Film and Interreligious Dialogue

Film and Interreligious Dialogue

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Coordinator: Sérgio Dias Branco.

FID: Film and Interreligious Dialogue is an international research network for studying religion as a cinematic subject and enhancing film as a field of dialogue based at CEIS20 at the University of Coimbra.

03/02/2026

We welcome our new team member. PETER ADMIRAND is Associate Professor of Theology and the Director of the Centre for Interreligious Dialogue at Dublin City University. His most recently published book is The Last of Us: Violence, Ethics, Redemption?, published in June 2024 as part of the Bloomsbury series, “Theology, Religion, and Pop Culture”. His previous book, Destruction, Ethics, and Intergalactic Love: Exploring Y: The Last Man and Saga, was published in 2023 by Routledge in their book series, Routledge Advances in Comics Studies. In 2021, Seeking Common Ground: A Theist/Atheist Dialogue, co-written with philosopher Andrew Fiala, was published by Cascade Books. Humbling Faith: Brokenness, Doubt, Dialogue—What Unites Atheists, Theists, and Nontheists, published in 2019, is also available as an audiobook. Amidst Mass Atrocity and the Rubble of Theology (2012) is his book on theodicy and witness testimony. He is also the editor of Loss and Hope: Global, Interreligious, and Interdisciplinary Perspectives (2014; paperback 2015) and the special reprint issue of The Future of Liberation Theologies co-edited with Thia Cooper (2025).

https://filminterreligiousdialogue.blogspot.com/p/team.html

Linha do Horizonte #1.2 12/02/2025

O registo da conversa na segunda sessão do ciclo LINHA DO HORIZONTE: ENCONTROS ENTRE COMUNIDADES RELIGIOSAS À VOLTA DO CINEMA está agora disponível no YouTube. Conversa entre o pastor João Pereira e o padre Orlando Martins, moderada por Sérgio Dias Branco, sobre o filme E AGORA, ONDE VAMOS ? (OU HALLA LA WEYN?, 2011).

Linha do Horizonte #1.2 “Linha do Horizonte - Encontros entre Comunidades Religiosas à Volta do Cinema” decorreu no Campus da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz. Foi organiz...

Linha do Horizonte #1.1 29/01/2025

O registo da conversa na primeira sessão do ciclo LINHA DO HORIZONTE: ENCONTROS ENTRE COMUNIDADES RELIGIOSAS À VOLTA DO CINEMA está agora disponível no YouTube. Conversa entre o pastor João Pereira e o padre Orlando Martins, moderada por Sérgio Dias Branco, sobre o filme REUNIÃO (MASS, 2021).

Linha do Horizonte #1.1 “Linha do Horizonte - Encontros entre Comunidades Religiosas à Volta do Cinema” decorreu no Campus da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz. Foi organiz...

Photos from Film and Interreligious Dialogue's post 24/01/2025

Terminou no dia 11 de janeiro o ciclo LINHA DO HORIZONTE: ENCONTROS ENTRE COMUNIDADES RELIGIOSAS À VOLTA DO CINEMA, organizado pelo CEIS20 e pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - FLUC, com apoio do Município da Figueira da Foz. A terceira sessão decorreu no Campus da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz e foi um seminário dirigido pelo professor Sérgio Dias Branco, com a participação da professora Sofia Beato. Contou com a participação de membros da Igreja Evangélica Presbiteriana Figueirense, da Paróquia de São Julião da Igreja Católica, e da Mesquita Bibi Amina.

LINHA DO HORIZONTE visa contribuir para o diálogo entre diferentes comunidades religiosas e o encontro entre culturas como práticas sociais inclusivas. Procura também utilizar o cinema como pretexto para o diálogo ecuménico e inter-religioso e o encontro entre culturas. Tem ainda o objetivo de aferir o interesse mútuo entre diferentes comunidades religiosas. Finalmente, busca avaliar a possibilidade de criar oferta formativa específica sobre cinema e diálogo inter-religioso a partir do nível de adesão e do impacto desta atividade.

Fot. Inês Mariano, mestranda em Estudos Artísticos.

