A Sofia explica

A Sofia explica

Escolas/colégios nas proximidades

Geometria Descritiva -explicações
Geometria Descritiva -explicações
6000-218

Explicações de Português e Francês.

Dúvidas relacionadas com Português e Francês respeitantes ao:
1º,2º, 3º ciclos e secundário;

Português para estrangeiros ;
Traduções.

Funcionando normalmente

11/01/2024

O Dia Internacional do Obrigado é hoje, 11 de Janeiro.

O objectivo deste dia é unicamente agradecer a todos aqueles que fazem parte da nossa vida e que nos ajudam e alegram, só pelo facto de existirem. Neste dia o mote é dizer “obrigado” às pessoas de que gostamos, ou demonstrar o mesmo por gestos.

Apesar de ser um dia conhecido por pouca gente, o Dia Internacional do Obrigado foi criado através das redes sociais na Internet e foi-se enraizando aos poucos no seio da comunidade, tendo um fim nobre e sempre necessário.

Mesmo parecendo insignificante, esta palavra de oito letras pode fazer toda a diferença para quem a recebe, assim como deixar mais feliz quem a profere.

Obrigado a todos pela preferência, pelas visitas, pelos comentários, por estarem sempre desse lado!

10/01/2024

Aparências iludem

" Certo dia, uma senhora, usando um vestido muito velho de algodão já desbotado, e o marido, que envergava um velho fato feito à mão, desceram do comboio em Boston, EUA, e tranquilamente dirigiram-se para o gabinete do reitor da universidade.
O casal vinha de Palo Alto, na Califórnia, e não havia marcado qualquer reunião. A secretária, olhando -os de relance, suspeitou que eram da província e que dificilmente seriam recebidos pelo reitor.– Ele vai estar ocupado o dia todo – respondeu rispidamente a secretária.
– Não nos importamos e vamos esperar.
A secretária ignorou -os horas a fio, na esperança de que finalmente desistissem. Mas não foi o que aconteceu. Eles continuaram pacientemente a aguardar. Já bastante frustrada, a secretária decidiu incomodar o reitor, embora detestasse fazê-lo.
– Se o senhor falar com eles apenas por alguns minutos, talvez resolvam ir-se embora – disse.
O reitor suspirou, irritado mas concordou com a proposta. Alguém da sua importância não tinha tempo para atender gente modesta, mas como não apreciava vestidos desbotados nem fatos puídos no gabinete, anuiu em recebê-los. De rosto fechado, dirigiu -se ao casal e pediu -lhe que lhe dissessem a razão da inesperada visita.
– O nosso filho estudou em Harvard durante um ano – explicou a mulher. Ele amava Harvard e foi muito feliz aqui. Mas morreu há um ano num acidente, e nós gostávamos de erigir um monumento em sua honra em algum lugar do campus.
– Minha senhora – disse rudemente o reitor –, não podemos erigir uma estátua para cada pessoa que estudou em Harvard e morreu. Se o fizéssemos, este lugar pareceria um cemitério.
– Oh, não – respondeu a senhora. – Não queremos erigir uma estátua. Gostávamos de doar um edifício à Universidade de Harvard.
– Queremos falar com o reitor – pediu o homem educadamente, em voz baixa.
O reitor olhou para o vestido desbotado de Jane e para o velho fato do marido, e exclamou:
– Um edifício! Os senhores têm, sequer, uma pálida ideia de quanto custa um edifício? Temos mais de sete milhões e meio de dólares em prédios aqui em Harvard.
Jane ficou em silêncio por um momento, e então disse ao marido:
– Se é só isso que custa fundar uma universidade, porque não fundamos a nossa própria instituição?
O marido concordou. O casal Leland Stanford levantou- -se e saiu, deixando o reitor confuso. De volta para Palo Alto, eles estabeleceram ali a respeitada Universidade Stanford, em homenagem ao ex-aluno de Harvard.
Este episódio real mostra bem quanto risco e injustiça pode haver no julgamento pelas aparências. O que é verdadeiramente importante raras vezes está à vista..."

Helena Sacadura Cabral. Jane.
Imagem: Esculturas feitas de páginas de livros, por Jodi Harvey Brown

13/12/2023

Devia ser assim.

