Sociedade de Estudos Espíritas Fraternidade - Japão

Sociedade de Estudos Espíritas Fraternidade - Japão Não exclusivo a Espíritas, mas também a pessoas de outras religiões ou filosofias de vida.

✭ Difusão e Estudo da Doutrina Espírita segundo o ensinamento dado pelos Espíritos Superiores com auxílio de diversos médiuns, recebidos e coordenados por Allan Kardec, bem como o Evangelho de Jesus, e sua aplicação às diversas situações da vida. Objetivo e público alvo:
Proporcionar condições para estudar o Espiritismo de forma séria, regular e contínua, tendo como base as obras codificadas por Allan Kardec e o Evangelho de Jesus.

Considerações sobre a prece no EspiritismoCada um é livre de encarar as coisas à sua maneira, e nós, que reclamamos esta...
04/09/2026

Considerações sobre a prece no Espiritismo

Cada um é livre de encarar as coisas à sua maneira, e nós, que reclamamos esta liberdade para nós, não podemos recusá-la aos outros. Mas, do fato de uma opinião ser livre, não se segue que não se possa discuti-la, examinar o lado forte e o fraco, pesar suas vantagens e inconveniências.

Dizemos isto a propósito da negação da utilidade da prece, que algumas pessoas quereriam erigir em sistema, para disto fazerem a bandeira de uma escola dissidente. Essa opinião pode assim resumir-se:

“Deus estabeleceu Leis eternas, a que todos os seres estão submetidos; nada lhe podemos pedir e não temos de agradecer-lhe nenhum favor especial; portanto, é inútil orar.

Como a sorte dos Espíritos está traçada, é inútil orar por eles. Eles não podem mudar a ordem imutável das coisas; então é inútil pedir-lhes.

O Espiritismo é uma ciência puramente filosófica; não só não é uma religião, como não deve ter nenhum caráter religioso. Toda prece dita nas reuniões tende a manter a superstição e a hipocrisia religiosa”.

A questão da prece já foi discutida bastante, de modo que é inútil repetir aqui o que se sabe a respeito. Se o Espiritismo proclama a sua utilidade, não é por espírito de sistema, mas porque a observação permitiu constatar a sua eficácia e o modo de ação. Desde que, pelas leis fluídicas, compreendemos o poder do pensamento, igualmente compreendemos o poder da prece, que é, ela também, um pensamento dirigido para um fim determinado.

Para algumas pessoas, a palavra prece só desperta a ideia de pedido; é grave erro. Em relação à Divindade é um ato de adoração, de humildade e de submissão, que não se pode recusar sem desconhecer o poder e a bondade do Criador. Negar a prece a Deus
é reconhecer Deus como um fato, mas é recusar-se a lhe prestar homenagem; é, ainda, uma revolta do orgulho humano.

Em relação aos Espíritos, que mais não são que as almas de nossos irmãos, a prece é uma identificação de pensamentos, um testemunho de simpatia. Repeli-la é repelir a lembrança dos seres que nos são caros, porque essa lembrança simpática e benévola é, por si mesma, uma prece. Aliás, sabe-se que os que sofrem a reclamam com insistência, como um alívio às suas penas; se a pedem, é que dela necessitam. Recusá-la é recusar um copo de água ao infeliz que está com sede.

Além da ação puramente moral, o Espiritismo nos mostra na prece um efeito de certo modo material, resultante da transmissão fluídica. Em certas moléstias sua eficácia é constatada pela experiência, conforme demonstra a teoria. Rejeitar a prece é, pois, privar-se de poderoso auxiliar para o alívio dos males corporais.

Vejamos agora qual seria o resultado dessa doutrina, e se ela tem alguma chance de prevalecer.

Todos os povos oram, dos selvagens aos homens civilizados; a isso são levados pelo instinto, e é o que os distingue dos animais. Sem dúvida oram de maneira mais ou menos racional, mas, enfim, oram. Os que, por ignorância ou presunção, não praticam a prece, formam no mundo insignificante minoria.

A prece é, pois, uma necessidade universal, independente das seitas e das nacionalidades. Depois da prece, se estávamos fracos, sentimo-nos mais fortes; se tristes, sentimo-nos mais consolados. Abolir a prece é privar o homem de seu mais poderoso apoio moral na adversidade. Pela prece ele eleva sua alma, entra em comunhão com Deus, identifica-se com o Mundo Espiritual, desmaterializa-se, condição essencial de sua felicidade futura; sem a prece, seus pensamentos ficam na Terra, ligam-se cada vez mais às coisas materiais. Daí um atraso no seu adiantamento.