Photos from Film and Interreligious Dialogue's post 24/01/2025
20/12/2024

E Agora, Onde Vamos? (Ou Halla La Weyn? / Et maintenant on va où?, 2011) de Nadine Labaki, retrata as (des)aventuras de uma aldeia remota e assolada pela guerra onde uma mesquita e uma igreja se erguem lado a lado e o cemitério local é separado em dois lotes por uma estrada de terra batida: um muçulmano, outro cristão. Labaki conta-nos a história de um grupo de mulheres dispostas a ir até às mais extraordinárias instâncias (por vezes blasfemas) a fim de impedir a eclosão de violência armada entre os seus homens.

Nesta aldeia, a ligação ao mundo exterior é estabelecida por uma ponte — pouco mais que uma ruína — que atravessa um desfiladeiro vertiginoso, cuja missão de percorrer diariamente, com intuito de assegurar os bens essenciais dos seus habitantes, recai sobre dois adolescentes e um motociclo. Esta linha de vida precária, simultaneamente estrutura literal e simbólica, reflete a natureza vulnerável e ténue da paz e dos laços que sustentam a união da aldeia. À sua semelhança, a comunidade paira à beira do abismo.

À semelhança de Takla (Claude Baz Moussawbaa), a lojista que numa sequência observamos enquanto cola uma imagem danificada da Virgem — e que “apesar de tudo continua linda” aos seus olhos —, as matriarcas desta comunidade penam-se por salvaguardar o que lhes é mais precioso: os seus homens (os seus filhos, os seus maridos, os seus vizinhos), a sua comunidade e a sua aldeia por qualquer meio necessário. Perante a tragédia que a acomete, Takla escolhe carregar silenciosamente o seu fardo, sacrificando o seu luto pessoal, entendendo assim poder travar o derrame de sangue vizinho.

A temática do sacrifício, da abnegação, é central aos seus esforços, sendo indestrinçável quer das instâncias a que são levadas no empreendimento de proteger a sua paz precária, quer do vínculo empático que partilham enquanto mães. Esta forma de solidariedade radical, cujos alicerces se acham numa experiência coletiva da perda, apresenta-se como mote da nossa meditação sobre o possível, e potencial, lastro das suas consequências extradiegéticas.

Nadine Labaki explora de que modo o bem-estar entre os homens é ameaçado não pelo fervor religioso dos seus habitantes e tampouco por incitamento das autoridades religiosas que por si zelam, mas pelas notícias do irromper de violência em outras partes — o ensaio da paz é de tal forma ténue que qualquer grão de arroz parece poder tombar a balança, movendo os ânimos em sentidos contrários à sua manutenção.

A realizadora predica sobre a problemática todo-pervasiva da fragilidade humana, do medo e da naturalização da desconfiança do Outro — mesmo aquele que nos é vizinho e irmão — tornando manifesta a garra inexorável dos ciclos viciosos de violência a que nos acostumamos. Como veremos, o desfecho possível é, e simultaneamente não é, de natureza religiosa — e, contudo, Labaki engenhosamente relembra-nos que a religião, e, mais precisamente, o diálogo inter-religioso, pode ser o veículo através do qual se move a mudança.

E Agora, Onde Vamos? apresenta-nos uma abordagem inusitada ao engenho fílmico – um híbrido que vive entre a comédia e o drama, pontuado por números musicais, recusando comprometer-se pacificamente com categorizações simples. O manifesto tom cómico do filme e a forma como este anda de mãos dadas com a tragédia na poética que a realizadora faz da vida quotidiana – no seu representar a quase-mundanidade da guerra, da morte e da sua parafernália – laboram no sentido de evidenciar tanto a complexidade como o absurdo da vida sob tais circunstâncias.

Labaki convida-nos, espectadores, a reconhecer quer o sofrimento civil quer a sua participação ativa no sectarismo e belicismo por via das suas, aparentemente inconsequentes, reações diárias face a um percecionado “Outro” ameaçador — que os próprios constroem, alimentando-se de, e alimentando o, preconceito e o medo.

A realizadora afirma amiúde a sua convicção no poder transformador do cinema, incidindo sobre a sua capacidade de promover a autorreflexão e diálogo entre os espectadores na mesma medida em que os interpela afetivamente. Neste sentido, torna-se pertinente fazer eco das suas palavras: “o filme representa mais do que um exorcismo terapêutico, […] transcende o domínio da memória pessoal em virtude da sua vida pública enquanto artefacto cultural”.

