17/09/2026
CHISSANO E DHLAKAMA: DAS NEGOCIAÇÕES DE PAZ ÀS PRIMEIRAS ELEIÇÕES MULTIPARTIDÁRIAS DE 1994
Após anos de guerra, Joaquim Chissano, pelo Governo, e Afonso Dhlakama, pela RENAMO, chegaram ao Acordo Geral de Paz, assinado em Roma a 4 de Outubro de 1992. O acordo estabeleceu o caminho para o fim do conflito, a desmobilização das forças e a realização de eleições multipartidárias com participação e acompanhamento das Nações Unidas.
Em 1993 e 1994, Chissano e Dhlakama continuaram a negociar questões fundamentais para garantir as condições eleitorais. Entre os entendimentos alcançados estavam mecanismos de participação da RENAMO e de outros partidos nas estruturas eleitorais, incluindo a Comissão Nacional de Eleições e o Tribunal Eleitoral.
As primeiras eleições multipartidárias realizaram-se de 27 a 29 de Outubro de 1994, com cerca de 2.300 observadores internacionais, incluindo aproximadamente 900 das Nações Unidas. Durante o processo, Dhlakama denunciou irregularidades e chegou a anunciar a retirada da RENAMO, mas posteriormente o processo eleitoral prosseguiu.
A ONU declarou oficialmente as eleições livres e justas e o Conselho de Segurança aprovou os resultados. Chissano venceu a eleição presidencial com 53,3% dos votos, contra 33,7% de Dhlakama. Na eleição parlamentar, a FRELIMO obteve 44,3% e a RENAMO 37,8%.
Décadas depois, continuam os debates históricos e políticos sobre a condução daquele primeiro processo eleitoral. Documentos da própria ONU registam queixas relacionadas com fraude e irregularidades, enquanto a posição oficial da missão internacional foi de validação dos resultados.
📌 1992 — Acordo Geral de Paz de Roma
📌 1993–1994 — negociações sobre o processo eleitoral
📌 27–29 de Outubro de 1994 — primeiras eleições multipartidárias
📌 19 de Novembro de 1994 — anúncio dos resultados
Voz Aberta 1965 — recordar a história para compreender o presente.
Voz Aberta 1965