23/12/2020
A todos os nossos clientes e amigos desejamos Festas Felizes e um 2021 de paz, saúde e muitas alegrias.
Fundação:
Criada a 28 de Dezembro de 1995 como Contacto, Serviços de Línguas, Lda., funciona agora como Contacto, Aulas e Traduções, S.U., Lda.
A Contacto é uma empresa moçambicana de prestação de serviços que se dedica ao ensino de português para estrangeiros e a cursos de aperfeiçoamento em língua portuguesa, personalizados ou para pequenos grupos, tradução, revisão e edição de textos em língua portuguesa. Com vinte anos de experiência acumulada, conta, no rol dos seus clientes, com diversas embaixadas, agências das Nações Unidas e outr
23/12/2020
A todos os nossos clientes e amigos desejamos Festas Felizes e um 2021 de paz, saúde e muitas alegrias.
10/12/2020
Parabéns, Mia Couto, um grande orgulho para todos nós!
MIA COUTO GANHA
PREMIO INTERNACIONAL DE LITERATURA 2020
Mia Couto venceu o prestigiado prémio de literatura Jan Michalski para o qual estavam nomeados grandes nomes da literatura mundial. O escritor moçambicano obteve o prémio com a Trilogia “As areias do imperador”, na sua tradução para a língua francesa e publicado pela editora francesa Editions Metaillé e na sua tradução para o inglês publicada nos Estados Unidos e em Inglaterra. A mesma obra foi publicada em português em Moçambique, Portugal e no Brasil.
Para o mesmo prémio que consagra os géneros da literatura, ensaio e poesia estavam nomeados autores mundialmente consagrados provenientes da França, Bélgica, Rússia, Ucrânia, Inglaterra, Estados Unidos, Polónia, Noruega, Vietnam e Portugal. Couto era o único autor africano. O outro candidato de língua portuguesa que figurava na lista de candidatos era o conhecido neurocientista António Damásio.
O prémio Jan Michaski foi instituído em 2010 e, em onze edições, esta é a primeira vez que um escritor africano foi premiado. Há dois anos a escritora vencedora foi Olga Tokarczuk que, meses depois, veio a ganhar o Prémio Nobel de Literatura.
Explicando a razão da escolha o júri referiu “a qualidade excepcional da escrita de Mia Couto, o modo como subtilmente mistura oralidade, e narrativa, cartas, fábulas, lendas, sonhos e crenças que, no conjunto, nos transportam para a realidade histórica de Moçambique colonial nos finais do século 19. Sem nenhum traço de maniqueísmo, o autor desenha com mestria o retrato de sedutores personagens que enfrentam a desumanidade da Guerra.”
Para o júri “o romance de Mia Couto é, ao mesmo tempo, uma saga histórica e uma narrativa encantador, um poderoso retrato de uma fascinante mulher, uma história de amor e humanidade. Com um idioma inventivo que é renovado pela terra africana e inspirado na sua singular poesia, o autor moçambicano questiona crenças, cria pontes entre mundos e apaga fronteiras numa meditação universal sobre a alteridade.”
O anúncio do prémio Michalski foi realizado ontem à tarde em Paris, numa cerimónia em que foram lidos extractos do livro e o autor dirigiu uma mensagem de agradecimento transmitida por via da internet.
03/12/2020
Neste número 31 da nossa revista, contaremos com Dennis W. Hearne, actual embaixador dos Estados Unidos da América em Moçambique, que nos falou em linhas gerais das relações entre os dois países e da sua visão para futuro. Convidámos também a participar o rapper Plutónio, cantor que é responsável por inúmeros hits de sucesso, com milhões de visualizações online, e o cineasta João Nuno Pinto, com o seu filme Mosquito. Leia estas e várias outras peças - cutt.ly/XonguilaEd31
20/11/2020
"A" OU "À", COMO ESCREVER (3) - AGRADECEMOS "A" VOSSA EXCELÊNCIA
Como sabemos, "à" = a (preposição) + a (artigo feminino).
Ora, "Vossa Excelência", e também "Sua Excelência", não admitem, em nenhuma circunstância, o uso do artigo. Assim, nunca podemos ter "à" antes dessas expressões. Temos apenas a preposição "a", quando o verbo a exige, como aqui acontece com o verbo "agradecer".
Agradecemos a Vossa Excelência o apoio que nos deu (certo)
Agradecemos à Vossa Excelência o apoio que nos deu (errado)
Eis uma prova de que não podemos usar o artigo com "Vossa Excelência":
A população gosta da Vossa Excelência (errado).
A população gosta de Vossa Excelência (certo).