10 de dezembro - Dia Internacional dos Direitos Humanos

"Este ano, assinala-se o 75.º aniversário de uma das declarações universais mais inovadoras de sempre: a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Este documento histórico consagra os direitos inalienáveis aos quais todos têm direito como ser humano - independentemente de raça, cor, religião, s**o, idioma, opinião política ou outra natureza, origem nacional ou social, propriedade, nascimento ou outro status.

No entanto, a promessa da DUDH, de dignidade e igualdade de direitos, tem sofrido ataques contínuos nos últimos anos. À medida que o mundo enfrenta novos e contínuos desafios ​– pandemias, conflitos, desigualdades explosivas, sistema financeiro global moralmente falido, racismo, alterações climáticas – os valores e os direitos consagrados na DUDH vão continuando a fornecer diretrizes para as nossas ações coletivas nunca deixando ninguém para trás.

Dado que os jovens enfrentam desafios específicos no exercício de seus direitos, embora estando muitas vezes na vanguarda do ativismo pelos direitos humanos, o seu envolvimento nesta causa é fundamental.

O tema do Dia dos Direitos Humanos deste ano é: Dignidade, Liberdade e Justiça para Todos.
.

13/12/2023

É o progresso...

(...)

13/12/2023

O AMIGO (excerto)

Era uma vez uma casa pintada de amarelo com um jardim à volta. No jardim havia tílias, bétulas, um cedro muito antigo, uma cerejeira e dois plátanos. Era debaixo do cedro que Joana brincava. Com musgo e ervas e paus fazia muitas casas pequenas encostadas ao grande tronco escuro. Depois imaginava os anõezinhos que, se existissem, poderiam morar naquelas casas. E fazia uma casa maior e mais complicada para o rei dos anões.
Joana não tinha irmãos e brincava sozinha. Mas de vez em quando vinham brincar os dois primos ou outros meninos. E, às vezes, ela ia a uma festa. Mas esses meninos a casa de quem ela ia e que vinham à sua casa não eram realmente amigos: eram visitas. Faziam troça das suas casas de musgo e maçavam-se imenso no seu jardim.
E Joana tinha muita pena de não saber brincar com os outros meninos. Só sabia estar sozinha.
Mas um dia encontrou um amigo. Foi numa manhã de Outubro. Joana estava encarrapitada no muro, E passou pela rua um garoto. Estava todo vestido de remendos e os seus olhos brilhavam como duas estrelas. Caminhava devagar pela beira do passeio sorrindo às folhas de Outono. O coração de Joana deu um pulo na garganta.- Ah! – disse ela.
E pensou:
«Parece um amigo. É exactamente igual a um amigo.» E do alto do muro chamou-o:
- Bom dia!
O garoto voltou a cabeça, sorriu e respondeu:
- Bom dia!
Ficaram os dois um momento calados. Depois Joana perguntou:
- Como é que te chamas?
- Manuel – respondeu o garoto.
- Eu chamo-me Joana.
E de novo entre os dois, leve e aéreo, passou um silêncio. Ouviu-se tocar ao longe o sino de uma quinta.
Até que o garoto disse:
- O teu jardim é muito bonito.
- É, vem ver.
Joana desceu do muro e foi abrir o portão.
E foram os dois pelo jardim fora. O rapazinho olhava uma por uma cada coisa. Joana mostrou-lhe o tanque e os peixes vermelhos. Mostrou-lhe o pomar, as laranjeiras e a horta. E chamou os cães para ele os conhecer. E mostrou-lhe a casa da lenha onde dormia um gato. E mostrou-lhe todas as árvores e as relvas e as flores.
- É lindo, é lindo – dizia o rapazito gravemente.
- Aqui – disse Joana – é o cedro. É aqui que eu brinco. E sentaram-se sob a sombra redonda do cedro.
A luz da manhã rodeava o jardim: tudo estava cheio de paz e de frescura. Às vezes do alto de uma tília caía uma folha amarela que dava voltas no ar.
Joana foi buscar pedras, paus e musgo e começaram os dois a construir a casa do rei dos anões.
Brincaram assim durante muito tempo. Até que ao longe apitou uma fábrica.
- Meio-dia – disse o garoto -, tenho de me ir embora.
- Onde é que tu moras?
- Além nos pinhais.
- É lá a tua casa?
- É, mas não é bem uma casa.
- Então?
- O meu pai está no céu. Por isso somos muito pobres. A minha mãe trabalha todo o dia, mas não temos dinheiro para ter uma casa.
- Mas à noite onde é que dormes?
- O dono dos pinhais tem uma cabana onde de noite dormem uma vaca e um b***o. E por esmola dá-me licença de dormir ali também.
- E onde é que brincas?
- Brinco em toda a parte. Dantes morávamos no centro da cidade e eu brincava no passeio e nas valetas. Brincava com latas vazias, com jornais velhos, com trapos e com pedras. Agora brinco no pinhal e na estrada. Brinco com as ervas, com os animais e com as flores. Pode-se brincar em toda a parte.
- Mas eu não posso sair deste jardim. Volta amanhã para brincar comigo.
E daí em diante todas as manhãs o rapazinho passava pela rua. Joana esperava-o empoleirada em cima do muro.
Abria-lhe a porta e iam os dois sentar-se sob a sombra redonda do cedro. E foi assim que Joana encontrou um amigo.
Era um amigo maravilhoso. As flores voltavam as suas corolas quando ele passava, a luz era mais brilhante em seu redor e os pássaros vinham comer na palma das suas mãos as migalhas de pão que Joana ia buscar à cozinha.

