24/07/2026
Parecer acerca da Prova de Exame Nacional do Ensino Secundário Prova Escrita de Biologia e Geologia 702 – 2.ª Fase 2026
Após a análise detalhada da prova, consideramos que a mesma se apresenta alinhada com as Aprendizagens Essenciais (AE) e com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO), mas de resolução globalmente mais complexa e mais trabalhosa do que a prova da primeira fase. Apresenta uma estrutura muito semelhante na distribuição dos grupos e no número de itens por grupo, cumprindo o preconizado, e apresentando:
a) Grupo I com 21 itens, dos quais 5 são não obrigatórios, e 4 itens de resposta extensa, todos obrigatórios;
b) Grupo II com 3 itens, sendo 1 não obrigatório;
c) Grupo III com 4 itens, sendo 2 não obrigatórios, e 1 item de resposta extensa e obrigatório.
Relativamente aos itens de construção (resposta restrita) serem todos obrigatórios, já apresentámos anteriormente, e reforçamos novamente, a proposta de, futuramente, poderem constar itens desta tipologia em que o aluno possa optar por responder entre diferentes possibilidades apresentadas na prova.
Dos 24 itens que completam a prova, continuamos a ter 8 itens não obrigatórios, dos quais 4 contabilizam para a classif**ação final, algo que parece ter sido definitivamente estabilizado.
A prova apela à interpretação e ao raciocínio em vários dos seus itens, principalmente nos itens de resposta restrita, o que exigiu um tempo de análise mais demorado dos documentos de apoio, alguns deles contendo diversos suportes (texto, tabela e gráfico, como é o caso do Grupo II), o que pode ter criado alguma ansiedade na realização e na revisão cuidada da prova por parte dos alunos dentro do limite de tempo disponível. A própria forma de registo das respostas (com o seu preenchimento com círculos em folha de leitura ótica) pode contribuir para a limitação do tempo necessário à realização da prova de forma serena por parte dos alunos. Pensamos que este é um ponto que deverá ser alvo de análise cuidada por parte do EduQA, no sentido de se perceber a sua relação com o tempo atualmente disponível para a sua realização.
Dos 5 itens de resposta restrita, apenas 2 (item 21 do Grupo I e item 4 do Grupo III) tiveram a inclusão de um acréscimo na sua formulação que orienta a resposta do aluno, bem menos do que na prova da primeira fase. Parece-nos evidente que este facto poderá ter impacto direto no sucesso dos alunos na concretização dos elementos de resposta nestes itens. Relativamente aos seus critérios de classif**ação, vemos como muito positivo o facto de estarem contempladas várias alternativas. Ainda assim, como veremos adiante, outras poderiam estar contempladas.
A atividade experimental proposta no Grupo II é uma atividade que pode ser realizada em sala de aula, facto pelo qual nos congratulamos, sendo na área da Geologia, algo que não é muito frequente, o que também saudamos.
Contabilizámos 4 itens de carácter procedimental, para os quais não é necessária a mobilização de conteúdos específicos da disciplina (Grupo I, itens 18 e 21 na área da Biologia e Grupo II, itens 1 e 2, na área da Geologia), entendendo-se este facto com a necessária avaliação de outras competências igualmente importantes.
Registamos 1 item, apenas, que combina as áreas da Biologia e da Geologia (item 9 do Grupo I). Além disso, salientamos positivamente o facto de o Texto 2 incidir sobre aspetos da Biologia e da Geologia, sobre o qual se desenvolvem os diversos itens, sobre as duas áreas.
Consideramos globalmente apropriado o rigor científico da prova, verif**ando-se equilíbrio entre o número de itens da componente de Biologia (15) e de Geologia (14), sendo que o item misto contabiliza para as duas áreas, razão pela qual indicamos um total de 29 itens. Verificou-se um equilíbrio entre os conteúdos dos 10.º e 11.º na componente de Biologia (6 / 7 itens, respetivamente, aos quais se somam os itens de natureza procedimental, totalizando os 15 anteriormente referidos), mas verificou-se algum desequilíbrio na componente de Geologia (4 / 8 itens, respetivamente). Destacamos o facto de se sentir uma preocupação em se abordar vários conteúdos das duas áreas e dos dois anos de escolaridade, de forma a cobrir uma boa parte dos Domínios e das Aprendizagens Essenciais da disciplina. Esta situação verif**a-se, nomeadamente, ao nível dos itens de Associação / Correspondência e dos itens de Ordenação.
