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13/12/2017
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UM GUIA DO ENÓFILO
A ARTE DE PROVAR VINHOS
A prova de vinhos é a arte de apreciar os vinhos utilizando os sentidos, sendo um processo basicamente simples, apesar de se ter já escrito extensivamente sobre este tema. A prova torna-se uma operação complexa quanto mais sofisticada e sensível às variações de cor, perfume, sabor, etc...
Há uma diferença entre o apreciador de vinhos, "amador" no sentido literal, e o provador profissional, como o vinicultor e o enólogo. Na verdade, as duas formas de provar são complementares, desde que o amador esclarecido se
possa "aguentar" entre um grupo de profissionais.
A prova processa-se em três situações:
- de vinhos novos.
- de vinhos estagiados, isto é, vinhos com tempo de garrafa, que permita atribuir-lhes "idade adulta".
- gastronomicamente.
A prova de vinhos novos numa adega, introduz-nos num mundo de evolução do vinho, e é um excelente meio para aprender, no local, como se desenvolve o vinho durante os meses que se seguem à vindima. Um vinho, por exemplo, apesar de aparentemente agradável, pode não ter qualquer futuro; outro, áspero e adstringente pode vir a tornar-se num grande vinho.
Durante a prova numa adega, é mais prudente não tirar conclusões precipitadas, mas antes ouvir cuidadosamente a opinião do adegueiro...
A prova de vinhos estagiados é mais fácil, mas requer assim mesmo uma certa dose de conhecimento do vocabulário enológico para traduzir com exactidão as sensações e enriquecer as discussões que a apreciação dum vinho pode provocar.
Apreciar o Vinho
Apreciar um vinho compreende observá-lo, respirá-lo e tomar-lhe o sabor. Desta forma, examinamos o seu "aspecto", o seu aroma, o seu bouquet e o seu paladar.
A aparência varia de acordo com a cor do vinho e a sua "saúde". Devemos observar o vinho perto duma forte fonte de luz.
A "aparência" pode ser brilhante, clara, turva, suspeita, calma, tranquila, espumosa, de cor variável, com sombras subtis ou reflexos luminosos. Devemos notar a presença ou ausência de glicerol, observando as "lágrimas" ou gotas que aderem à superfície do copo.
Devemos, enfim, ouvir (sim, dizemos "ouvir") a intensidade de qualquer libertação de gás, e os sons profundos ou secos provocados pelo vinho ao ser servido. De notar que os especialistas encontram aqui uma boa dose de informações.
A mais natural, a mais interessante prova gastronómica, passa-se à mesa. É quando se tem mais prazer a provar vinhos. O bom vinho deve supor-se acompanhado por boa comida. Há toda uma arte em saber harmonizar os pratos com os vinhos sendo ao mesmo tempo um exercício fascinante.
Aromas
O sentido do olfacto permite apreciar os perfumes. É o sentido mais importante para os provadores.
Na primeira aspiração apercebemo-nos dos odores desagradáveis - m**o, enxofre, rolha, e dos aromas e perfumes no seu conjunto. Quando mencionamos um aroma a "fruta", estamos a referir-nos à uva.
Na segunda aspiração, apercebemo-nos do bouquet e dos diferentes perfumes que formam o aroma e o bouquet. Cada vinho tem o seu bouquet próprio. Os odores de vários vegetais distinguem-se nitidamente (flores ou frutos para vinhos bastante novos; húmus, cogumelos e frutos secos para vinhos mais velhos) algumas vezes misturados com odores animais, v***o ou almíscar para vinhos com maior estágio.
Outras aspirações e outras sensações se vão seguindo à medida que o provador revolve o vinho no copo.
Prova
Depois dos olhos e do nariz, a boca tem, por sua vez de confirmar as "opiniões" dos outros órgãos. Na verdade, há dois sentidos que desempenham um papel importante: o tacto (a língua, o palato) e o paladar. Pelo tacto, identif**amos a temperatura e a textura do vinho.
O paladar dá-nos o seu sabor.
Depois de alguns sorvos podemos decidir:
- se o vinho e "delgado", "encorpado"; se se bebe facilmente; se é aveludado, cheio, arredondado, etc...
- se o elemento dominante ao paladar é ácido ou doce;
- se é adstringente ou acre; se tem um "gout au terroir" (um cheiro e sabor a terra proveniente de determinados solos, detectado depois da primeira impressão de flores ou de fruta).
Podemos ainda tentar adivinhar a idade do vinho, as características principais dessa colheita, a sua origem, etc.
TÉCNICAS DE PROVAS
O receptáculo
Os produtores e os profissionais, usam muitas vezes na prova, uma pequena taça redonda - tastevin (tambuladeira) que é utilizada para provar vinhos novos. Os amadores já iniciados preferem copos de pé alto de vidro transparente com forma de tulipa.
As fases da prova
Os três passos principais:
- observação utilizando os sentidos;
- comparação com elementos extraídos da nossa experiência e memória;
- precaução em tirar conclusões, já que nada é mais subjectivo que uma prova de vinhos.
Como se deve provar o vinho
1. Deite vinho no copo devagar até um terço aproximadamente.
2. Segure o copo pelo pé, levante-o ao nível dos olhos e examine a aparência do vinho.
3. Continuando a segurar o copo pelo pé, rode-o vivamente mantendo a base sobre a mesa. Respire o vinho. Faça uma inalação longa, ou então várias curtas.
Analise os perfumes, aromas e bouquet.
Procure identificá-los.
4. Encha a boca, permitindo um contacto suficientemente intenso. Cuspa e repita o processo se for necessário.
Sinta a textura e aprecie os paladares.
Veja os registos da sua memória.
5. Tente identif**ar o paladar dominante - evidente impressão sensorial quando o vinho é saboreado; e o paladar subliminar
- a impressão que f**a já com a boca vazia (arrière-gout).
Recomendações: Para se tornar num bom provador é necessário explorar ao máximo as suas capacidades.
Para isso sugerimos-lhe:
- Prove vinhos diferentes. Deverão ser de qualidade, mas de estilos diferentes.
- Compare os vinhos que tenham um elemento comum. Pode ser uma região, uma casta ou um tipo de vinif**ação.
- Defina um método de prova, e utilize-o normalmente.
- Desenvolva um vocabulário próprio. É necessário dedicar algum tempo à procura da palavra certa.
- Comece junto de um provador. Este pode guiá-lo nos primeiros passos.
- Faça provas cegas. Isto permite-lhe perceber melhor as suas sensações sem ser influenciado pelo rótulo.
GLOSSÁRIO DO ENÓFILO
Há muitas palavras que traduzem as impressões olfactivas e gustativas, embora os não iniciados não estejam habituados a utilizá-los.