Sophia de Mello Breyner Andresen. In, "A Noite de Natal". Artist Anna Sylvonchic

Via Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen

11/12/2023

Madeiro de Penamacor pronto para arder no dia 23.

10/12/2023

A GERAÇÃO QUE AOS FILHOS TUDO DEU

Esta foi a geração
Que aos filhos tudo deu
Que comeu pão com pão
E com sacrifício sobreviveu

Esta foi a geração
Das sopas e calças remendadas
Dos pés descalços e solidão
Que assim trilhou caminhos e estradas

Esta foi a geração
Que começou a trabalhar muito cedo
Que não teve direito a educação
E que hoje empurram para o degredo

Esta foi a geração
Que para o país mais contribuiu
E que mais deu à nação
E dela pouco ou nada se serviu

Esta foi a geração
Que mais na vida trabalhou
Que não teve direito à educação
E com sacrifício seus filhos criou

Esta foi a geração
Que fez dos seus descendentes doutores
E que mandam hoje na nação
Mas a trata como pessoas menores.

08/12/2023

A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam.

E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa.

Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: Não há mais o que ver, saiba que não era assim.

O fim de uma viagem é apenas o começo de outra.

É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.

É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles.

É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

____ José Saramago
Aroma de Poesia ❤️

08/10/2023

"Porque muitas vezes precisamos não de alguém que nos levante, mas de alguém que se deite ao nosso lado..."

James Morrison
Ilustração de Cécile Veilhan

Uma boa noite de sonhos costurados com fios de amor!

07/10/2023

"Tem setenta anos a D. Florinda. E num dia de cada mês há correspondência na sua caixa do correio.
D. Florinda veste roupa nova, penteia melhor o cabelo ralo, branco e curto. Calça os sapatos de pano e borracha, fecha a porta com muito cuidado, e mete a chave num s**o bastante coçado.
Truc, truc, truc...lá vai ela muito direita. Lá vai ela a caminho do banco.
Quando entra, entrega a carta ao empregado, e diz baixinho:
- É a minha reforma!
Recebe o dinheiro e, truc, truc, truc...lá vai ela muito direita. Lá vai ela a caminho da livraria.
Depois de entrar percorre as estantes com o olhar. Demora-se indecisa na escolha. E acaba por descobrir o livro, que paga e manda embrulhar.
Outra vez na rua, truc, truc, truc...lá vai ela a caminho da casa onde mora o Rodrigo, seu neto. Toca à campainha, aparece o Rodrigo, e ela estende o embrulho e diz:
- É para ti, rapaz. Mais um livro para a tua biblioteca!"

Antonio Mota. In, "Segredos". Ilustração de Teresa Lima

05/10/2023

E esta é história duma menina chamada Hilda Puga, que habitou nas carteiras e mealheiros dos portugueses até aos anos 70. Uma costureira, filha dum abastado empresário, e que encantou, ao passar por ele, o escultor Simões de Almeida, que andava à procura do rosto para a recém-inaugurada República de Portugal. Achou graça àquela rapariga de dezasseis anos que trabalhava numa camisaria da Baixa lisboeta e, depois da sua mãe ter acordado as condições para ela posar para ele, Hilda Puga começou a ir ao atelier duas horas durante um mês para que o escultor fizesse o busto. Uma condições impostas era não posar despida, mas como finalmente o busto teve um decote que ela considerou amplo demais, nunca confessou que tinha sido ela a musa inspiradora para a face da República. Só aos 90 e tal anos é que reconheceu a sua participação neste episódio, depois de ter sido o rosto das moedas de cinco escudos e de cinquenta centavos durante décadas.

