05/09/2026
Parecer acerca da Prova de Exame Nacional do Ensino Secundário Prova Escrita de Biologia e Geologia 702 – Época Especial 2026
Ao contrário das fases anteriores, esta prova não foi sujeita a uma auditoria por parte das Associações Pedagógicas e Científ**as. Este facto é relevante, atendendo a algumas das situações verif**adas, nomeadamente ao nível da qualidade da informação apresentada nos documentos de apoio, como será referido adiante.
Após análise detalhada da prova, entendemos que a mesma se apresenta alinhada com as Aprendizagens Essenciais (AE) e com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO). Consideramos ser uma prova de resolução globalmente menos complexa e menos trabalhosa do que a prova da segunda fase, com a qual compara. Apresenta uma estrutura igual na distribuição dos grupos e no número de itens por grupo, cumprindo o preconizado, e apresentando:
a) Grupo I com 21 itens, dos quais 6 são não obrigatórios, e 3 itens de construção, todos obrigatórios.
b) Grupo II com 3 itens, sendo 1 não obrigatório, com 1 item de construção.
c) Grupo III com 4 itens, sendo 1 não obrigatório, com 1 item de construção.
Relativamente ao facto de todos os itens de construção serem obrigatórios, reiteramos a proposta de poderem constar, em provas futuras, itens desta tipologia em que o aluno possa optar por responder entre diferentes possibilidades apresentadas na prova.
Dos 24 itens que completam a prova, continuamos a ter 8 itens não obrigatórios, dos quais 4 contabilizam para a classif**ação final.
A prova apela, de forma equilibrada, quer à interpretação quer à aplicação direta de conhecimentos, o que consideramos muito favorável.
Todos os itens de construção apresentam referências claras de orientação que ajudam o aluno a elaborar a resposta pretendida. Esta situação tem sido registada de forma recorrente nas provas mais recentes, podendo ter impacto positivo direto no sucesso dos alunos na concretização dos elementos de resposta definidos para esses itens.
Nesta prova, ao contrário das mais recentes, o seu Grupo II não corresponde a um grupo experimental/laboratorial que possa ser desenvolvido em sala de aula (como tem sido habitual, ultimamente). No entanto, vemos como relevante a interpretação de dados que se referem a lâminas delgadas de rochas, o que poderá servir como incentivo à realização deste tipo de atividade laboratorial nas escolas, à aquisição do equipamento necessário, bem como à formação de professores nesta área.
Contabilizamos 4 itens de carácter procedimental, para os quais não é necessária a mobilização de conhecimentos específicos da disciplina (itens 11, 17, 18 e 21 do Grupo I, sendo todos na área da Biologia, exceto o primeiro, que também inclui a Geologia).
Registamos 4 itens que combinam as duas áreas (itens 9, 11 e 16 do Grupo I e item 4 do Grupo III), o que vemos como muito positivo.
Consideramos globalmente apropriado o rigor científico da prova, verif**ando-se equilíbrio entre o número de itens das componentes de Biologia (12) e de Geologia (12), além dos 4 itens mistos. Verif**amos um equilíbrio entre os conteúdos dos 10.º e 11.º anos na componente de Biologia (5/5 itens, respetivamente), mas um grande desequilíbrio na componente de Geologia (2/10 itens, respetivamente). Ainda assim, a prova apresenta uma grande cobertura dos Domínios e das Aprendizagens Essenciais, quer na Biologia, quer na Geologia.
Nos itens de resposta não obrigatória verif**a-se a existência de 5 itens na área da Geologia e de 3 na área da Biologia. É desejável que, em provas futuras, exista também um equilíbrio nesta situação.
Numa análise mais fina, gostaríamos de destacar alguns pontos:
1 - O item 3 do Grupo II é muito semelhante ao item 6 do Grupo III da Época Especial de 2014.
2 - Não estão presentes os códigos de cores para os alunos daltónicos, tendo sido utilizadas algumas imagens com recurso à cor. Esta situação é particularmente sensível na interpretação da Figura 1 do Grupo I.
3 - A localização de Torre de Moncorvo, na Figura 1, é infeliz, uma vez que é difícil encontrá-la. Sendo uma imagem a cores, poderia ter sido encontrada outra solução que facilitasse a sua localização.
4 - Os itens 6, 9 e 10 do Grupo I exigem consulta do Texto 1 e da Figura 1, estando situados na página 4 e 5 da prova, obrigando os alunos a consultar a página 2 de forma recorrente. Por outro lado, os itens 2 e 3 do mesmo grupo, situados na página 3, não necessitam dessa consulta, pelo que poderiam estar numa página posterior, por troca com aqueles que exigem essa consulta.
5 - O conceito de Cariogamia, presente na Figura 2 do Texto 2, é estranho às AE dos 10.º e 11.º anos de Biologia, sendo apenas trabalhado na Biologia de 12.º ano. Assim, deveria ter sido introduzida uma nota explicativa sobre o seu signif**ado, ou, em alternativa, a sua substituição por “Fecundação”, conceito referido de forma explícita nas AE do 11.º ano. Sem este esclarecimento e com a ausência, na mesma figura, de uma indicação clara da fusão dos 2 núcleos/gâmetas, f**a difícil para o aluno localizar o início da diplófase, comprometendo a resposta correta aos itens 12 e 13 do Grupo I.
Pelo exposto, consideramos que uma auditoria científ**a e pedagógica à prova poderia ter evitado alguns dos aspetos salientados, pelo que será de ponderar, futuramente, a sua realização também nas provas da Época Especial.
Coimbra, 4 de setembro de 2026
A Direção da APPBG