10/02/2026
Amo os professores, os educadores. Já o escrevi muitas vezes. Começo por dirigir-me a eles: este texto não é para apontar-vos o dedo. É para vos proteger. Os maus podem estragar a imagem dos bons. Temos de evitar isso. Temos de cuidar dos que mais interessam: a nós, pais; a nós, mundo. As crianças têm de ser protegidas.
A escola, a creche, são, para muitos pais, o primeiro acto de fé social. Para mim foi. Entregamos ali o que temos de mais frágil. Fazemos isso com base numa confiança que é bonita, mas que também é um pouco cega. Basta um adulto errado no lugar errado para marcar uma criança durante anos. Às vezes para sempre. Quando acontece, é irreversível. A infância não tem botão de reiniciar.
A videovigilância não é amor. Não substitui as pessoas, não é um ataque a ninguém. É uma testemunha. Uma testemunha muda pode fazer a diferença entre a dúvida e a proteção. Se aceitamos câmaras em bancos, em supermercados, em prédios, nas ruas, nos elevadores, nos parques de estacionamento, se protegemos dinheiro, carros, mercadorias, não temos de hesitar quando o assunto são crianças. Quem é bom profissional não tem nada a temer. Pelo contrário: vai sentir-se resguardado de acusações injustas. A câmara serve para esclarecer.
A infância é um território silencioso. Muitas crianças não sabem explicar o que sentem, não têm vocabulário para nomear desconforto, medo, abuso, violência. Pode restar o sinal tardio, o comportamento estranho, a mudança de humor, uma angústia estranha. Quando chegamos aí, algo falhou.
Assinar esta petição não é desconfiar da escola. É reconhecer que a proteção das crianças não pode depender da esperança de que todos são bons. A esmagadora maioria é. Mas a proteção constrói-se a pensar também na excepção. Tem de haver regulamentação, regras claras, respeito pela privacidade, acesso limitado às imagens. Não se pede um Big Brother educativo; é só uma camada adicional de cuidado. Os bons educadores continuarão a sê-lo com ou sem câmaras. Os maus talvez pensem duas vezes. “Pensar duas vezes” é o suficiente para evitar o pior.
As crianças não têm voz, não assinam petições. Nós assinamos.
Assina aqui:
https://peticaopublica.com/?pi=PT129761