Esta consciência do poder e impacto dos media na fervura ou rescaldo dos ânimos encontra paralelos na obra em si. Em diversas instâncias a rádio, a televisão e os jornais aparentam ameaçar a precária paz vivida na aldeia. O seu poder é dual: o potencial do cinema enquanto gatilho para a mudança é sustentado pelo próprio labor da cineasta. Ao tomar parte, enquanto espectadores, na construção da obra, tomamos, literalmente, nas nossas mãos (nas nossas mentes, enfim nos nossos corações) o caminho a seguir e o(s) desfecho(s) possíveis. O título do filme é, assim, também uma interpelação ao espectador. Quando a tela escurece e os créditos passam, cabe, então, questionarmo-nos: “e agora, onde vamos?”

Inês Mariano, mestranda em Estudos Artísticos

Photos from Film and Interreligious Dialogue's post 19/12/2024

Continuou no dia 30 de novembro o ciclo LINHA DO HORIZONTE: ENCONTROS ENTRE COMUNIDADES RELIGIOSAS À VOLTA DO CINEMA, organizado pelo CEIS20 e pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - FLUC, com apoio do Município da Figueira da Foz. A segunda sessão decorreu no Campus da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz, sobre o filme E AGORA, ONDE VAMOS? (W HALLA' LA WAYN, 2011), realizado por Fran Kranz. Contou com a moderação do professor Sérgio Dias Branco e a participação do pastor João Pereira e do padre Orlando Martins, e de membros da Igreja Evangélica Presbiteriana Figueirense e da Paróquia de São Julião da Igreja Católica.

LINHA DO HORIZONTE visa contribuir para o diálogo entre diferentes comunidades religiosas e o encontro entre culturas como práticas sociais inclusivas. Procura também utilizar o cinema como pretexto para o diálogo ecuménico e inter-religioso e o encontro entre culturas. Tem ainda o objetivo de aferir o interesse mútuo entre diferentes comunidades religiosas. Finalmente, busca avaliar a possibilidade de criar oferta formativa específica sobre cinema e diálogo inter-religioso a partir do nível de adesão e do impacto desta atividade.

Fot. Cátia Diogo, doutoranda em Estudos Artísticos - Estudos Fílmicos e da Imagem.

Religiões unem-se pela paz na Mesquita Central de Lisboa 02/12/2024

Religiões unem-se pela paz na Mesquita Central de Lisboa Se é verdade que a paz começa em cada pessoa, aonde quer que ela esteja, então é provável que comece já este sábado, 30 de novembro, em Lisboa, com os participantes da iniciativa "Unidos pela Paz". Promovido pela Comunidade Islâmica de Lisboa, o evento decorrerá na Mesquita Central, que vai...

29/10/2024

A trama de Reunião (Mass, 2021), a primeira longa-metragem de Fran Kranz, decorre numa pequena igreja episcopal norte-americana, onde dois casais se reúnem a fim de confrontar um trauma comum. É deliberada, por parte do realizador, a escolha deste local sagrado para o acolhimento e enquadramento das experiências humanas fundamentais que vêm a ser debatidas na tela: o luto, a culpa e a busca pela reconciliação — Reunião convida-nos a mergulhar nesse espaço que não é apenas o ponto de encontro para o diálogo, mas também um local onde uma ferida comum pode começar a sarar.

Embora no filme se retrate uma realidade específica e circunscrita, o alcance universal das problemáticas abordadas é notável. É também neste âmbito que Kranz amiúde nomeia a Comissão pela Verdade e Reconciliação da África-do-Sul pós-apartheid, encabeçada pelo arcebispo anglicano Desmond Tutu, bem como o conceito de justiça restaurativa, como duas das suas influências mais decisivas. O labor e legado de Tutu prendem-se com a árdua, mas vital, tarefa que encetou de moderar o confronto de experiências dolorosas, compreensivelmente irreconciliáveis, pela via do diálogo, tendo em vista abrir caminhos para a reconciliação nacional. As declarações do teólogo — “O perdão, a reconciliação e a reparação não eram moeda corrente no discurso político, (eram) mais próprias da esfera religiosa.” — iluminam a busca por compreender o incompreensível da qual o filme em apreço se faz permear.

