20/04/2024
Outra vez muito tempo sem escrever aqui (definitivamente não nasci para as redes sociais e nunca seria uma boa influencer 😅)!
No entanto, passo para partilhar algumas "reflexões":
1. A expectativa é bem diferente da realidade
Pensei que ia voltar ao trabalho e escrever regularmente na página, tirar muitas fotografias ao Gustavo e aos pratinhos dele... Que ia fazer exercício físico e cuidar de mim... E passar tempo com os filhotes...
Tudo bem diferente do que estou a conseguir na realidade!
2. Relativamente à alimentação do Gustavo, o início não foi tão fácil. No papel de mãe, às vezes "deixo de ser nutricionista", como qualquer mãe fiquei ansiosa e temi que o processo de introdução de alimentos fosse complicado.
Diminuir esta ansiedade, TEMPO e OPORTUNIDADES estão a ser o segredo! Está a comer cada vez melhor e a descoberta de cada alimento é um prazer.
3. Acho maravilhoso que a cada refeição, mesmo que seja sopa/papa, ele tenha oportunidade de provar individualmente, pelo menos alguns dos ingredientes. Se consigo que isso aconteça sempre? Não, não consigo. Se faco disso um drama? Não, não faço!
O importante é que lhe proporciono muitas oportunidades para explorar, conhecer, sujar, partilhar a refeição connosco... É um investimento que sei que vale muito a pena!
Se é o idealizado? Não é!
Mas é o possível, dentro das exigências do dia-a-dia. Digo sempre que o ótimo é inimigo do bom! E pensando bem (ajustando expetativas) é tão maravilhoso! ❤️
15/03/2024
Sabia que a melhor altura para introduzir os hortícolas na alimentação da criança é entre os 6 e os 8 meses?
Neste período deve oferecer-lhe variedade de legumes, repetidamente, com sabores simples/individualizados (sem misturar muitos de uma vez).
Lembre-se que a programação das preferências alimentares da criança começa desde muito cedo! E lembre-se que a oferta deve persistir ao longo de toda a infância (mesmo quando não são os alimentos preferidos)!
12/03/2024
A primeira papa deve ser sem glúten? Afinal quando devemos introduzir o glúten na alimentação do bebé?
As recomendações relativas à introdução do glúten foram alteradas ao longo do tempo. As mais recentes da ESPGHAN (European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition) dizem-nos que o glúten pode ser introduzido a qualquer momento da alimentação complementar, entre os 4 e os 12 meses de idade.
Com base em dados observacionais recomenda-se que o consumo de grandes quantidades de glúten seja evitado durante as primeiras semanas após a sua introdução. Assim, em princípio não deverá ser necessária uma papa sem glúten, desde que, utilizando uma com glúten, a quantidade de papa ingerida vá aumentando gradualmente (como de resto é habitual que aconteça nesta fase inicial da alimentação complementar).
Se quiser oferecer pão de forma ao seu bebé explorar e gradualmente ter contacto com o glúten, lembre-se que deverá ser sem sal (existe em quase todos os hipermercados).
05/03/2024
⚠️ Perigo nos recipientes - Atenção às marmitas de plástico!
O material do recipiente em que o alimento /refeição é guardado, e eventualmente aquecido, deve ser uma preocupação!
O plástico contém aditivos prejudiciais à saúde que podem migrar para o alimento em determinadas condições como no aquecimento.
Assim, devemos EVITAR:
- Acondicionar refeições quentes em recipientes plásticos (pode usar embalagens plásticas para reserva e transporte, mas só depois dos alimentos estarem ARREFECIDOS é que devem ser transferidos para lá);
- Utilizar recipientes plásticos paraerigo nos recipientes - Atenção às marmitas de aquecer em banho-maria ou micro-ondas (certifique-se que os recipientes que usa são adequados ou antes de aquecer transfira os alimentos para um recipiente de vidro).
Esta mensagem é importante para a saúde de TODOS, bebés especialmente claro!
16/02/2024
DESAFIO:
Vi este “teste” e achei super giro partilhar para perceber o que acontece com seu filho quando ele prova um alimento.
Vamos fazê-lo? (pode ser só em pensamento)
Pegue numa laranja ou numa tangerina. Descasque. Sentiu o cheiro? Quase que consegue sentir o sabor, não é?! Se chegar perto do nariz então! (E talvez seja por isso que o seu bebé leva quase à boca e depois desiste…)
Agora, trinque um pedaço. Feche os olhos e mastigue. Quantas texturas você sente? Tem sumo, tem a pele, tem aqueles gominhos que na boca parecem bolinhas perdidas. Uau, tanta informação! (Talvez seja demais para seu filho lidar agora).
Tire um pedaço maior e mastigue bem. A pele é difícil de triturar não é?! Quantas vezes você precisa de mastigar? Quantas vezes a sua língua passeia de um lado para o outro da boca? (Deve ser por isso que o seu filho mastiga e depois cospe…).
Entender o ponto de vista da criança faz TODA a diferença para tentar apresentar um novo alimento. Eles precisam de segurança para comer e o nosso papel mais importante é trazer essa SEGURANÇA, mostrando que estamos juntos no processo, sem pressão, sem pressa.
Dê tempo!
(repost)
14/02/2024
Não há 2 filhos iguais, pois claro que não!
