07/08/2026
Entre 2009 e 2013, eu fui animador de festas, palhaço do improviso e estudante da arte clown. Vivi e dei nome ao meu palhaço: fofolete.
Quando terminei de ler o livro “O palhaço e o psicanalista” pude reviver a filosofia da palhaçaria e, hoje, em momentos de angústia e transformações, precisei revisitar esse livro que é tão importante.
Ao contrário do que muitos pensam, o palhaço não é engraçado porque quer, mas porque é quem aceitou todas as suas vulnerabilidades. O palhaço é aquele que se desfez dos valores de perfeição, competitividade, das ilusões do poder e do ser intocado; é aquele que começou a aceitar que é ser vulnerável, errado e errante aos olhos das demandas de fortaleza a que somos impostos.
“O sapato do palhaço é grande porque não é dele”. A concretude da colocação guarda uma metáfora: o palhaço simboliza nossa natureza humana, essencialmente despossuída, errante e perdedora. Somos despossuídos tanto porque é assim que viemos ao mundo quanto porque as posses que acumulamos ao longo da vida são provisórias. Elas criam nossos papéis e nossas identidades, mas o palhaço e o psicanalista estão aí para nos lembrar de que nós não somos nada disso. Dizemos até mesmo que temos um corpo e não que somos um corpo. A lembrança dessa condição de vulnerabilidade é muito importante para definir a primeira condição de abertura para a escuta, que vimos no palhaço e no psicanalista, é uma atitude ética e política. O primeiro passo para escutar é se despossuir: de seus personagens, de suas prerrogativas, de seus direitos, de sua língua, de seu circo neurótico particular.”
Recuperar o “eu” palhaço, o fofolete, é uma jornada de retorno para a minha verdadeira casa: aceitação de vulnerabilidades. Com isso, o início de uma jornada que me faça ser um melhor “escutante” a um excelente “falante”.
Desde criança, aprendemos que falar bem é importante, mas e sobre escutar bem? A arte do diálogo é a escuta.
Escutar é um ato de coragem. Para escutar o outro, e não apenas ouvir, é necessário despir-se de si.
Por isso, recomendo aqui a leitura de “O Palhaço e o Psicanalista”
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Christian Dunker