Toda a História sempre foi um desfile contínuo dos ideais e aspirações que moveram os homens através dos tempos, os fatores econômicos nunca foram mais que correlatos a isso, pois que é no espírito onde ocorre o planejamento de como gerimos nossos recursos, de como nos encaminhamos para o dia de amanhã.
Por isso, onde quer que o desenvolvimento do espírito foi desprezado, foi também o futuro de quem o desprezou.
Hegel Inteligível
Hegel, mas inteligível
29/09/2021
"O bem-conhecido em geral, justamente por ser bem-conhecido, não é reconhecido. É o modo mais habitual de enganar-se e de enganar os outros: pressupor no conhecimento algo como já conhecido e deixá-lo tal como está. Um saber desses, com todo o vaivém de palavras, não sai do lugar – sem saber como isso lhe sucede".
W. F. Hegel, §31 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Sequoias-Gigantes da California, por Albert Bierstadt (1830-1902).
25/09/2021
"[Die Wissenschaft] A ciência que recém começa, e assim não chegou ainda ao remate dos detalhes nem à perfeição da forma, está exposta a [sofrer] crítica por isso. Caso porém tal crítica devesse atingir a essência mesma da ciência, seria tão injusta quanto seria inadmissível não reconhecer a exigência do processo de formação cultural. Essa oposição parece ser o nó górdio que a cultura científ**a de nosso tempo se esforça para desatar, sem ter ainda chegado a um consenso nesse ponto. Uma corrente insiste na riqueza dos materiais e na inteligibilidade; a outra despreza, no mínimo, essa inteligibilidade e se arroga a racionalidade imediata e a divindade. Se uma corrente for reduzida ao silêncio ou só pela força da verdade, ou também pelo ímpeto da outra, e se sentir suplantada no que toca ao fundamento da Coisa, nem por isso se dá por satisfeita quanto a suas exigências: pois são justas, mas não foram atendidas. Seu silêncio, só pela metade se deve a vitória [do adversário] – a outra metade deriva do tédio e da indiferença, resultantes de uma expectativa sem cessar estimulada, mas não seguida pelo cumprimento das promessas.
[In Ansehung] No que diz respeito ao conteúdo, os outros recorrem a um método fácil demais para disporem de uma grande extensão. Trazem para seu terreno material em quantidade, isto é, tudo o que já foi conhecido e classif**ado. Ocupam-se especialmente com peculiaridades e curiosidades; dão mostras de possuir tudo o mais, cujo saber especializado já é coisa adquirida, e também de dominar o que ainda não foi classif**ado. Submetem tudo à ideia absoluta, que desse modo parece ser reconhecida em tudo e desenvolvida numa ciência amplamente realizada.
Porém, examinando mais de perto esse desenvolvimento, salta à vista que não ocorreu porque uma só e a mesma coisa se tenha modelado em diferentes figuras; ao contrário, é a repetição informe do idêntico, apenas aplicado de fora a materiais diversos, obtendo assim uma aparência tediosa de diversidade. se o desenvolvimento não passa da repetição da mesma fórmula, a ideia, embora para si bem verdadeira, de fato f**a sempre em seu começo. A forma, única e imóvel, é adaptada pelo sujeito sabedor aos dados presentes: o material é mergulhado de fora nesse elemento tranquilo. Isso porém – e menos ainda fantasias arbitrárias sobre o conteúdo – não constitui o cumprimento do que se exige; a saber, a riqueza que jorra de si mesma, a diferença das figuras que a si mesmas se determinam. Trata-se antes de um formalismo de uma só cor, que apenas atinge a diferença do conteúdo, e ainda assim porque já o encontra pronto e conhecido".
W. F. Hegel, §14 e 15 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: O Eremita em frente ao Seu Retiro, por Carl Spitzweg (1808-1885).
