19/02/2026
Guerra na Ucrânia: neutralidade ou a favor de uma das partes?
Temos seguido, através dos meios de comunicação, as guerras actuais, na Ucrânia, Palestina, Irão e Israel. De forma isolada ou aberta, o que se nota são comentários tendenciosos a tomar partido de cada uma das partes. Por exemplo, a invasão do Iraque em 2003 foi uma violação clara da soberania iraquiana, e a intervenção militar na Líbia em 2011 resultou na morte do Coronel Moamar Kadaffi sem um julgamento justo.
Por um tempo, pensei que ter opinião era muito perigoso, imagine ser acusado de especialista na matéria? Mas o medo não é apoiar um lado e deixar o outro. A África já sofreu ocupação colonial e até agora ainda não se recuperou de estar sob a desvantagem da opinião pública daqueles tempos. Acredito que mesmo as instituições que deviam ter uma voz activa que condene os horrores do colonialismo tinham medo de expressar isso abertamente. Segundo o relatório da ONU, a colonização da África resultou na perda de mais de 100 milhões de vidas e na destruição de economias locais.
Naquele tempo de invasão, era justificável invadir um povo e tirar tudo, deixando só o sofrimento e a dor. Hoje, os horrores da história são cometidos e imediatamente justificados. A guerra na Ucrânia é um exemplo claro disso, onde a Rússia é acusada de agressão, mas também há quem argumente que a OTAN está a provocar a Rússia com a sua expansão para o leste.
As justificações são sempre as mesmas: deposição de regimes autoritários. Mas, de lá para cá, temos seguido comentários divergindo sobre o mesmo tema, acusando-se sobre quem tem direito a opinar ou não. Lê-se nos comentários que: porque a Rússia é agressiva, ela tem que parar a guerra. Porque a Ucrânia não quer a paz, por isso a guerra continua até hoje, porque a OTAN apoia a guerra, porque os EUA são a favor da guerra, pois saem mais fortalecidos e ganhando à custa das guerras.
A verdade é que os inocentes pagam um preço muito alto. E muita retórica nos parlamentos e conferências que não trazem soluções práticas e aplicáveis. O mundo desmorona-se por causa de uma simples discordância. O regresso ao armamento sempre foi um sinal de fraqueza e sempre será. O mundo é rico de matérias-primas e cada país tem o direito de exercer a sua soberania sobre elas.
Estas guerras são feitas na busca de hegemonia de poder, onde qualquer um que tem a mão no gatilho pode reagir. Hoje, as intolerâncias económicas, políticas, culturais e militares cresceram. Já não existe um estado frágil, qualquer um pode responder às provocações ao mesmo nível ou ao nível exacerbado. Segundo o Índice de Paz Global, o número de conflitos armados no mundo aumentou nos últimos anos.
Muitos dizem que os africanos tornaram-se bons entendedores da geopolítica. Eu acho que não existe um melhor entendedor de leis que um recluso. Os reclusos vivem a lei, sentem na pele o que é isso de lei, melhor que aqueles que vivem na liberdade e que nunca foram verdadeiramente confrontados contra a lei. Os negros no Ocidente, por exemplo, entendem muito o que é ser uma pessoa de cor, estudam muito a lei porque é da lei onde começa a sua liberdade, a lei controla toda a sua existência.
Não condeno se a maioria dos africanos não tem boas memórias com o Ocidente, isso vem do facto de que o Ocidente os colonizou. Mas essa não é nenhuma desculpa para não condenar ataques a qualquer soberania. A soberania é sobre com quem fazer negócios, aliar-se, o estado deve definir seus planos, desde que respeite a vida humana dos seus. As minorias étnicas dentro de um estado têm o direito de escolher e também ser escolhidos para decidir o seu futuro, sem imposição, mas com auscultação e firmeza.