04/11/2025
Conferência Plenária #5 | Liliana Inverno (CELGA-ILTEC/Universidade de Coimbra)
𝐍𝐨𝐬 𝟓𝟎 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐢𝐧𝐝𝐞𝐩𝐞𝐧𝐝𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐀𝐧𝐠𝐨𝐥𝐚, 𝐪𝐮𝐚𝐥 𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐬𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐚 𝐫𝐞𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 (𝐬𝐨𝐜𝐢𝐨)𝐥𝐢𝐧𝐠𝐮𝐢́𝐬𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐨 𝐩𝐚𝐢́𝐬?
A comunicação apresenta uma revisão crítica do estado da arte sobre a descrição da 𝑒𝑐𝑜𝑙𝑜𝑔𝑖𝑎 𝑙𝑖𝑛𝑔𝑢𝑖́𝑠𝑡𝑖𝑐𝑎 de Angola, articulando uma reflexão teórica sobre o conceito de ecologia linguística com uma análise empírica das principais linhas de investigação desenvolvidas no país. Parte-se da conceção de ecologia linguística como um quadro analítico que procura compreender as inter-relações entre línguas, falantes e contextos socioculturais, destacando as dinâmicas de contacto, competição e complementaridade entre códigos. Com base em literatura produzida desde o período pós-independência até à atualidade, o artigo examina como têm sido descritos os papéis e as funções do português angolano, das línguas bantu e das práticas multilingues urbanas e rurais. A revisão evidencia uma concentração de estudos no português como língua de unificação e ascensão social, ao passo que as línguas nacionais continuam a ser pouco descritas e frequentemente tratadas de forma residual. Identificam-se ainda limitações metodológicas relacionadas com a escassez de dados de base, a ausência de corpora sistemáticos e a insuficiência de abordagens integradas que contemplem fatores históricos, ideológicos e identitários. Propõe-se, em conclusão, uma agenda de investigação orientada para uma descrição mais abrangente da ecologia linguística angolana, que reconheça a complexidade dos repertórios locais e o papel das ideologias linguísticas na configuração do espaço comunicativo nacional.