11/06/2020
O colectivo Lugar de Produção promoveu hoje a iniciativa “Deixa Ir!” que consistiu no lançamento simbólico de balões com mensagens alusivas ao período de pandemia em que vivemos e às dificuldades do confinamento.
Apesar dos balões serem biodegradáveis, a organização entendeu que estes não deveriam ser soltos e sim que cada um levasse o seu para casa.
O colectivo é formado por Carol Peres, Bianca Dorini e Deisei Côrrea (alunas do mestrado de Gestão Cultural da ESAD-CR) e Nicola Henriques (Silos Contentor Criativo).
Foi também lido o seguinte manifesto, da autoria de Bianca Dorini:
"Estamos vivenciando um momento de morte de antigos modelos e o nascimento de uma nova Era, de um novo conceito de normalidade. Neste tempo de pandemia mundial, nós, um coletivo cultural-criativo, percebemos a ânsia humana por relações sociais que ultrapassassem os limites das telas, da internet e da tecnologia. É o anseio pelo analógico. O ser humano é um ser social por excelência e, por isso, não deixará de se relacionar, mesmo em tempos de confinamento social. O nosso desejo de estar é permanente e é o que nos estabiliza emocionalmente.
A cultura, seja qual for a sua dimensão, é produtora de sentidos, afetos e empatia, sobretudo. Associada à criatividade e respeitando as regras de saúde (distanciamento e uso de equipamentos de segurança como luvas e máscaras), é a forma basilar de condução do cidadão a essa nova realidade. O estímulo à capacidade de sorrir, ao descanso mental e à cooperação social neste mundo trágico e caótico é o que nos dá forças para seguir em frente com uma pontinha de esperança no futuro. Parafraseando a máxima explorada na propaganda do Turismo do Centro de Portugal: "A vida é agora!".
"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" (Lavoisier)
Acreditando que em períodos como este, críticos, é preciso retornar à simplicidade, ao que é elementar para que possamos enxergar as soluções e caminharmos em direção à transformação, neste manifesto defendemos o retorno da arte de rua, que nasceu da necessidade de comunicação como forma de expressão das vozes, muitas delas silenciadas por suas condições marginalizadas. Dizer com o corpo e com as palavras aquilo que se sente na intenção de encontrar no outro, no meio do povo, alguém com quem compartilhar exige coragem. É a exposição crua e direta, sem intermediação. É risco.
A pandemia de 2020 nos têm exigido refletir sobre nossos modos de produção, consumo e acesso relacionados aos bens materiais, conhecimentos, conteúdos, experiências etc. O excesso, o acúmulo e a estocagem nos trouxeram à beira do abismo. A natureza já não consegue suportar a humanidade e as poucas iniciativas para tentar redimir nossa ação exploratória são abafadas, invisibilizadas e emudecidas. É preciso GRITAR, ativar a cidadania em prol do desenvolvimento humano harmonioso (entre si e com o meio ambiente) e da inovação social. Somos todos - Governo, mercado e sociedade civil - responsáveis. Partilhemos essa responsabilidade, porque os louros da vitória (ou as consequências da derrota) impactarão todas as vidas - humana, animal ou vegetal - sem exceção. Homens, mulheres, ricos, pobres, adultos, crianças, idosos, brancos, negros, índios, ciganos, latinos, africanos, americanos, europeus, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, transexuais, assexuais, humanos, cachorros, gatos, coelhos, bois, cavalos, galinhas, plantas, árvores, legumes, verduras, frutas, água: reduzidos, somos todos átomos, todos parte da mesma matéria e, portanto, é preciso equilíbrio, sustentabilidade, cooperação e comunidade.
Na intenção de que em 2035 estejamos vivendo a aurora de nossas vidas num mundo mais justo, igualitário, cidadão e socialmente ativo com o qual possamos nos identificar, precisamos agir AGORA. Comecemos já. "