Contestando um dogma, não nos pomos em oposição com a seita que o professa; negando a eficácia da prece, ferimos o sentimento íntimo da quase unanimidade dos homens. O Espiritismo deve as numerosas simpatias que encontra às aspirações do coração, e nas quais as consolações hauridas na prece entram com larga parte. Uma seita que se fundasse sobre a negação da prece, privar-se-ia do principal elemento de sucesso, a simpatia geral, porque, em vez de aquecer a alma, ela a congelaria; ao invés de elevá-la, ela a rebaixaria. Se o Espiritismo deve ganhar em influência, é aumentando a soma de satisfações que proporciona. Aqueles que querem o novo no Espiritismo, seja a que preço for, para ligar seu nome a uma bandeira, que se esforcem para dar mais que ele, mas não é dando menos que o suplantarão. A árvore despojada de seus frutos saborosos e nutritivos será sempre menos atraente que a que deles está repleta. É em virtude do mesmo princípio que sempre temos dito aos adversários do Espiritismo: O único meio de matá-lo é dar algo de melhor, de mais consolador, que explique mais e mais satisfaça. É o que ninguém ainda fez.

Pode-se, pois, considerar a rejeição da prece, por parte de alguns crentes nas manifestações espíritas, como uma opinião isolada que pode ligar algumas individualidades, mas que jamais ligará a maioria. Seria erro imputar tal doutrina ao Espiritismo, pois ele ensina exatamente o contrário.

Nas reuniões espíritas, a prece predispõe ao recolhimento, à gravidade, condição indispensável, como se sabe, para as comunicações sérias. Significa dizer que devem ser transformadas em assembleias religiosas? Absolutamente. O sentimento religioso não é sinônimo de sectário de uma Religião; deve-se mesmo evitar o que poderia dar às reuniões este último caráter. É com esse objetivo que temos desaprovado constantemente as preces e os símbolos litúrgicos de um culto qualquer. Não se deve esquecer que o Espiritismo tem em vista a aproximação das diversas comunhões; já não é raro ver nessas reuniões confraternizarem representantes de diferentes cultos, razão por que nenhum deve arrogar-se a supremacia. Que cada um em particular ore como entender; é um direito de consciência, mas numa assembleia fundada sobre o princípio da caridade, deve-se abster de tudo quanto pudesse ferir as susceptibilidades e contribuísse para manter um antagonismo que, ao contrário, é preciso esforçar-se para fazer desaparecer. Preces especiais no Espiritismo não constituem um culto distinto, desde que não sejam impostas e cada um seja livre de dizer as que lhe convém; mas elas têm a vantagem de servir para todos e não chocar ninguém.

O mesmo princípio de tolerância e respeito pelas convicções alheias nos leva a dizer que toda pessoa razoável, que uma circunstância conduz ao templo de um culto cujas crenças não partilha, deve abster-se de todo sinal exterior que pudesse escandalizar
os assistentes; que ela deve, em caso de necessidade, sacrificar aos usos de pura forma, que em nada podem comprometer sua consciência. Que Deus seja adorado num templo de uma maneira mais ou menos lógica: isto não é motivo para escandalizar os que acham boa essa maneira.

Dissemos que o Espiritismo, dando ao homem certa soma de satisfações e provando certo número de verdades, não poderia ser substituído senão por alguma coisa que desse mais e provasse mais que ele. Vejamos se isto é possível.

O que dá autoridade à doutrina é o fato de seus princípios não resultarem de uma ideia preconcebida ou de uma opinião pessoal; todos, sem exceção, resultam da observação dos fatos; só pelos fatos é que o Espiritismo chegou a conhecer a situação e as atribuições dos Espíritos, assim como as leis, ou melhor, uma parte das leis que regem suas relações com o mundo visível; isto é um ponto capital. Continuando a nos apoiar na observação, fazemos filosofia experimental e não especulativa. Para combater as teorias do Espiritismo, não basta, pois, dizer que são falsas: é preciso opor-lhe fatos, cuja solução ele fosse impotente para dar. E mesmo neste caso ele se manterá sempre no nível, porque será contrário à sua essência obstinar-se numa ideia falsa, e sempre se esforçará por preencher as lacunas que possam apresentar-se, pois não tem a pretensão de ter chegado ao apogeu da verdade absoluta. Esta maneira de encarar o Espiritismo não é nova; pode-se vê-la em todos os tempos, formulada em nossas obras. Desde que o Espiritismo não se declara estacionário nem imutável, assimilará todas as verdades que forem demonstradas, venham de onde vierem, ainda que de seus antagonistas, e jamais ficará na retaguarda do progresso real. Assimilará essas verdades, dizemos, mas apenas quando forem claramente demonstradas, e não porque agradaria a alguém dá-las como tais, quer por seus desejos pessoais, quer como produto de sua imaginação. Estabelecido este ponto, o Espiritismo apenas perderia se se deixasse
distanciar de uma doutrina que desse mais que ele; nada teria a temer das que dessem menos e restringissem o que constitui sua força e sua principal atração.