(Fátima Ribeiro)
03/10/2020
Aqui está a nova edição da Xonguila, desta vez diferente, quase toda a preto e branco, mas, como sempre, com muita informação e belas fotos, e sempre a surpreender. Clique em bit.ly/XonguilaEd2A
25/09/2020
Foi há 20 anos que tivemos a maior alegria de sempre no domínio do desporto em Moçambique. Lurdes Mutola ganhava a primeira e única medalha de ouro conquistada por Moçambique nos Jogos Olímpicos até hoje. Foi em Sidney, tinha ela 27 anos de idade.
Nunca será suficiente o nosso reconhecimento a Lurdes Mutola por esse e pelos seus muitos outros grandes feitos. Ao longo da sua carreira como atleta, encerrada aos 36 anos de idade, Lurdes Mutola conquistou 25 medalhas de ouro em grandes competições internacionais.
20/09/2020
"A" OU "À", COMO ESCREVER (2) - DE SEGUNDA "A" SEXTA-FEIRA
Outra situação em que vemos frequentemente a escrita de “À” em vez de “A” em Moçambique é com os nomes dos dias da semana, por exemplo, na apresentação de horários de programas de televisão, de horários de trabalho, etc.
De segunda à sexta-feira (errado)
De segunda a sexta-feira (certo)
À = a (preposição) + a (artigo feminino). Assim, só se deve escrever “à” quando ‘por trás’ desta pequena palavra está o artigo “a”, para além da preposição “a”.
Ora, na expressão que estamos a analisar, tal como antes da palavra “segunda” temos apenas a preposição “de”, antes da palavra “sexta-feira” temos apenas a preposição “a”. Não havendo nenhum artigo “a”, o correcto é escrever-se DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA (sem acento), tal como se escreve “De segunda a sábado” e “De segunda a domingo”.
(Fátima Ribeiro)
14/09/2020
"A" OU "À", COMO ESCREVER (1) - CHEGOU "A" MAPUTO.
O erro provavelmente mais frequente em Moçambique na escrita em português é «À” em vez de “A”, ou o inverso, em diversos contextos. Irei abordar em diferentes postagens, de forma muito simples, alguns desses contextos, esperando assim contribuir para a sua correcção:
Chegou à Maputo (errado)
Chegou a Maputo (certo)
“À” representa a contracção da preposição “a” com o artigo “a”, e o artigo “a” é usado unicamente quanto o substantivo que o segue é feminino. Maputo não é uma palavra feminina, portanto, escreva sempre CHEGOU A MAPUTO (sem acento). Mas pode escrever, sim, CHEGOU À BEIRA (com acento), porque Beira é uma palavra feminina e, mesmo como nome da cidade, admite o artigo “a”.
Fátima Ribeiro
07/09/2020
25/06/2020
45 anos de Independência. Parabéns, Moçambique!
Hoje, 10 de Junho, é o dia em que se comemora Luís de Camões, o poeta maior da língua portuguesa, e, por essa razão, também Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Uma oportunidade para saudar os portugueses de todo o mundo, mas também para, através de um texto de Fátima Ribeiro, recordar estreitas relações entre Camões, os Lusíadas - sua obra-prima - e Moçambique.
OS LUSÍADAS: O AUTOR, A OBRA E MOÇAMBIQUE
Fátima Ribeiro
Porque imediatamente associado à expansão europeia e à colonização portuguesa, Camões foi praticamente ignorado em Moçambique nos primeiros anos após a proclamação da independência. Procurava-se, então, a todo o custo, "cortar o cordão umbilical com a pátria colonial", e acções como o derrube da estátua daquele que era considerado pelo próprio sistema o símbolo da pátria portuguesa, ou a sua omissão nos manuais escolares serviam perfeitamente aquele propósito. Não fosse o bom senso de alguns intelectuais que, embora timidamente, o introduziram no livro de Português da 10º classe em 1982, Camões seria em absoluto ignorado por várias gerações escolares, que deixariam de ter, entre os seus modelos de escrita, os clássicos portugueses: Endechas a Bárbara, Aquela triste e leda madrugada e Amor é um fogo que arde sem se ver são as três composições - todas elas politicamente inócuas - que naquele manual figuram. Muito faltava ainda para se poder tratar com à-vontade Os Lusíadas, a magna carta da língua portuguesa, mostrando a sua real beleza e valor.