Procuramos estabelecer relações de analogia utilizando palavras com um signif**ado próprio.
Como descrever um vinho.
- Floral: rosa, violeta, acácia, jasmim, flor de laranjeira.
- Especiarias: pimenta, cravinho, anis, canela, baunilha
- Frutado: limão, toranja, cassis, cereja, ameixa, pêssego, damasco, maça, melão, ananás.
- Vegetal: palha, erva, menta, espargo, azeitona, pimento
- Animal: v***o, almiscarado, lã molhada, couro.
- Madeirizado: resina, pinheiro, carvalho, cedro.
- Queimado: cozido, pão grelhado, café, caramelo, fumado.
- Químico: fermento, sulfuroso, verniz de unhas, vinagre, plástico.
- Mineral: gesso, sol vulcânico, terra, óleo, gasolina, petróleo.
- Outros: noz, mel, manteiga.
VOCABULÁRIO DO PROVADOR
Não podemos deixar de referir as designações francesas, já que a sua experiência e tradição criou, por assim dizer, uma escola mundial.
Naturalmente que em Portugal usaremos as traduções.
Aigrelet = avinagrado - cheiro e sabor a ácido acético.
A la mâche = muito encorpado - dá a impressão que se pode mastigar; um vinho espesso.
Aimable = agradável - agradável a beber, razoavelmente equilibrado, mas não mais que isso.
Amer = amargo - sabor amargo desagradável, que por vezes desaparece com o tempo.
Apre = duro - áspero, com muitos taninos (esta dureza pode desaparecer com o tempo).
Astringent = adstringente - grande teor de tanino. Vinhos adstringentes, assim como vinhos amargos podem amaciar com o tempo. Num vinho novo, a adstringência pode ser sinónimo de qualidade, desde que tenha boas potencialidades para o envelhecimento.
Bouqueté = com “bouquet” - tem um perfume pronunciado que resulta da própria evolução do vinho. É diferente de “frutado”; em geral um vinho frutado é novo ou relativamente novo, enquanto um vinho com bouquet é normalmente estagiado.
Cassé = turvo - um vinho que f**a turvo do contacto com o ar, oxidado.
Charnu = carnudo - vinho robusto, encorpado, conservando bem as suas qualidades (vinoso)
Charpenté = elaborado - bem equilibrado, rico em sabor, fruta, álcool e extracto.
Complet = equilibrado / completo - de constituição perfeita, o que é relativamente raro.
Corsé = robusto - encorpado, elevado teor alcoólico, vigoroso, rico.
Court = curto - “court en bouche”, não desenvolve o paladar; o sabor não é persistente.
Distingué = distinto - elegante, com classe, carácter excepcional. Normalmente utiliza-se nos vinhos de melhor qualidade.
Doux = doce - elevado teor de açúcar.
Equilibré = equilibrado - mistura harmoniosa dos elementos de aroma, paladar e álcool.
Faible = fraco - baixa graduação alcoólica
Fin = fino - leve, delicado.
Franc de goût = sabor limpo - sabor natural, vinoso.
Fruité = frutado - sabor fresco de uvas. As castas utilizadas desempenham um papel decisivo.
Génereux = generoso - semelhante a ”corsé”. Rico em cor, com força (não confundir com vinhos generosos - aguardentados como o vinho do Porto).
Gouleyant = “guloso” - fácil de beber, leve, agradável. Normalmente utiliza-se o termo em vinhos frescos e frutados.
Goût de terroir = um gosto de terra - o sabor e o aroma provém do solo ou origem.
Léger = leve - baixo teor alcoólico. Interessante servido num jarro (caneca), mas sem grandes possibilidades como vinho de qualidade.
Liquoreux = licoroso - como um licor fino; ligeiramente axaropado.
Madérisé = madeirizado - vinho branco velho, ou mal arrolhado e portanto oxidado. A cor e o sabor fazem, de certo modo, lembrar a madeira.
Mou = chato - falta-lhe o carácter e a acidez. Insípido.
Nerveux, vif = vivo - vinhos novos, frescos, firmes, vigorosos.
Passé = passado - vinho com idade demasiada, que começou a perder qualidade.
Pâteux = pastoso - consistência excessivamente encorpada; impressão pastosa na boca.
Puissant = poderoso - tem uma força e corpo extraordinários.
Rond = redondo - harmonioso, cheio, sem arestas, grande equilíbrio.
Sec = seco - virtualmente sem açúcar.
Souple = macio - vinho relativamente macio, aveludado, com baixo teor de tanino. Pode também signif**ar pouca personalidade
III. COMO SERVIR OS VINHOS
Escolher, apresentar e servir os vinhos não requer um talento especial, desde que se respeitem algumas normas fundamentais.
Quantos vinhos?
Para uma refeição simples, um vinho é suficiente. Podem também ser servidos um branco e um tinto.
Para uma refeição mais requintada devem servir-se três vinhos: vinho branco com as entradas e peixe, vinho tinto com o prato de carne e um vinho do Porto vintage, de preferência, com os queijos.
Durante um banquete, ou uma refeição muito especial, cada prato deve ser acompanhado por um vinho diferente.
Quantas garrafas?
Os escanções recomendam as seguintes quantidades:
- Uma garrafa para duas ou três pessoas, se for servido apenas um vinho durante a refeição.
- Se forem servidos dois vinhos, uma garrafa para três ou quatro pessoas.
- Se forem servidos três vinhos, uma garrafa para quatro ou cinco pessoas.
- Se for servido espumante como aperitivo, calcule-se uma garrafa por cada quatro pessoas.
Como preparar os vinhos?
É da responsabilidade do dono da casa a escolha e preparação dos vinhos que acompanham a refeição.
Vinhos brancos secos não necessitam de uma preparação especial. Duas horas antes de servir, meta a garrafa no frigorífico, na parte de baixo, ou sirva num balde de gelo.
Vinhos brancos meio-doces, doces, rosés e espumantes, devem ser servidos mais frescos, mas nunca excessivamente gelados.
Vinhos tintos novos, devem ser trazidos da cave, uma ou duas horas antes da refeição, e ser servidos bastante frescos. Em alguns casos, pode mesmo deixá-los alguns minutos no frigorífico a "refrescar".
Vinhos tintos velhos - Estes vinhos necessitam de muito cuidado e atenção. Devem ser trazidos da cave um dia antes, e manuseados com muita suavidade. Na verdade, algumas vezes, durante o envelhecimento, os vinhos criam um depósito que se estende num lado da garrafa, na posição horizontal. Este depósito não deve ser agitado com uma sacudidela brusca.