A sua longa vida, chegou a cumprir os 101 anos, esteve repleta de reviravoltas. Nascida do matrimónio entre Tomás Gª Puga, o proprietário duma bem-sucedida fábrica de tijolos, e a sua empregada, desfrutou da típica educação para meninas de boa família: piano, bordado, costura e idiomas. Chegou a viver na Amazónia, onde o seu pai tinha empreendido uma nova fábrica que lhe trouxe ainda mais benefícios. Infelizmente, morre e toda a família volta a Lisboa para ganhar, mais uma vez, o sustento. Hilda não deixou de coser para comer até os 96 anos de idade. Entretanto, superou dois cancros, casou aos 30 anos, divorciou-se antes de que fosse proibido, fechou-se num lar durante uma década pela dor de ter perdido a sobrinha que tinha criado como filha e finalmente, num Natal, voltou ao mundo pela alegria de ver nascer o seu primeiro sobrinho neto.

Feliz feriado nacional! Feliz 5 de Outubro, portugueses!

Via

04/10/2023

É com uma enorme felicidade que a Mala d'estórias partilha convosco este presente, acabado de receber!

É um trabalho realizado pela turma do 4° A, da EB Martim de Freitas, de Coimbra durante uma oficina de escrita baseada numa ilustração de Mara Silva, com a coordenação das professoras Catarina Silva e Ana Laura Regadas.

A Mala d'estórias será sempre uma montra para estes jovens escritores.
E temos a certeza que os nossos seguidores serão também o seu público. Disponíveis para os apoiar e incentivar, através dos seus comentários e dos seus "gostos".

“3 Gatos Especiais”

Três gatos especiais
Tomé, Chico e Manchinhas
Tomé come demais
come de tudo
e muito mais…
Tem barriga de balão
E leite sempre à mão.

Manchinhas é preguiçoso
gosta das suas mantinhas
de chá cool e apetitoso
e cardumes de sardinhas.

Chico é o rei de todos
de coroa na cabeça
mostra a sua beleza.
Elegância não lhe falta
Quando veste a sua capa.

De caudas deslumbrantes
como laços infinitos
nunca visto dantes
verdadeiros mitos!

Manchinhas
dorme de livro na mão.
Tomé
no caixote junto ao pé.
Chico
dorme num espaço rico.

São três gatos especiais
Tomé, Chico e Manchinhas
No mundo dos animais.

21/09/2023

Cai uma folha no outono
sobre a toalha de linho
e lembra-me a cor do sono
quando as aves fazem ninho.
É uma folha amarela
que empurrada pelo vento
vem colar-se à janela
sob o teto do relento.
E eu, ao vê-la poisar,
adormeço de repente
na almofada do luar.

José Jorge Letria. "A almofada do luar." In, "Poemas para meninas e meninos pequeninos". Ilustração Carla Pott. Ed. Gailivro

08/09/2023

Camilo Pessanha

A 7 de Setembro de 1867, nasce Camilo Pessanha, poeta simbolista.
Camilo de Almeida Pessanha nasce em Coimbra, na freguesia da Sé Nova, cerca das 23:00 horas do dia 7 de Setembro de 1867, filho de Maria do Espírito Santo Duarte Nunes Pereira e de Francisco António de Almeida Pessanha (então estudante do 3.º ano de Direito) .
O jovem Pessanha vive em várias partes do país, alguns anos nos Açores, acompanhando as colocações ou transferências do pai, juiz, de quem viria a seguir as passadas: em 1878, ainda em Lamego, completa a instrução primária; em 1884, já na cidade do Mondego, termina o curso liceal no Liceu Central e ingressa então no Curso de Direito da Universidade de Coimbra.
..

