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INHAMBANE E MAXIXE, DUAS MARGENS DE UMA SÓ HISTÓRIAHá cidades que se explicam pelas suas ruas, outras pelos seus edifíci...
27/09/2026

INHAMBANE E MAXIXE, DUAS MARGENS DE UMA SÓ HISTÓRIA

Há cidades que se explicam pelas suas ruas, outras pelos seus edifícios, pelos mercados ou pela multidão que nelas passa.

Inhambane explica-se de outra maneira. É preciso levantar os olhos para compreendê-la. Talvez por isso lhe assente tão bem a palavra céu. Não porque o seu céu seja mais azul que os outros, nem porque a paisagem seja simplesmente mais bonita, mas porque a serenidade, a tranquilidade, a paz e a harmonia da cidade lembram, metaforicamente, o paraíso que a imaginação humana coloca lá no alto, entre anjos e silêncio.
Há em Inhambane uma calma que parece escapar à pressa do mundo, como se a cidade tivesse aprendido a envelhecer sem perder a doçura. É nesse estado de repouso, mais sentido do que explicado, que está o seu céu.

A história ajuda a compreender essa personalidade. Inhambane já era um importante povoado mercantil chefiado pelo líder Nyambi quando Vasco da Gama ali aportou e desembarcou, em Janeiro de 1498, encontrando uma população cuja hospitalidade esteve na origem da célebre designação de “Terra da Boa Gente”.
Em 1534, os portugueses estabeleceram ali um entreposto comercial; em 1761, a povoação foi elevada a vila e, em 1956, a cidade.
Maxixe, terra do régulo Matsitse, na margem oposta da baía, desenvolveu-se posteriormente, ligada à expansão dos postos militares e comerciais da região no século XIX, tornando-se vila em 1964 e cidade em 1972. Assim, embora separadas pela água, a história de uma dificilmente pode ser contada sem a presença da outra.

Inhambane tem qualquer coisa de suspenso entre a terra e o mar. As suas ruas antigas, as árvores, as casas de outros tempos, o cheiro salgado que chega da baía e a luminosidade que se espalha sobre a cidade dão ao lugar uma atmosfera peculiar. Não é apenas uma cidade junto à água; é uma cidade que vive de frente para ela, como quem contempla o próprio reflexo.
E, do outro lado, está Maxixe, Imponente.

Se Inhambane parece conversar demoradamente com o passado, Maxixe transmite a energia de quem acorda cedo e tem sempre algum lugar para chegar. O comércio, os transportes, os mercados, as embarcações e o movimento de pessoas dão-lhe um ritmo diferente.

Uma parece guardar o silêncio; a outra, o movimento.

É curioso como duas cidades tão próximas podem produzir sensações tão diferentes. Maxixe é passagem, encontro e partida. Por ela circulam pessoas vindas de diferentes pontos de Inhambane e de outras regiões do país, num movimento alimentado pela estrada, pelo comércio e pela baía. Inhambane, ao contrário, parece pedir ao visitante que abrande. Caminhe sem pressa, observe as árvores, repare nas ruas antigas, sinta a brisa que atravessa a cidade e olhe para a baía. É como se ali algumas coisas só pudessem ser compreendidas quando sentidas pela alma.

E talvez seja por isso que Inhambane não conquiste todos de imediato, Seduza devagar. Não exija admiração, conquiste-a aos poucos, através de pequenas coisas.Maxixe, do outro lado da baía, é a outra metade desse cenário.
A água não as separa completamente; pelo contrário, estabelece entre elas uma espécie de diálogo permanente. Maxixe olha para Inhambane, enquanto Inhambane olha para Maxixe. Uma observa a outra como duas cidades que, apesar de diferentes, aprenderam a existir dentro da mesma paisagem.

Quando o dia começa a cair, a luz atravessa a baía, as duas margens ganham lentamente os tons do entardecer e, por alguns instantes, Inhambane e Maxixe deixam de parecer duas cidades distintas para se transformarem numa única paisagem.

