17/08/2021
19 DE AGOSTO — ANIVERSÁRIO DO CONGREGACIONALISMO BRASILEIRO
Por que somos Congregacionais? Por acaso ou por convicção? Em que somos diferentes e em que somos semelhantes, como igreja, a outras denominações? Quais são os princípios que nos levam a ser congregacionais?
Essas são perguntas importantes que, geralmente, o povo faz, e que reclamam uma exposição clara e divulgada do que realmente significa ser congregacional, tendo consciência e o conhecimento do que se crê.
O nome CONGREGACIONALISMO é o regime de governo eclesiástico conhecido onde cada congregação local é autônoma e independente. A igreja local possui autonomia para sua própria reflexão teológica, expansão missionária, relação com outras denominações e seleção de seu ministério. O congregacionalismo está baseado nos seguintes princípios:
1) Cada congregação de fiéis, unida pela adoração, observação das ordenanças e disciplina cristã, é uma Igreja completa, não subordinada em sua administração a qualquer outra autoridade eclesiástica senão a de sua própria assembléia de membros, que é a autoridade decisória final do governo de cada igreja local.
2) Não existe nenhuma outra organização ou entidade maior ou mais extensa do que uma Igreja local a quem pode ser dada prerrogativas eclesiásticas ou ser chamada de Igreja.
Como tudo começou? Um pouco da história do Congregacionalismo Brasileiro.
Em 12 de outubro de 1838, acompanhado de sua primeira esposa, D. Margarida, o Dr. Robert Reid Kalley, médico escocês, desembarcou em Funchal, capital da lha da Madeira, possessão portuguesa no Oceano Atlântico norte africano, a oeste da costa do Marrocos. Apesar de ser de origem presbiteriana, Dr. Kalley veio por sua própria conta, desenvolvendo um abençoado e pioneiro ministério de evangelização durante oito anos, valendo-se da assistência médica que prestava em seu consultório e no pequeno hospital que fundou.
As perseguições movidas pelo clero católico, com a conivência de autoridades portuguesas, foram constantes e terríveis. Espancamento, prisão, entre as quais uma do próprio doutor e até uma pena de morte decretada contra uma crente foram episódios desses oito anos de tribulações.
O Dr. Kalley, de volta à Escócia, viajou pouco depois para o Oriente, onde faleceu sua esposa e foi sepultada em Beirute, em janeiro de 1852. No final do mesmo ano veio a casar-se com a jovem Sarah Poulton Wilson. Em 1853 o casal visitou os madeirenses e souberam que tinha sido pedido à Sociedade Bíblica Americana o envio de três casais madeirenses ao Brasil. Eles sentiram nisso o chamado de Deus.
O casal Kalley partiu, então, de Southampton, Estados Unidos, em 9 de abril de 1855, chegando ao Rio de Janeiro no dia 10 de maio. Por dois meses e meio se hospedaram em hotéis, mas não encontraram um local adequado onde pudessem residir e iniciar um trabalho de evangelização. No final de junho visitaram Petrópolis e ficaram impressionados com a cidade. Viram que havia melhor possibilidade de iniciar o trabalho missionário ali do que no Rio de Janeiro, graças ao auxílio que poderiam receber dos colonos alemães. Souberam que uma bela propriedade (Gernheim, “lar muito amado”) situada em uma encosta do bairro Suíço ficaria disponível em outubro. O casal mudou-se para Petrópolis em fins de julho, hospedando-se em um hotel. Tendo feito amizade com a família do embaixador americano, Sr. Webb, que ocupava Gernheim, foi-lhes permitido iniciar ali uma escola dominical. Na tarde do dia 19 de agosto, Sarah Kalley iniciou a classe dominical com as crianças da casa e de uma família vizinha. Ela leu a história do profeta Jonas, cantaram hinos e oraram. Assim nasceu a primeira Escola Dominical do Brasil. Algum tempo depois foi criada uma classe de adultos, dirigida pelo Rev. Robert Kalley. Em 15 de outubro o casal mudou-se para Gernheim. A escola dominical cresceu e no ano seguinte surgiram classes em alemão, inglês e português, para crianças de oito anos para cima.
De agosto de 1855 a maio de 1856, o Rev. Kalley escreveu várias cartas aos irmãos de Illinois (EUA), convidando-os para virem ajudá-lo no Brasil. Em dezembro de 1855 chegou William D. Pitt, que havia sido aluno de escola dominical de Sarah na Inglaterra, e em agosto de 1856 vieram Francisco da Gama, Francisco de Souza Jardim e Manoel Fernandes, com suas famílias. No dia 10 de agosto daquele ano, na casa alugada por esses crentes no morro da Saúde, no centro do Rio de Janeiro, o Rev. Kalley oficiou pela primeira vez a Ceia do Senhor, com a presença de dez pessoas. O missionário viu desde o início a importância da literatura e convidou Francisco da Gama para trabalhar como colportor, vendendo Bíblias e livros evangélicos. Algumas publicações foram encomendadas de Lisboa e outras produzidas pelo próprio Dr. Kalley. Ele também traduziu a famosa obra de John Bunyan, “A Viagem do Cristão” (O Peregrino), publicando-a no Correio Mercantil (outubro a dezembro de 1856) e depois em forma de livro. Também escrevia artigos religiosos nesse jornal.
Ao mesmo tempo, desde que chegou a Petrópolis, Kalley procurou relacionar-se com as autoridades civis, inclusive com o imperador D. Pedro II, do qual se tornou amigo. Como seu vizinho, este foi visitá-lo várias vezes para ouvir sobre as suas viagens através da Palestina.
O nome Congregacional não foi adotado em princípio, porque não gozava de boa reputação devido ao liberalismo das igrejas americanas no final do século XIX. Assim é que as primeiras Igrejas que Kalley fundou chamavam-se simplesmente “Evangélicas”, até porque eram as primeiras. Em 1913, na primeira convenção das Igrejas Brasileiras e Portuguesas, criou-se uma entidade com o nome de ALIANÇA DAS IGREJAS EVANGÉLICAS INDENOMINACIONAIS.
Já em 1916 o nome foi mudado para ALIANÇA DAS IGREJAS EVANGÉLICAS CONGREGACIONAIS BRASILEIRAS E PORTUGUESAS. Daí por diante o termo “CONGREGACIONAL” estaria sempre presente no nome denominacional.
A Igreja Evangélica Congregacional Água da Vida, localizada no bairro Monte Castelo, em Volta Redonda-RJ, é uma das legítimas herdeiras do trabalho iniciado por este casal.