06/10/2024
A 6 de outubro de 1552, em Macerata, na Itália, nascia Matteo Ricci. Entrou na Companhia de Jesus e fez-se ao largo; em 1610 morria em Pequim, amado e respeitado até pelas autoridades imperiais da China do seu tempo. Morreu exausto das suas viagens, da sua Peregrinação ao serviço da Inculturação do Evangelho. Sobretudo, morreu apaixonado pela China e pelo seu Povo; mais do que isso, e malgrado o estado de melancolia em que viveu os seus últimos anos, morreu com a esperança de que o Império do Meio um dia abriria plenamente as suas portas a Cristo. Ao morrer na capital do Império Chinês, em 1610, Padre Matteo Ricci era já considerado como o grande missionário que efetivamente foi. Como jesuíta, ele é hoje, mais do que nunca, uma das grandes inspirações necessárias à Igreja, na China como fora dela. Na verdade, um jesuíta e missionário da Igreja que foi pioneiro no encontro entre o Ocidente e a Ásia, entre a Europa e a China, entre o Catolicismo e as plurisseculares tradições religiosas da China.
Em 1595, na cidade de Nanchang, Matteo Ricci, para os Chineses Li Madou, compôs, em Chinês, um Ensaio sobre a Amizade, a que começou por dar o título de You Lun, um dos primeiríssimos textos escritos em Chinês por um Europeu, ainda hoje conhecido e amado pelos Chineses, tanto assim que os seus textos, incluindo o pequeno tratado sobre a Amizade, tiveram o extraordinário privilégio de serem incluídos, primeiros entre todos os Ocidentais, numa Antologia Imperial. O seu “Tratado da Amizade” começa assim:
«Eu, Matteo, do longínquo Ocidente, naveguei através dos mares e entrei na China com respeito pela virtude ilustrada do Filho do Céu, da Grande Dinastia Ming, assim como pelos ensinamentos legados pelos antigos reis. Desde a altura em que elegi o lugar do meu alojamento em Lingbiao, as estações do ano passaram várias vezes. Na Primavera deste ano, atravessei as montanhas, naveguei rio abaixo, e cheguei a Jinling, onde contemplei a glória da capital do reino, que me encheu de felicidade, e pensei que não foi em vão que fiz esta viagem. Mas a minha longa viagem ainda não tinha chegado ao fim. Naveguei de regresso a Yuzhang e atraquei o meu barco em Nanpu. Lancei o meu olhar sobre a Montanha Ocidental e fiquei deliciado com a sua surpreendente beleza e pelo seu aspecto luxuriante. Pensei para comigo próprio que esta terra tem de ser o lugar onde habitam os sábios. Hesitando durante algum tempo entre regressar e ficar, finalmente não pude partir. Assim, deixei o meu barco e estabeleci residência ali.»
Neste dia, ocasião em que passam 44 anos desde a minha entrada na Companhia de Jesus, celebro a grandeza do trabalho, mas sobretudo do exemplo missionário do Padre Matteo Ricci. Na China, mas também para além dela, o desafio continua a ser o do respeito pela liberdade de religião e de consciência dos homens e mulheres que, na China como em outros lugares do mundo, não raro com grandes sacrifícios, professam a fé católica; por seu lado, a Igreja não quer, ou pode, abandonar a missão que hoje faz parte da sua auto-compreensão como corpo eclesial, e da sua missão de prosseguir no trabalho de dar à Fé em Cristo, único Salvador, uma cada vez mais justa e adequada inculturação nos mais diversos espaços culturais da humanidade, incluindo a China.
A 6 de outubro de 1552, em Macerata, na Itália, nascia Matteo Ricci. Entrou na Companhia de Jesus e fez-se ao largo; em 1610 morria em Pequim, amado e respeitado até pelas autoridades imperiais da China do seu tempo. Morreu exausto das suas viagens, da sua Peregrinação ao serviço da Inculturação do Evangelho. Sobretudo, morreu apaixonado pela China e pelo seu Povo; mais do que isso, e malgrado o estado de melancolia em que viveu os seus últimos anos, morreu com a esperança de que o Império do Meio um dia abriria plenamente as suas portas a Cristo. Ao morrer na capital do Império Chinês, em 1610, Padre Matteo Ricci era já considerado como o grande missionário que efetivamente foi. Como jesuíta, ele é hoje, mais do que nunca, uma das grandes inspirações necessárias à Igreja, na China como fora dela. Na verdade, um jesuíta e missionário da Igreja que foi pioneiro no encontro entre o Ocidente e a Ásia, entre a Europa e a China, entre o Catolicismo e as plurisseculares tradições religiosas da China.
Em 1595, na cidade de Nanchang, Matteo Ricci, para os Chineses Li Madou, compôs, em Chinês, um Ensaio sobre a Amizade, a que começou por dar o título de You Lun, um dos primeiríssimos textos escritos em Chinês por um Europeu, ainda hoje conhecido e amado pelos Chineses, tanto assim que os seus textos, incluindo o pequeno tratado sobre a Amizade, tiveram o extraordinário privilégio de serem incluídos, primeiros entre todos os Ocidentais, numa Antologia Imperial. O seu “Tratado da Amizade” começa assim:
«Eu, Matteo, do longínquo Ocidente, naveguei através dos mares e entrei na China com respeito pela virtude ilustrada do Filho do Céu, da Grande Dinastia Ming, assim como pelos ensinamentos legados pelos antigos reis. Desde a altura em que elegi o lugar do meu alojamento em Lingbiao, as estações do ano passaram várias vezes. Na Primavera deste ano, atravessei as montanhas, naveguei rio abaixo, e cheguei a Jinling, onde contemplei a glória da capital do reino, que me encheu de felicidade, e pensei que não foi em vão que fiz esta viagem. Mas a minha longa viagem ainda não tinha chegado ao fim. Naveguei de regresso a Yuzhang e atraquei o meu barco em Nanpu. Lancei o meu olhar sobre a Montanha Ocidental e fiquei deliciado com a sua surpreendente beleza e pelo seu aspecto luxuriante. Pensei para comigo próprio que esta terra tem de ser o lugar onde habitam os sábios. Hesitando durante algum tempo entre regressar e ficar, finalmente não pude partir. Assim, deixei o meu barco e estabeleci residência ali.»
Neste dia, ocasião em que passam 44 anos desde a minha entrada na Companhia de Jesus, celebro a grandeza do trabalho, mas sobretudo do exemplo missionário do Padre Matteo Ricci. Na China, mas também para além dela, o desafio continua a ser o do respeito pela liberdade de religião e de consciência dos homens e mulheres que, na China como em outros lugares do mundo, não raro com grandes sacrifícios, professam a fé católica; por seu lado, a Igreja não quer, ou pode, abandonar a missão que hoje faz parte da sua auto-compreensão como corpo eclesial, e da sua missão de prosseguir no trabalho de dar à Fé em Cristo, único Salvador, uma cada vez mais justa e adequada inculturação nos mais diversos espaços culturais da humanidade, incluindo a China.