07/05/2021
Existe por aí a ideia de que aprender uma língua com um professor nativo é a melhor maneira, a mais ef**az, talvez a fórmula mágica da tão desejada fluência…
Mas, afinal, nativo de onde? 🤷🏻♀️
A gente sabe que no Reino Unido, EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia se aprende inglês como primeira língua, mas também na Jamaica, em Trindade e Tobago, na Guiana e em Barbados, isso pra citar somente alguns.
Todos esses países possuem culturas, sotaques e formas de se expressar que podem ser muito diferentes entre si.
Quando vemos a propagação da ideia do FALANTE NATIVO, você acha que todas as formas de falar inglês são valorizadas, desejadas e promovidas igualmente? 🤔
Por trás dessa lógica - que parece ser inofensiva, mas não é - se esconde uma ideologia neo-racista conhecida como native-speakerism.
Adrian Holliday, professor e PhD em Linguistica Aplicada, diz que "ao rotular professores como 'falantes nativos' e 'falantes não-nativos', essa ideologia falsamente posiciona os grupos como culturalmente superiores ou inferiores com papéis e atributos diferentes".
Existem muitas coisas ruins nisso e uma delas é a forma como a indústria do ensino de língua se aproveita dessa ideia deturpada como estratégia de marketing: 'APRENDA INGLÊS COM PROFESSORES NATIVOS!!!', como se fosse um certif**ado de qualidade do ensino.
Native-speakerism é ruim para professores (inclusive nativos), mas também para os alunos. E muito!!
Pensem: quando existe um jeito de 'falar' valorizado, quem está aprendendo se sente eternamente pressionado a falar de tal modo.
O desenvolvimento e aprimoramento deve estar sempre estabelecido como meta e objetivo, mas ao invés de perdermos tempo tentando ser igual ao outro, que tal trabalhar em sermos a melhor versão de nós mesmos?
-speakerism