Para Português Ler

08/09/2023

A MOCHILA

Às vezes sou tão pesada
que até tenho a sensação
de trazer o mundo dentro
sempre ao alcance da mão.
CADERNOS, LÁPIS e LIVROS
e outras coisas que tais,
migalhas de pão já seco
que matam a fome aos pardais.
De tão PESADA que sou,
só me dá para perguntar:
Fará assim tanta falta
o que eu devo transportar?
Então a pobre coluna
de quem comigo tem de andar?
Eu sirvo para ir para a ESCOLA,
mas com tanto peso dentro
até SERVIA PARA VIAJAR,
para o Brasil ou para Angola,
ou para qualquer outro lugar,
ficando quieta na fila,
com o meu brio de MOCHILA,
até à hora de embarcar.

José Jorge Letria, in "A Fala das Coisas", ilustração de Elsa Fernandes

30/08/2023

"Isto que vos vou contar até parece uma estória. Mas não, não é uma história inventada; é tão verdadeira como o papel que tens nas mãos. O melhor é eu começar já para não perdermos tempo:
Ao fundo fo Vilarelho, numa casa grande e com telhados quase desfeitos, vive a tia Rosinha, uma velha que já carrega às costas oitenta anos. Vive sozinha embora tenha filhos, netos e bisnetos que desandaram de Vilarelho quando eram novos e espalharam-se por esse país. Sete filhos repartidos pelas sete partidas do Mundo, como ela costuma dizer, sempre muito aflita com a dentadura postiça que nunca lhe ficou bem ajustada na boca e, às vezes, atraiçoa-a.
Para não estar sozinha, a Tia Rosinha tem um cão, um rafeiro também já velhinho com pedaços de pêlo queimados na lareira onde ele gosta de se deitar. O cão chama-se Senhor Carriço. E eu, para dizer a verdade toda, ainda não consegui descobrir porque é que o bicho tem esse nome. Mas garanto-te que um dia hei-de descobrir e depois dou-te noticias das minhas descobertas...
Um dia destes, a Tia Rosinha sentiu-se mal. Os vizinhos afligiram-se, chamaram a ambulância - e ela lá foi para o hospital, onde ficou internada.
Pouco depois apareceram os filhos cheios de olheiras por causa da noite que passaram em claro nas viagens até Vilarelho. Mas eles tinham de ir trabalhar e no mesmo dia regressaram. E ninguém se lembrou do Senhor Carriço. O velho cão começou a andar de nariz no chão por caminhos e carreiros, campos e quintais. Depois desapareceu de Vilarelho. Como estava velho, toda a gente pensava que ele tinha morrido. Que grande engano!
O Senhor Carriço foi andando devagarinho, foi farejando e mancando. E numa manhã, bem cedinho, começou a ganir junto da porta do hospital. Os funcionários enxotaram-no, ameaçaram-no...e de nada valeu. O Senhor Carriço não parava de ganir baixinho, um choro que pôs em sobressalto o coração de muita gente.
A notícia correu para dentro do hospital, passou pelos corredores e entrou nas enfermarias.
E o Senhor Carriço calou-se quando viu a Tia Rosinha aparecer à porta do hospital, sentada numa cadeira de rodas e embrulhada num xaile preto. Lambeu-lhe a cara, lambeu-lhe as lágrimas e foi-se embora.
Agora aparece todos os dias, sempre de manhã. Porque as visitas são à tarde...mas só para as pessoas.

António Mota. O Senhor Carriço e a Rosinha. In. A Hora do Conto. Ilustração de Raquel Prestes

30/08/2023

A CAMA DOS PAIS

A cama dos pais tem um íman e cá para mim (ninguém me convence do contrário) tem uma magia soporífera, um misterioso pó de amor impregnado nas almofadas, que faz com que os filhos adormeçam imediatamente e que o pior dos pesadelos, o mais trepidante terror noturno, fuja a sete pés.

Na cama dos pais, o último refúgio dos medos, a paz é absoluta e total.

Ali chegam, levados por pais extenuados e vencidos, ou pelo seu próprio pé, transpirados e assustados, passarinhos a voar de noite aos encontrões pelos corredores da casa, até chegarem ao lugar dos lugares. Dois colos com lençóis macios e o cheiro dos progenitores. Caem que nem tordos a dormir, apaziguados.