Se o Espiritismo ainda não disse tudo, há, não obstante, uma certa soma de verdades adquiridas pela observação e que constituem a opinião da imensa maioria dos adeptos; e se essas verdades hoje passaram ao estado de fé, para nos servirmos de uma expressão empregada ironicamente por alguns, não foi por nós, nem por ninguém, nem mesmo por nossos Espíritos instrutores que assim foram postas e, menos ainda, impostas, mas pela adesão de todo o mundo, pois cada um é livre de as constatar.

Se, pois, se formasse uma seita em oposição às ideias consagradas pela experiência e geralmente admitidas em princípio, não poderia conquistar as simpatias da maioria, cujas convicções chocasse. Sua existência efêmera extinguir-se-ia com seu fundador,
talvez mesmo antes ou, pelo menos, com os poucos adeptos que tivesse podido reunir. Suponhamos o Espiritismo dividido em dez, em vinte seitas: a que tiver a supremacia e mais vitalidade será naturalmente a que dará maior soma de satisfações morais, que encherá o maior número de vazios da alma, que se fundará nas provas mais positivas, e que melhor se porá em uníssono com a opinião geral.

Ora, tomando como ponto de partida todos esses princípios na observação dos fatos, o Espiritismo não pode ser derrubado por uma teoria; mantendo-se constantemente no nível das ideias progressistas, não poderá ser ultrapassado; apoiando-se no sentimento da maioria, satisfaz as aspirações do maior número; fundado sobre essas bases, é imperecível, porque aí está a sua força.

Aí também está a causa do insucesso das tentativas feitas para lhe interporem obstáculos. No caso do Espiritismo há ideias profundamente antipáticas à opinião geral e esta as repele instintivamente. Construir sobre tais ideias, como ponto de apoio, um edifício ou esperanças quaisquer, é pendurar-se desastradamente em
galhos podres. Eis a que estão reduzidos os que, não tendo podido derrubar o Espiritismo pela força, tentam derrubá-lo por si mesmo.

M. Allan Kardec - RE janeiro de 1866

Passage Sainte-Anne, 59 - Paris.
Foi neste endereço, com acesso pelo nº 59 da rue Sainte-Anne, que Allan Kardec instalou, em 1860, seu domicílio e o escritório da Revue Spirite. O local tornou-se também um dos espaços centrais das atividades da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, acompanhando um período decisivo da elaboração e publicação de suas obras.

A infância          Não conheceis o segredo que, na sua ignorância, escondem as crianças. Não sabeis o que são, nem o qu...
28/08/2026

A infância

Não conheceis o segredo que, na sua ignorância, escondem as crianças. Não sabeis o que são, nem o que foram, nem em que se tornarão. E, contudo, as amais e as prezais como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal sorte que o amor de uma mãe pelos filhos é reputado como o maior amor que um ser possa ter por outro ser. De onde vem essa doce afeição, essa terna benevolência que os próprios estranhos sentem por uma criança? Vós o sabeis? Não. É isso que vos quero explicar.

As crianças são seres que Deus envia em novas existências; e, para que elas não possam queixar-se de sua grande severidade, dá-lhes toda a aparência da inocência; mesmo numa criança de natureza má seus defeitos são cobertos pela inconsciência de seus atos. Essa inocência não é uma superioridade real sobre aquilo que foram antes; não, é a imagem do que deveriam ser; e, se não o são, unicamente sobre elas recairá a culpa.

Mas não foi apenas por elas que Deus lhes deu esse aspecto; foi também e sobretudo por seus pais, cujo amor é necessário à sua fraqueza; e esse amor seria singularmente enfraquecido à vista de um caráter intolerante e impertinente, ao passo que, supondo os filhos bons e meigos, dão-lhes toda a sua afeição e os cercam das mais delicadas atenções. Mas quando as crianças não mais necessitam dessa proteção, dessa assistência que lhes foi prodigalizada durante quinze ou vinte anos, seu caráter real e individual reaparece em toda a sua nudez: permanece bom, se for fundamentalmente bom, mas se irisa sempre de matizes que se ocultavam na primeira infância.

Vedes que os caminhos de Deus são sempre os melhores e que, quando se tem puro o coração, fácil é conceber a explicação.

