09/08/2026
Durante toda minha vida fui praticamente uma serial killer de plantas. Realmente não nasci para isso. Até que, há um ano, comecei a cuidar das plantas do terraço.
E foi virando mãe de planta, uma tarefa altamente mundana, que aprendi valiosas lições:
Lição 1
O outono é o dedo de Deus, do universo, a poda é o livre-arbítrio.
Há folhas mortas que permanecem. Galhos sem futuro que continuam presos à planta, consumindo uma energia que poderia estar alimentando aquilo que ainda tem vida.
Esses precisam ser podados.
E podar exige coragem, porque somos nós que precisamos decidir cortar. A energia que sustentava o que estava morrendo volta a alimentar o que pode nascer.
Lição 2
Aprendi que não importa o quão linda seja a planta que você escolher. Se ela não tiver rotina, presença e cuidado, ela morre.
Na vida também é assim. Não são apenas as grandes escolhas ou os grandes acontecimentos que sustentam aquilo que amamos. É o que fazemos todos os dias — inclusive quando ninguém está vendo e quando não há flor alguma para admirar.
Lição 3 Cada uma é uma.
Todas são plantas. Mas cada uma encontrou seu lugar preferido no terraço.
Somos todos humanos, mas não florescemos sob as mesmas condições. O que faz bem a um pode ser excessivo para outro. Cuidar também é observar e respeitar aquilo de que cada um precisa para florescer.
E talvez a lição mais difícil tenha vindo de um desejo meu porque queria tudo no auge ao mesmo tempo.
Queria os limões no limoeiro, as clementinas carregadas, as buganvílias floridas, o loropétalo exuberante. Tudo cheio, vivo e abundante no mesmo instante.
E talvez uma das nossas maiores frustrações com a vida venha justamente dessa mesma expectativa: queremos que todas as áreas estejam esplêndidas ao mesmo tempo.
O amor. O trabalho. O dinheiro. O corpo. A família. Os projetos. A casa. Nós mesmos.
Talvez plenitude não seja chegar ao dia em que tudo estará florido ao mesmo tempo e sim aproveitar as estações.