19/07/2026
📍Dia de recordar Aristides Sousa Mendes (19 de julho de 1885 - 3 de abril de 1954), o cônsul que desafiou as ordens de Salazar, para salvar as vidas de 30.000 refugiados, durante a II Guerra Mundial
“A desobediência à Circular 14
No final do conflito mundial, Aristides reagiu ao castigo que lhe fora imposto pelo regime ditatorial, e escreveu à Assembleia Nacional, composta por deputados que pertenciam à União Nacional, explicando que as ordens assinadas por Salazar a que tinha desobedecido estavam diretamente em contradição com a Constituição de 1933, e configuravam uma violação do texto fundamental. O espírito desta reação estava de acordo com a manifestação de junho de 1940, na qual, confrontado com a força esmagadora do invasor n**i, declarou: «Não participo em chacinas, por isso desobedeço a Salazar.»
Esta frase foi vista e considerada pelo regime como uma inequívoca acusação a Salazar. Para Aristides, a ordem expressa na Circular 14, não permitindo que os cônsules de carreira passassem vistos de entrada em Portugal a refugiados, era uma ordem colaboracionista: «Participar em chacinas não era apenas praticá-las diretamente, bastava apenas impedir que as potenciais vítimas tivessem uma porta de saída do inferno em que se estava a tornar a Europa ocupada pelas forças n**is.
Foi a primeira vez (e talvez a única) em que um cidadão nacional, funcionário do Estado, falando de direitos humanos num regime totalitário, denuncia aos ‘representantes da Nação’ a violação da Lei Fundamental por parte do chefe do governo. Foi a 10 de dezembro de 1945 que a reclamação de Aristides foi apresentada na Assembleia Nacional. Nem um único dos 120 deputados teve a coragem e a dignidade de responder….Exatamente três anos depois, a 10 de dezembro de 1948, as Nações Unidas publicavam, em Nova Iorque a Declaração Universal dos Direitos do Homem.”
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in Aristides de Sousa Mendes - Memórias de um neto,
de António Moncada S. Mendes