Mas, como diz o poeta, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e, hoje, muitos dos ainda poucos moçambicanos que de alguma forma conseguem ter acesso ao livro e ao saber não escondem a sua vontade de conhecer um pouco mais de literatura portuguesa em geral, e dos clássicos em particular. Com Camões devolvido ao seu pedestal na llha de Moçambique a 12 de Agosto de 1990, por decisão do Conselho Executivo daquela cidade, estudado o poeta no ensino superior e tratado nos cursos de História da Literatura organizados pela UEM e pela Embaixada de Portugal em Maputo, pode-se finalmente lê-lo, saboreá-lo e enaltecê-lo (ou conscientemente criticá-lo, é claro) sem o risco de se ser considerado alienado ou assimilado. Ainda é, no entanto, francamente insuficiente o que se divulga do único dos grandes clássicos portugueses que com Moçambique manteve uma relação estreita e particular.
Por aqui certamente passou Luís Vaz de Camões quando, pobre e simples soldado, ia a caminho da Índia, ao serviço do rei, em 1552. Infeliz no Oriente, e ainda com maiores dificuldades que antes, para Moçambique veio, procurando melhor sorte, e neste solo viveu e escreveu parte do longo poema épico que o consagrou como poeta universal. De Moçambique falou, fazendo das suas terras e suas gentes, possivelmente pela primeira vez, motivo literário. Um pouco da nossa história levou, em diversos tempos, a todos os cantos onde foi lido.
As estrofes de Os Lusíadas que Camões dedica a Moçambique contam-se em algumas dezenas, e, curiosamente, quando tem início a narração da viagem de Vasco da Gama, é em águas de Moçambique que se encontram as naus, decorrendo entretanto, no Olimpo , o concílio dos deuses em que Júpiter resolve apoiar os marinheiros. Porque ocorrendo como primeiro momento de uma narrativa in media res que tantos lugares apresenta, e porque é aqui que f**a decidido o futuro dos portugueses, Moçambique ocupa, à partida, lugar de destaque no poema:
Enquanto isto se passa na fermosa
Casa etérea do Olimpo omnipotente,
Cortava o mar a gente belicosa
Já lá da banda do Austro e do Oriente,
Entre a costa Etiópica e a famosa
Ilha de São Lourenço e o Sol ardente
Queimava então os Deuses, que Tifeu
Co temor grande em pexes converteu.
Tão brandamente os ventos os levavam
Como quem o Céu tinha por amigo;
Sereno o ar e os tempos se mostravam
Sem nuvens, sem receio de perigo.
O promontório Prasso já passavam,
Na costa de Etiópia, nome antigo,
Quando o mar, descobrindo lhe mostrava
Novas ilhas, que em torno cerca e lava.
(Canto 1, estrofes 42 e 43)
E é assim que, pela voz de uma das suas personagens, Camões nos apresenta a Ilha de Moçambique e os seus habitantes, já naquela altura africanos e árabes:
"Somos (um dos das Ilhas lhe tornou)
Estrangeiros na terra, Lei e nação
Que os próprios são aqueles que criou
A Natura, sem Lei e sem Razão.
Nós temos a Lei certa que insinou
O claro descendente de Abraão ,
Que agora tem do mundo o senhorio,
A mãe Hebreia teve e o pai Gentio.
Esta Ilha pequena que habitamos
É em toda esta terra certa escala
De todos os que as ondas navegamos,
De Quíloa, de Mombaça e de Sofala.
E, por ser necessária, procuramos,
Como os próprios da terra de habitá-la;
E, por que tudo enfim vos notifique,
Chama-se a pequena Ilha: Moçambique. "
(Canto 1, estrofes 53 e 54)
Porque a presença portuguesa poderia pôr em causa os interesses dos árabes, e uma vez que estavam em contacto credos fortemente rivais na altura, a dura Moçambique torna¬-se palco de traições e brigas, e Camões considera-a terra de falsidade e má vileza (Canto V, estrofe 84). Quanto a Sofala, local que também serviu se porto aos marinheiros lusos, mas onde o poeta não se detém, o que se põe em evidência é o ouro (Canto V, estrofe 73), já nessa altura explorado pelos seus naturais. Mas o contacto humano volta a ser tema no Rio dos Bons Sinais:
E foi que, estando já da costa perto,
Onde as praias e vales bem se viam,
Num rio, que ali sai ao mar aberto,
Batéis à vela entravam e saíam.
Alegria mui grande foi, por certo,
Acharmos já pessoas que sabiam
Navegar, porque entre elas esperámos
De achar novas alguas como achámos.
Etíopes são todos, mas parece
Que com gente milhor comunicavam;
Palavra algua arábia se conhece
Entre a linguagem sua que falavam;
E com pano delgado, que se tece
De algodão, as cabeças apertavam;
Com outro, que de tinta azul se tinge,
Cada um as vergonhosas partes cinge.
[...]
Mui grandemente aqui nos alegrámos
Co a gente, e com as novas muito mais.