Com efeito, imaginai que o Espírito das crianças que nascem entre vós pode vir de um mundo onde adquiriu hábitos completamente diferentes. Como quereríeis que estivesse em vosso meio esse novo ser, que vem com paixões completamente diversas das que possuís, com inclinações e gostos inteiramente opostos aos vossos? Como quereríeis que se incorporassem em vossas fileiras de modo diferente do que Deus o quis, isto é, pelo crivo da infância? Aí se vêm confundir todos os pensamentos, todos os caracteres, todas as verdades de seres engendrados por essa multidão de esferas onde se desenvolvem as criaturas. Vós mesmos, ao morrer, vos encontrais numa espécie de infância, em meio a novos irmãos. E, em nova existência fora da Terra, ignorais os hábitos, os costumes e as relações desse mundo tão novo para vós; manejareis com dificuldade uma língua que não estais habituados a falar, língua mais viva do que o vosso pensamento atual.

A infância tem ainda outra utilidade. Os Espíritos não entram na vida corporal senão para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A fraqueza da tenra idade os torna flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência e daqueles que devem fazê-los progredir. É então que podemos reformar o seu caráter e reprimir seus maus pendores. Tal é o dever que Deus confiou aos pais, missão sagrada pela qual hão de responder.

Assim, não somente a infância é útil, necessária e indispensável, mas, ainda, é a consequência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o universo.

Observação – Chamamos a atenção de nossos leitores para esta notável dissertação, cujo elevado alcance filosófico é facilmente compreensível. Que há de mais belo, de mais grandioso que essa solidariedade que existe entre todos os mundos? Que de mais apropriado para nos dar uma ideia da bondade e da majestade de Deus? A humanidade cresce por tais pensamentos, ao passo que se avilta se a reduzimos às mesquinhas proporções de nossa vida efêmera e de nosso imperceptível mundo entre os demais mundos.

Comunicação espontânea, lida na Sociedade em 14 de janeiro de 1859 e publicado originalmente em "Revista Espírita - Fevereiro de 1859", por Allan Kardec.

"Pestalozzi com os Órfãos de Stans" (Pestalozzi, The Children's Friend)
Óleo sobre tela, pintado por Konrad Grob em 1879. A obra retrata o pedagogo suíço Johann Heinrich Pestalozzi em sua escola para órfãos , cercado pelas crianças que educa com carinho e atenção, destacando sua figura como um guia acolhedor.

Os Anjos da Guarda.          Há uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos, por seu encanto e por sua doçura:...
21/08/2026

Os Anjos da Guarda.

Há uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos, por seu encanto e por sua doçura: a dos anjos da guarda. Pensar que tendes sempre junto a vós seres que vos são superiores; que aí estão sempre para vos aconselhar, para vos sustentar, para vos ajudar a escalar a áspera montanha do bem; que são amigos mais certos e mais dedicados do que as mais íntimas ligações que possais estabelecer na Terra, não é uma ideia consoladora? Esses seres aí estão por ordem de Deus. Foi ele que os pôs ao vosso lado. Aí se acham por amor a ele e realizam bela e penosa missão. Sim, onde quer que estejais, estarão convosco. Os calabouços, os hospitais, os lugares de deboche, a solidão, nada vos separa desses amigos que não vedes, mas cujos suaves impulsos vossa alma sente, como lhes escuta os sábios conselhos.

Se conhecêsseis melhor esta verdade, quantas vezes ela vos ajudaria nos momentos de crise! Quantas vezes ela vos salvaria das mãos dos maus Espíritos! Mas, aos olhos de todos, esse anjo do bem muitas vezes vos poderá dizer: “Eu não te disse? E tu não o fizeste. Não te mostrei o abismo? E nele te precipitaste. Não te fiz ouvir na consciência a voz da verdade? No entanto seguiste os conselhos da mentira.” Ah! interrogai os vossos anjos da guarda; estabelecei com eles essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos. Nada penseis ocultar-lhes, pois eles têm o olhar de Deus e não podeis enganá-los. Pensai no futuro e procurai avançar nesta vida. Vossas provas serão assim mais curtas e vossas existências mais felizes. Eia! Homens, coragem! Lançai para longe, de uma vez por todas, os preconceitos e os pensamentos ocultos. Entrai na nova via que se abre à vossa frente. Marchai, marchai, pois tendes guias a quem deveis seguir. A meta não vos pode frustrar porque essa meta é o próprio Deus.