Em alguns restaurantes a garrafa passa cuidadosamente para um "pouring-basket" (cesto para colocar a garrafa horizontalmente) sem passar pela posição vertical. Em casa, o melhor processo é passar lentamente à posição vertical, enquanto que o depósito desliza para o fundo da garrafa. Deve tirar-se a rolha sem agitar a garrafa, uma hora antes de a servir.
Esta operação origina uma leve oxidação do vinho, melhorando as suas características de paladar e bouquet. Se o depósito for muito abundante, o vinho pode ser decantado, isto é, vertido muito lentamente num "decanter" (frasco para ir à mesa).
Decantar um vinho velho - Trata-se duma operação muito delicada e de certo modo polémica. Por um lado tem a vantagem de eliminar o depósito e ajudar o bouquet a desenvolver-se, pela oxidação; por outro lado, tem a desvantagem da remoção da garrafa original da mesa (a menos que a operação seja feita na presença dos convidados). Se não for feita de forma conveniente, a oxidação pode ser excessiva e signif**ar a "ruína" dum vinho velho.
Temperaturas - Os vinhos devem ser servidos à temperatura em que atingem o seu melhor. Atenção, pois devem atingir essa temperatura lentamente. Se um vinho tinto estiver excessivamente fresco aqueça o copo nas palmas das mãos. Nunca o faça colocando a garrafa junto dum irradiador ou fogão de sala, ou mergulhando a garrafa numa panela de agua quente! De qualquer forma é sempre preferível servir um vinho tinto a uma temperatura ligeiramente mais fria do que a uma temperatura mais quente que o normal. Numa sala a uma temperatura media um vinho "recupera" rapidamente 2 a 4 graus de temperatura.
TEMPERATURAS ACONSELHADAS PARA O VINHO
Vinhos verdes 7/9 graus C
São vinhos que se bebem durante o verão e são refrescantes. São sempre servidos bastante frios.
Vinhos brancos secos 8/10 graus C
Os vinhos brancos têm geralmente um perfume delicado que não se desenvolve quando o vinho é servido demasiado gelado.
Vinhos brancos meio-secos 7/9 graus C
Estes vinhos são normalmente muito perfumados, por isso o bouquet desenvolve-se mesmo a temperaturas baixas, potenciado pelo açúcar que contêm.
Vinhos brancos doces 5/6 graus C
Os vinhos doces bem vinif**ados podem ser maravilhosos com um forte bouquet, com aromas de mel e acácia. Devem ser servidos muito frescos para que a sua natureza licorosa não os transforme num xarope adocicado.
Vinhos tintos novos tipo Beaujolais 9/12 graus C
Estes vinhos têm muita frescura e fruta. Ficam melhor quando bebidos a uma temperatura de cave.
Vinhos tintos de garrafeira 16/18 graus C
Tem-se recomendado servir estes vinhos à temperatura ambiente. Se, no entanto, este ambiente for no verão, ou numa sala muito aquecida, esta recomendação não pode ser tomada à letra.
Grandes vinhos tintos 17/19 graus C
Estes vinhos devem ainda ser decantados 1h antes do serviço.
Vinhos rosés secos 8/9 graus C
São vinhos muito delicados e o seu equilíbrio deve manter-se a uma temperatura correcta.
Vinhos rosés meio-secos 6/7 graus C
O seu teor adocicado deve ser contrabalançado por uma temperatura baixa. Aliás é um vinho com grande consumo em períodos quentes.
Espumantes brutos ou secos 7/8 graus C
Há quem sirva o espumante a uma temperatura inferior em detrimento do seu aroma. São delicados e não devem perder as suas excelentes características ao serem servidos a uma temperatura excessivamente baixa.
Espumantes meio-doces e doces 6 graus C
Uma temperatura mais baixa confere-lhes uma certa elegância.
HARMONIA DOS PRATOS COM OS VINHOS
À mesa, os vinhos devem ser um complemento feliz dos pratos que são servidos.
Eis alguns “casamentos” clássicos.
Aperitivos - vinhos brancos ou rosés secos e leves; Porto seco ou espumante bruto.
Entradas (conforme a composição) - vinhos brancos secos, rosés, vinhos tintos leves.
Patés - espumante bruto ou um “Late harvest”, tipo Sauternes, ou um Porto L.B.V. a 14º temperatura.
Ostras, marisco - vinho branco seco e frutado, ou vinho verde.
Peixe grelhado ou frito - vinho branco seco, ou vinho verde, ou tinto clarete.
Peixe com molhos - vinhos brancos mais complexos conforme a consistência do molho.
Carnes brancas e criação - vinhos tintos leves e frutados. Ou ainda um vinho branco seco.
Carnes grelhadas - vinhos tintos encorpados.
Caça - vinhos tintos garrafeiras.
Queijos macios - vinhos tintos fortes.
Queijo do tipo “bleu” - vinhos brancos frescos e frutados; ou ainda um vinho branco meio-doce; ou um Porto Vintage.
Queijos de cabra - vinhos tintos leves, brancos secos ou rosés secos.
Doces - vinhos licorosos, Porto, moscatel, espumante.
E ainda duas regras de ouro:
- Nunca beba vinho tinto com saladas com molhos de vinagre;
- Com ovos (de qualquer jeito) beba... água!!!
Alguns princípios a não esquecer quando no serviço de vinhos
O anfitrião prova o vinho logo que tira a rolha. Se o vinho não estiver de acordo com as suas expectativas não deve servi-lo.
O vinho deve servir-se antes do prato que acompanhar, ou com ele. Nunca depois.
Todos os vinhos são servidos pela direita do convidado e com a mão direita.
Não encoste o gargalo da garrafa ao copo quando serve.
Não deite o vinho no copo de muito alto, embora o vinho verde e o espumante devam ser servidos a uma maior distância para ajudar a libertação do gás.
Nunca encha o copo até cima. Deite até metade, ou dois terços.
Observando estes princípios para além do apreço dos seus convidados, sentir-se-á satisfeito por poder oferecer o melhor, da melhor maneira!
DESIGNAÇÕES OFICIAIS
DO - Denominação de Origem
Esta designação é aplicável a produtos cuja originalidade e individualidade estão ligados de forma indissociável a uma determinada região, local, ou denominação tradicional, que serve para identif**ar o produto vitivinícola, sendo considerada:
1. Origem e produção nessa região ou local determinado
2. Qualidade ou características especif**as, devidas ao meio geográfico, factores naturais e humanos.
Para beneficiar de uma Denominação de Origem, todo o processo de produção é sujeito a um controlo rigoroso em todas as suas fases. As castas utilizadas, os métodos de vinif**ação, as características organolépticas são apenas alguns dos elementos verif**ados para a atribuição desse direito cabendo às Entidades Certif**adoras efectuar o controlo, de forma a garantir a genuinidade e qualidade dos vinhos.
