Nunca te esforces para seres o que não és. O talento surge de forma natural. De repente tu sabes fazer algo de forma extraordinária sem esforço, as pessoas vão notar isso e tu vais te assustar enquanto és famoso.
Valentim Sambo
Sou professor e MC. Sou muito apaixonado pela comunicação social. Gosto de escrever e ler.
O plano que te surge depois de pegares o dinheiro é do diabo. O de Deus é o que tiveste antes do dinheiro.
A proliferação das Instituições de formação de saúde privadas está a prejudicar o sector de saúde em Moçambique.
Nos últimos anos há muita procura pelos cursos de saúde por parte dos estudantes graduados da 10ª e 12ª classes em Moçambique. Existem instituições de saúde públicas como ISCISA para o ensino superior e ICS para cursos médios. Muitos graduados do ensino básico e médio têm procurado ingressar nesses institutos para darem seguimento às suas carreiras profissionais na saúde. No entanto, muitos concorrentes acabam não conseguindo ingressar devido à limitação de vagas.
Assim, há cada vez mais institutos de formação privados com foco em cursos de saúde em Moçambique, o que leva muitos graduados que não conseguem ingressar nas instituições de Estado a se inscrever neles.
As instituições de formação de saúde privadas surgem como uma oportunidade de negócio, não como uma resposta à falta de profissionais de saúde nas instituições de Estado. O Estado forma, anualmente, muitos técnicos de saúde através das instituições públicas, mas nem todos conseguem ter uma colocação devido à insuficiência de vagas de emprego nos hospitais ou centros de saúde públicos. Portanto, o surgimento das instituições privadas de formação em saúde não vem responder nenhuma demanda. Em contrapartida, elas vêm prejudicar o sector de saúde. Qualquer um que pretenda fazer um curso de saúde, mesmo sem vocação, matrícula-se num desses institutos, sem precisar de fazer algum exame diagnóstico, basta que tenha dinheiro. Mesmo para passar cadeiras ou finalizar o curso, há relatos de que os formandos devem pagar algum valor, tendo conhecimento ou não. Obviamente, este facto suscita dúvidas sobre a qualidade dos formandos/formados desses institutos.
O facto de os formandos desses institutos privados fazerem estágios em centros de saúde públicos, prejudica, sobremaneira, o sector de saúde. Vezes sem conta utentes ou pacientes têm sido atendidos por estagiários que não têm experiência. Há pessoas que relatam que muitos técnicos de saúde só vão ao trabalho para assinar o livro do ponto. A maior parte do trabalho é realizado por estagiários sem nenhuma assistência dos técnicos quadros experientes.
O outro facto que prejudica o sector de saúde é que no ingresso para o provimento das vagas de técnicos, os critérios de seleção não têm sido claros. Há relatos de corrupção no âmbito da seleção. Os concorrentes selecionados têm sido aqueles que pagam algum dinheiro ou parentes dos funcionários, sem observação das suas competências.
Portanto, um funcionário que tenha feito curso num instituto de saúde privado, onde para passar teve que pagar dinheiro e para ingressar no sector de saúde teve que pagar, também, ou ingressou porque é familiar de um funcionário, infelizmente é corrupto e/ou não tem competência. É por esta razão que, nos centros de saúde ou hospitais públicos, aquele que não subornar um funcionário pode não ter acesso ao atendimento com atenção.
O governo, querendo, pode acabar com essas instituições, porque não trazem nenhum benefício ao país. Muitos jovens estão a ser burlados nesses institutos, pois as propinas não são acessíveis; para passarem devem pagar, e; para terem certificados também pagam caro.
09/02/2023
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