12/10/2026
No Dia das Crianças, eu queria lembrar de uma coisa importante:
jovem com T21 não é uma criança grande.
E isso não significa que ele não possa brincar, jogar, assistir a um filme que ama, rir de coisas simples, revisitar memórias da infância ou se divertir com a família.
Claro que pode. E deve.
O problema começa quando o gosto pelo brincar vira justificativa para tratá-lo como criança em todas as áreas da vida.
Quando ninguém pergunta o que ele prefere.
Quando não deixamos escolher.
Quando não permitimos participar porque “ele não vai conseguir”.
Quando evitamos experiências de adolescente porque ainda precisa de apoio em algumas tarefas.
Precisar de apoio não apaga a idade. E o apoio da forma correta contribui para o desenvolvimento da autonomia.
Um jovem pode precisar de ajuda para organizar a mochila e, ao mesmo tempo, querer escolher a própria roupa.
Pode ainda gostar de desenhos e querer conversar sobre namoro.
Pode precisar de supervisão para sair sozinho e, ainda assim, aprender a pedir um lanche, usar dinheiro, fazer escolhas, assumir pequenas responsabilidades.
A adolescência não espera todas as habilidades chegarem para começar.
Por isso, talvez a pergunta não seja:
“Ele já consegue?”
Talvez seja:
“Que oportunidade eu posso oferecer hoje, com o apoio que ele precisa, para que participe um pouco mais da própria vida?”
Neste Dia das Crianças, celebremos a infância.
Mas, quando ela passa, que a gente também tenha coragem de abrir espaço para o adolescente que chegou e precisa se enxergar como adulto em potencial.
Porque autonomia não começa quando o apoio desaparece.
Começa quando, mesmo com apoio, a pessoa passa a ter mais voz, escolha e participação.
Inclusivamente® por Vivi Paiva Reis