Mantém-se o facto de a prova registar a presença de alguns itens com formulação e conteúdos semelhantes a outros que já foram avaliados em exames anteriores.
Numa análise mais fina, gostaríamos de destacar vários pontos, tais como:
Grupo I
- Itens 1 e 8 - O texto revela uma simplif**ação de linguagem que entre geólogos é algo comum, mas neste nível de ensino pode criar alguma confusão nos alunos, uma vez que se caracterizam as rochas como "félsicas" e "máf**as", quando os alunos aprenderam que estes conceitos se aplicam à cor dos minerais. Este aspeto ganha ainda mais relevância se atendermos à afirmação III do item 1, do Grupo I, onde se refere "rochas leucocráticas", obrigando o aluno a concluir que os conceitos de "rochas félsicas" e "rochas leucocráticas" são aqui tidos como sinónimos. Esta situação também se aplica ao item 8 do mesmo grupo.
- Item 2 - A utilização do conceito de "raio sísmico" em vez de "direção de propagação" da onda parece-nos despropositada e geradora de polémica desnecessária. A caracterização dos parâmetros relativos às ondas (sísmicas) não é algo que esteja estabelecido nas AE e não é pelo facto de constar em alguns dos manuais existentes que deverão ser avaliados em prova de exame nacional (AE correspondente: “Caracterizar as ondas sísmicas (longitudinais, transversais e superficiais) quanto à origem, forma de propagação, efeitos e registo”).
- Texto 2 - O texto refere que o camarão-girino é uma espécie “endémica do sudoeste Português”. No entanto, logo a seguir é referido “existindo exclusivamente nos charcos localizados entre os concelhos de Vila do Bispo e de Faro”, não estando este último localizado no sudoeste português. A publicação original refere-se "aos charcos temporários da costa sudoeste e do sul de Portugal", pelo que a utilização da informação original não deveria ser desvirtuada.
- Item 11 - Não existe uma clarif**ação, na informação disponibilizada, sobre a relação das variações sazonais com as fases de enchimento do charco, o que dificulta a compreensão e análise dos documentos de apoio.
- Item 16 - Sugerimos a introdução de uma alternativa ao elemento B nos critérios de classif**ação, devendo-se aceitar a referência ao endemismo.
- Item 17 - No elemento B dos critérios de classif**ação, apesar de parecer óbvio, deverá considerar-se "terra rossa" em alternativa à menção a "argilas".
- Item 21 – O item apresenta elevada complexidade, atendendo ao facto de apresentar um texto denso, uma Figura 3A com informação que não está clara (não consta qualquer referência no texto para o signif**ado de “x 12 árvores” e o “x 5 ramos”), além da Figura 3B, cujo padrão de cores utilizado pode induzir o aluno a fazer a correspondência, não com o que item pretende, mas com os locais de estudo, pois apresentam exatamente as mesmas cores/padrão na Figura 3A.
Salientamos o facto de os elementos A e B dos critérios de classif**ação exigirem mais do que uma relação, o que dificulta imenso a sua concretização e aumenta consideravelmente a complexidade do item. Assim, pensamos que a concretização dos elementos A e B deveria consistir, apenas, na primeira relação, enquanto as segundas deverão estar contidas no elemento C.
Ainda no mesmo item, propomos uma alternativa ao elemento C - A vespa controla (OU reduz, OU tem efeitos negativos) (n)a capacidade reprodutora e de disseminação da acácia, em plantas com e sem galhas.
Grupo II
- Item 2 – O item remete a resposta para a diminuição da temperatura com a distância. Este facto implica que o aluno relacione os dados do Gráfico I, que se referem à variação das temperaturas ao longo do tempo, com a Figura 4B, que se refere à distância dos vários termómetros à fonte de calor, o que aumenta fortemente a complexidade do item.
Grupo III
- Item 4 - O elemento B dos critérios de classif**ação exige que o aluno refira que a formação de novos vasos sanguíneos assegura o fornecimento de nutrientes (ou de glicose) às células tumorais. Será muito provável que os alunos também refiram o aumento no fornecimento de oxigénio às células que, embora as bactérias não o utilizem no processo de obtenção de energia, não deverá ser visto como falha no rigor científico, uma vez que é algo que se verif**a, de facto.
Coimbra, 24 de julho de 2026
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