Aos que pensassem ser impossível a Espíritos realmente elevados ater-se a uma tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas mesmo estando a milhões de léguas de vós. Para nós, nada é o espaço, e mesmo vivendo num outro mundo, nossos Espíritos conservam suas ligações com o vosso. Desfrutamos de qualidades que não podeis compreender, mas ficai certos de que Deus não nos impôs uma tarefa acima de nossas forças e de que não vos abandonou na Terra sem amigos e sem apoio. Cada anjo da guarda tem o seu protegido, sobre o qual vela como um pai sobre o filho. É feliz quando o vê seguir o bom caminho e sofre quando seus conselhos são desprezados.

Não temais fatigar-nos com as vossas perguntas. Ao contrário, ficai sempre em contato conosco, pois assim sereis mais fortes e mais felizes. São estas comunicações de cada um com seu Espírito familiar que fazem todos os homens médiuns ─ médiuns hoje ignorados, mas que se manifestarão mais tarde e que se espalharão como um oceano sem limites para afugentar a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos, instruí; homens de talento, educai os vossos irmãos. Não sabeis que obra assim realizais. É a obra do Cristo, que Deus vos impõe. Por que Deus vos deu a inteligência e a ciência, senão para as repartirdes com os vossos irmãos e adiantá-los no caminho da ventura e da felicidade eterna!?

São Luís e Santo Agostinho

A doutrina dos anjos da guarda, que velam sobre os seus protegidos, apesar da distância que separa os mundos, nada tem de surpreendente. É, ao contrário, grandiosa e sublime. Não vemos na Terra um pai velar por seu filho, mesmo a distância, ajudando-o com seus conselhos por correspondência? Que haveria, pois, de estranho em que os Espíritos pudessem guiar os que tomam sob sua proteção, de um outro mundo, de vez que para eles a distância que separa os mundos é menor que aquela que na Terra separa os continentes?

Questão 495 de "O Livro dos Espíritos" sobre os Anjos da Guarda. Publicado também na Revista Espírita em janeiro de 1859, por Allan Kardec.

Claude Monet - Braço do Sena perto de Giverny 1897
Óleo sobre tela

Deus não se vinga          O que precede é apenas um preâmbulo destinado a servir de introdução a outras ideias. Falei d...
14/08/2026

Deus não se vinga

O que precede é apenas um preâmbulo destinado a servir de introdução a outras ideias. Falei de ideias preconcebidas, mas há outras além das que vêm das inclinações do inspirado; há as que são consequência de uma instrução errônea, de uma interpretação acreditada num tempo mais ou menos longo, que tiveram sua razão de ser numa época em que a razão humana estava insuficientemente desenvolvida e que, passadas ao estado crônico, não podem ser modificadas senão por heróicos esforços, sobretudo quando têm por si a autoridade do ensino religioso e de livros reservados. Uma destas ideias é esta: Deus se vinga. Que um homem, ferido em seu orgulho, em sua pessoa ou em seus interesses se vingue, isto se concebe. Essa vingança, embora culposa, está dentro dos limites das imperfeições humanas, mas um pai que se vinga em seus filhos levanta a indignação geral, porque cada um sente que um pai, com a tarefa de formar os seus filhos, pode redirecioná-los nos seus erros e corrigir seus defeitos por todos os meios ao seu alcance, mas que a vingança lhe é interdita, sob pena de tornar-se estranho a todos os direitos da paternidade.

Sob o nome de vindita pública, a Sociedade que está desaparecendo vingava-se dos culpados; a punição infligida, muitas vezes cruel, era a vingança que ela tomava do homem perverso. Ela não tinha a menor preocupação com a reabilitação desse homem e deixava a Deus o cuidado de puni-lo ou de perdoá-lo. Bastava-lhe ferir pelo terror, que julgava salutar, os futuros culpados. A Sociedade que vêm não mais pensa assim; se ela ainda não age em vista da emenda do culpado, ao menos compreende o que a vingança encerra de odioso por si mesma; salvaguardar a Sociedade contra os ataque de um criminoso lhe basta, auxiliada pelo medo de um erro judiciário. Em breve a pena capital desaparecerá dos vossos códigos.

Se hoje a Sociedade se sente grande demais diante de um culpado, para se deixar ir à cólera e dele vingar-se, como quereis que Deus, participando de vossas fraquezas, se tome de um sentimento irascível e fira por vingança um pecador chamado ao arrependimento? Crer na cólera de Deus é um orgulho da Humanidade, que imagina ter um grande peso na balança divina. Se a planta do vosso jardim vem mal, se se desvia, ireis encolerizar-vos e vos vingar dela? Não; endireitá-la-eis, se puderdes, dar-lhe-eis um apoio, forçareis, por entraves, as suas más tendências, se necessário a transplantareis, mas não vos vingareis. Assim faz Deus.

Deus vingar-se, que blasfêmia! Que diminuição da grandeza divina! Que ignorância da distância infinita que separa a criação de sua criatura! Que esquecimento de sua bondade e de sua justiça!

