é a forma como cada Cria o habita.
Na nossa floresta, o adulto está ali para apoiar, observar e garantir segurança, sem apressar ou interferir nos inúmeros processos que estão a desenvolver-se.
Talvez a questão não seja:
O que faz um bebé na natureza?
Mas sim:
Porque haveríamos de adiar o encontro de um bebé com a natureza?
21/05/2026
A maior crise ecológica não é ecológica.
É relacional.
Somos, acima de tudo, um projeto ambiental.
A consciência ambiental não nasce primeiro no conhecimento.
Nasce no sentir.
E, no fundo, tudo isto também é educação.
Mas uma educação que começa muito antes das explicações, dos conceitos ou das respostas certas.
Nasce quando a natureza deixa de ser apenas um lugar onde se vai…
e passa a fazer parte da identidade de uma criança.
Aprende-se a cuidar da natureza depois de nos apaixonarmos por ela.
Antes de saber o nome de uma árvore, é preciso subir-lhe os ramos.
Antes de compreender a importância da biodiversidade, é preciso maravilhar-se com a vida.
Antes de cuidar, é preciso criar vínculo.
É por isso que o nosso trabalho não são atividades ambientais.
Começa nas experiências reais e significativas vividas na natureza.
Pés descalços na terra.
Chuva sentida no corpo.
Tempo sem pressa ao ar livre.
Observação silenciosa de um inseto.
Liberdade para explorar e arriscar.
E aquilo que nos toca passa a fazer parte de nós.
Uma criança que cresce em relação com a natureza dificilmente crescerá indiferente à sua destruição.
A forma como uma criança vive a natureza na infância irá moldar a forma como a respeita, protege e integra na sua vida no futuro.
É essa a raiz do nosso projeto.
20/05/2026
A maior crise ecológica não é ecológica.
É relacional.
Somos, acima de tudo, um projeto ambiental.
Porque acreditamos que a consciência ambiental não nasce primeiro no conhecimento.
Nasce no sentir.
E, no fundo, tudo isto também é educação.
Mas uma educação que começa muito antes das explicações, dos conceitos ou das respostas certas.
Nasce quando a natureza deixa de ser apenas um lugar onde se vai…
e passa a fazer parte da infância e da identidade de uma criança.
Aprende-se a cuidar da natureza depois de nos apaixonarmos por ela.
Antes de saber o nome de uma árvore, é preciso subir-lhe os ramos.
Antes de compreender a importância da biodiversidade, é preciso maravilhar-se com a vida.
Antes de cuidar, é preciso criar vínculo.
É por isso que o nosso trabalho não são atividades ambientais.
Começa nas experiências reais e significativas vividas na natureza.
Pés descalços na terra.
Chuva sentida no corpo.
Tempo sem pressa ao ar livre.
Observação silenciosa de um inseto.
Liberdade para explorar e arriscar.
Porque aquilo que nos toca passa a fazer parte de nós.
E uma criança que cresce em relação com a natureza dificilmente crescerá indiferente à sua destruição.
A forma como uma criança vive a natureza na infância irá moldar a forma como a respeita, protege e integra na sua vida no futuro.
É essa a raiz do nosso projeto.