18/12/2025
Contos de Natal:
Senta que lá vem história...
O BONECO DE NEVE ☃️❄️
Era noite de Natal e as crianças que sempre acompanhavam o boneco de neve estavam em suas casas. O boneco de neve se sentia solitário e triste...
Próximo, existia uma casa e ele decidiu se aproximar para ver o que acontecia ali dentro. Ao fazê-lo, ele viu o calor de um lar, uma mesa cheia de comida e um lugar acolhedor onde não fazia frio porque não caía neve...
O boneco de neve quis entrar, mas não pôde porque não encontrou forma de fazê-lo... Mas, logo viu cair uma estrela do céu que olhou e sorriu e lhe disse:
- Peça-me um desejo nesta noite especial.
O boneco respondeu rapidamente:
- Eu quero sentir o calor de um lar, como desta família...
- Peça o seu desejo, então – insistiu a estrela.
- Quero entrar nesta casa e passar o Natal com esta família...
- Mas, se você entrar ali se converterá numa poça de água – disse-lhe a estrela.
- Então quero que eles saiam e passem o Natal comigo.
- Não posso fazer isso porque se eles saírem vão morrer de frio.
- Então, o que eu posso fazer?
- É verdade, boneco de neve – pensou a estrela – o que você necessita é de outro boneco de neve com quem compartilhar o Natal...
A estrela foi criando outro boneco de neve. Quando terminou a criança apareceu na janela...
- Olha papai! Outro boneco de neve! Não tem cachecol! Posso colocar-lhe uma?
- Claro que sim – respondeu seu pai.
Assim que a criança saiu e lhe colocou o cachecol no boneco de neve recém-criado... E assim, o boneco de neve jamais voltou a se sentir sozinho no Natal.
Fonte: Website
16/11/2025
"Era uma vez um pastor que vivia nas montanhas.Tinha um cão- pastor chamado Piloto, que o ajudava a guardar as ovelhas, enquanto ele f**ava sentado numa pedra a fazer malha.
O pastor fazia meias e cachecóis e camisolas e cobertores, todos de pura lã, e vendia-os no mercado da aldeia.
Quando o pastor reparava que uma ovelha estava a afastar-se muito do rebanho, pegava num apito de madeira e dava uma curta apitadela.
Era um sinal para o Piloto correr atrás da ovelha e trazê-la outra vez para junto das outras.
Então o Piloto sentia-se muito importante.
Ao pôr do Sol o pastor dava uma apitadela longa, e isto signif**ava que o Piloto tinha de reunir as ovelhas e conduzi-las para o redil.
À medida que as ovelhas iam saltando lá para dentro,o pastor contava-as para ter a certeza de que estavam todas.
Todas as ovelhas eram brancas, menos uma. Havia uma ovelhinha preta. Todas obedeciam ao Piloto exceto ela, o que deixava o Piloto muito aborrecido.
- Aquela ovelha preta não me obedece! - queixava-se o Piloto ao pastor. - E pensa de mais! As ovelhas não precisam de pensar. Eu penso por elas!
A ovelhinha preta gostaria de ser como as outras.
- O Piloto repara quando eu faço uma asneira porque eu sou preta - disse ela ao pastor. - Não me podias fazer um casaquinho branco para eu passar despercebida?
- Ora essa! - respondeu o pastor. - Tu dás até muito jeito. Quando eu vos conto a todas ao saltarem para o redil, quase que adormeço. Mas sou sempre acordado pela minha ovelhinha preta a saltar lá para dentro, especialmente se tu tropeças.
Mas o Piloto gostava de ordem e disciplina no rebanho.
- Pois espera! - rosnou ele para a ovelhinha preta. - Hei-de fazer com que sejas vendida depois da tosquia. Depois f**amos com um belo rebanho bem ordenado!
A ovelhinha preta olhou pensativa para as nuvens branquinhas no céu.
"O pastor diz que elas são as almas das ovelhinhas boas", pensou ela. "Talvez um dia eu também seja uma nuvem branca!".
Rebentou uma tempestade súbita, com vento, neve e granizo.
O pastor e o Piloto correram para a cabana no alto da montanha .
- As ovelhas f**am bem. Têm os seus belos casacos de lã.
Caiu a noite e as ovelhas começaram a f**ar nervosas.
- Temos de procurar abrigo- disse a ovelhinha preta. Sigam-me! Sei onde há uma gruta! Temos de nos manter juntas para nos aquecermos. Quando clarear vamos procurar o pastor.
Na manhã seguinte, já com o temporal afastado, o Pastor e o Piloto foram à procura do rebanho.
E foi então que avistaram uma mancha negra no cimo da colina.
- Minha ovelhinha preta! - disse o pastor. Se não fosses tu, eu não encontrava o meu rebanho.
O pastor levou a ovelhinha preta ao colo pela encosta abaixo, acompanhado pelo Piloto e pelo resto do rebanho.
Quando chegou à altura da tosquia, no fim de todo o rebanho estar tosquiado, o pastor meteu a lã em sacos. Havia 10 sacos de lã branca e um saquinho pequeno de lã preta.
Com essa lã tricotou meias e cachecóis muito bonitos com padrões em branco e preto, que vendeu a bom preço, no mercado.
Com o dinheiro comprou mais ovelhas e carneiros pretos, que em breve formariam um rebanho malhado.
Seriam assim todos diferentes e também todos iguais.
Elizabeth Shaw. A ovelhinha preta.
14/11/2025
Fernando Pessoa,
Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora;
Mas também meu pensamento
Tem um vento que o devora.
Há uma íntima intenção
Que tumultua em meu ser
E faz do meu coração
O que um vento quer varrer;
Não sei se há ramos deitados
Abaixo no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual.
