15/09/2020
A pesquisa artística que venho construindo ao longo de um percurso envolvendo o trabalho prático e a formação, e que, portanto, traduz um processo de criação singular, passa pelos caminhos mais “ordinários” e anacrônicos quando se pensa a produção de imagens no campo da arte ao longo de sua história.
De maneira geral tento compreender o desenho longe do enclausuramento semântico, do discurso demasiadamente erudito e da função esotérica da arte. Como contraponto radical, estou mais próximo de um ofício propriamente dito, pensando sempre no método de abordagem assim como um artesão, fincado na terra, pensa no resultado efetivo de seu trabalho. É sobre uma experiência acessível – junto ao corpo social - e coletiva.
Isso significa que neste mesmo percurso, seja através das minhas ilustrações para jornais e livros, ou a construção de imagens para as exposições em galerias e museus das quais participei, o desenho cumpre uma função estrutural que dialoga com questões incontornáveis do nosso tempo: o problema da criação para o artista, o lugar do político na arte, as questões vinculadas ao corpo, a violência e o racismo.
Dessa forma, os processos formativos nos quais me vinculo são disparados, na maioria das vezes, por elementos banalizados e negligenciados por um tipo de oficialidade discursiva estabelecida, mas que possuem, ao mesmo tempo, grande aceitação popular e que tem em mim o afeto mais genuíno: as histórias em quadrinhos, as ilustrações de livros, as gravuras, os desenhos para imprensa, os cartazes, ou seja, obras onde o suporte em papel conta com a assertividade de quem as produz; produtos estes tão efêmeros e, ao mesmo tempo, tão importantes na construção cotidiana de um imaginário gráfico.
́fico ̃o