O título original do filme, Reunião, ocupa um papel crucial no âmbito do deslinde das suas múltiplas camadas de significação e do modo como estas dialogam entre si. Em inglês, “mass” pode, eventualmente, referir-se ao aspeto “massificado” dos tiroteios em escolas (“mass shootings”), numa alusão ao horrendo evento que move a narrativa. Contudo, “Mass”, com um M maiúsculo, diz respeito à celebração litúrgica cristã da “Missa”. A celebração da missa reúne fiéis em comunhão, pedindo-lhes que examinem os seus corações. Este jogo de palavras é fundamental para abrir a discussão fílmica, partindo da meditação sobre aquilo que a Missa representa fundamentalmente no Cristianismo: não apenas um ato de devoção, mas também um encontro com a graça divina e o sofrimento de Cristo cristalizado na eucaristia — ocasião de reflexão, de reconciliação e a possibilidade de renovação espiritual.

Se considerarmos o pano de fundo minimal da trama, as opções cenográficas de Fran Kranz adquirem crescente eloquência. A imagem do crucifixo na parede, a cruz no colar de Linda (Ann Dowd) e o coro que ensaia no andar de cima, não são acessórios; mas elementos que realçam o semblante espiritual de uma penosa conversa que discorre sobre a vida, a morte e o perdão. A igreja, por sua vez, torna-se mais que mero espaço físico — converte-se num lugar alegórico de comunhão, onde a fragilidade humana se encontra com o potencial da cura e, enfim, a catarse. A pari passu com as personagens que metabolizam os seus sofrimentos pessoais ao mesmo tempo que se esforçam por ouvir o sofrimento alheio, somos relembrados da noção cristã de um sofrimento humano partilhado — do alento no ato de perdoar e de estender a nossa empatia ao próximo.

No filme, este gesto de reflexão comunitária é cinematograficamente — com mestria — estendido ao público, que é convidado a participar do encontro. Também nós somos compelidos a permanecer sentados em desconforto, durante toda a conversa. O diálogo entre os pais desenrola-se num único cenário em (virtual) tempo-real, desprovido de flashbacks ou de outros dispositivos dramático-narrativos externos à sala da reunião que possam remeter para o passado debatido. Enfim, o realizador solicita que nos engajemos no momento presente e que sejamos testemunhas da jornada destas pessoas.

A experiência cinematográfica, como o ritual religioso, propicia o encontro. A estética minimalista do filme e a marcada primazia concedida ao diálogo promovem uma sensação de intimidade que opera no sentido de convidar o espectador a partilhar da jornada emocional na tela. Jason Isaacs, que interpreta Jay em Reunião, coloca-o da seguinte forma: “A conexão humana acontece em grandes salas escuras quando as luzes esmorecem e o grande ecrã se acende. Algo de mágico acontece quando nos são contadas histórias em conjunto. Filmes como este, profundas experiências emotivas, fazem-nos sentir menos sozinhos.” Experienciar coletivamente o cinema pode, assim, ser compreendido como um ritual em si mesmo – uma ocasião na qual somos impelidos não apenas a ver, mas a refletir e a comungar.

Inês Mariano, mestranda em Estudos Artísticos

Photos from Film and Interreligious Dialogue's post 28/10/2024

Começou no passado sábado o ciclo LINHA DO HORIZONTE: ENCONTROS ENTRE COMUNIDADES RELIGIOSAS À VOLTA DO CINEMA, organizado pelo CEIS20 e pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - FLUC, com apoio do Município da Figueira da Foz. A primeira sessão decorreu no Campus da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz, sobre o filme REUNIÃO (MASS, 2021), realizado por Fran Kranz. Contou com a moderação do professor Sérgio Dias Branco e a participação do pastor João Pereira e do padre Orlando Martins, e de membros da Igreja Evangélica Presbiteriana Figueirense e da Paróquia de São Julião da Igreja Católica.

LINHA DO HORIZONTE visa contribuir para o diálogo entre diferentes comunidades religiosas e o encontro entre culturas como práticas sociais inclusivas. Procura também utilizar o cinema como pretexto para o diálogo ecuménico e inter-religioso e o encontro entre culturas. Tem ainda o objetivo de aferir o interesse mútuo entre diferentes comunidades religiosas. Finalmente, busca avaliar a possibilidade de criar oferta formativa específica sobre cinema e diálogo inter-religioso a partir do nível de adesão e do impacto desta atividade.

Fot. Cátia Diogo, doutoranda em Estudos Artísticos - Estudos Fílmicos e da Imagem.

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