Filosofantes

Directions Website Contact the school

Filosofantes Página de Filosofia do professor Silvério Ortiz. Para interagir com as pessoas e divulgar os projetos .

25/09/2026

“Você já combinou com os russos?”

A famosa anedota de Garrincha na Copa de 1958 guarda uma das melhores traduções práticas do existencialismo de Jean-Paul Sartre.

Na prancheta do técnico, a jogada era perfeita: dribles previstos, passes milimétricos e gol certo. Mas faltava um detalhe elementar — do outro lado do campo havia onze sujeitos com vontades próprias, estratégias distintas e liberdade de ação.

Quando Sartre escreveu que “o inferno são os outros” , ele não estava sendo pessimista com a convivência. Em sua filosofia, o “inferno” é o choque inevitável com a liberdade alheia.

Na nossa cabeça, somos diretores do mundo: planejamos a carreira, os relacionamentos e os dias como se as pessoas fossem peças estáticas no nosso tabuleiro.

Só que o Outro não é um figurante do nosso roteiro. Ele pensa, decide, reage e bagunça qualquer previsão idealizada. A presença do outro tira a nossa ilusão de controle e nos obriga a encarar a realidade como ela é: imprevisível e negociada a cada lance.

No papel, todo plano é campeão invicto. Na vida real, a bola rola — e é preciso saber jogar com a liberdade alheia.

E você, quantas vezes montou o cenário perfeito na sua cabeça e esqueceu de “combinar com os russos”?

22/09/2026

O que vale a pena deixar pra trás?
Caminhar por Borobudur, na ilha de Java, é confrontar essa pergunta a cada degrau.
Diferente de monumentos criados para impressionar pelo excesso, o maior templo budista do mundo foi desenhado como um exercício de esvaziamento. Na base, milhares de relevos em pedra vulcânica detalham os apegos, as paixões e todo o ruído do cotidiano terreno. Conforme você sobe, esse volume de narrativas vai se dissipando até dar lugar ao silêncio.
No topo, a grande estupa central é completamente oca — um vazio que não representa ausência, mas libertação plena.
Talvez crescer não seja sobre acumular, e sim sobre soltar o peso desnecessário e viver com mais leveza.

22/09/2026
17/09/2026

📍E hoje, meu de viagem visita Stratford-upon-Avon, cidade inglesa e berço de Shakespeare.

“Ser ou não ser, eis a questão.” Vamos refletir juntos?

E se o seu maior inimigo não fosse o mundo, mas a sua própria consciência?

É esse o drama de Hamlet. “Ser ou não ser” não é apenas uma pergunta sobre viver ou morrer, mas sobre como continuar vivendo diante do sofrimento, da incerteza e do mistério da existência.

Hamlet pensa, imagina consequências, questiona — e quanto mais pensa, mais difícil se torna agir. Shakespeare revela um paradoxo profundamente humano: a consciência pode nos libertar, mas também pode nos paralisar.

Talvez “ser ou não ser” continue sendo a nossa pergunta porque, diante da incerteza de existir, todos precisamos decidir como continuar.

Cenas de um professor - guia  #2 📍: pelo mundo 🌍Sair da sala de aula para guiar viagens pelo mundo traz muitas novidades...
07/09/2026

Cenas de um professor - guia #2
📍: pelo mundo 🌍

Sair da sala de aula para guiar viagens pelo mundo traz muitas novidades, naturalmente. Uma delas é o reconhecimento pelo trabalho, que vem mais cedo.

Obrigado é uma palavra pequena para agradecer as palavras e afetos que encontro nessas trilhas pelo mundo.

designer : Super Jurunas

02/09/2026

Você conversa ou disputa?

Hoje em dia, nos acostumamos a não conversar sobre assuntos onde encontramos divergências. Na verdade, não sabemos mais lidar com o contraditório. Não debatemos mais política, religião ou mesmo futebol com o intuito de trocar ideias ou compreender perspectivas diferentes. Os debates viram disputas nas quais existe uma “vitória” a ser alcançada.

Mas desde quando o diálogo virou uma batalha onde o único objetivo é fazer o interlocutor pensar exatamente igual a mim?

O filósofo Byung-Chul Han nos alerta que o nosso narcisismo e o ego inflado criaram barreiras. O excesso de “nós mesmos” está, literalmente, expulsando o outro. Essa dinâmica não apenas aniquila a empatia, como é um dos motores da nossa exaustão coletiva, do burnout e da depressão na sociedade contemporânea.

Para romper esse ciclo, precisamos resgatar a perspectiva socrática do diálogo. Para Sócrates, conversar não era um embate retórico para inflar o próprio ego ou humilhar o adversário.
O diálogo era uma construção conjunta em busca da verdade. Isso exige um passo que desaprendemos a dar: a humildade de reconhecer a própria ignorância (o clássico “só sei que nada sei”) e a disposição para uma escuta genuína.

O método socrático, a maiêutica, é uma ferramenta para “dar à luz” novas ideias em parceria com o outro, e não para vencer as ideias alheias.

Precisamos resgatar a nossa capacidade de lidar com a alteridade e substituir a necessidade de “ter razão” pela beleza da sabedoria compartilhada.

E você, como tem lidado com as opiniões divergentes no seu dia a dia? Conversando ou disputando?