Pelos sinais que neste rio achámos
O nome lhe ficou dos Bons Sinais.
[...]
[...]
Dos hóspedes que tínhamos vizinhos,
Com mostras aprazíveis e jucundas,
Houvemos sempre o usado mantimento,
Limpos de todo o falso pensamento.
(Canto V, estrofes 75, 76, 78 é 79)
Aqui - em Quelimane - já não é com os árabes que os portugueses se encontram, mas com negros, entre os quais já há quem saiba rudimentos de árabe, língua que assumiu grande importância no contacto entre os portugueses e as populações das zonas por onde passavam. As pessoas não andam nuas, como posteriormente se vai verif**ar nos índios do Brasil: usam panos de algodão na cabeça e tangas, que tingem de azul. Têm contactos com outras civilizações e já conhecem a arte de navegar, utilizando barcos à vela. Entre portugueses e negros não há qualquer tipo de hostilidade. Pelo contrário, o que se regista é acolhimento e ajuda, para grande espanto e alegria daqueles. Contrapondo-se aos árabes da Ilha, os negros são agora vistos como seres puros, limpos de todo o falso pensamento.
Com o caminho marítimo para a Índia já descoberto, e de regresso triunfal a Portugal, os marinheiros são recebidos na Ilha dos Amores, onde a ninfa Tethys lhes mostra uma miniatura do universo e aponta os lugares onde os portugueses iriam triunfar:
Vê do Benomotapa o grande império,
De selvática gente, negra e núa,
Onde Gonçalo morte e vitupério
Padecerá, pola Fé santa sua.
Nace por este incógnito Hemisperio
O metal por que mais a gente sua
Vê que do lago donde se derrama
O Nilo, também vindo está Cuama .
Olha as casas dos negros, como estão
Sem portas, confiados, em seus ninhos,
Na justiça real e defensão
E na fidelidade dos vizinhos;
Olha deles a bruta multidão,
Qual bando espesso e negro de estorninhos,
Combaterá em Sofala a fortaleza,
Que defenderá Nhala com destreza.
(Canto 1, estrofes 75, 76, 78 e 79)
Uma vez mais se fala da existência de ouro e dos habitantes do actual Moçambique, com nova referência ao seu modo de vida e realçando a sua pureza e sentido de justiça. Embora considerados selvagens, reconhece-se a grandeza do seu império e o forte espírito combativo que possuem.
Num rico entrelaçar de realidade e ficção, cristianismo e paganismo, Camões expõe em toda a obra, uma visão da média nobreza, camada social a que pertencia: é uma visão ligada à guerra, à espada, e o que nela sobressai são os feitos dos capitães, dos guerreiros, dos cavaleiros portugueses. Camões é um homem do seu tempo, da sua época, que veicula uma ideologia própria do Portugal do século XVI.
Mas, verdade seja dita, Camões também criticou o que lhe pareceu mal, como o desprezo pelas letras, a sede do ouro, o procedimento de alguns reis e o modo de vida inútil dos que se deixavam f**ar pelo conforto da corte, o comportamento de clérigos que, em vez de rezar ou missionar, se dedicavam a satisfazer as suas ambições, e os que se envolveram na expansão apenas contentar o rei e roubar. Ao longo do poema, o poeta assume o papel de uma consciência moral, preocupando-se com a justiça no poder e colocando-se ao lado dos que sofriam a injustiça e a opressão. Aqui f**am alguns dos seus versos, sempre belos e actuais:
[ ... ]
Veja agora o juízo curioso
Quanto no rico, assi como no pobre,
Pode o vil interesse e sede immiga
Do dinheiro, que a tudo nos obriga.
Este rende munidas fortalezas;
Faz tredoros e falsos os amigos;
Este a mais nobres faz valer vilezas,
E entrega capitães aos inimigos;
Este corrompe virginais purezas,
Sem temer de honra ou fama alguns perigos;
Este deprava às vezes as ciências,
Os juízos cegando as consciências;
Este intrepreta mais que sutilmente
Os textos; este faz e desfaz leis;
Este causa os perjúrios entre a gente
E mil vezes tiranos torna os Reis.
Até os que só a Deus omnipotente
Se dedicam, mil vezes ouvireis
Que corrompe este encantador, e ilude;
Mas não sem cor, contudo de virtude .
Já é tempo de, sem preconceitos, darmos valor a quem de facto o tem. E, se aqueles que conseguiram inscrever o seu nome entre os grandes das artes e das letras algo tiverem a ver com Moçambique, maior é a razão para o fazermos.
(in Português em Cordel n° 6, Março de 1996, pp 5-8, Maputo: AMOLP)