06/09/2026
Às famílias e a toda a nossa ilha do Fogo
Hoje as nossas palavras parecem pequenas diante de uma dor tão grande. Perder cerca de 20 vidas de uma só vez é uma ferida que a nossa comunidade vai carregar por muito tempo, e não há frase que consiga aliviar por completo o peso desta perda.
Mas quero partilhar convosco algo mais do que sentimentos: um pensamento sobre a vida e sobre a morte.
Um dia, todos nós partiremos deste plano. É a única certeza que temos desde que nascemos.
E talvez seja por isso que prefiro olhar para a morte não como um fim absoluto, mas como uma passagem — um momento em que quem parte talvez esteja apenas a começar uma nova vida, num outro plano, melhor do que este.
Para nós, que f**amos, é o fim de uma convivência. Mas para quem partiu, quem sabe, é o início de outra jornada.
Isso não apaga a dor de quem f**a. E é importante que vivamos o luto — sem pressa, sem vergonha, com todo o tempo que ele pedir. Mas que o luto não nos tire a força.
Que sirva, pelo contrário, para nos lembrar de sermos gratos: gratos pela convivência que tivemos, pelo tempo partilhado, pelos abraços, pelas conversas simples do dia a dia que, só agora, percebemos o quanto valiam.
Que esta tragédia nos faça parar e refletir: o amanhã não é garantido a ninguém. Por isso, aproveitemos cada momento, cada gesto de carinho, cada instante ao lado de quem está ao nosso lado — hoje, agora, enquanto ainda podemos.
Ficamos com esta memória terrível marcada na nossa história. Mas f**aremos também unidos — vizinhos, amigos, ilha inteira — para que, juntos, tenhamos a força de carregar esta dor sem nos deixarmos vencer por ela.
Às famílias enlutadas: o Fogo inteiro sente convosco, e estaremos ao vosso lado, hoje e sempre.