Decreto-Lei nº.212/04, de 23 de Agosto, art. 2º, alínea a)
DOP - Denominação de Origem Protegida
Designação comunitária adoptada para designar os vinhos com Denominação de Origem aos quais é conferida protecção nos termos estabelecidos na regulamentação e que integram um registo comunitário único.
Regulamento (CE) n.º 1234/2007 do Conselho de 22 de Outubro, com as alterações introduzidas pelo Regulamento (CE) nº 491/2009 do Conselho de 25 de Maio
DOC - Denominação de Origem Controlada
Menção tradicional especif**a que pode ser utilizada em Portugal na rotulagem dos produtos com denominação de origem. A referência a esta menção dispensa a utilização de Denominação de origem protegida (DOP).
Decreto-Lei nº.212/04, de 23 de Agosto, art. 8º, alínea a)
IG - Indicação Geográf**a
Designação é aplicável a produtos com direito a indicação geográf**a produzidos numa região específ**a cujo nome adoptam, elaborados com, pelo menos, 85% de uvas provenientes dessa região e de castas previamente estabelecidas. À semelhança dos vinhos com denominação de origem, são controlados por uma entidade certif**adora.
Decreto-Lei nº.212/04, de 23 de Agosto, art. 2º, alínea b)
IGP - Indicação Geográf**a Protegida
Designação comunitária adoptada para designar os vinhos com Indicação Geográf**a aos quais é conferida protecção nos termos estabelecidos na regulamentação e que integram um registo comunitário único.
Regulamento (CE) n.º 1234/2007 do Conselho de 22 de Outubro, com as alterações introduzidas pelo Regulamento (CE) nº 491/2009 do Conselho de 25 de Maio
Vinho Regional
Menção tradicional especif**a prevista para a rotulagem dos vinhos com direito a indicação geográf**a. A referência a esta menção dispensa a utilização de Indicação Geográf**a Protegida (IGP)
Decreto-Lei nº.212/04, de 23 de Agosto, art. 8º, alínea b)
Vinho
Os vinhos destinados ao consumo humano que não se enquadram nas designações atrás referidas são considerados vinhos. Tem de cumprir com as disposições nacionais e comunitárias em vigor.
Regulamento (CE) n.º 1234/2007 do Conselho de 22 de Outubro, com as alterações introduzidas pelo Regulamento (CE) nº 491/2009 do Conselho de 25 de Maio
fonte Instituto da Vinha e do Vinho, I.P.
REGIÕES
MINHO
A região dos Vinhos Verdes/Minho é a maior zona vitícola portuguesa e situa-se no noroeste do país, coincidindo com a região não vitícola designada por Entre Douro e Minho. A região é rica em recursos hidrográficos, sendo limitada a norte pelo Rio Minho e pelo Oceano Atlântico a oeste. No interior da região predominam as serras, sendo a mais elevada a Serra da Peneda com 1373 m.
A flagrante tipicidade e originalidade destes vinhos é o resultado, por um lado, das características do solo, clima e factores sócio-económicos da Região dos Vinhos Verdes, e, por outro, das peculiaridades das castas autóctones da região e das formas de cultivo da vinha. Destes factores resulta um vinho naturalmente leve e fresco, diferente dos restantes vinhos do mundo.
Foi no Noroeste, no coração mais povoado de Portugal desde os tempos asturo-leoneses, que a densa população cedo se espalhou pelas leiras de uma terra muito retalhada.
A partir do século XII existem já muitas referências à cultura da vinha cujo incremento partiu da iniciativa das corporações religiosas a par da contribuição decisiva da Coroa.
A viticultura terá permanecido incipiente até aos séculos XII-XIII, altura em que o vinho entrou definitivamente nos hábitos das populações do Entre-Douro-e-Minho. A própria expansão demográf**a e económica, a intensif**ação da mercantilização da agricultura e a crescente circulação de moeda, fizeram do vinho uma importante e indispensável fonte de rendimento.
Embora a sua exportação fosse ainda muito limitada, a história revela-nos, no entanto, que terão sido os «Vinhos Verdes» os primeiros vinhos portugueses conhecidos nos mercados europeus (Inglaterra, Flandres e Alemanha), principalmente os da região de Monção e da Ribeira de Lima.
No século XIX, as reformas institucionais, abrindo caminho a uma maior liberdade comercial, a par da revolução dos transportes e comunicações, irão alterar, definitivamente, o quadro da viticultura regional.
A orientação para a qualidade e a regulamentação da produção e comércio do «Vinho Verde» surgiriam no início do século XX, tendo a Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908 e o Decreto de 1 de Outubro do mesmo ano, demarcado pela primeira vez a «Região dos Vinhos Verdes».
Questões de ordem cultural, tipos de vinho, encepamentos e modos de condução das vinhas obrigariam à divisão da Região Demarcada em seis sub-regiões: Monção, Lima, Basto, Braga, Amarante e Penafiel.
No entanto, o texto da Carta de Lei de 1908 apenas é regulamentado no ano de 1926 através do Decreto n.º 12.866, o qual veio estabelecer o regulamento da produção e comércio do «Vinho Verde», consagrando o estatuto próprio da «Região Demarcada, definindo os seus limites geográficos, caracterizando os seus vinhos, e criando a «Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes» instituida para o pôr em execução. Posteriormente, em 1929, o referido regulamento viria a ser objecto de reajustamento através do Decreto n.º 16.684.
Motivo de grande signif**ado à escala mundial, foi a aceitação do relatório de reinvindicação da Denominação de Origem «Vinho Verde», apresentado ao OIV - Office International de la Vigne et du Vin -, em Paris (1949), e posteriormente, o reconhecimento do registo internacional desta Denominação de Origem pela OMPI - Organização Mundial da Propriedade Intelectual, em genebra (1973).
O reconhecimento da Denominação de Origem veio assim conferir, à luz do direito internacional, a exclusividade do uso da designação «Vinho Verde» a um vinho com características únicas, devidas essencialmente ao meio geográfico, tendo em conta os factores naturais e humanos que estão na sua origem.
Em 1959, o Decreto n.º 42.590, de 16 de Outubro, cria o selo de garantia como medida de salvaguarda da origem e qualidade do «Vinho Verde», e o Decreto n.º 43.067, de 12 de Julho de 1960, publica o respectivo regulamento.
Outro marco de extraordinária importância, foi o reconhecimento de um estatuto próprio para as aguardentes vínicas e bagaceiras produzidas nesta Região Demarcada (Decreto-Lei 39/84 de 2 de Fevereiro), o que viria contribuir para a diversif**ação de produtos vínicos de qualidade produzidos nesta Região.