Com a Maria a introdução alimentar foi maravilhosa: o amor pelos alimentos foi imediato, o interesse foi sempre enorme...
Com o Gustavo a introdução de alimentos complementares está a ser diferente: estamos ainda muito no início mas as coisas não estão a acontecer tão automaticamente. Nem sempre mostrou muito interesse, nas primeiras refeições fechava a boca, no início deitava tudo fora e não engolia nada, às vezes chorava e... para não forçar nem tornar o momento desagradável a refeição acabava após 3 colheres (em que veio tudo fora e não engoliu nada).
Com o passar dos dias vão se notando já evoluções...
É preciso fazer um esforço para também eu me lembrar do que vou dizendo às famílias que estão com dificuldades: é normal o bebé
🥕Apenas querer brincar com os alimentos;
🥕Sujar-se;
🥕Chorar;
🥕Fechar a boca;
🥕Esbracejar e querer "fugir";
🥕Deitar a comida ao chão;
🥕Não comer toda a comida preparada...
É importante manter sempre a calma. O bebé está a aprender! E mesmo que seja preciso dar-lhe mais tempo todo o processo é maravilhoso na mesma!
09/02/2024
Sabia que um dos requisitos para que as refeições corram bem é que o bebé não tenha muita fome?
Sim, é verdade, não é por ter fome que vai comer mais, pelo contrário. Assim como se tiver outra necessidade em falta, como por exemplo sono. Isso vai fazer com que o bebé não esteja tão predisposto a experimentar e explorar os alimentos.
Tenha isso em consideração ao planear as refeições.
No entanto, caso não consiga evitar que a refeição decorra numa altura em que o bebé já está com muita fome, é preferível amamentar um pouco antes de oferecer alimentos complementares, e assim tranquilizá-lo e deixá-lo mais disponível para o momento de refeição. A evidência científica "diz-nos" que a interação entre o cálcio do leite materno e os nutrientes dos alimentos, nomeadamente o ferro, não é problemática na sua absorção.
06/02/2024
Começamos com hortícolas...
E porquê?
Para estimular o treino do paladar para sabores não doces;
A oferta precoce de variedade de vegetais estimula também a capacidade de gostar de outros alimentos novos;
Oferecemos os hortícolas individualmente em pedaços grandes (sólidos), mas também em sopa porque é habitual estar incluída em todas as refeições da nossa família.
04/02/2024
Voltar ao trabalho é, na maior parte das vezes, motivo de alguma ansiedade e preocupação.
A minha experiência diz-me que o trabalho é "inimigo" da amamentação, principalmente quando o bebé ainda está em amamentação exclusiva: cumprir horários; ter que estabelecer uma rotina diferente; 3 ou 4 horas sem o contacto mãe-bebé (condicionando a livre demanda); a obrigatoriedade de extrair leite... Por aqui tudo isto está a resultar em maior agitação e um desafio para nós! Mais um da maternidade e da amamentação que são, por si só, tão desafiantes! Mas sim é possível manter e continuar a usufruir destes momentos maravilhosos 💙
Bom domingo!
30/01/2024
As recomendações apontam para que a introdução de alimentos para além do leite não ocorra precocemente, ou seja nunca antes dos 4 meses, e preferencialmente por volta dos 6 meses. Mas porquê este intervalo?
- Em termos de desenvolvimento e maturação estrutural e funcional do rim e do tubo digestivo, a maioria dos lactentes está preparado para aceitar outros alimentos por volta dos 6 meses;
- Ao nível do desenvolvimento motor, a partir dos 4 meses começa a haver maior estabilidade maxilar e do pescoço, e o padrão primitivo da sucção começa a modificar-se, sendo importante estimular a mastigação (estes aspectos relacionam-se com o desenvolvimento de cada bebé e são fundamentais ter em conta para perceber se o bebé está preparado);
- É uma das "janelas de oportunidade" para o desenvolvimento de todas estas capacidades e para o treino da aceitação de alimentos progressivamente mais sólidos e de paladares e texturas diferentes do leite.
Uma introdução de alimentos complementares feita no momento certo, com os devidos cuidados (consistência, densidade energética, nutricionalmente adequada) garante não só a oferta equilibrada de energia e nutrientes, mas também a estimulação do apetite e a procura de novos paladares e texturas PARA A VIDA!
29/01/2024
Muito tempo sem escrever nesta página... Um período em que me dediquei a 100% ao papel de MÃE, sem sentimentos de culpa por descurar a página e o trabalho como nutricionista. O Gustavo nasceu (já sabemos a exigência enorme do nascimento de um bebé) e, como me diziam sempre, a Maria precisaria da minha atenção mais do que nunca!
Depois deste tempo todo chegou o regresso ao trabalho e aproxima-se o início da alimentação complementar do Gustavo.
Prometo passar por cá mais vezes, partilhar algumas experiências desta fase e um pouco de conhecimento científico, dicas, curiosidades sobre alimentação de bebés e de toda a família... Sem promessas de posts diários, nem de foto-reportagem das refeições (que prevejo que a rotina mais complicada dos próximos dias possa não permitir) ☺️
Estou de volta... E muito feliz por isso!
Estou também agora disponível para consultas nos locais habituais: CISDEC e AFV.
01/06/2023
Mais do que um trabalho ou projeto...
E já são 10 anos!