01/06/2026
Há um grupo de moças e moços bonitos que um dia descobriu que o corpo também fala. Que pode ser palavra sem voz, verso sem papel, emoção sem legenda.
Depois das fórmulas, das datas, das obras literárias e dos textos argumentativos. Depois do absolutismo, da Revolução Francesa e de tantas outras matérias que preenchem os dias, chega aquele momento. Quando os ponteiros batem nas 16h45, seguem em direção ao palco do auditório, como quem atravessa uma fronteira invisível entre a obrigação e o sonho.
A professora de dança já lá está. Traz consigo um dia cheio de vozes, perguntas e aprendizagens de vinte e quatro crianças do 1.º ano. Mas ainda lhe sobra energia para acender outra luz.
E ficam por ali. Até ao último toque. Muitas vezes para além dele. Quando os espetáculos se aproximam, permanecem mesmo depois da escola se esvaziar de passos e de ruídos,
No próximo dia 17 de junho voltarão a subir ao palco para o último espetáculo do ano. Ver-se-á a beleza dos movimentos, a harmonia dos corpos, o brilho dos figurinos. Mas talvez nem todos percebam o que ali está verdadeiramente a ser mostrado: as horas oferecidas, a persistência silenciosa, a amizade, a coragem de tentar outra vez, a alegria de pertencer.
Porque são estas pequenas coisas, aquelas que fazemos depois das coisas importantes, que acabam por dar sentido às nossas vidas. São elas que nos tornam únicos, que alimentam a alma, que nos oferecem raízes e asas ao mesmo tempo.