17/06/2021
No segundo texto da nossa série, o CPC convidou seu membro, o mestre em Ciência Política e professor do Departamento de Ciências Sociais da UFES, Mauro Petersem Domingues para falar sobre os reflexos das jornadas de junho de 2013 na política brasileira atual:
"Sem negar o elemento emocional ou de humor das “massas”, a partir especialmente das manifestações do dia 17 de junho de 2013, um conjunto de forças empresariais e políticas passou a identificar nas manifestações uma oportunidade para desgastar o governo da Presidente Dilma Roussef, o que levou a uma ativa participação da mídia e do empresariado na convocação de novas manifestações. Isto levou ao aumento considerável do número de seus participantes e à modificação de sua composição social e política, com a pauta de defesa dos direitos sociais e políticos passando a ser substituída por outra, de caráter liberal-conservador, ou seja, em favor do mercado contra o Estado, identificado como tomado pela corrupção, tendo os governos petistas de Dilma Roussef, no plano federal, e de Fernando Haddad, na cidade de São Paulo, como seus principais alvos de ataques. As manifestações de junho como uma reação emocional do povo serviram e servem para mascarar a atuação de grupos de interesses que, mobilizando recursos econômicos, simbólicos e de poder, buscaram desgastar o Partido dos Trabalhadores como forma de enfraquecê-lo política e eleitoralmente. Viabilizaram a substituição de uma agenda de governo voltada para a promoção de direitos sociais e civis por outra, mais de acordo com os interesses empresariais que defendiam a adoção de políticas de ajuste neoliberal de modo a enfrentar os efeitos da crise econômica mundial que, embora tardiamente, já vinha provocando a perda de dinamismo da economia brasileira."
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Créditos da imagem: Revista Fórum/Divulgação