Inhambane não precisa competir com Maxixe, nem Maxixe precisa imitá-la. Cada uma encontrou a sua maneira de existir. Porque há cidades feitas para serem atravessadas, outras feitas para serem lembradas. Inhambane parece ter sido feita para ser contemplada. E talvez Maxixe, do outro lado da baía, seja a sua melhor testemunha.
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27/09/2026

Finalmente, após os desígnios da viagem haverem cumprido o seu curso e me restituído ao aconchego do lar, eis-me novamente entre as paredes onde as palavras encontram morada. Refeito o encontro com o meu instrumento de escrita e desfeito o breve silêncio que me foi imposto pelas circunstâncias, dentro de instantes voltarei a depositar nesta página mais um texto, na esperança de que estas palavras encontrem, como sempre, guarida na vossa leitura e companhia.

26/09/2026

Um agradecimento especial aos meus novos fãs em ascensão! Jota Jota Muianga, Manuel Montes, Marlon Naiene, JMserviços Lda, Paulino Da Cruz

21/09/2026

Por força dos inexoráveis imperativos do serviço, que ora me levam a terras outras, encontro-me em viagem e, não tendo comigo o instrumento de que me sirvo para dar corpo e existência às palavras, o meu computador portátil, ficar-me-á vedada, até ao próximo domingo, a publicação dos textos que, com assiduidade, venho depositando nesta página.

Pelos dissabores e eventuais transtornos que semelhante contingência possa ocasionar, curvo-me em escusa e imploro a vossa indulgência.

20/09/2026

Uma menção especial aos mais novos superfãs! Joaquim David Chipanga, Isac Mesa Bero Donco, Helder Enrique Pacate, Angelo Júlio Chengeranaio, Elton Pedro Silva, Wil Son Simbine, John Coelho, Carla Chico Bene, Simangel Tembe Tembe, Jone Tome Filipe Chunga, Dizzy Lino Noveche, Clivio Gaio, Lúcia Cacoa, Fra Nce, Kaiton A Goba, Manuel Bola, Rogerio Carlos Maessa, Marcelino António Simão, Ana Paula, Raùl Pedro Muera, Otall Mecânico Della's, Elizabeth Bethânia Nhapambo, Lura Cátia Agostinho, Inácio Vunzane Domingos, Damian Lumbela Júnior, Gilda Isabel Horacio, Sérgiio Törrës, Jorcio Cota Mata, Dalton Castelo Waka Nhantumbo, Elias Viramão, Celsa Armando, Joao Artur, Biassone Júnior, Otsulo Wa Carôa, Adelia Banze Banze, Elsa R Bote, Malova Machava, Olêncya Vilanculo, Campira Siquião Campira, Araújo Alberto Braga, Jaimito Júlio, Benny Formosa Formosa, Rosario Dauto, Dornete Maene, David Donquene, Elizabeth Chiomba, Mizar Mindo, Edgar Alberto Chissano, Josia Sibanda, Nelson Manhique

18/09/2026

Um agradecimento especial aos meus novos fãs em ascensão! David De Andrade, Luísa Manjara, Jota Jota Muianga, Manuel Montes, Marlon Naiene, JMserviços Lda, Patricio Macie, Paulino Da Cruz, Bia Bianca Macandza, Albertino Da Graça

QUANDO A TERRA NÃO ACEITA O DESRESPEITO PELA TRADIÇÃO LOCALEm 1917, o céu de Moçambique ainda não conhecia asas portugue...
18/09/2026

QUANDO A TERRA NÃO ACEITA O DESRESPEITO PELA TRADIÇÃO LOCAL

Em 1917, o céu de Moçambique ainda não conhecia asas portuguesas.