Como consequência da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, é promulgada, em 1985, a Lei-Quadro das Regiões Demarcadas, que determinaria a reformulação da estrutura orgânica da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.
Finalmente, em 1992, é aprovado o novo estatuto pelo Decreto-Lei nº 10/92, de 3 de Fevereiro. Recentemente, foi efectuada uma actualização pelo Decreto-Lei nº 263/99, de 14 de Julho, quanto a diversas disposições relativas à produção e ao comércio da denominação de origem "Vinho Verde".
fonte: Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes
TRÁS-OS-MONTES
Já durante a ocupação dos romanos se cultivava a vinha e se produzia vinho na região de Trás-os-Montes, tornando-se estes conhecidos e apreciados pelas suas qualidades.
A oriente do Minho e até à fronteira espanhola com a qual também confina a Norte, estende-se uma vasta região que termina na margem esquerda do Douro, onde começam as Beiras.
Os solos desta região são predominantemente formados por xistos pré-câmbricos e arcaicos, com algumas manchas graníticas, existindo numa pequena área manchas calcárias de gneisses e de aluvião.
Os vinhos da Região de Trás-os-Montes são bastante diferenciados, em função dos microclimas em que têm origem (altitude, exposição solar, pluviosidade, temperatura, etc.).
Assim, na zona Norte, encontramos a DO Trás-os-Montes com as suas sub-regiões "Chaves", "Valpaços" e "Planalto Mirandês".
O vinho com indicação geográf**a, comummente designado por Vinho Regional "Transmontano" produz-se em toda a região de Trás-os-Montes.
DOURO / PORTO
Durante a ocupação romana já se cultivava a vinha e se fazia vinho nos vales do Alto Douro. A história da região é simultaneamente fascinante e cruel, desde os tempos imemoriais em que o Douro era sobretudo esforço e violência, que foi amansando e evoluindo, permitindo-nos desfrutar de uma das mais espantosas "paisagem cultural, evolutiva e viva" do país, actualmente reconhecida como Património Mundial pela UNESCO.
De salientar também o facto de ter sido a primeira região demarcada e regulamentada do mundo, aquando da criação pelo Marquês de Pombal, da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 1756.
A região, rica em microclimas como consequência da sua acidentada orografia, divide-se em três sub-regiões - Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, produzindo-se em cada uma delas vinhos de qualidade brancos, tintos e rosados, vinhos espumantes, licorosos e ainda aguardentes de vinho com especificidades próprias.
Da globalidade do volume de vinho produzido na Região Demarcada do Douro, cerca de 50% é destinada à produção de "Vinho do Porto", enquanto que o restante volume é destinado à produção de vinhos de grande qualidade que utilizam a denominação de origem controlada "Douro" ou "Vinho do Douro".
O "Vinho do Porto" distingue-se dos vinhos comuns pelas suas características particulares: uma enorme diversidade de tipos em que surpreende uma riqueza e intensidade de aromas incomparáveis e uma persistência muito elevada, quer de aromas, quer de sabor, para além de um teor alcoólico elevado (geralmente entre os 19 e os 22% vol.), numa vasta gama de "doçuras" e grande diversidade de cores.
Merece também destaque o Vinho Regional Duriense cuja região de produção é coincidente com a Região Demarcada do Douro.
fonte: Instituto da Vinha e do Vinho, I.P
BEIRAS
A região vitivinícola das Beiras ocupa toda a faixa central do território português; estende-se, no sentido longitudinal, desde o Oceano Atlântico até Espanha, fazendo fronteira a norte com as indicações geográf**as Minho e Duriense e a sul com as indicações geográf**as Lisboa, Tejo e Alentejano, razão pela qual, apresenta uma grande diversidade de condições edafoclimáticas.
Factores como a maior ou menor proximidade do oceano Atlântico, a influência dos vários acidentes orográficos ou ainda, as diferenças de solos existentes, contribuem para que os vinhos produzidos nesta região apresentem características bem diferenciadas, o que justif**a o reconhecimento de três sub-regiões para a produção do vinho regional: "Beira Litoral", "Beira Alta" e "Terras de Sicó".
Oriundo de um território mais vasto do que a globalidade das áreas das denominações de origem Bairrada, Beira Interior, Dão, Lafões e Távora-Varosa que coexistem nesse mesmo espaço, os vinhos com indicação geográf**a ou vinhos regionais Beiras resultam, não só dessa maior vastidão territorial, como de uma maior liberdade na vinif**ação, como por exemplo, de um maior número de castas ao dispor ou do teor alcoólico mínimo permitido.
Nas sub-regiões da Beira Litoral e Terras de Sicó predominam a casta branca Fernão-Pires (aqui designada por "Maria-Gomes") e a casta tinta Baga; na sub-região da Beira Alta, predominam nas brancas, a Bical, Encruzado e Malvasia-Fina e nas tintas, Alfrocheiro, Jaen, Tinta-Roriz e Touriga-Nacional; por sua vez, na região de Lafões, predominam nas brancas o Arinto, Cercial e Rabo-de-Ovelha e nas tintas Amaral e Jaen enquanto que na região de Távora-Varosa, para além da Malvasia-Fina, Cercial, Gouveio e Chardonnay em brancas, também a Tinta-Barroca, Touriga-Francesa, Touriga-Nacional, Tinta-Roriz e Pinot-Noir nas tintas .
Por ser uma região de grandes contrastes, existem motivos de escolha praticamente intermináveis que fazem desta região das Beiras uma das regiões com mais possibilidades de turismo para todos os gostos, desde as praias ensolaradas à neve, das planícies às montanhas, dos locais a transbordar de história à natureza bruta, quase intocada, sem esquecer as calmas águas das termas medicinais e os desportos radicais, onde todos poderão encontrar pontos de interesse insuperáveis nesta região.
fonte: Instituto da Vinha e do Vinho, I.P.
LISBOA
A cultura da vinha na Idade Média, a partir do Sé. XII, desenvolveu-se consideravelmente, principalmente devido à acção de diversas Ordens Religiosas, com particular destaque para Alcobaça, onde os seguidores de S. Bernardo se instalaram no mosteiro mandado erigir pela Ordem de Cister.
O principal objectivo na altura era a elaboração de vinho para celebração das missas, tendo os vinhos da então chamada Estremadura alcançado grande consumo e prestígio, tornando-se num dos produtos de maior peso na actividade económica da região.
Identif**ada como uma das maiores regiões vitivinícolas do país em termos de área de vinha e de produção de vinho, a área da região de produção da Indicação Geográf**a Lisboa abrange todos os concelhos da faixa atlântica a Norte do estuário do Tejo, confinando a Norte com a Beira e a Leste com o Ribatejo.