21/09/2021
"Agora parece haver necessidade do contrário: o sentido está tão enraizado no que é terreno, que se faz mister uma força igual para erguê-lo dali. O espírito se mostra tão pobre que parece aspirar, para seu reconforto, ao mísero sentimento do divino em geral – como um viajante no deserto anseia por uma gota d'água. Pela insignificância daquilo com que o espírito se satisfaz, pode-se medir a grandeza do que perdeu".
W. F. Hegel, §8 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Parque na Lombardia, Fulvia Bisi (1818-1911).
18/09/2021
"Neste ponto se encerra a Fenomenologia do Espírito. O que o espírito nela se prepara é o elemento do saber. Agora se expandem nesse elemento os momentos do espírito na forma da simplicidade, que sabe seu objeto como a si mesma. Esses momentos já não incidem na oposição entre o ser e o saber, separadamente; mas f**am na simplicidade do saber — são o verdadeiro na forma do verdadeiro, e sua diversidade é só diversidade de conteúdo".
W. F. Hegel, §37 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Ruinas Romanas, por Ferdinand Knab (1834-1902).
18/09/2021
"É claro que a dialética da certeza sensível não é outra coisa que a simples história de seu movimento ou de sua experiência; e a certeza sensível mesma não é outra coisa que essa história apenas. A consciência natural por esse motivo atinge sempre esse resultado, que nela é o verdadeiro, e disso faz experiência; mas torna sempre a esquecê-lo também, e começa de novo o movimento desde o início".
W. F. Hegel, §109 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Marinheiro com figuras no mar tempestuoso, por Olsson Blommér (1816-1853).
13/09/2021
"[...]Essa consciência sentiu a angústia, não por isto ou por aquilo, não por este ou aquele momento, mas sim através de sua essência toda, pois sentiu o medo da morte, do senhor absoluto. Aí se dissolveu interiormente; em si mesma tremeu em sua totalidade, e tudo que havia de fixo, nela vacilou".
W. F. Hegel, §194 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Sem Título, Zdzisław Beksiński (1929-2005).
08/08/2021
"Além do que, por residir a filosofia essencialmente no elemento da universalidade — que em si inclui o particular —, isso suscita nela, mais que em outras ciências, a aparência de que é no fim e nos resultados últimos que se expressa a Coisa mesma, e inclusive sua essência consumada; frente a qual o desenvolvimento [da exposição] seria, propriamente falando, o inessencial".
W. F. Hegel, §1 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Anoitecer, Morte e a Velha, por Laurits Andersen Ring (1854-1933).
03/06/2021
"[...]É ingenuidade de quem está vazio de conhecimento pôr esse saber único — de que tudo é igual no absoluto — em oposição ao conhecimento diferenciador e pleno (ou buscando a plenitude); ou então fazer de conta que o absoluto é a noite em que "todos os gatos são pardos", como se costuma dizer".
W. F. Hegel, §16 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Navio a V***r em Chamas no Mar Tempestuoso, por Johann Jakob Ulrich (1798-1877).
29/05/2021
"[...] Porém não é a vida que se atemoriza ante a morte e nela se conserva intacta da devastação, mas é a vida que suporta a morte e nela se conserva, que é a vida do espírito".
W. F. Hegel, §32 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Flores num Vaso de Madeira, por Pieter Bruegel (1525–1569).
28/05/2021
"Desse modo, vemos conhecimentos, que em antigas épocas ocupavam o espírito maduro dos homens, serem rebaixados a exercícios — ou mesmo a jogos de meninos; assim pode reconhecer-se no progresso pedagógico, copiada como em silhuetas, a história do espírito do mundo".
W. F. Hegel, §28 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Jogadoras de Xadrez, por Sir John Lavery (1856–1941).
28/05/2021
"Conforme esse ponto de vista, a formação cultural considerada a partir do indivíduo consiste em adquirir o que lhe é apresentado, consumindo em si mesmo sua natureza inorgânica e apropriando-se dela".
W. F. Hegel, §28 da Fenomenologia do Espírito.
Obra: Um Dia de Verão, por Hans Heysen (1877-1968).
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