No extremo norte, em Mocímboa da Praia, a guerra contra os alemães havia levado homens, armas, cavalos, mantimentos e uma novidade que parecia saída de um sonho: aviõe. Os três Farman F.40 da Esquadrilha Expedicionária a Moçambique tinham atravessado o mar por navio e, depois de desembarcados, tiveram de ser transportados em caixas, à mão, até Mahunda, no planalto de Mueda, onde a pista e a base haviam sido preparadas.

Portugal havia entrado numa guerra que, no norte de Moçambique, rapidamente revelaria as limitações da sua máquina militar diante de uma potência europeia organizada. Os confrontos com a Alemanha começaram ainda em 1914 e, depois da entrada oficial de Portugal na Primeira Guerra Mundial, em 9 de Março de 1916, a campanha ganhou outra dimensão. Em Novembro de 1917, na Batalha de Negomano, as forças alemãs de Paul Emil von Lettow-Vorbeck impuseram uma pesada derrota às tropas portuguesas e, aproveitando a fragilidade da defesa, avançaram pelo norte e centro de Moçambique, deixando atrás de si desorganização, falta de provisões e sofrimento entre as populações.

Foi nesse ambiente de guerra e de pressa para demonstrar que Portugal também podia dominar os céus africanos que chegou a Moçambique o jovem alferes Jorge de Sousa Gorgulho, com apenas 22 anos, encarregado de testar os aviões de guerra recém-montados. A máquina era nova, a missão era urgente e o orgulho militar queria resultados.

Gorgulho não vinha apenas para ver o avião. Era piloto. E, naquele momento, era o homem encarregado de testar a aeronave e a pista.

O cenário devia parecer estranho até para quem o contemplava com olhos de europeu. De um lado, a terra africana, as árvores, o calor, os homens que trabalhavam na preparação da base e uma população que nunca tinha visto uma máquina daquele tamanho desafiar o chão. Do outro, uma aeronave de madeira, tecido, metal e motor, trazida da Europa para transformar o céu africano num novo campo de guerra.

Finalmente, em 7 de Setembro de 1917, o motor rugiu.
O Farman começou a correr. Depois, lentamente, deixou o chão.

Naquele instante, Gorgulho entrou para a história. Era o primeiro piloto português a realizar um voo em Moçambique. Para os militares portugueses, era uma demonstração de modernidade e capacidade. Para quem assistia no chão, provavelmente era outra coisa: uma enorme máquina que, contra tudo aquilo que os olhos conheciam, conseguia levantar-se da terra e permanecer no céu.

O primeiro voo correu bem.

E talvez seja precisamente por isso que o dia seguinte tenha ficado tão marcado pela tragédia.

Em 8 de Setembro, Gorgulho voltou a entrar no avião. Durante o voo, o aparelho entrou em perda, caiu e incendiou-se. O jovem piloto sofreu ferimentos graves e morreu algumas horas depois. Assim, praticamente no espaço de um dia, passou de pioneiro a primeiro aviador português morto em território africano.

E foi então que nasceu uma pergunta que atravessou o tempo.
"Como podia um avião novo ter falhado?"

Os Farman F.40 tinham vindo da Europa para a expedição e dois mecânicos franceses da própria casa Farman acompanhavam a esquadrilha. A montagem fazia parte do trabalho técnico da expedição, e Gorgulho tinha a responsabilidade de testar os aparelhos e a pista.

Mas a pergunta permanece: se a máquina era nova, se tinha sido preparada por especialistas e se o próprio piloto acompanhava os ensaios, onde estava exactamente o problema?

Foi aí que a explicação técnica encontrou uma explicação muito mais antiga.

Porque, segundo uma tradição oral associada ao episódio, havia uma coisa que os portugueses tinham esquecido.

Tinham chamado mecânicos.
Tinham chamado militares.
Tinham preparado a pista.
Tinham montado o avião.
Tinham feito tudo aquilo que a ciência e a técnica europeias mandavam fazer.

Mas não tinham chamado o régulo.

