24/05/2020
Pois é... e assim se chega ao fim dum ciclo.
É com enorme tristeza que chegámos à conclusão que iremos encerrar as portas do ABC Kid's e do ABC Student's.
Para se perceber melhor os motivos que nos levaram a tomar esta atitude, aqui f**a o texto que remetemos para os nossos clientes, o qual resume as razões e justif**a a decisão. Cá vai,
ASSUNTO: Encerramento de Estabelecimentos ABC.
Antes de mais, aqui f**am as nossas desculpas pela extensão do texto, mas atendendo ao assunto e à razão do mesmo, tal facto revela-se inevitável.
Como perceberão, grande parte deste texto reflete a posição da gerência da empresa Pretty Smile, Lda., cuja Sócia-Gerente – Ana Tibério – melhor personif**a. Uma outra parte reflete a posição, perfeitamente pessoal do Sócio da empresa – Paulo Grave.
Assim, vimos pelo presente informar que, ao fim de mais de uma década a prestar um serviço às nossas crianças e, porque não dizê-lo, à nossa Sociedade, quer no ATL “ABC Kid's" em S. Francisco, quer no Centro de Estudos “ABC Student's" em Alcochete, também nós vamos “atirar a toalha ao chão” e partir para outros projetos.
Encerraremos no final de junho, proporcionando até lá todos os nossos serviços nos atuais moldes e com o mesmo valor de mensalidade.
Aos que continuam connosco e pretendam acompanhar-nos neste último mês, será para nós uma honra.
Sempre tentámos que o nosso funcionamento se pautasse pelos mais elevados princípios de qualidade e respeito por todos os que viram em nós um “complemento”, quer no que diz respeito à componente letiva, quer no que concerne à vertente familiar dos seus educandos.
Foram muitos anos a conviver com o que de mau e muito bom caracteriza as pessoas. E sobre este aspeto, referimo-nos mais concretamente aos adultos, aos pais, aos encarregados de educação, até porque, das nossas crianças, só temos boas recordações e memórias de grandes momentos.
O que nos leva a tomar esta decisão de encerrar os espaços que geríamos são essencialmente as seguintes razões:
1 - As restrições com que vamos ter que conviver nos próximos tempos, torna totalmente inviável, do ponto de vista económico, o funcionamento dos estabelecimentos;
2 - A conjuntura económica que se perspetiva não permitirá que se venham a praticar valores de mensalidades adequados à sustentabilidade dos espaços;
3 - Não vemos como hipótese incumprir com as diretrizes de restrição que vão ser impostas para viabilizar economicamente os estabelecimentos, como, estamos em crer, muitos outros o farão;
4 - Existe um desgaste enorme ao nível da gestão decorrente da dificuldade de estabilização de equipas de colaboradores e daquela que, para nós, foi a maior surpresa de todas – a má-formação, a arrogância, a prepotência, a intolerância de alguns, demasiados, pais – NÃO, O CLIENTE NÃO TEM SEMPRE RAZÃO.
Sobre cada um dos pontos anteriores importa referir o seguinte:
PONTOS 1 e 2 (conjuntura económica)
Os estabelecimentos encontravam-se dimensionados para um determinado número de crianças, número esse que permitiu estabelecer valores de mensalidade, ajustados a um valor mínimo que, na maioria dos meses, permitia fazer face aos encargos existentes (rendas, empréstimos, vencimentos, impostos, manutenção, outros…). Nalguns meses a faturação pecava por defeito.
As restrições que se perspetivam, e como não somos uma companhia aérea, nem um partido político, são para cumprir. E atendendo à salvaguarda das nossas crianças, esse cumprimento seria sempre para nós um “ponto de honra".
Com a capacidade dos estabelecimentos reduzida a menos de metade, ao que acresce o aumento de despesas em limpeza, desinfeção, consumíveis, etc, faria com que a viabilidade económica apenas fosse assegurada praticando valores de mensalidade substancialmente mais elevados, cujos encarregados de educação não podem ou não quererão pagar.
PONTO 3 (diretrizes de restrição e concorrência)
Orgulhamo-nos de sempre ter cumprido com os aspetos legais que se encontram na base da regulamentação deste tipo de atividade. E chegámos a ser alvo de denúncias (infundadas e caluniosas) por parte da concorrência. Podíamos ter agido de forma semelhante, no caso, com fundamento e razão para tal. Nunca o fizemos.
Sobre este aspeto é curioso perceber que muitos pais regateiam a mensalidade ao mais ínfimo pormenor, ameaçando levar os seus filhos para outro estabelecimento apenas com o argumento de ser mais barato… 5€. É triste perceber que o bem-estar dos seus filhos é secundário, revelando-se mais importante uma diferença ridícula da mensalidade. A qualidade e a segurança parecem não interessar.
E existem outros estabelecimentos em que a segurança parece relegada para segundo plano, bastando dar como exemplo o transporte de crianças que disponibilizam como “mais um serviço”, o qual é proporcionado em viaturas sem condições para o efeito e com condutores sem a devida habilitação. Nada disto parece interessar a certos pais… o que conta é a mensalidade, como se da compra dum qualquer bem se tratasse, como se não se estivesse a tratar daquilo que será o bem mais precioso – os nossos filhos.