Dos ramos que ali caíram
Sei só que há mágoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores.
28-12-1933
In Poesias Inéditas (1930-1935)
09/11/2025
LENDA DE SÃO MARTINHO
"Martinho era um valente soldado romano que estava a regressar da Itália para a sua terra, algures em França.
Montado no seu cavalo estava a passar num caminho para atravessar uma serra muito alta, chamada Alpes, e, lá no alto, fazia muito, muito frio, vento e mau tempo.
Martinho estava agasalhado normalmente para a época: tinha uma capa vermelha, que os soldados romanos normalmente usavam.
De repente, aparece-lhe um homem muito pobre, vestido de roupas já velhas e rotas, cheio de frio que lhe pediu esmola.
Infelizmente, Martinho não tinha nada para lhe dar. Então, pegou na espada, levantou-a e deu um golpe na sua capa. Cortou-a ao meio e deu metade ao pobre.
Nesse momento, de repente, as nuvens e o mau tempo desapareceram. Parecia que era Verão!
Foi como uma recompensa de Deus a Martinho por ele ter sido bom.
É por isso que todos os anos, nesta altura do ano, mesmo sendo Outono, durante cerca de três dias o tempo f**a melhor e mais quente: é o Verão de São Martinho!"
Ilustração de Cristina Sampaio
04/11/2025
Eu sou o maior!
O Ponto Final, a Vírgula e o Ponto de Interrogação tentavam descobrir qual deles era o mais importante.
- Quem é que faz toda as perguntas? Quem é que põe todas as dúvidas? Alguém duvida que o mais importante sou eu? - disse o Ponto de Interrogação.
- Eu sou a resposta a todas a perguntas. O fim de todas as discussões. Eu sou o mais importante - disse o Ponto Final.
- E tu serves para quê? - perguntou o Ponto de Interrogação à Vírgula.
E a Vírgula respondeu:
- Experimentem dizer: " Ana Teresa Maria José Rita Sofia eram da mesma família! ". Sem mim, quantos irmãos tem a família?
- Seis - disse o Ponto Final.
- Serão mesmo seis? - perguntou ponto de interrogação.
- Comigo, podem ser apenas três: " Ana Teresa, Maria José, Rita Sofia". Sem mim, nunca saberão.
Mas também podem ser quatro: " Ana, Teresa Maria, José, Rita Sofia". Sem mim, nunca saberão.
- Pronto - disse o Ponto Final. - Digamos que valemos todos o mesmo, pois sem pontos, vírgulas e pontos de interrogação, as palavras andavam todas perdidas pelo meio das histórias..
Alice Vieira. In. Livro com Cheiro a Chocolate. Ilustração Daniela Gonçalves.
31/10/2025
Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não f**a no chão,
quem f**a no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Cecília Meireles, in 𝘖𝘶 𝘐𝘴𝘵𝘰 𝘰𝘶 𝘈𝘲𝘶𝘪𝘭𝘰
Imagem de Amanda Cass (Nova Zelândia)
30/10/2025
Pão por Deus
Pão por Deus,
Ou um bolinho,
P'ra levar neste saquinho.
Bolinhos
Ou bolinhós,
P'ra levarmos aos avós.
Se nos der
Algum bolinho,
É porque é um bom vizinho.
Se não der
Mesmo nadinha,
Cheira mal nesta cozinha!
Não é preciso dar muito,
O que conta é a intenção!
Pão por Deus, é hoje o dia...
Abra a casa e o coração!
Inês Lupo e Gonçalo Pratas. In. Canta o Galo Gordo. Ilustração de Cristina Sampaio
09/10/2025
"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."
José Saramago, In, Viagem a Portugal. Ilustração de Lisa Aisato
27/08/2025
PARA SEMPRE
"Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe f**ará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho."
Carlos Drummond de Andrade
Ilustração de Lisa Aisato
13/08/2025
MIGUEL TORGA, 12 de Agosto de 1907 - 17 de Janeiro de 1995
«ROMANCE
Ora pois: foi tal qual como vos digo:
Minha Mãe, certo dia, pôs a questão assim:
- ou Ela, ou eu!
E ficou resolvido que no dia doze
minha Mãe parisse,
e pariu!
Pariu e ninguém se opôs! Ninguém!
Como se fosse um feito glorioso
parir assim alguém, tão nu, tão desgraçado!
Por mim,
ainda disse que não!
Mas o seu Anjo da Guarda
era forte e tenebroso...
E aquele frágil cordão
Deixou de ser o meu Pão,
o meu Vinho
e a paz eterna do meu coração
mesquinho!...
Deixou de ser o silêncio
delicado e agradecido
dos meus instintos menores...
Deixou de ser o Norte daquele lago
onde boiava o meu corpo
sem alegria e sem dores...
Deixou de ser aquela verdadeira
e sagrada ignorância do meu nome,
que Satanás me disse, quando disse:
- Respira e come,
respira e come,
Animal!
(A voz de Satanás já nesse tempo
era humana e natural...)
Deixou de ser o mundo e foi um outro!
Foi a inocência perdida
E a minha voz acordada...
Foi a fome, a peste e a guerra!
Foi a terra
sem mais nada!
Depois,
sem dó nem piedade a vida começou....
Minha Mãe, a tremer, analisou-me o s**o,
e, ao ver que eu era homem,
corou... »
O Outro Livro de Job. (Poemas)
Miguel Torga
*
Fotobiografia de Miguel Torga, por Clara Rocha: Imagem de Miguel Torga.
08/08/2025
Cheque-livro: este guia explica como funciona
O cheque-livro já pode ser utilizado. Saiba, neste artigo, a quem se destina, como resgatar e quais os livros abrangidos.