O relevo não é muito elevado, excepto a Sul, onde aparecem alguns estratos de basalto e de granito e a região assenta, na sua quase totalidade, em formações secundárias de argilo-calcários e argilo-arenosos; por sua vez, o clima é temperado, sem grandes amplitudes térmicas, com uma queda pluviométrica anual que se situa entre os 600--700 mm.
Na zona Sul da região encontram-se as zonas vitícolas de três Denominações de Origem conhecidas pela sua tradição e prestígio: são elas, caminhando de Leste para Oeste, Bucelas, Carcavelos e Colares.
Na parte central da região, encontramos as mais vastas manchas de vinha desta região, instaladas nas encostas suaves das colinas, onde para além do Vinho com Indicação Geográf**a Lisboa foram reconhecidas pelas suas características de elevada qualidade as Denominações de Origem "Alenquer", "Arruda", "Torres Vedras" e "Óbidos".
Junto ao mar é de referir uma zona produtora de vinhos particularmente vocacionados para a produção de aguardentes de qualidade e que mereceram o reconhecimento da Denominação de Origem "Lourinhã".
Na zona mais a Norte, distingue-se uma vasta região de vinha que se estende desde as encostas das serras dos Candeeiros e de Aires até ao mar. Ali, produzem-se os vinhos com direito à Denominação de Origem "Encostas d'Aire" as sub-regiões desta DO, "Alcobaça" e "Ourém".
De assinalar ainda a Indicação Geográf**a Lisboa para os vinhos tintos, brancos e rosados produzidos em toda a região; para além do "Vinho Leve" com características muito próprias que o tornam bastante apreciado, em especial no tempo quente, importa também referir os espumantes com IG Lisboa.
DOC Encostas D'Aire
Área Geográf**a
A área geográf**a correspondente à Denominação de Origem Controlada "Encostas D' Aire"; abrange os concelhos da Batalha, Porto de Mós, Ourém, Alcobaça (freguesias de Alcobaça, Alfazeirão, Alpedriz, Bárrio, Benedita, Cela, Coz, Évora de Alcobaça, Maiorga, Nossa Senhora dos Prazeres de Aljubarrota, São Vicente de Aljubarrota, Turquel, Vestiaria e Vimeiro), Caldas da Rainha (freguesias de Carvalhal Benfeito, Salir de Matos e Santa Catarina), Leiria (freguesias de Amor, Arrabal, Azoia, Barosa, Barreira, Boa Vista, Caranguejeira, Colmeias, Cortes, Leiria, Maceira, Marrazes, Milagres, Ortigosa, Parceiros, Pousos, Regueira de Pontes, Santa Catarina da Serra, Santa Eufémia e Souto da Carpalhosa), Pombal (freguesias de Albergaria dos Doze, Meirinhas, Pelariga, Pombal, São Simão de Litém, Santiago de Litém, Vermoil e Vila Chã).
Castas Autorizadas
Castas Tintas:
Aragonez, Baga, Castelão, Tinta Miúda, Touriga Nacional, Trincadeira no conjunto ou separadamente com um mínimo de 65% do encepamento;
Alicante Bouchet, Caladoc, Grand Noir, Syrah, no conjunto ou separadamente com um máximo de 15% do encepamento;
Alfrocheiro, Amostrinha, Bastardo, Cabernet Sauvignon, Rufete, Touriga Franca.
Castas Brancas:
Arinto, Fernão Pires, Ratinho, Seara Nova, Tamarez, Vital no conjunto ou separadamente com um mínimo de 65% do encepamento;
Alicante Branco, Bical, Boal Branco, Cercial, Chardonnay, Diagalves, Jampal, Malvasia Fina, Rabo de Ovelha, Trincadeira Branca.
DOC Alcobaça
Área Geográf**a
Os concelhos de Alcobaça (freguesias de Alcobaça, Alfazeirão, Alpedriz, Bárrio, Benedita, Cela, Coz, Évora de Alcobaça, Maiorga, Nossa Senhora dos Prazeres de Aljubarrota, São Vicente de Aljubarrota, Turquel, Vestiaria e Vimeiro), Caldas da Rainha (freguesias de Carvalhal Benfeito, Salir de Matos e Santa Catarina) e Porto de Mós (freguesia do Juncal).
Castas Tintas:
Aragonez, Baga, Castelão, Tinta Miúda, Touriga Nacional no conjunto ou separadamente com um mínimo de 65% do encepamento;
Alicante Bouchet e Syrah, (no conjunto ou separadamente com um máximo de 15% do encepamento);
Amostrinha, Rufete e Touriga Franca.
Castas Brancas:
Fernão Pires, Ratinho, Tamarez, Vital no conjunto ou separadamente com um mínimo de 65% do encepamento;
Bical, Cercial, Chardonnay, Rabo de Ovelha e Trincadeira Branca.
DOC Ourém
Área Geográf**a
O concelho de Ourém.
Castas Autorizadas
Castas Tintas: Trincadeira
Castas Brancas: Fernão Pires
TEJO
Situada no Centro de Portugal, a região possui inegáveis condições naturais para o desenvolvimento das actividades agrícolas, florestais e pecuárias. A história da viticultura do Tejo perde-se nos tempos, mas o apogeu do comércio destes vinhos foi sobretudo no século XIII, no fim da sua primeira metade, que só para Inglaterra, chegou a atingir a cifra de quase 30.000 pipas.
A história da viticultura no Ribatejo perde-se nos tempos, já que a existência de vinha no Ribatejo é muito anterior à nacionalidade, conforme atestam os amarelados manuscritos em papiro, do tempo dos romanos que terão sido os principais introdutores da cultura da vinha nesta Região.
Em documentos emanados de Reis como D. Afonso Henriques, D. Sancho II e D. Fernando, só para citar alguns são variadas as referências às vinhas e aos vinhos do Ribatejo.
Também Fernão Lopes cita “as grandes carregações de vinho” referindo “que a exportação média anual chegou a carregar 400 a 500 navios e que num ano atingiu 12.000 tonéis de vinho”.
Porém, o apogeu do comércio destes vinhos foi sobretudo no século XIII, no fim da sua primeira metade, que só para Inglaterra, chegou a atingir a cifra de quase 30.000 pipas.
A vinha teve ainda um papel preponderante na colonização do Ribatejo.
Entre 1900 e 1960, a população do continente aumentou cerca de 61% tendo tido no Ribatejo, sensivelmente a mesma evolução. No entanto, nos concelhos de maior incidência vitivinícola do Ribatejo (Almeirim, Alpiarça, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém), o aumento de população no período considerado foi de cerca de 175% e só em Almeirim este aumento foi de cerca de 228%.