Deus viria, numa existência em que não vos resta nenhuma lembrança de vossos erros passados, fazer-vos pagar caro pelas faltas que podeis ter cometido numa época apagada em vosso ser! Não, não! Deus não age assim. Ele entrava o impulso de uma paixão funesta, corrige o orgulho inato por uma humildade forçada, endireita o egoísmo do passado pela urgência de uma necessidade presente que leva a desejar a existência de um sentimento que o homem não conheceu nem experimentou. Como pai, ele corrige, mas, também como pai, Deus não se vinga.

Guardai-vos dessas ideias preconcebidas de vingança celeste, restos dispersos de um erro antigo. Guardai-vos dessas tendências fatalistas, cuja porta está aberta para vossas doutrinas novas, e que vos conduziriam diretamente ao quietismo oriental. A parte de liberdade do homem já não é bastante grande para apequená-la ainda mais por crenças errôneas. Quanto mais sentirdes vossa liberdade, sem dúvida maior será a vossa responsabilidade, e tanto mais os esforços de vossa vontade vos conduzirão à frente, na via do progresso.

Pascal

Dissertações espíritas - Artigo publicado em maio de 1865 na Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos.

As três causas principais das doenças          O que é o homem?... Um composto de três princípios essenciais: o espírito...
07/08/2026

As três causas principais das doenças

O que é o homem?... Um composto de três princípios essenciais: o espírito, o perispírito e o corpo. A ausência de qualquer um destes três princípios acarretaria necessariamente o aniquilamento do ser no estado humano. Se o corpo não mais existir, haverá o Espírito e não mais o homem; se o perispírito falta ou não pode funcionar, não podendo o imaterial agir diretamente sobre a matéria, encontrando-se assim impossibilitado de manifestar-se, poderá haver alguma coisa do gênero do cretino ou do id**ta, mas não haverá jamais um ser inteligente. Enfim, se o espírito faltar, ter-se-á um feto vivendo vida animal e não um Espírito encarnado. Se, pois, temos a presença de três princípios, esses três princípios devem reagir um sobre o outro, e seguir-se-á a saúde ou a doença, conforme haja entre eles harmonia perfeita ou desarmonia parcial.

Se a doença ou desordem orgânica, como queiram chamar, procede do corpo, os medicamentos materiais sabiamente empregados bastarão para restabelecer a harmonia geral.

Se a perturbação vem do perispírito, se é uma modificação do princípio fluídico que o compõe, que se acha alterado, será necessária uma medicação adequada à natureza do órgão perturbado, para que as funções possam retomar seu estado normal. Se a doença procede do Espírito, não poderíamos empregar, para combatê-la, outra coisa senão uma medicação espiritual. Se, enfim, ─ como é o caso mais geral, e, podemos mesmo dizer, o caso que se apresenta exclusivamente, ─ se a doença procede do corpo, do perispírito e do espírito, será preciso que a medicação combata simultaneamente todas as causas da desordem por meios diversos, para obtermos a cura.

Ora, o que fazem geralmente os médicos? Eles cuidam do corpo e o curam; mas curam a doença? Não. Por quê? Porque sendo o perispírito um princípio superior à matéria propriamente dita, poderá tornar-se a causa em relação a esta, e se for entravado, os órgãos materiais que se acham em relação com ele serão igualmente atingidos na sua vitalidade. Cuidando do corpo, destruís o efeito; mas, residindo a causa no perispírito, a doença voltará novamente, quando cessarem os cuidados, até que se perceba que é preciso levar alhures a atenção, cuidando fluidicamente o princípio fluídico mórbido. Se, enfim, a doença proceder da mente, do espírito, o perispírito e o corpo, postos sob sua dependência, serão entravados em suas funções, e não é cuidando de um nem do outro que se fará desaparecer a causa.

Não é, pois, vestindo a camisa de força num louco ou lhe dando pílulas ou duchas que conseguirão restituir-lhe o estado normal. Apenas acalmarão seus sentidos revoltados; acalmarão os seus acessos, mas não destruirão o germe senão o combatendo por seus semelhantes, fazendo homeopatia, espiritual e fluidicamente, como fazem materialmente, dando ao doente, pela prece, uma dose infinitesimal de paciência, de calma, de resignação, conforme o caso, como se lhe dá uma dose infinitesimal de brucina, de digitális ou de acônito.

Para destruir uma causa mórbida, há que combatê-la em seu terreno.

DR. MOREL LAVALLÉE.
(Paris, 25 de outubro de 1866 - Médium: Sr. Desliens)

Extraído da Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos (Fevereiro de 1867), por Allan Kardec.