Os pais fingem que se importam, na manhã seguinte: «Lá foste tu para a nossa cama! Quando é que aprendes a ultrapassar os medos e a dormir sozinho? Tens de crescer!», mas nem olham muito nos olhos dos filhos quando dizem estas coisas, com medo de que eles descubram que naquele breve regresso ao ninho, ao berço inicial, os pais se enchem de amor e ternura e também eles se confortam nas suas inquietações.

Um pescoço morno. Uma mãozinha gorducha no nosso cabelo. Um pé de regresso à costela da mãe. A respiração tranquila na fronha partilhada.

O desejo secreto de que o ninho fique assim para sempre. E que a manhã demore muito a chegar.

Que o misterioso pó de amor das almofadas preserve para sempre estas excursões noturnas de mimo que não são mais do que um inteligente prenúncio, de uma saudade imensa, dos melhores dias desta vida."

Rita Ferro Rodrigues

27/08/2023

PARA SEMPRE

"Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho."

Carlos Drummond de Andrade

27/08/2023

Um poema por dia...
António Nobre

Para Português Ler

26/08/2023

A gente sabe lá como está o coração do outro.
Sabe lá a cor da alma daqueles que estão ao nosso lado.
A gente nem imagina as pedras que existem nos caminhos dos outros.
Não faz ideia dos sapatos apertados que os outros calçam.
A coroa de espinhos que cada um carrega em cada dia.
Ninguém sabe a dor que se esconde por trás de uma gargalhada. A mágoa escondida num sorriso. A saudade que não se reflete, mas que se sente.
A gente nem imagina aquilo que se passa na "casa" do outro. Na casa onde cada um se move. Na ilha em que cada um se torna. No universo de lágrimas que nos assalta.
A gente sabe lá o que é a vida do outro. A emoção do outro. A saudade do outro. A tristeza do outro. As contrariedades do outro. As vidas que se perdem na vida perdida do outro.
Então, por gentileza, por delicadeza, por solidariedade, ou talvez por amor: Não tornes mais duros os dias do outro. Não aumentes as suas feridas. Não tornes mais sombrios, os dias do outro.
É que tu não sabes nada da sua vida!
E, talvez tu possas ser apenas a gota de água que faz toda uma vida desmoronar!🍀
Marisa Sousa
Imagem: WEB

Quer que o seu escola/colégio seja a primeira Escola/colégio em Castelo Branco?

Clique aqui para solicitar o seu anúncio patrocinado.

Localização

Entre em contato com a escola/colégio

Telefone

Website

Endereço


Castelo Branco
6000-406

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 19:00
Terça-feira 09:00 - 19:00
Quarta-feira 09:00 - 19:00
Quinta-feira 09:00 - 19:00
Sexta-feira 09:00 - 19:00
Outra Explicador/professor em Castelo Branco (mostrar todos)
Beanstalk ESL KIDS Lessons Beanstalk ESL KIDS Lessons
Online Teacher
Castelo Branco

Online English Tutor. Lessons for Children and Adults. Fun interactive classes on a range of dif

O Sabichão - Centro de Estudos O Sabichão - Centro de Estudos
Praceta Miguel Torga
Castelo Branco, 6000-258

Apoio ao Estudo | Prolongamentos | Animação Infantil | Explicações | Horários Alargados | Kidsitting

MABLY RAITT MABLY RAITT
Avenida De Espanha, Nº 29, R/C Dtº
Castelo Branco, 6000-078

Estamos aqui para ajudar você a encontrar os melhores CURSOS,FORMAÇÕES e PRODUTOS

Explicações de Matemática em Castelo Branco Explicações de Matemática em Castelo Branco
Castelo Branco, 6000

Professora Licenciada em Matemática/Ciências da Natureza e com experiência profissional,dá expli

Centro de Estudos AltaMente Centro de Estudos AltaMente
Rua Da Linha Lt13, R/c
Castelo Branco, 6000-438

O nosso centro de estudos tem ao dispor das crianças e jovens, os seguintes serviços: - Explicaç?

Educação Física - Formação e Informação Educação Física - Formação e Informação
Castelo Branco, 6000

Divulgar acções de formação, seminários e cursos dentro da área do desporto... Disseminate tra

Explicação Filosofia/ Psicologia/castelobranco Explicação Filosofia/ Psicologia/castelobranco
Castelo Branco
Castelo Branco, 6000-155

PROFESSORA dá Explicação, individual ou em pequenos grupos, de: - Filosofia; Psicologia ou Sociol