O principal acidente orográfico existente no Ribatejo é a Serra de Aires e Candeeiros, delimitando o que podemos chamar de Alto e Baixo Ribatejo e em termos hidrográficos o Rio Tejo, pela sua dimensão e pela sua regular irregularidade (cheias) continua a condicionar, umas vezes para o bem outras para o mal, as actividades agrícolas da Região. A vinha, ainda assim, é por norma a cultura menos afectada pelas cheias que ocorrem cada vez com menos frequência, graças à gestão dos caudais feitas pelas diversas barragens.
Encontramos na Região três zonas distintas de produção, conhecidas como “O CAMPO”, “O BAIRRO” e a “CHARNECA”.
O CAMPO, com as suas extensas planícies, adjacente ao Rio Tejo, conhecido também como a LEZÍRIA DO TEJO, sujeita a inundações periódicas, que se causam alguns transtornos, são também responsáveis pelos elevados índices de fertilidade que aqueles solos de aluvião possuem, é, por excelência a zona dos vinhos brancos, onde a casta Fernão Pires é rainha.
O BAIRRO, situado entre o Vale do Tejo e os contrafortes dos maciços de Porto de Mós, Candeeiros e Montejunto, com solos argilo-calcáreos em ondulados suaves, é a zona ideal para as castas tintas, nomeadamente a Castelão e Trincadeira.
A CHARNECA, localizada a sul do CAMPO, na margem esquerda do Rio Tejo, com solos arenosos e medianamente férteis, se por um lado apresenta rendimentos abaixo da média da Região, por outro lado induz a um afinamento, quer de vinhos brancos, quer de vinhos tintos.
No Ribatejo existem actualmente cerca de 19.989 hectares plantados de vinha (representam cerca de 8.5% do total nacional), dos quais 11.993 ha são de castas brancas (60% da produção) e 7.996 ha são castas tintas (40% da produção), que produzem anualmente, no total, cerca de 800.000 hls de vinho (representam cerca de 12% do total nacional). Destes 800.000 hls são certif**ados cerca 76.000 hls dos quais 81% são vinho regional e 19% são vinhos com Denominação de Origem Controlada (DOC). Cerca de 30% da produção dos vinhos certif**ados (DOC e Regional) destinam-se à exportação.
As plantações são alinhadas. O sistema de condução tradicional é a vinha baixa, embora a introdução da vindima mecânica tenha vindo a introduzir alterações, nomeadamente na altura da vinha.
fonte: Instituto da Vinha e do Vinho, I.P. e Comissão Vitivinícola
Regional do Tejo
PENINSULA DE SETUBALl
Terão sido os Fenícios e os Gregos que trouxeram do Próximo Oriente bastantes castas para esta região e que, achando o clima ameno, as encostas da Arrábida e a zona ribeirinha do Tejo propícias ao cultivo da vinha, se lançaram no seu plantio. Mais tarde, os romanos e os Árabes deram grande incremento à cultura da vinha nesta península.
Com a fundação do reino de Portugal, vieram outros povos, nomeadamente os Francos, povo de antiquíssimas tradições vitícolas, que incrementaram a produção de vinho nesta região, tradição que ainda hoje prevalece.
Situada no litoral Oeste a Sul de Lisboa, é nesta região vitivinícola que se produz o famoso e tão apreciado Moscatel de Setúbal.
Esta região pode dividir-se em duas zonas orográf**as completamente distintas: uma a Sul e Sudoeste, montanhosa, formada pelas serras da Arrábida, Rosca e S. Luís, e pelos montes de Palmela, S. Francisco e Azeitão, estes recortados por vales e colinas, com altitudes entre os 100 e os 500 m. A outra, pelo contrário, é plana, prolongando-se em extensa planície junto ao rio Sado.
O clima é misto, subtropical e mediterrânico. Influenciado pela proximidade do mar, pelas bacias hidrográf**as do Tejo e do Sado, e pelas serras e montes que se situam na região, tem fracas amplitudes térmicas e um índice pluviométrico que se situa entre os 400 a 500 mm.
Os solos são argilo-arenosos ou franco-argilo-arenosos, calcários com ligeira alcalinidade, alguns deles compactos e férteis.
A qualidade dos vinhos desta região justificou o reconhecimento das Denominações de Origem Controladas "Setúbal" para a produção do vinho generoso, e "Palmela", na qual, para além dos vinhos branco e tinto, se inclui também a produção de vinho frisante, espumante, rosado e licoroso.
O Vinho Regional "Terras do Sado" produz-se em todo o distrito de Setúbal.
fonte: Instituto da Vinha e do Vinho, I.P.
ALENTEJO
O plantio da vinha nesta região data do período romano, como atestam vestígios vários dessa época, nomeadamente graínhas de uva descobertas nas ruínas de São Cucufate, perto da Vidigueira, e alguns lagares romanos.Os primeiros documentos escritos sobre o plantio da vinha datam do século XII.
Na imensidão de horizontes planos, ou quase planos, o Alentejo tem como acidentes orográficos mais importantes as serras de Portel (421 m), Ossa (649 m) e S. Mamede (1025 m).
É no entanto nas elevações isoladas que se geram os microclimas propícios ao plantio da vinha e que conferem qualidade às massas vínicas.
A posição meridional e a ausência de relevos importantes são responsáveis pelas características Mediterrânica e Continental do clima. A insolação tem valores bastante elevados, o que se reflecte na maturação das uvas, principalmente nos meses que antecedem a vindima, conferindo às uvas uma desejável acumulação dos açúcares e de matérias corantes na película dos bagos.
As vinhas localizam-se na sua maioria, em substrato geológico de rochas plutónicas (granitos, tonalitos, sienitos e sienitos nefelínicos), sendo contudo de salientar a diversidade de manchas pedológicas nas quais as vinhas são instaladas (nomeadamente manchas xistosas e argilo-calcárias).
É igualmente importante referir que os melhores terrenos são eleitos para a cultura cerealífera e exploração agro-pecuária, enquanto que a vinha e a oliveira, dada a sua rusticidade, assentam nos solos com fraca capacidade de uso.
A similitude das características organolépticas dos vários VQPRD do Alentejo acrescida pelo facto de o consumidor os associar genericamente à referida menção, justif**am a Denominação de Origem "Alentejo", na qual estão incluídas as seguintes 8 sub-regiões: "Portalegre", "Borba", "Redondo", "Reguengos", "Vidigueira", "Évora", "Granja-Amareleja" e "Moura".
O Vinho Regional "Alentejano" é produzido em toda a região vitivinícola Alentejo.
fonte: Instituto da Vinha e do Vinho, I.P.