E é este tipo de postura que nos leva a crer que outros espaços abrirão portas, tentando maximizar capacidades de ocupação, eventualmente à margem das recomendações impostas, perspetivando obter a necessária viabilidade económica.
Não nos revemos neste tipo de atuação.
PONTO 4
"Equipas de colaboradores"
Quem tem a coragem de gerir um negócio, cedo se apercebe que a estabilização de equipas de pessoal se apresenta como um desafio, nalguns casos titânico, capaz de provocar desgaste no mais resiliente dos gestores.
Foram vários os colaboradores que, por uma razão ou por outra, trabalharam connosco, havendo a registar, como em tudo na vida, experiências muito positivas, mas também algumas deceções. Sabemos que é mesmo assim.
A qualidade que sempre defendemos para os nossos espaços obrigavam a que fossemos exigentes sobre este aspeto. E hoje em dia, e apesar da conjuntura económica que passámos num passado recente e a que se adivinha, é difícil, muito difícil, encontrar quem queira trabalhar, trabalhar com o rigor que, neste ramo, se impõe.
Como referido, tivemos o privilégio de contratar grandes profissionais mas também tivemos exemplos de contratações que viriam a revelar-se dececionantes. A má-formação, a arrogância e a falta de humildade de certas pessoas, foi mais uma experiência vivida nestes anos de atividade.
A dificuldade de estabilização de equipas, que, só por si, não seria relevante, quando associada a um vasto conjunto de outros aspetos, acaba por contribuir para um desgaste da equipa gestora.
PONTO 4
"Clientes"
Pois… O cliente não tem sempre razão.
E para perceber este facto, muitos deveriam ter a oportunidade de gerir um negócio e lidar com clientes.
Em muitos casos é preciso ter um grande estômago… Enorme.
Importa no entanto esclarecer que o referido seguidamente, felizmente, aplica-se apenas a uma minoria dos encarregados de educação.
E é aqui precisamente que a opinião expressada deverá, como compreenderão e conforme referido no início, ser entendida como da inteira e exclusiva responsabilidade do Sócio da empresa – Paulo Grave.
“Permitam-me que sobre o aspeto em causa (o cliente), manifeste a minha opinião, sem quaisquer pretensiosismos, relativamente à postura da pessoa que mais diretamente lidou com esta problemática – A minha Mulher, a Ana Tibério.
Foram inúmeras as vezes em que a má-formação, a arrogância, a prepotência, a intolerância de alguns encarregados de educação a deixou, literalmente, de rastos. Eu sei, eu presenciei.
E contrariamente a alguns conselhos que lhe cheguei a dar, sempre teve o cuidado de guardar para si (e não passar para o cliente, o tal que acha que tem sempre razão) a angustia, a revolta que determinadas posturas inevitavelmente lhe geraram. Tinham que gerar. E a sua própria saúde ressentiu-se.
Quem a conhece minimamente sabe que o seu comportamento sempre se baseou mais no sentimento do que na razão. É assim por natureza. E para a atividade que geria, diria mesmo que era fundamental que assim fosse.
Várias foram as vezes em que a “pressionei” para saber qual o cliente que, do alto da sua suprema e inquestionável sabedoria e sapiência, tinha perpetrado esta ou aquela ação (descabida, totalmente insensível) para que, “coração ao largo”, eu próprio tentasse trazê-lo à razão ou, em certos casos mesmo, dizer-lhes pessoalmente que NÃO, NÃO SÃO BEM-VINDOS CLIENTES ASSIM NOS NOSSOS ESPAÇOS. Nunca o fez, preferiu “engolir os sapos” todos. Foi, com a devida vénia, GRANDE, MUITO GRANDE.
Aquela má-formação, aquela arrogância, aquela prepotência, aquela intolerância, desgastam, desgastam muito, principalmente a quem tudo faz para proporcionar que as crianças, todas elas, os filhos daqueles clientes, desfrutem dum serviço de qualidade para o qual pagam pouco mais de 5€ por dia, por várias horas, por um serviço especializado. Por um serviço que complementa os valores da escola e os valores da família.
Deixei de tentar perceber o que move certas pessoas.
Vivem-se tempos de intolerância, até para com as instituições que ajudam na formação dos adultos de amanhã, que, nalguns casos, colmatam a educação que deveria ser providenciada, em casa, pela família.
O civismo, a tolerância, a humildade, o bom senso, a educação, são qualidades / características aparentemente desconhecidas de alguns, muitos.”
E é por tudo isto que (agora já na qualidade de gerentes da empresa) concluímos: NÃO VALE A PENA!!
Agradecemos profundamente a quem acreditou em nós e que nos apoiou.
Esperamos sinceramente ter contribuído para formar crianças melhores e mais preparadas para a vida futura que, desejamos do coração, seja repleta de conquistas, vitórias, valores.
Pedimos desculpa a todos pelas nossas falhas (sim, sabemos que as tivemos – a perfeição é algo com que apenas se pode sonhar).
Para a maioria de vós despedimo-nos com um “ATÉ JÁ”.
A outros, como já perceberam, é mesmo um “ADEUS E … CUREM-SE” (esta parte também é minha – Paulo Grave).
A Gerência