Não tinham chamado o homem que, segundo a tradição local, era o dono simbólico daquela terra, aquele a quem caberia apresentar os visitantes ao chão antes que nele se fizesse algo extraordinário.

Não houve cerimónia tradicional.
Não houve pedido de licença aos antepassados.
E a terra, diz a tradição, não gostou.

No primeiro dia, tolerou.
No segundo, respondeu.

O avião que havia chegado para anunciar a modernidade portuguesa ao céu de Moçambique caiu em chamas, e o homem que primeiro o fizera voar sobre o país não chegou a desfrutar sequer de um segundo dia completo como pioneiro.

A história oficial procurou a resposta no avião, no motor, na perda de velocidade e nas condições do voo. A história local apontou a tradição como única resposta para o sucedido.

Mas talvez seja justamente essa combinação que torna o episódio tão moçambicano.

Porque uma terra não é apenas um pedaço de chão onde se instala uma pista.
Para quem nasceu nela, a terra tem donos, histórias, espíritos, regras e memória.

E talvez a velha tradição tenha guardado o episódio precisamente para fazer uma pergunta que a aviação, a engenharia e os relatórios militares nunca conseguiram apagar: "antes de fazer uma máquina estrangeira levantar voo sobre uma terra que não conhece, alguém se lembrou de pedir licença a quem conhece a terra?"

Gorgulho entrou para a história como o homem que abriu o céu de Moçambique à aviação militar portuguesa.
E, no dia seguinte, a mesma terra que o viu subir viu-o descer para sempre.

A técnica explicou a queda.
A tradição explicou o aviso.

E entre as duas versões ficou uma história que, há mais de um século, continua a fazer a mesma pergunta: e se o primeiro erro não tivesse acontecido no avião, mas antes de ele levantar voo?
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17/09/2026

Uma menção especial aos mais novos superfãs! Joaquim David Chipanga, Isac Mesa Bero Donco, Helder Enrique Pacate, Angelo Júlio Chengeranaio, Elton Pedro Silva, Wil Son Simbine, John Coelho, Carla Chico Bene, Zeca Fernando Costa, Simangel Tembe Tembe, Jone Tome Filipe Chunga, Dizzy Lino Noveche, Clivio Gaio, Miyumbo Mate, Lúcia Cacoa, Fra Nce, Kaiton A Goba, Manuel Bola, Rogerio Carlos Maessa, Marcelino António Simão, Ana Paula, Raùl Pedro Muera, Otall Mecânico Della's, Elizabeth Bethânia Nhapambo, Benilde Gigueira, Lura Cátia Agostinho, Inácio Vunzane Domingos, Damian Lumbela Júnior, Gilda Isabel Horacio, Sérgiio Törrës, Tomas Jorge Tomas, Jorcio Cota Mata, Dalton Castelo Waka Nhantumbo, Elias Viramão, Celsa Armando, Joao Artur, Osvaldo Guiambe, Biassone Júnior, Calista Da Glória Mathe, Otsulo Wa Carôa, Lack Kent, Adelia Banze Banze, Jairosse Saide Ciro Ciro, Elsa R Bote, Malova Machava, Olêncya Vilanculo, Campira Siquião Campira, Araújo Alberto Braga, Jaimito Júlio, Benny Formosa Formosa

INHACA, A ILHA QUE FICOU COM O INGLÊS E O MAC-MAHONA Inhaca nunca foi uma ilha tão pequena quanto parece no mapa. À entr...
13/09/2026

INHACA, A ILHA QUE FICOU COM O INGLÊS E O MAC-MAHON

A Inhaca nunca foi uma ilha tão pequena quanto parece no mapa. À entrada da Baía de Maputo, a sua posição despertou cedo a cobiça dos europeus, primeiro pelo comércio e depois pela importância estratégica. No século XIX, portugueses e britânicos chegaram mesmo a disputar a sua posse, numa pendência que se arrastou durante décadas. Em 1861, os britânicos chegaram a declarar a Inhaca e a Ilha dos Elefantes como território britânico, mas os nativos, os verdadeiros donos, estavam só assistindo a disputa de dois inquilinos.