TÁVORA-VAROSA
ALGARVE
Há numerosas referências comprovativas da tradição e importância da vinha no Algarve, bem como do papel de relevo que o vinho ali produzido desempenhou nas trocas comerciais durante as Idades Média e Moderna.
Durante a ocupação muçulmana, os árabes não só plantavam a vinha como exportavam o vinho produzido. Após a reconquista, os cristãos aproveitaram e incrementaram a organização económica deixada por este povo.
No extremo Sul de Portugal Continental, o Algarve é uma zona bem definida, um compartimento com feições características, conferidas pela proximidade do mar, pelo clima, pela vegetação natural e pela cultura marcada pela longa ocupação árabe.
A localização meridional e a protecção assegurada pela barreira montanhosa contra os ventos frios do Norte e a exposição em anfiteatro virado ao Sul, fazem com que o clima seja acentuadamente mediterrânico: quente, seco, pouco ventoso, amplitudes térmicas muito reduzidas e com uma média de insolação acima das 3000 horas de sol por ano.
Os solos são litólicos, não húmicos, de arenitos, grés de Silves ou afins, regossolos psamíticos, solos mediterrânicos vermelhos ou amarelos de arenitos e de rañas, podzóis e aluviossolos.
Dada a tipicidade que as condições edafo-climáticas conferem aos vinhos, existem no Algarve quatro Denominações de Origem Controlada para os VQPRD "Lagoa", "Lagos", "Portimão" e "Tavira".
O Vinho Regional ‘'Algarve'' produz-se em toda a Região do Algarve.
DOC Tavira
MADEIRA
Descoberta por navegadores Portugueses em 1418, a Ilha da Madeira cedo despertou o interesse do Infante D. Henrique que a considerou privilegiada para o plantio da vinha e da cana do açúcar, pois introduziu o seu cultivo na ilha, mandando vir da Grécia, cepas "Malvasia," originárias de Napoli di Malvasia, perto de Sparta.
Com uma superfície total de 738Km2, a Ilha da Madeira está situada entre os paralelos 30 e 33º N, em pleno Oceano Atlântico.
De clima ameno e de terrenos saibrosos de solos vulcânicos e basálticos, a vinha conquistou a Ilha e a paisagem madeirense transformou-se.
O minifúndio, muito parcelado e valorizado em larga medida por uma policultura bastante intensiva e variada que associa tradicionalmente a criação de gado ao milho, ao feijão, à batata e à vinha na periferia, geralmente disposta em latadas ou ramadas, é semelhante ao que encontramos no Minho.
A vinha ocupa, neste mundo rural, cerca de 1700 ha e destina-se sobretudo à produção do VLQPRD "Madeira", produto cuja exportação já se fazia no Século XVII. As zonas eleitas para esta cultura são as encostas soalheiras viradas a sul onde, na sua forma alta, a vinha dá abrigo a outras culturas, muito embora se cultive também em forma baixa, em especial nas vizinhanças do mar.
Regional Terras Madeirenses
AÇORES
As nove ilhas do arquipélago dos Açores apresentam condições climáticas pouco favoráveis à plantação de vinha. Contudo, a vinha tem uma longa tradição na região, pois é cultivada desde o século XV. Os Açores destacam-se na produção de vinho generoso da região do Pico e Graciosa. Na ilha Terceira produz-se um vinho branco leve e seco.
1| DOC Graciosa
2| DOC Pico
3| DOC Biscoitos
O arquipélago dos Açores, em pleno oceano Atlântico, é constituído por solos vulcânicos e tem um clima profundamente marítimo. As temperaturas são amenas durante todo o ano, apesar do elevado nível de precipitação e humidade atmosférica. Deste modo, as vinhas têm de ser plantadas em locais onde fiquem naturalmente abrigadas ou são protegidas por acção do Homem. Os currais, são muros de pedras onde se plantam as vinhas que desta forma f**am protegidas do vento e do ar salgado do mar.
As Denominações de Origem Graciosa, Biscoitos (na ilha Terceira) e Pico foram criadas em 1994. Na Graciosa produz-se vinho branco a partir das castas Verdelho, Arinto, Terrantez, Boal e Fernão Pires. Na ilha Terceira, na região de Biscoitos, as castas Verdelho, Arinto e Terrantez são utilizadas para elaborar vinho generoso. As mesmas castas são plantadas no Pico onde se produz o generoso da ilha do Pico, considerado o melhor vinho produzido na região.
fonte: infovini
Regional Açores
DOC Graciosa
A área geográf**a correspondente à Indicação de Proveniência Regulamentada "Graciosa" abrange, no concelho de Santa Cruz, as freguesias de Santa Cruz, Guadalupe, Praia e Luz, em áreas de altitude igual ou inferior a 150 m.
Castas Autorizadas: Verdelho, Arinto, Terrantez, Malvasia Fina, Fernão Pires.
DOC Pico
A área geográf**a correspondente à Indicação de Proveniência Regulamentada "Pico" abrange os concelhos da Madalena (freguesias da Madalena, Candelária, Criação Velha e Bandeiras), São Roque (freguesia de Santa Luzia e parte da freguesia da Prainha, lugar da Baía de Canas) e Lages (freguesia da Piedade, nos lugares de Engrade e Manhenha), em áreas de altitude igual ou inferior a 100 m.
Castas Autorizadas: Verdelho, Arinto, Terrantez.
DOC Biscoitos
A área geográf**a correspondente à Indicação de Proveniência Regulamentada "Biscoitos" abrange, no concelho da Praia da Vitória, a freguesia dos Biscoitos, em áreas de altitude igual ou inferior a 100m.
Castas Autorizadas: Verdelho, Arinto, Terrantez.
LISTA DE CASTAS
Com origem no latim, o nome "Casta" signif**a "pura; sem mistura".
Enologicamente podemos dizer que "Castas" é um conjunto de videiras, cujas características morfológicas e qualidades particulares transmitem ao vinho um carácter único, constituindo assim uma variedade singular com componentes organoléticas específ**as.
Ao agregado de características transmitidas pelo solo e pelo clima às videiras, os franceses deram o nome de "terroir" e não podemos falar de castas de videiras, sem fazer a sua associação ao terroir, pois conforme o local onde se encontra plantada, uma mesma casta reage de forma diferente originando diferenças no produto final, o vinho.
Em todo o mundo existem entre dez a vinte mil castas, no entanto, destas apenas cerca de quinhentas foram isoladas, cultivadas e reproduzidas pelo homem.
Noutra publicação iremos publicar uma secção onde irá encontrar as castas mais utilizadas em Portugal, bem como outras de interesse.