Consequências da doutrina da reencarnação sobre a propagação do Espiritismo         O Espiritismo marcha com rapidez, fa...
31/07/2026

Consequências da doutrina da reencarnação sobre a propagação do Espiritismo

O Espiritismo marcha com rapidez, fato que ninguém poderá negar. Ora, quando uma coisa se propaga é porque convém; assim, se o Espiritismo também se propaga é porque igualmente convém. Há várias causas para isto. A primeira é, sem contradita, como já explicamos em diversas circunstâncias, a satisfação moral que proporciona aos que o compreendem e praticam. Mas esta mesma causa recebe em parte a sua força do princípio da reencarnação. É o que tentaremos demonstrar.

Qualquer homem que reflita não pode deixar de se preocupar com o seu futuro depois da morte, o que bem vale a pena. Quem é que não liga à sua situação na Terra durante alguns anos mais importância do que durante alguns dias? Mais ainda: durante a primeira parte da vida, a gente trabalha, extenua-se de fadiga e se impõe toda sorte de privações para, na outra metade, assegurar-se um pouco de repouso e de bem-estar. Se temos tanto cuidado por alguns anos eventuais, não é racional tê-los ainda mais pela vida de Além-Túmulo, cuja duração é ilimitada? Por que razão a maioria trabalha mais pelo presente passageiro do que pelo futuro sem-fim? É que acreditamos na realidade do presente e duvidamos do futuro. Ora, só se duvida daquilo que não se compreende. Que se compreenda o futuro e tudo cessará. Aos olhos mesmos daqueles que, no estado das crenças vulgares, estão mais bem convencidos da vida futura, esta se apresenta de maneira tão vaga que nem sempre basta a fé para fixar as ideias; aquela tem mais as características de uma hipótese que as de uma realidade. O Espiritismo vem remover essa incerteza pelo testemunho dos que viveram e por provas de certo modo materiais.

Toda religião repousa necessariamente na vida futura, e todos os dogmas convergem forçosamente para esse fim único. É visando atingir esse fim que eles são praticados; e a fé nos dogmas está na razão direta da eficácia que se lhes atribui para o alcançar. A teoria da vida futura é, pois, a pedra angular de toda doutrina religiosa. Se essa teoria pecar pela base; se abrir o campo a objeções sérias; se se contradisser; se se puder demonstrar a impossibilidade de certas partes, tudo vai abaixo. Antes de mais, vem a dúvida, à qual sucede a negação absoluta, e os dogmas são arrastados no naufrágio da fé. Pensaram em escapar ao perigo proscrevendo o exame e fazendo da fé cega uma virtude. Mas pretender impor a fé cega neste século é desconhecer o tempo em que vivemos; refletimos, mau grado nosso; examinamos pela força das coisas; queremos saber como e por quê. O desenvolvimento da indústria e das ciências exatas nos ensina a olhar o terreno sobre o qual pisamos, razão por que sondamos aquele onde, conforme dizem, marcharemos depois da morte; se não o encontramos sólido, isto é, lógico, racional, não nos preocuparemos com ele. Por mais que façam, não conseguirão neutralizar essa tendência, porque inerente ao desenvolvimento intelectual e moral da humanidade. Segundo uns, é um bem; segundo outros, um mal. Seja qual for a maneira pela qual a encaramos, temos de nos acomodar, queiramos ou não, porquanto não pode ser de outra maneira.

A necessidade de se dar conta e de compreender diz respeito às coisas materiais e às coisas morais. Indubitavelmente, a vida futura não é uma coisa palpável, como uma estrada de ferro e uma máquina a v***r, mas pode ser compreendida pelo raciocínio. Se o raciocínio, em virtude do qual buscamos demonstrá-la, não satisfizer à razão, abandonamos as premissas e as conclusões. Interrogai aqueles que negam a vida futura e todos dirão que foram conduzidos à incredulidade pelo próprio quadro que lhes faziam, com seus cortejos de demônios, labaredas e sofrimentos sem-fim.