Estar em Stonehenge é deparar-se com um dos maiores mistérios da humanidade: como uma sociedade tão antiga foi capaz de ...
30/08/2026

Estar em Stonehenge é deparar-se com um dos maiores mistérios da humanidade: como uma sociedade tão antiga foi capaz de erguer algo tão monumental?

Construído entre 3000 e 1600 a.C., do Neolítico à Idade do Bronze, este santuário existiu muito antes das grandes cidades e impérios que costumamos chamar de “civilização”. E talvez seja justamente aí que resida a sua maior lição.

Sem escrita, sem máquinas modernas, sem ferramentas de ferro, eles tinham “apenas” um conhecimento profundo da natureza: a pedra, a madeira, a paisagem e os ciclos do Sol. Sabiam organizar o esforço coletivo e construir segundo princípios astronômicos que ainda nos intrigam.

Stonehenge não é apenas um amontoado de rochas. É o testemunho de uma sociedade que transformou força humana e cooperação em arquitetura eterna.

As pedras permanecem. Mas o verdadeiro monumento, para mim, é o conhecimento humano que as colocou de pé.

E você, acha que essas pedras ainda têm algo a nos ensinar hoje?

Estar em Stonehenge é deparar-se com um dos maiores mistérios da humanidade: como uma sociedade tão antiga foi capaz de ...
30/08/2026

Estar em Stonehenge é deparar-se com um dos maiores mistérios da humanidade: como uma sociedade tão antiga foi capaz de erguer algo tão monumental?

Construído entre 3000 e 1600 a.C., do Neolítico à Idade do Bronze, este santuário existiu muito antes das grandes cidades e impérios que costumamos chamar de “civilização”. E talvez seja justamente aí que resida a sua maior lição.

Sem escrita, sem máquinas modernas, sem ferramentas de ferro, eles tinham “apenas” um conhecimento profundo da natureza: a pedra, a madeira, a paisagem e os ciclos do Sol. Sabiam organizar o esforço coletivo e construir segundo princípios astronômicos que ainda nos intrigam.

Stonehenge não é apenas um amontoado de rochas. É o testemunho de uma sociedade que transformou força humana e cooperação em arquitetura eterna.

As pedras permanecem. Mas o verdadeiro monumento, para mim, é o conhecimento humano que as colocou de pé.

E você, acha que essas pedras ainda têm a que nos ensinar hoje?

Cenas de um professor-guia  #1  📍 Parque Nacional Parque Nacional Gorkhi-Terelj  📅 21/5/26  Nos últimos anos, tenho me a...
22/05/2026

Cenas de um professor-guia #1

📍 Parque Nacional Parque Nacional Gorkhi-Terelj
📅 21/5/26

Nos últimos anos, tenho me acostumado a comemorar o aniversário longe de casa.
Longe dos amigos de longa data.
Longe da minha pessoa favorita — que, curiosamente, faz aniversário no mesmo dia que eu.

Mais uma vez, estou distante do lar.
Distante da Mona.
Mas nunca sozinho.

Porque, nessas viagens, a celebração acaba ganhando outros rostos: os dos passageiros que caminham comigo estrada afora.

São eles que, com presença, escuta e partilha, transformam o dia em memória.
E fazem do aniversário não apenas uma marca do tempo, mas um pequeno ritual humano de encontro, afeto e travessia.

A Mona, como sempre, encontra um jeito de estar presente — nas mensagens, nas lembranças, na vela do bolo atravessando continentes.
Mas são esses viajantes-tripulantes da excursão que ajudam a aquecer a saudade e a tornar cada aniversário fora de casa um pouco mais próximo dela.

Por isso, hoje, o “parabéns” também é para vocês.
E o agradecimento, mais ainda.





araujo










O que devo ao outro?No templo de Confúcio, em Beijing, essa pergunta me pareceu atravessar séculos e civilizações, revel...
10/05/2026

O que devo ao outro?

No templo de Confúcio, em Beijing, essa pergunta me pareceu atravessar séculos e civilizações, revelando uma diferença interessante entre Oriente e Ocidente na forma de pensar a ética.

No pensamento confucionista, a chamada “regra de ouro” aparece de forma negativa:
“Não faça aos outros aquilo que não deseja para si.”

Já na tradição cristã do Ocidente, ela costuma aparecer de forma positiva:
“Faça aos outros aquilo que deseja para si.”

A diferença parece sutil, mas revela mundos morais distintos.

A fórmula confucionista enfatiza contenção, equilíbrio, respeito aos limites e harmonia social. O homem virtuoso evita causar desordem ao outro. A ética nasce do autocontrole.

A fórmula ocidental, por sua vez, tende à ação: agir, transformar, intervir, amar ativamente. A moral aparece como iniciativa.

O Oriente tradicional frequentemente busca a harmonia do mundo.
O Ocidente clássico frequentemente busca transformar o mundo.

Duas civilizações, duas sensibilidades éticas — ambas ainda vivas entre nós.



Address

Beijing

Alerts

Be the first to know and let us send you an email when Filosofantes posts news and promotions. Your email address will not be used for any other purpose, and you can unsubscribe at any time.

Contact The School

Send a message to Filosofantes:

Shortcuts

Share

Category