Portugal não gostou da brincadeira. Os britânicos também não queriam desistir. Como nenhum dos dois parecia disposto a sair da discussão, decidiram entregar o problema a um terceiro: o presidente francês Marie Esme Patrice Maurice de Mac-Mahon ou simplesmente Patrice de Mac-Mahon.

Em 24 de Julho de 1875, Mac-Mahon decidiu a favor de Portugal.

E foi assim que a Inhaca voltou para os portugueses, depois de tantos anos de namoro político com os britânicos. Só que há coisas que uma arbitragem consegue devolver e outras que não consegue apagar.

Os ingleses foram embora, mas talvez tenham deixado alguma coisa pelo caminho.

O gosto pela língua inglesa, por exemplo.
Os jovens de Inhaca têm habilidades e fluência em língua inglesa que até dá cobiça.
Hoje, é possível encontrar jovens da Inhaca que transitam pelo inglês com uma naturalidade que quase permite imaginar que os britânicos, antes de abandonar a ilha, deixaram ali um último presente: Good morning, Inhaca!

Mas os franceses também não saíram dessa história de mãos vazias.

O homem que decidiu o destino da ilha acabou, ironicamente, emprestando o nome a uma das cervejas mais famosas de Moçambique: a 2M, de Mac-Mahon. A homenagem nasceu precisamente da decisão arbitral que favoreceu Portugal.

E aqui está a graça da história: os ingleses disputaram a Inhaca, perderam-na na arbitragem e deixaram, na memória da ilha, a brincadeira de uma possível herança linguística. Mac-Mahon decidiu a favor dos portugueses e acabou, muitos anos depois, dentro das garrafas de cerveja dos moçambicanos.

Por isso, talvez um jovem da Inhaca possa explicar a sua história colonial da maneira mais simples: Os ingleses perderam a ilha, mas deixaram o inglês. Mac-Mahon resolveu a disputa e nós ficámos com a 2M.

E se alguém perguntar qual dessas duas heranças é mais forte, basta observar uma tarde na praia do farol da ilha.

O jovem fala inglês com fluência, pede uma Mac-Mahon e olha para o mar.
A História, essa, já não precisa de intérprete.
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13/09/2026

Uma menção especial aos mais novos superfãs! Joaquim David Chipanga, Isac Mesa Bero Donco, Helder Enrique Pacate, Angelo Júlio Chengeranaio, Elton Pedro Silva, Wil Son Simbine, John Coelho, Carla Chico Bene, Zeca Fernando Costa, Simangel Tembe Tembe, Jone Tome Filipe Chunga, Dizzy Lino Noveche, Clivio Gaio, Miyumbo Mate, Lúcia Cacoa, Fra Nce, Kaiton A Goba, Manuel Bola, Rogerio Carlos Maessa, Marcelino António Simão, Ana Paula, Raùl Pedro Muera, Otall Mecânico Della's, Elizabeth Bethânia Nhapambo, Benilde Gigueira, Lura Cátia Agostinho, Inácio Vunzane Domingos, Damian Lumbela Júnior, Gilda Isabel Horacio, Sérgiio Törrës, Tomas Jorge Tomas, Jorcio Cota Mata, Dalton Castelo Waka Nhantumbo, Elias Viramão, Celsa Armando, Joao Artur, Osvaldo Guiambe, Biassone Júnior, Calista Da Glória Mathe, Otsulo Wa Carôa, Lack Kent, Adelia Banze Banze, Jairosse Saide Ciro Ciro, Malova Machava, Olêncya Vilanculo, Campira Siquião Campira, Araújo Alberto Braga, Jaimito Júlio, Benny Formosa Formosa, Rosario Dauto

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