Todas as questões morais, psicológicas e metafísicas se ligam de maneira mais ou menos direta à questão do futuro. Disso resulta que dessa última questão depende, de alguma sorte, a racionalidade de todas as doutrinas filosóficas e religiosas. O Espiritismo vem, por sua vez, não como uma religião, mas como doutrina filosófica, trazer a sua teoria, apoiada no fato das manifestações. Ele não se impõe; não exige confiança cega; entra no número dos concorrentes e diz: Examinai, comparai e julgai; se achardes algo melhor do que isto que vos dou, tomai-o. Ele não diz: Venho destruir os fundamentos da religião e substituí-la por um culto novo. Diz: Não me dirijo aos que creem e se acham satisfeitos com suas crenças, mas aos que abandonam as vossas fileiras pela incredulidade e que não os soubestes ou pudestes reter. Venho dar-lhes, sobre as verdades que repelem, uma interpretação capaz de satisfazer sua razão e que os leva a aceitá-la. E a prova de que o consigo é o número dos que tiro do atoleiro da incredulidade. Todos vos dirão: Se me tivessem ensinado essas coisas assim desde a infância, jamais teria duvidado; agora creio, porque compreendo. Deveis repeli-los, porque aceitam o espírito e não a letra? o princípio, e não a forma? Sois livres; se vossa consciência faz disto um dever, ninguém pensará em violentá-la; mas não digo apenas que isto seria um erro; digo mais: seria uma imprudência.

Como dissemos, a vida futura é o objetivo essencial de toda doutrina moral. Sem a vida futura, a moral carece de base. O triunfo do Espiritismo está precisamente na maneira pela qual apresenta o futuro; além das provas que oferece, o quadro que apresenta é tão claro, tão simples, tão lógico, tão conforme à justiça e à bondade de Deus que involuntariamente dizemos: Sim, é bem assim que deve ser; é assim que eu imaginava; e, se não havia acreditado, é porque me tinham mostrado a vida futura de outro modo.

Mas o que é que dá à teoria do futuro um tal poder? O que é que lhe granjeia tantas simpatias? É, dizemos nós, a sua lógica inflexível, que resolve todas as dificuldades até então insolúveis; e isto ela deve ao princípio da pluralidade das existências. Com efeito, suprimi este princípio e milhares de problemas, cada qual mais insolúvel, se apresentarão imediatamente. A cada passo nos chocaremos contra inúmeras objeções. Essas objeções não eram suscitadas antigamente, isto é, ninguém pensava nelas. Mas hoje, que a criança se fez homem, quer ir ao fundo das coisas; quer ver claro o caminho por onde é conduzido; sonda e pesa o valor dos argumentos que lhe apresentam e, se estes não lhe satisfazem à razão ou o deixam no vago e na incerta, rejeita-os, aguardando coisa melhor. A pluralidade das existências é uma chave que descortina horizontes novos, que dá uma razão de ser a uma multidão de coisas incompreendidas e que explica o inexplicável. Ela concilia todos os acontecimentos da vida com a justiça e a bondade de Deus. Daí por que os que haviam chegado a duvidar dessa justiça e dessa bondade agora reconhecem o dedo da Providência onde o tinham ignorado. Efetivamente, sem a reencarnação, a que atribuir as ideias inatas? Como justificar o idiotismo, o cretinismo, a selvageria, ao lado do gênio e da civilização? a profunda miséria de uns, ao lado da felicidade de outros? as mortes prematuras e tantas outras coisas? Do ponto de vista religioso, certos dogmas, como o do pecado original, o da queda dos anjos, a eternidade das penas, a ressurreição da carne etc., encontram neste princípio uma interpretação racional, levando à aceitação do seu espírito justamente por aqueles que repeliam a letra.

Em resumo, o homem atual quer compreender. O princípio da reencarnação ilumina o que estava obscuro. Eis por que dizemos que este princípio é uma das causas que faz com que o Espiritismo seja acolhido favoravelmente.

Dir-se-á que a reencarnação não é necessária para crer nos Espíritos e em suas manifestações; e a prova disto é que há crentes que não a admitem. É verdade. Também não dissemos que não se possa ser bom espírita sem crer na reencarnação. Não somos daqueles que atiram pedras aos que não pensam como nós. Apenas dizemos que eles não abordaram todos os problemas levantados pelo sistema unitário, sem o que teriam reconhecido a impossibilidade de lhes dar uma solução satisfatória. A ideia da pluralidade das existências a princípio foi acolhida com assombro, com desconfiança; depois, pouco a pouco as pessoas se familiarizaram com ela, à medida que reconheciam a impossibilidade de, sem ela, saírem das inúmeras dificuldades suscitadas pela Psicologia e pela vida futura. Uma coisa é certa: esse sistema ganha terreno diariamente, enquanto o outro o perde. Hoje, na França, os adversários da reencarnação — falamos dos que estudaram a ciência espírita — são em número imperceptível, em comparação com os seus partidários. Na própria América, onde são mais numerosos, por causas que explicamos em nosso número anterior, o princípio começa a popularizar-se, de modo que podemos concluir que não está longe o tempo em que, sob esse ponto, não haverá nenhuma dissidência.

Artigo publicado por Allan Kardec na edição de abril de 1862 da Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos.

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